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DESENVOLVIMENTO REGIONAL

Circuito traz palestras gratuitas com 'Rainha' Hortência e Marcos Pianger para MS

Voltado para levar conhecimentos e inspirar empreendedores, evento "Sebrae Conexões Regionais" passará por cinco município e começa em 1° de setembro na Capital

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Durante o mês de setembro Mato Grosso do Sul terá em seu território a presença de grande mentes nacionais, como a "rainha" Hortência Marcari e Marcos Pianger, que vêm ao Estado para o "Circuito Sebrae Conexões Regionais", que levará palestras gratuitas para cinco municípios em busca de inspirar e incentivar quem já têm ou busca abrir o próprio negócio.

Toda essa programação do Circuito começa já em 1° de setembro, com a abertura feita na Capital contando com a palestra ministrada por João Branco, executivo de alto escalão que já liderou as estratégias de marketing do McDonald's Brasil.

Trazendo para o público a experiência de liderança e construção de marcas, ele apresenta um novo olhar a respeito da área e algumas mudanças que podem ajudar empresas a criarem relações mais próximas com o público-alvo, em um evento marcado para 19 em 1° de setembro, na sede do Sebrae/MS, que fica localizada na Avenida Mato Grosso, nº1661.

Além de Campo Grande, os seguintes municípios estão programados como "próximas paradas" do Circuito Sebrae Conexões Regionais: 

  • Bonito,
  • Coxim, 
  • Dourados e 
  • Três Lagoas

Grandes mentes em MS

Entre as atrações confirmadas para o Circuito Conexões Regiões está a lendária ex-jogadora de basquete, Hortência Marcari, que leva para os municípios de Coxim e Bonito, respectivamente nos dias 09 e 16, a palestra "Lições de uma vida: atitudes e estratégias de uma campeã".

Como bem esclarece a diretora-técnica do Sebrae/MS, Sandra Amarilha, essas palestras foram pensadas com um potencial de alcançar quem já empreende ou mesmo busca dar os primeiros passos rumo ao próprio negócio. 

"A proposta é trazer reflexões sobre gestão, marketing, vendas e desenvolvimento profissional em um circuito que leva o conhecimento mais perto das pessoas e ajuda a transformar potencial em potência, ampliando a competitividade dos pequenos negócios", explica Sandra. 

Hortência carrega consigo uma experiência competitiva imensurável, e compartilha em conversa com o público alguns ensinamentos que a inspiraram dentro e fora das quadras. 

Pois, entre dois garrafões, a "Rainha do Basquete" que é também a maior pontuadora da história da seleção brasileira foi campeã mundial em 1994, medalhista de prata nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996, e a primeira brasileira a integrar o Hall da Fama do esporte. 

Outra atração do Circuito é Jacqueline Gomes, especialista com formação oficial pelo Disney Institute em atendimento e experiência do cliente que apresenta em Dourados a palestra "No coração do cliente", em 25 de setembro. 

Por fim, um dos pioneiros em discutir a paternidade de forma moderna e acessível, Marcos Piangers encerra o Conexões Regionais no município de Três Lagoas, com a palestra "De dentro pra fora: as emoções, o trabalho e a vida". 

Importante frisar que já estão abertas as inscrições gratuitas para assistir as palestras, que podem ser feitas sem qualquer custo através do portal ms.loja.sebrae.com.br/circuito (acesse CLICANDO AQUI).

Serviço: 

Palestra João Branco em Campo Grande

  • Data: 01/09/2026
  • Horário: 19h às 20h
  • Local: Sebrae/MS Av. Mato Grosso, nº1661
  • Inscrições: Circuito em Campo Grande
     

Palestra Hortência Marcari em Coxim

  • Data: 09/09/2026
  • Horário: 19h às 20h
  • Local: Centro de Convenções Prof. Bira Avenida Federal, s/nº, Piracema
  • Inscrições: Circuito em Coxim

