Cidades

Comportamento

Cigarro perde espaço, mas vape acende alerta em MS

Tratamento para abandonar o tabagismo cresceu 72% no Estado, enquanto pesquisas apontam avanço dos cigarros eletrônicos

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Quatro em cada dez adolescentes do Centro-Oeste já experimentaram cigarro eletrônico. O percentual de 42% entre estudantes de 13 a 17 anos é o maior do país e faz parte dos dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) neste ano. O avanço ocorre justamente quando Mato Grosso do Sul registra outro movimento: a procura por tratamento para abandonar o cigarro aumentou 72% em três anos, segundo o Ministério da Saúde. 

A diferença entre os números expõe uma mudança no cenário do tabagismo. Enquanto pessoas que já desenvolveram dependência procuram o Sistema Único de Saúde (SUS) para conseguir parar de fumar, o cigarro eletrônico ganha espaço entre adolescentes, criando uma nova frente de preocupação para as autoridades de saúde.

No Estado, foram registrados 24.664 atendimentos para tratamento contra o tabagismo em 2025, ante 14.312 em 2022. São 10.352 atendimentos a mais no período. No país, o número de pessoas atendidas nas Unidades Básicas de Saúde passou de cerca de 1 milhão para 2,1 milhões no mesmo intervalo. 

Vape avança entre os mais jovens

Os dados da PeNSE mostram que o cigarro eletrônico ganhou espaço entre adolescentes nos últimos anos. Em 2019, 16,8% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos disseram já ter experimentado o dispositivo. Em 2024, o percentual subiu para 29,6%.

O crescimento foi registrado em todas as grandes regiões. O Centro-Oeste aparece no topo, com 42%, seguido pelo Sul, com 38,3%. Nordeste e Norte registraram 22,5% e 21,5%, respectivamente. 

O movimento contrasta com o cigarro tradicional. A mesma pesquisa aponta que 18,5% dos adolescentes de 13 a 17 anos já haviam fumado cigarro convencional em 2024, percentual menor que os 22,6% registrados em 2019. 

Em MS, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) também já havia alertado para o consumo de dispositivos eletrônicos. Segundo dado atribuído pela pasta à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 14,9% dos jovens de 18 a 24 anos no Estado utilizavam cigarros eletrônicos.

A preocupação está principalmente na nicotina, substância capaz de provocar dependência. O formato dos dispositivos, a variedade de sabores e a facilidade de uso também estão entre os fatores que preocupam as autoridades quando o assunto é a aproximação desses produtos com adolescentes.

Ajuda para deixar o cigarro

Se entre os adolescentes o alerta está relacionado à entrada no consumo, entre os adultos os números mostram uma procura maior por ajuda para sair dele.

O tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS. A porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde, onde o paciente pode receber avaliação e acompanhamento individual ou em grupo. Quando indicado por profissional de saúde, também podem ser utilizados medicamentos para reduzir os sintomas da abstinência.

O tabagismo é considerado pelo Ministério da Saúde uma doença crônica causada pela dependência da nicotina e está relacionado a diversas doenças, incluindo câncer, problemas cardiovasculares e doenças respiratórias.

 

Crime

Homem é encontrado morto no antigo posto de saúde da Moreninhas

Vítima ainda não foi identificada; corpo foi localizado durante a madrugada deste domingo

30/08/2026 14h30

Homem é encontrado morto nas Moreninhas

Homem é encontrado morto nas Moreninhas Paulo Ribas

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Um homem foi encontrado morto na madrugada deste domingo (30), nas dependências do antigo Centro Regional de Saúde (CRS) das Moreninhas, no bairro Vila Moreninha III, em Campo Grande. A vítima apresentava duas perfurações no peito, aparentemente provocadas por uma faca.

A Polícia Militar foi acionada por volta das 3h26, após uma pessoa informar que havia um homem caído no local, com sangramentos e aparentemente sem vida.

Equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram até o endereço. O médico que atendeu a ocorrência confirmou a morte ainda no local.

A vítima não estava com documentos e não foi reconhecida por moradores ou testemunhas. Até o registro da ocorrência, a identidade do homem permanecia desconhecida.

