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TRÂNSITO

CNH em MS é a 2ª mais cara do País, diz governo federal

Levantamento da União revelou que, para tirar a carteira A e B, os sul-mato-grossenses gastam cerca de R$ 3,5 mil, 62,5% da renda per capita do Estado

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Um levantamento do governo federal revelou que Mato Grosso do Sul tem a segunda Carteira Nacional de Habilitação (CNH) mais cara entre os estados brasileiros, além de custar 62,5% a mais do que a renda média da população.

Baseando-se em números dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), Centros de Formação de Condutores (CFCs) e do Instituto Brasileira de Geografia e Estatística (IBGE), a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) apurou o preço das CNHs em cada estado, e quanto tempo cada habitante levaria para pagar 100% do processo, comprometendo uma parte do seu salário.

Especificamente em Mato Grosso do Sul, observou-se um preço elevado da carteira A e B (moto e carro), de 
R$ 3.525, a segunda mais cara do País, atrás apenas da CNH do Rio Grande do Sul, onde custa cerca de R$ 4,4 mil. Além disso, o Estado tem uma renda média per capita de R$ 2.169.

Utilizando o mesmo critério da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em estudos sobre o endividamento das famílias no Brasil, caso cada sul-mato-grossense comprometesse 30% de sua renda (R$ 650,70) com o objetivo de obter a CNH, a pessoa levaria mais de 150 dias para chegar no preço de R$ 3.525, mais precisamente 5,42 meses. 

Nove estados apresentam mais tempo do que Mato Grosso do Sul: Acre, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Roraima. O Acre lidera a estatística, com 8,66 meses, visto que a CNH no estado nortista custa 
R$ 3.302,33 e a renda média per capita é de R$ 1.271.

OPINIÃO DO SETOR

À reportagem, o presidente do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores do Estado (SindCFCMS), Henrique José Fernandes, contrariou o levantamento feito pelo governo federal, afirmando que Mato Grosso do Sul não ocupa a posição de CNHs mais caras do País.

“Em nosso Estado, contando Capital e interior, a CNH custa, em média, R$ 2.500, e R$ 1 mil são de taxas do Detran-MS, mais o exame médico e psicólogo. Então, em média, a parte da autoescola é de R$ 1.600 a R$ 2.000 no máximo, não passa disso. Esse valor de R$ 3.500 eu não sei de onde o nosso querido ministro [dos Transportes] tirou”, disse.

Henrique não se mostrou contrário aos projeto que pretendem tirar a obrigatoriedade de autoescolas para obtenção da carteira de habilitação. Mas reclama que as taxas pagas ao Detran-MS vão continuar sendo exigidas e não serão reduzidas.

“Vai diminuir só a parte da autoescola, o restante vai continuar normal. Então, vamos dizer que a nossa carteira vai para R$ 600 na parte da autoescola, mas vai continuar aproximadamente R$ 1 mil de taxas ao Detran. Ninguém mexe nas taxas do Detran, do médico e do psicólogo”, reforçou o presidente do sindicato.

TRAVADO

O Correio do Estado entrou em contato com o Detran-MS para saber como está o processo de lançamento de um novo edital do Programa CNH MS Social, que oferece a retirada da carteira de forma gratuita, bastando morar em Mato Grosso do Sul há mais de dois anos, estar inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) e ter renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa.

Porém, mesmo criado há quase quatro anos, o último edital foi lançado em 2022, quando foram destinadas 5 mil vagas, com 60 mil inscritos. Até hoje, apenas 1.309 CNHs foram entregues. Agora, de acordo com o próprio órgão responsável pelo programa, o lançamento de um novo edital, que estava parado há três anos, aguarda as iminentes mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), principalmente ao que se refere à desobrigatoriedade das autoescolas.

“Cabe frisar que o Ministério dos Transportes avalia uma proposta que visa tornar a frequência em autoescolas facultativa para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação, o que impactaria diretamente a estrutura e a execução do nosso programa”, explicou o Detran-MS.

“Tais modificações, caso implementadas, impactarão integralmente o processo de formação de novos condutores e, por conseguinte, a metodologia e os requisitos do Programa CNH MS Social. Diante disso, solicitamos que os interessados no programa aguardem o desdobramento dessa questão legislativa, que será determinante para o custeio do novo edital”, completou.

No dia 1º deste mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou que o Ministério dos Transportes realizasse uma consulta pública para dar sequência ao projeto de tirar a obrigatoriedade das autoescolas para retirada da CNH. 

Hoje, conforme a Senatran, mais de 20 milhões de brasileiros dirigem sem carteira, o que revela um alto risco no trânsito e mostra a dificuldade da população em arcar com o procedimento no modelo atual. Somente no ano passado, mais de 900 mil infrações por dirigir sem CNH foram registradas em todo território 
nacional.

Saiba

Segundo o Ministério dos Transportes, o custo médio para obter a CNH no Brasil é de R$ 3.216. Desse valor, 77% – ou R$ 2.469 – são gastos com a autoescola, e o restante serve para pagar as taxas do Detran. Ou seja, o novo projeto pretende baratear em até 80% a retirada da carteira.

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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