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Cinto de segurança cai em desuso e multas disparam em Campo Grande

Infração subiu cerca de 55% desde o ano passado, liderando a lista de maiores autuações neste ano, com 7 mil registros

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Mesmo obrigatório por lei há quase três décadas, o uso do cinto de segurança está diminuindo em Campo Grande, liderando a lista de autuações mais registradas neste ano, com mais de 7 mil flagrantes e um crescimento de aproximadamente 55% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo dados enviados pelo Batalhão de Polícia Militar de Trânsito (BPMTran), 39.496 Autos de Infração de Trânsito (AITs) foram aplicados em Campo Grande entre os dias 1º de janeiro e 8 deste mês. Na primeira colocação das mais registradas está a infração de deixar de usar o cinto de segurança, com 17,82% (7.037) do total das autuações.

“Mais do que o número de autuações, esse dado nos mostra que ainda existe um comportamento que precisa ser trabalhado. O cinto não evita o acidente, mas pode evitar que um acidente se transforme em uma tragédia, impedindo que a pessoa seja arremessada ou sofra impactos ainda mais graves”, reforça a primeira-tenente Carla Coutinho, da BPMTran.

No mesmo período do ano passado, essa mesma infração foi registrada 4.527 vezes, o que significa que de 2025 para este ano aconteceu um salto de 55,45% neste tipo de infração.

Vale lembrar que o uso do cinto de segurança passou a ser obrigatório em 23 de setembro de 1997, pela Lei 
nº 9.503, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). A não utilização do equipamento é uma infração grave, gerando multa de R$ 195,23, acréscimo de cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e retenção do veículo até que o ocupante o coloque.

Conforme o Ministério dos Transportes, o uso correto do item reduz em até 40% o risco de morte de usuários que se envolvem em ocorrências de trânsito. 

Somente neste ano, 40 pessoas morreram em razão dos sinistros nas vias de Campo Grande, além de ter acontecido mais de 2,6 mil acidentes com vítimas.

“A fiscalização é necessária, mas vem acompanhada de orientação e educação. A preocupação do Batalhão é com a segurança do condutor e dos passageiros como um todo, e o uso do cinto precisa ser um hábito automático, independentemente da distância ou da velocidade. É uma atitude simples, obrigatória e que pode literalmente salvar uma vida”, pontua Carla.

DEMAIS INFRAÇÕES

Na segunda posição das infrações mais encontradas na Capital neste ano, aparece “conduzir o veículo registrado que não esteja devidamente licenciado”, com 6.678 registros. De acordo com o CTB, é uma infração gravíssima, incluindo multa de R$ 293,47, acréscimo de sete pontos na CNH e a remoção do veículo ao pátio do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) até a regularização dos débitos.

Fechando o pódio, com 5.269 registros, está “avançar o sinal vermelho do semáforo”, que também é infração gravíssima e apresenta as mesmas penalidades da segunda colocada. 

A violação se anula exceto se houver placa expressa permitindo a livre conversão à direita, desde que seja dada preferência aos pedestres e demais veículos.

O BPMTran também destacou que houve 77 autuações por dirigir sob a influência de álcool e outras 1.836 autuações por recusar-se a fazer o teste do bafômetro, que, mesmo que seja um direito do condutor, gera infração gravíssima, com multa de R$ 2.934,70, suspensão do direito de dirigir por 12 meses, recolhimento da CNH e retenção do veículo até a apresentação de um condutor habilitado.

Chama a atenção também a quantidade de infrações autuadas por dirigir veículo sem possuir CNH, Permissão Para Dirigir (PPD) ou Autorização para Conduzir Ciclomotores (ACC), com 1.892 autuações. A penalidade está na sexta colocação entre as mais registradas este ano, mesmo com a implantação da CNH do Brasil, que modernizou, simplificou e reduziu em até 80% os custos para a obtenção do documento.