O local foi isolado para a realização dos trabalhos de investigação. Equipes da Polícia Civil e da perícia também estiveram no endereço para levantar informações que possam ajudar a esclarecer o caso.

Segundo o registro, não havia câmeras de monitoramento nas proximidades do local. A polícia deverá investigar as circunstâncias da morte e tentar identificar a vítima e o responsável pelo crime.

AGOSTO LILÁS

Família de Fabíola contesta falas da defesa após soltura de cardiologista acusado de feminicídio

Familiares da fisiterapeuta morta em maio deste ano vão contra falas que classificam o trabalho pericial como "precário e até mesmo amador" em caso que têm delegada, perita e promotoras mulheres

30/08/2026 13h13

João Jazbik é acusado pelo feminicídio da fisioterapeuta em 18 de maio em Campo Grande. 

João Jazbik é acusado pelo feminicídio da fisioterapeuta em 18 de maio em Campo Grande.  Gerson Oliveira/Correio do Estado

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Em pleno "Agosto Lilás", campanha nacional essa que colore o mês em conscientização para prevenção e enfrentamento das formas de violência contra a mulher, familiares de Fabíola Marcotti contestam e lamentam com revolta falas públicas atribuídas à defesa de João Jazbik Neto, indivíduo esse acusado pelo feminicídio da fisioterapeuta em 18 de maio em Campo Grande. 

Investigado pelo feminicídio da ex-exposa, as falas em questão teriam sido proferidas após o cardiologista que chegou a ficar conhecido como "pai da cardiologia em MS" ser solto pela segunda vez. Conforme a família de Fabíola, no caso que conta com delegada, perita e promotoras mulheres, a defesa de João teria classificado o trabalho pericial como "precário" e "amador". 

Ao Correio do Estado, o irmão de Fabíola, José Flávio Marcotti, detalhou o quando é difícil para o núcleo familiar ver que o acusado pelo feminicídio da fisioterapeuta segue solto: "mesmo com o laudo concluído como feminicídio brutal", cita ele.

No texto, que você confere na íntegra ao fim da matéria, os familiares destacam a extrema complexidade da investigação, lembrando que é direito da defesa questionar provas, mas que a desqualificação do trabalho técnico seria algo completamente diferente. 

Tendo acumulado na carreira o cargo de presidente na Sociedade Brasileira de Cardiologia, Jazbik é reconhecido no ramo por compor, ao lado de Jorge e Fernanda Vasconcelos, a equipe responsável pela primeira cirurgia cardíaca com circulação extracorpórea, feita em 1980. 

Um ano depois eles também seriam responsáveis pela primeira cirurgia de ponte de safena, segundo o banco de dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia Estadual Mato Grosso do Sul. 

Solto novamente

Como bem acompanha o Correio do Estado, João Jazbik Neto, de 78 anos, deixou a prisão há cerca de 10 dias, em 20 de agosto, menos de uma semana após ter a preventiva decretada. Sua defesa sustenta a inocência do cardiologista e afirmou na ocasião que irão contestar as perícias. 

Sua defesa é feita pelo advogado José Belga Trad, que alegou ter apresentado à Justiça um pedido reunindo diferentes argumentos que questionavam sua prisão preventiva, alegando que João seria inocente e não teria participado da morte da esposa. 

A defesa alega que pretende contestar judicialmente os laudos produzidos durante a investigação. Eles argumentam ainda que o acusado do feminicídio de Fabíola Marcotti teria colaborado com as apurações e cumprido as medidas cautelares determinadas pela Justiça após obter liberdade no primeiro habeas corpus concedido no caso.

Entretanto, essa não é a primeira vez que João havia sido preso na investigação desse feminicídio, até conseguir deixar a prisão em 23 de maio, cinco dias após a morte da esposa.

A Justiça concedeu um habeas corpus apresentado pela defesa e permitiu que o cardiologista respondesse em liberdade, mediante cumprimento de medidas cautelares, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Nos meses seguintes, a Deam prosseguiu com depoimentos, perícias e outras diligências destinadas a reconstruir o que ocorreu dentro da propriedade na noite em que Fabiola morreu.

