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'Mais Louco do Brasil' é obrigado a implantar casa de acolhimento em até 3 meses

Município no interior do Mato Grosso do Sul têm alternativa de tirar um convênio do papel, no prazo de um mês, para atender pessoas com alto grau de dependência de cuidados

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Localizado a cerca de 289 quilômetros da Capital, o município no interior de Mato Grosso do Sul chefiado pelo "Mais Louco do Brasil", têm agora o prazo de três meses para implementar uma casa de acolhimento para idosos, graças à liminar concedida pela Justiça da Comarca de Ivinhema. 

Conforme divulgado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), como alternativa, o prefeito Juliano Ferro pode também firmar um convênio - em até 30 dias - para atender pessoas com alto grau de dependência de cuidados, com alguma instituição habilitada.

Segundo o MPMS em nota, o "estopim" desse caso foi a instauração de inquérito civil pela 2ª Promotoria de Justiça de Ivinhema, gerado justamente pela "demora no cumprimento de decisões judiciais que determinavam o acolhimento de idosos em situação de vulnerabilidade, distribuídas em processos anteriores".

"O Município limitou-se a informar que mantinha termo de colaboração com um lar de idosos - instituição que declarou não possuir condições técnicas e legais para atender idosos com dependência elevada", diz o MPMS em complemento.

Nas palavras do Promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki, com base nos documentos compilados na ação, mesmo sem as devidas condições técnicas e legais, "idosos vinham sendo encaminhados a essa instituição de forma irregular", em afronto às normas internas. 

Reiterados descumprimentos de decisões judiciais também foram apontados pelo Ministério Público, com atrasos de até três meses para ordens que deveriam ser cumpridas em um intervalo de 15 dias.

A decisão judicial reconheceu falha do ente municipal em oferecer acolhimento adequado, destacando que a falta de uma estrutura desse tipo compromete a assistência a quem mais necessita. 

Ou seja, em Ivinhema os idosos estariam expostos a riscos graves à saúde e à dignidade.

Segundo o juiz, essa omissão viola os direitos que são assegurados pela Constituição Federal e pelo próprio Estatuto do Idoso. 

Dos prazos, Juliano Ferro tem agora três meses (90 dias) para instalar uma unidade própria de acolhimento de idosos com mobilidade reduzida, que ofereça atendimento integral e contínuo. 

A decisão prevê ainda que, caso seja impossível tirar essa casa de acolhimento no período, o Executivo precisa formalizar convênio com uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) no prazo de um mês.

Essa ILPI precisa estar ainda habilitada para atender indivíduos com Grau III de dependência, assegurando-lhes cuidados médicos, psicológicos, sociais e de enfermagem. 

O caso e os devidos cumprimentos da determinação judicial, bem como os desdobramentos do processo, serão acompanhados pela 2ª Promotoria de Justiça de Ivinhema.

"Quarteirizador"

Prefeito em segundo mandato, Juliano Ferro é também digital influencer e figura como o político com o maior número de seguidores em Mato Grosso do Sul, sendo pouco mais de 1 milhão no Instagram e cerca de 318 mil no Facebook.

Além de conquistar votos e simpatizantes, usa as redes sociais principalmente para vender rifas. E é com o dinheiro destas rifas que diz conseguir o dinheiro para comprar e bancar as caminhonetes de luxo com as quais costuma desfilar.

No começo desde ano um de seus contratos municipais chamou atenção, pela estratégia de "quarteirização" de serviços, sendo pioneiro do termo no Diário Oficial do Governo do Estado, entre as milhares de páginas que são publicadas semanalmente pela administração estadual e por prefeituras.

Sendo que prefeitura arrecada R$ 300 milhões ao ano, somente nesse acordo específico com a CAT, como é conhecida - e que se descreve com como “uma empresa que atua no desenvolvimento de programas de computador sob encomenda” -, foi contratada por R$ 4.995.750,45 por seis meses para gerenciar as oficinas que prestam serviço ao município, gasto em torno de 3,3%. 

 

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Cidades

Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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