Palestra Hortência Marcari em Bonito

  • Data: 16/09/2026
  • Horário: 19h às 20h
  • Local: Wetiga Hotel Rua Coronel Pilad Rebua, nº679 Vila Donária
  • Inscrições: Circuito em Bonito
     

Palestra Jacqueline Gomes em Dourados

  • Data: 25/09/2026
  • Horário: 19h às 20h
  • Local: Associação Comercial e Empresarial de Dourados (ACED) Rua João Rosa Góes, nº355, Centro
  • Inscrições: Circuito em Dourados
     

Palestra Marcos Piangers em Três Lagoas

  • Data: 30/09/2026
  • Horário: 19h às 20h
  • Local: Estância Papillon BR-262, Km 13, Zona Rural
  • Inscrições: Circuito em Três Lagoas

 

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Entrevista

"O grande gargalo de Campo Grande hoje é a questão das inundações"

Diante das grandes chuvas que estão atingindo a Capital desde setembro, o Correio do Estado conversou com o coordenador da Defesa Civil do Município, Enéas Netto

17/10/2026 08h40

Enéas José de Carvalho Netto - Coordenador da Defesa Civil Municipal

Enéas José de Carvalho Netto - Coordenador da Defesa Civil Municipal Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado

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Campo Grande viveu mais um episódio de caos diante de uma grande chuva que atingiu a cidade esta semana. Por conta disso, o Correio do Estado conversou com Enéas José de Carvalho Netto, coordenador da Defesa Civil do Município, para entender o que está sendo feito nos últimos 30 dias e os planos para os próximos meses com a intensificação do El Niño.

Na quinta-feira, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu 71 milímetros em Campo Grande durante o dia todo.

Na sexta-feira, a Capital superou os 200 mm no mês, o maior volume já registrado na cidade para o período. O acumulado é muito acima do que era esperado para todo o mês, que tem uma média histórica de 150,6 mm na Capital.

Como era de se esperar, diversos pontos da cidade sofreram prejuízos com as chuvas. Confira a entrevista.

Campo Grande chegou ao recorde de chuvas para outubro em 15 dias. Como a Defesa Civil vê essa situação?

Nós havíamos comunicado essa situação, nós fazemos um acompanhamento prévio de todas as fontes, de todos os institutos.

Nós temos o Noaa [National Oceanic and Atmospheric Administration], que é um instituto norte-americano que traz a previsibilidade já antecipada de possíveis eventos climáticos que possam vir a atingir e de que maneira eles vão atingir.

O fato desse super-El Niño foi muito descredibilizado, ele foi colocado como uma coisa que estava sendo alarmante demais.

A região sul, por exemplo, imediatamente decretou situação de emergência prévia, para poder assegurar que os impactos dessas alternâncias climáticas pudessem ser superados, tanto pela administração pública municipal, quanto pela estadual e até mesmo pelo governo federal.

Nesse sentido, nós já tínhamos o La Ninã lá atrás e nós oficiamos ao gabinete da prefeita, com o super-El Niño, a possibilidade dele chegar a Campo Grande. E realmente [chegou], hoje nós tivemos uma atividade que choveu no mês inteiro de outubro.

Agora, durante esses 15 dias já dobrou quase esse volume, podendo triplicar até o fim do mês. Em outubro do ano passado choveu 88 milímetros.

Até o presente momento, outubro deste ano já chegou a 202 milímetros. Então, assim, é um volume muito considerável.

O alerta emitido, porém, o que havia de previsibilidade, extrapolou o seu volume problemático.

Quantos chamados a Defesa Civil recebeu na quinta-feira? Já conseguiu atender a todos? Tem previsão de quanto tempo pode levar para atendê-los?

Nós tivemos mais de 50 chamados realizados. Estamos identificando um a um, porque o papel da Coordenadoria [Municipal] de Proteção e Defesa Civil é fazer o gerenciamento da crise, ou seja, gestão e coordenação, com as demais secretarias.

Aquilo que estava dentro da nossa alçada foi resolvido, que foram 26 [chamados], por desobstrução de via, o que nós pudemos atender.