Foi nesse período que a hipótese inicial de suicídio perdeu força para os investigadores. Com o avanço dos exames periciais e a análise dos demais elementos reunidos, a Polícia Civil passou a considerar que a fisioterapeuta teria sido vítima de feminicídio.

Em 14 de agosto, João voltou a ser preso, desta vez preventivamente e dentro da investigação sobre a morte da esposa. A medida durou seis dias.

Relembre

O caso investigado como o feminicídio de Fabíola Marcotti, na Chácara dos Poderes em Campo Grande, veio à tona após a informação inicial apontar que a fisioterapeuta havia sido encontrada morta pelo próprio marido, que inicialmente foi detido para esclarecimentos. 

Já neste primeiro momento não foi descartada a possibilidade de um feminicídio, ao invés da linha de "suicídio" que havia sido levantada pelo próprio João Jazbik. A delegada Analu Ferraz, da Deam, evitou dar declarações, afirmando que o caso ainda não estava fechado e que testemunhas seriam ouvidas. 

Essa investigação da Deam passou a trabalhar com a hipótese de feminicídio após elementos reunidos durante a apuração colocarem em dúvida a versão inicial. A perícia teve peso na mudança da linha investigativa, mas as suspeitas começaram a ganhar força ainda nas primeiras horas após a morte. 

No dia seguinte ao caso, a Deam informou ter encontrado divergências entre declarações prestadas pelo cardiologista, testemunhas e outras pessoas ouvidas na investigação. Conforme divulgado pela Polícia Civil, elementos técnicos analisados não seriam compatíveis com a hipótese de que Fabiola tenha provocado seu próprio disparo.

Durante os trabalhos realizados no imóvel, entretanto, policiais localizaram armas sem a documentação necessária. O cardiologista acabou preso em flagrante em razão do armamento encontrado na propriedade.

As investigações apontaram ainda que João teria orientado um caseiro e um ex-funcionário a remover um armário com armas e munições e levá-lo para outro imóvel da propriedade.

Para a Polícia Civil, a movimentação poderia configurar uma tentativa de alterar elementos relevantes para a investigação. João, o caseiro e o ex-funcionário acabaram presos em flagrante.

O caso segue sendo investigado. 

Abaixo você confere na íntegra a nota da família de Fabíola: 

Neste Agosto Lilás, a família de Fabíola gostaria de destacar a importância do trabalho das profissionais que atuaram na investigação de sua morte.

A defesa do réu João Jazbik Neto classificou o trabalho pericial como “precário e até mesmo amador” e falou em “interpretações e conclusões distorcidas e fantasiosas”.

Nós perguntamos: é assim que se trata o trabalho de mulheres que dedicaram conhecimento, técnica e responsabilidade à investigação da morte de outra mulher?

A delegada Analu Lacerda Ferraz, a perita Thayla Venancio, a médica do IMOL Priscilla Alexandrino e as promotoras Luciana do Amaral Rabelo e Daniele Borghetti Zampieri não são amadoras. São profissionais que cumpriram suas funções diante de uma investigação de extrema complexidade.

Questionar provas é direito da defesa. Desqualificar profissionais como “amadoras” e classificar seu trabalho técnico como “fantasioso” é outra coisa.

E isso ganha um significado ainda maior justamente no Agosto Lilás, mês dedicado à  conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher. Porque a violência contra a mulher nem sempre é evidente. Muitas vezes, é sutil, silenciosa e precisa ser reconhecida a partir de sinais, evidências e circunstâncias que exigem conhecimento, técnica e responsabilidade.

Foi isso que essas profissionais fizeram: trabalharam para esclarecer a morte de Fabíola.

O Ministério Público ofereceu denúncia por feminicídio e o Poder Judiciário recebeu, permitindo que o processo siga seu curso. Não se trata de condenação antecipada, mas também não se trata de uma investigação que possa ser reduzida à“fantasia”.

A família confia na DEAM, na perícia, no IMOL, no Ministério Público e no Poder Judiciário.
E continuará defendendo o respeito ao trabalho sério de todas as mulheres que participaram dessa investigação.

Por Fabíola. Pela verdade. Pela Justiça. Por todas as mulheres.

 

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