Máfia dos Combustíveis

Pequena destilaria no Sul de MS vira "incubadora do crime"

Estrutura em Iguatemi abriga empresas investigadas por fraude fiscal e lavagem de dinheiro do PCC, além das maiores devedoras do Fisco federal em Mato Grosso do Sul

12/08/2026 05h00

Estabelecimento foi lacrado pela ANP em setembro de 2025

Estabelecimento foi lacrado pela ANP em setembro de 2025 Divulgação/ANP

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Uma pequena destilaria de etanol, criada em 2002, na zona rural do município de Iguatemi, no Cone Sul de Mato Grosso do Sul, mas mais perto da zona urbana de Naviraí, cidade distante 350 quilômetros de Campo Grande, tornou-se um dos epicentros de um dos maiores escândalos de sonegação de tributos estaduais e federais e de aparente lavagem de dinheiro para o crime organizado do Brasil.

A estrutura criada há 24 anos para abrigar a pequena Destilaria Centro-Oeste Iguatemi, no quilômetro 18 da Estrada da Balsinha, atual MS-290, é hoje a maior incubadora de empresas envolvidas com crimes tributários e com o crime organizado, alvo, por duas vezes, de operações como a Carbono Oculto, e sede das duas empresas que mais devem ao fisco federal em Mato Grosso do Sul.

O espaço, que hoje virou uma espécie de coworking de distribuidoras “noteiras” de combustíveis, é pleiteado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que tenta penhorar a área, via Justiça Federal do Estado do Paraná, para garantir dívidas das empresas que lá estão. 

Beto Louco e Primo

O local ficou famoso em agosto de 2025, na deflagração da Operação Carbono Oculto, pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP). Um mês depois o local foi interditado pela ANP, onde, na época, a agência identificou a base fantasma de empresas que burlavam as normas da distribuição de combustível. 

Lá funcionam empresas ligadas ao empresário Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Murad, como a Safra Distribuidora de Petróleo. Mohamad Murad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, eram os gerentes do esquema de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, segundo as informações apuradas na Operação Carbono Oculto. A investigação mostra conexão entre o esquema de fraude e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Estabelecimento foi lacrado pela ANP em setembro de 2025"Coworking" da fraude fiscal de combustíveis funcionava a poucos quilômetros de Naviraí

Além da Safra, a estrutura que já foi a pequena destilaria abrigava as seguintes empresas que foram alvo da operação: Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., peça fundamental na fraude; a Império Comércio de Petróleo S.A., investigada por fraudes bilionárias no ressarcimento de contribuições como PIS e Cofins; Arka Distribuidora de Combustíveis Ltda., instrumento para lavagem de dinheiro e triangulação de recursos via fundos com sede na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo (SP), coração financeiro do Brasil; Arka Distribuidora de Combustíveis, empresa de fachada, com movimentação bilionária, com sede em Iguatemi; Orizona Combustíveis S.A., distribuidora central no esquema, com crescimento financeiro explosivo e inconsistente, que possui matriz e filiais vinculadas ao grupo em Iguatemi; Start Petróleo S.A., que sucedeu as empresas líderes do esquema, Aster Petróleo e Copape, mas que não tinha sede em Iguatemi; e Petroriente, alvo central na investigação de desvio de nafta petroquímica e emissão de notas fiscais fraudulentas, com histórico de ocultação patrimonial.

Também são investigadas na Carbono Oculto e estão na Estrada da Balsinha, no Km 18, a Duvale, apontada como a substituta da Aster após sua cassação, operando como braço operacional do grupo de Mohamad e Beto Louco e com filial em Iguatemi; a distribuidora de combustíveis Saara, empresa em recuperação judicial identificada como um dos principais canais para a simulação de transações de “Gasolina A” proveniente de desvios de solventes; e a Flagler, também mencionada na Operação Carbono Oculto.

Outras empresas

Mas não são apenas as empresas mencionadas na Operação Carbono Oculto que compartilham a estrutura da antiga destilaria de Iguatemi. Outras empresas, como Ecologica, Velox, Avant, Integração, Carinthia, E.A. Energia Avançada, WK, Iguatemi Petróleo, Vetor, Felix, Real, Petrobrasil, Easy Petro, Biopetróleo, Gaz Prime e Solstício, também estão no local.
A Ecológica, por exemplo, considerada a mãe de todas as outras, pois foi a primeira a adquirir uma fração da área de pouco mais de três hectares, com três tanques de armazenamento da Destilaria Centro-Oeste, conquistou, no mês de julho deste ano, na Justiça, o direito de ter sua inscrição estadual reativada.