O grande gargalo de Campo Grande hoje, e especialmente no dia de ontem [quinta-feira], foi a questão das inundações. Isso aí é o que trouxe um grave problema para nós. E ainda existem demandas chegando.

É a segunda grande chuva que a Capital tem em dois meses, como tem sido a atuação da Defesa Civil?

Os nossos grupos trabalham de 24 horas para 48 horas, porém, quando o agente vem para a Defesa Civil, ele entende que não tem essa.

A partir do momento que eu acionar eles, independente do que esteja sendo feito, exceto quando há uma questão de saúde, obviamente, respeitando isso, eles estão todos em sobreaviso e a postos para poder atender.

Os chamados das chuvas de setembro foram concluídos? Quanto tempo levou?

Todos foram resolvidos. Ainda existem pontos que devem ser feitos; a questão da limpeza urbana, que está sendo feita pela Sisep [Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos], mas ainda não temos uma previsão de quando deve ser finalizada.

Nós tivemos três momentos entre o mês de setembro e o mês de outubro que nós tivemos um alto índice pluviométrico com ventania, que impactaram também. Então, automaticamente, sobrecarrega também a Sisep.

Além do super-El Niño, as mudanças climáticas também são problemas enfrentados atualmente. Como a Defesa Civil tem se preparado para esses eventos extremos?

Exatamente na questão dos alertas, na questão da prevenção. Automaticamente quando você coloca também a possibilidade de ter essa previsibilidade de um fenômeno desse atingir o Brasil, nós já nos adiantamos.

Então, por exemplo, você pode observar que houve uma menor incidência de quedas de árvore em vias de alto fluxo, que são as leucenas, [foi] porque houve um trabalho em conjunto, tanto da Defesa Civil quanto da Sisep.

Há algum ponto da cidade que gere maior preocupação para o seguimento dessas chuvas? Por quê? 

Não, todas elas. Cada uma tem a sua particularidade, cada uma tem a sua especificidade. Nós temos a região do Anhanduizinho, por exemplo, que nós temos o Córrego Anhanduí.

Ontem, ele saiu fora da caixa dele, que é algo que, nos últimos anos, ao longo de 16 anos que eu estou na prefeitura, não tinha visto algo daquela natureza. 

A Capital vive uma emergência por conta das fortes chuvas e dos ventos que chegaram mais cedo esse ano. A Defesa Civil já tem perspectiva de como deve ser o verão, que geralmente é a estação mais chuvosa?

Chuva já começou, já está começando agora na primavera, que é uma época que comumente não acontecia isso. E, automaticamente, ela se intensificava na época do verão.

Então, com esse fenômeno agora, é o que eu coloco sempre para a população, ter a devida cautela e quando a gente sinaliza aqui pela Defesa Civil, ou seja, quando a gente coloca o alerta, não é que a gente está querendo provocar pânico, há um descrédito, a população não escuta, não ouve, isso é um fato. Quando nós emitimos um alerta, é exatamente falando para a população tomar cuidado.

Ontem nós estávamos na rua, por exemplo, durante o evento e eu sempre falo: não enfrenta a enxurrada. Mas, mesmo assim, as pessoas enfrentavam, passavam, acreditam que nada vai acontecer.

Então, o que nós estamos fazendo? Acompanhando todos os institutos. A gente acompanha em tempo real com câmeras e tudo mais. [Acompanhamos] os institutos, os centros de monitoramento e também mediante pesquisas a fim de que a gente possa programar, ou seja, conversar também com as secretarias [para analisar] como a gente pode trabalhar isso de tal maneira a haver um impacto menor para a população. E o impacto vai existir, não tem como.

Em razão da atual situação e a previsão de novas chuvas, tem alguma orientação para a população, para evitar acidentes?

Tem um pedido que eu faço: a população precisa acionar o 199. Se não acionar o 199, nós não temos capacidade de coordenar o trabalho das pastas responsáveis por cada uma das suas atuações. Ou seja, eu não tenho como acionar a Secretaria [Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos].

Eu não tenho como acionar a Secretaria [Municipal] de Assistência Social para poder falar: olha, determinado ponto foi atingido e expôs uma vulnerabilidade maior.

Vamos começar por aqui, depois passamos para cá, depois para cá. Eu não tenho como atender às demandas com as concessionárias, ou seja, Águas Guariroba ou Energisa.

E também quero explicar que a Defesa Civil é uma coordenadoria, ela não é uma paisagista, ela não é uma podadora de árvores, ela não é uma jardineira de Campo Grande, ela é uma instituição estabelecida por um regramento federal, por um pacto federativo, que traz a ela a competência de gestão de crise.

Então, a partir do momento que a população, com todo o respeito, aciona primeiro a imprensa, a imprensa chega com mais informação do que nós temos aqui.

Por exemplo, hoje [sexta-feira] cedo, às 7h, eu estava recebendo árvore caída, mas pela imprensa, não porque acionaram pelo 199, porque se tivesse acionado pelo 199, durante a madrugada as equipes já teriam feito esse trabalho, porque já tinha parado a chuva.

Então, pedir a sensibilidade da população de tal maneira que eles acreditem que a Defesa Civil tem sim o seu papel e o protagonismo em cima de toda a ação que ela deve fazer.

{ PERFIL }

Enéas José de Carvalho Netto 

Formado em Direito pela Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp), atua como coordenador da Defesa Civil de Campo Grande desde novembro de 2024.

Antes, foi secretário-adjunto da Sisep e também chegou a atuar na Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Emha).

Direitos Humanos

Trabalho infantil no país recua 9,2% de 2024 para 2025, aponta IBGE

Pesquisa mostra que ainda há 1,5 milhão de pessoas nessa situação

16/10/2026 23h00

Em 36,3% dos casos, jornada de trabalho na população de 5 a 17 anos supera as 25 horas semanais -

Em 36,3% dos casos, jornada de trabalho na população de 5 a 17 anos supera as 25 horas semanais - O adecubo/ AdobeStock

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O Brasil tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025, ou seja, 4% da população brasileira na faixa etária de 5 a 17 anos. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (16), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBGE considera trabalho infantil qualquer atividade econômica remunerada ou trabalho para autoconsumo realizado por crianças até 13 anos de idade. Para os adolescentes de 14 a 17 anos, considera-se trabalho infantil qualquer forma de ocupação que não se enquadra nestas situações: aos 14 e 15 anos, é permitido apenas o trabalho na condição de aprendiz; aos 16 e 17 anos, é permitido apenas com carteira assinada sendo vedadas atividades insalubres, perigosas e em horário noturno.

A pesquisa também mostra que o trabalho infantil recuou 9,2% na comparação com 2024, quando havia 1,65 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos nessa situação, ou seja, 4,3% da população. Na comparação com 2016, quando havia 2,1 milhões nessa situação (ou 5,2% da população), a queda chegou 28,6%. 

De acordo com o IBGE,  o trabalho infantil apresentou quedas nos anos de 2016 a 2019 (-15,7%). Voltou a subir em 2022 (7%), principalmente devido à pandemia de covid-19, caiu de 2022 para 2023 (-14,7%) e, depois, teve uma alta de 2023 a 2024 (2,1%).

Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, vários fatores contribuíram para essa queda de 9,2% no último ano. “Existem políticas públicas, inclusive do próprio Ministério Público do Trabalho, voltadas para isso [lidar com o trabalho infantil]. O próprio Bolsa Família pode ter contribuído, ao garantir uma renda mínima para essas famílias, para essa queda. São vários fatores, como o mercado de trabalho aquecido. A taxa de desocupação no país tem atingido mínimos históricos. A renda domiciliar per capita em 2025 aumentou, a renda do trabalho aumentou”, explicou o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes.
 

Bolsa Família

De acordo com a pesquisa do IBGE, a média dos rendimentos per capita de domicílios com pessoas de 5 a 17 anos que recebiam o Bolsa Família em 2025 era de R$ 660, enquanto aqueles que não recebiam o auxílio tinham renda média de R$ 1.990. Gustavo Fontes ressalta que isso mostra que, “de fato, o programa está focado nos domicílios de menor rendimento”.