Foi ela que deu início às vendas de frações da destilaria às outras empresas e que deu origem ao esquema fraudulento, conforme consta na matrícula do imóvel, à qual o Correio do Estado teve acesso.

Recentemente, a Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul (Sefaz) cancelou a inscrição estadual da Velox. A empresa, contudo, assim como a Ecológica, pode judicializar a questão para tentar invalidar o ato administrativo do governo, assim como fez a Ecológica.

Dívida bilionária

Em Mato Grosso do Sul, as duas maiores devedoras do Fisco federal estão localizadas na incubadora de empresas envolvidas com fraude, na Estrada da Balsinha, em Iguatemi. Reunidas, elas já devem quase R$ 6 bilhões em tributos federais ao Fisco.

A maior dívida é da Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda., no valor de R$ 2,93 bilhões. A segunda maior é da Vetor Comércio de Combustíveis, com dívida de R$ 2,04 bilhões.

As duas empresas, que compartilham a sede em Iguatemi, surgiram no Estado do Paraná. A Alpes, em Umuarama (PR), e a Vetor, em Maringá (PR). A Alpes é citada no esquema de fraude investigado na Operação Carbono Oculto.

 

Estabelecimento foi lacrado pela ANP em setembro de 2025

Justiça

Juiz flagrado bebendo vinho e fumando em audiência diz que 'STJ, STF e Moraes são corruptos'

Há 36 anos na carreira, Salles diz ter "conhecimento de causa" sobre as acusações

11/08/2026 23h00

Foto: Divulgação / STF

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Alvo de investigação da Corregedoria do Tribunal de Justiça de Minas Gerais por fumar e entornar uma garrafa de vinho durante uma audiência virtual, o juiz Milton Lívio Lemos Salles gravou um vídeo nesta terça-feira, 11, em que acusa a Corte mineira de "difamação" e afirma que o Tribunal estadual, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes "são todos corruptos". Há 36 anos na carreira, Salles diz ter "conhecimento de causa" sobre as acusações.

Foi solicitado manifestação dos três tribunais citados e do ministro Alexandre de Moraes sobre as acusações de Milton Lívio Lemos Salles. O espaço está aberto para manifestação.

Nesta terça-feira, 11, o corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais, desembargador Raimundo Messias Júnior, determinou o afastamento imediato de Milton Lívio após a publicação do vídeo em que faz acusações. A decisão antecipou a reunião do Órgão Especial do Tribunal, que estava prevista para esta quarta-feira, 12, para definir as medidas a serem tomadas diante do episódio do vinho e do cigarro.

"Olha, estou cansado, muito cansado. Estou no vinho, tomando meu café e curtindo minha mulher. Sei de muita coisa desse tribunal", alega o juiz no vídeo de 14 segundos publicado nas redes sociais, referindo-se ao Tribunal de Minas.

"Sei de corrupção do Nelson Missias, do Gilson Lemos, do Luiz Carlos, do Vicente, da compra de mais de 170 Corolas híbridos. Vocês me dão vergonha. Sabe por quê? O tribunal não existe", afirmou, citando nomes de colegas do Tribunal de Minas.

Vicente de Oliveira Silva é o atual presidente do TJ de Minas. Gilson Lemos é ex-presidente do tribunal. Luiz Carlos Corrêa Júnior foi corregedor-geral; Nelson Missias também foi presidente da Corte mineira.

"Hoje só existe computador e os prédios vazios, custando luz, energia e funcionários. Eu tenho coragem de bater no peito. Meu nome é Milton Lívio Lemos Salles, filho do Tibagy Salles (ex-desembargador do TJ de Minas)", seguiu.

Ao final de sua manifestação, ele fez um desafio: "E se alguém quiser bater de frente comigo, em alguma TV, no Jornal Nacional, o que é que seja, eu estou à disposição. Muito obrigado".

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