A pesquisa comparou os dados sobre o percentual de crianças e adolescentes submetidos ao trabalho infantil em relação ao total da população na faixa etária.

Em 2025, 4,4% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos que moravam em domicílios beneficiários do Bolsa Família estavam submetidos ao trabalho infantil, enquanto a taxa na população total era 4%. O total da população inclui famílias de todas as faixas de renda, inclusive aquelas com renda mais alta, que não precisam do programa social.

Mas a diferença já foi bem maior. Em 2016, 7,3% das pessoas nessa faixa etária residentes em domicílios atendidos pelo programa estavam em situação de trabalho infantil. No mesmo período, a taxa do total da população era 5,2%.

“A gente vê uma redução mais acentuada no trabalho infantil entre os beneficiários do programa. Ainda que o percentual permaneça um pouco acima. Entre 2016 e 2025, o contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil entre os beneficiários do programa Bolsa Família caiu 41%”, disse Fontes. No mesmo período, o total de trabalhadores infantis caiu 29%.

A pesquisa também observou que o percentual de estudantes entre os trabalhadores infantis que residiam em domicílios beneficiados pelo Programa Bolsa Família (89,8%) era um pouco acima do registrado para o total de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil (86,9%).

Piores formas

A Pnad também constatou que, entre 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, 525 mil estavam em ocupações consideradas como piores formas de trabalho infantil (TIP).

As piores formas de trabalho infantil são aquelas que oferecem riscos à saúde, ao desenvolvimento e à moral das crianças e dos adolescentes. Elas são listadas no Decreto Federal 6.481/2008 e incluem situações criminosas como escravidão, exploração sexual e tráfico de drogas.

Em 2025, as crianças e adolescentes em PTI chegaram ao menor patamar. Eram 1,4% do total da população nessa faixa etária. Em 2024, eram 560 mil (1,5%); em 2022, 763 mil (2%); e, em 2016, 919 mil (2,3%).

Faixa etária

O trabalho infantil aumenta de acordo com a faixa etária. Entre aqueles de 5 a 13 anos, 280 mil (ou seja 1,1% da população desta faixa etária) estavam submetidos a esse tipo de atividade em 2025. Os percentuais eram 1,4% em 2024 e 1,7% em 2022 e 2016.

Na faixa de 14 e 15 anos, eram 348 mil em 2025 (ou 5,9% da população). Os percentuais eram 6,2% em 2024; 7,4% em 2022; e 8,3% em 2016. Já entre aqueles de 16 e 17 anos, o contingente chegava a 871 mil em 2025 (14,5% da população). Eram 15,3% em 202; 16,4% em 2022; e 15,9% em 2016.
 

Em 36,3% dos casos, jornada de trabalho na população de 5 a 17 anos supera as 25 horas semanais - Foto: O adecubo/ AdobeStock

A maior parte dos 1,499 milhão em situação de trabalho infantil, ou seja, 1,141 milhão, realizava atividades econômicas. Os dados indicam que 358 mil faziam apenas atividades de autoconsumo, ou seja, trabalhavam para a própria subsistência da família.

Entre as crianças de 5 a 13 anos, 90 mil realizavam atividades econômicas e 190 mil, atividades de autoconsumo. Entre aqueles de 14 e 15 anos, os números eram 268 mil e 80 mil respectivamente. Já na faixa de 16 e 17 anos, 783 estavam envolvidos com atividades econômicas e 88 mil, com autoconsumo.

A jornada de trabalho na população de 5 a 17 anos, em 36,3% dos casos, supera as 25 horas semanais. Em 21,4% das situações, chega a 40 horas ou mais por semana.

Na faixa de 5 a 13 anos, apenas 3,6% trabalham 25 horas ou mais (sendo 0,8% sujeito a jornadas de 40 horas ou mais). A maioria (87,1%) tem jornadas de até 14 horas.

Entre aqueles com 14 e 15 anos, 29,6% trabalham 25 horas ou mais (sendo 17,5% submetidos a 40 horas ou mais) e 43,3% trabalham até 14 horas.

Já no grupo de 16 e 17 anos, quase metade (49,6%) trabalha 25 horas ou mais (sendo que 29,6% enfrentam jornadas de 40 horas ou mais). Somente 20,4% trabalham até 14 horas.

Regiões

Na comparação regional, o maior contingente de pessoas de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil estava no Sudeste, em 2025 (481 mil). O Nordeste aparecia em segundo lugar, com 408 mil pessoas.

Em termos relativos, a Região Norte apresentou a maior proporção de trabalho infantil em relação à população desta faixa etária (6,3%). O Sudeste apresentou a menor proporção (3,3%).

A Região Nordeste foi a que apresentou as maiores reduções no contingente de trabalho infantil tanto em relação a 2016 (-45,6%) quanto na comparação com 2022 (-29,2%), de acordo com o IBGE.

Sexo e cor/raça

No recorte de sexo, o IBGE constatou que 65,4% das crianças e adolescentes sujeitos a trabalho infantil são homens. Eles representam 51,2% da população total nesta faixa etária. Já 34,6% trabalhadores infantis são mulheres, que representam 48,8% da população nessa faixa etária.

Na análise por cor ou raça, os brancos, que são 39,5% da população dessa faixa etária, representam 32% dos submetidos a trabalho infantil, enquanto os pretos e pardos (59,7% da população) são 67% daqueles sujeitos a essa situação.
 

Frequência escolar

Na população de 5 a 13 anos, há uma quase universalização da frequência escolar no contingente em situação de trabalho infantil (99,7%).

Na faixa de 14 e 15 anos, enquanto a média da frequência escolar da população total é de 98,1%, entre aqueles submetidos ao trabalho infantil, a taxa cai para 95%.

Isso também ocorre no grupo de 16 e 17 anos, em que a proporção da população total na escola é 89,6%, superior à parcela de 79,6% entre aqueles envolvidos com trabalho infantil.

Atividades

As atividades que concentram as maiores parcelas de trabalhadores infantis são outras atividades (23,1%) e comércio (29%). A agricultura e pecuária responde por 16,7%; a indústria geral, por 12,5%; e o setor de alojamento e alimentação, por 12,2%. Os serviços domésticos agregam 6,5% dessas crianças e adolescentes.

Na população de 16 e 17 anos, 67% estavam na informalidade. Dos informais, 72,9% eram empregados do setor privado sem carteira assinada ou trabalhadores domésticos, 16,3% eram empregadores ou autônomos sem CNPJ e 10,8% eram trabalhadores familiares auxiliares.

A proporção de informalidade na faixa de 16 e 17 anos foi a menor da série história. Em 2024, a taxa era 69,4% e, em 2022, 76,3%.

Trabalho doméstico

A Pnad também analisou o trabalho de crianças e adolescentes em casa, que não é considerado trabalho infantil. Entre os 37,8 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, 42,1% (15,9 milhões) realizavam algum trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidado de pessoas.

Dentre a população feminina, 47,9% faziam esse tipo de atividade. Entre os homens, o percentual era de 36,6%.

Considerando-se o grupo de idade, de 5 a 13 anos, 32,7% faziam algum trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidado de pessoas. Nos grupos de 14 e 15 anos e de 16 e 17 anos, os percentuais eram 60,7% e 64,6%, respectivamente.

Entre as crianças e adolescentes que realizavam atividades econômicas, 65,1% também faziam algum trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidado de pessoas. Entre as que não realizavam atividades econômicas, 41,2% ajudavam com tarefas domésticas ou cuidado de pessoas.

Em relação às horas dedicadas ao trabalho doméstico não remunerado e/ou cuidado de pessoas, 5,2% das crianças e adolescentes dedicavam 25 horas ou mais (sendo 1,9% com dedicação de 40 horas ou mais). Aqueles que dedicavam pelo menos 15 horas chegavam a 13,6%.

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