Cidades

JUDICIÁRIO

CNJ começa a julgar desembargadores de MS acusados de venda de sentença

Julgamentos decorrem de denúncias da Operação Ultima Ratio, que revelou suposto esquema de corrupção no TJMS

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começa a julgar hoje dois dos quatro desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), alvos de reclamações disciplinares por envolvimento em esquema de corrupção por meio de venda de sentenças, revelado pela Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal (PF).

Estão previstos para a sessão do CNJ os julgamentos dos desembargadores Marcos José de Brito Rodrigues e Sideni Soncini Pimentel. O primeiro continua afastado por decisão do autor da representação, o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell.

Já o segundo também estava afastado por decisão semelhante, porém, no mês passado, pediu sua aposentadoria do TJMS, e até mesmo já foi substituído dentro da Corte.

As duas reclamações disciplinares que serão julgadas nesta hoje são assinadas pelo corregedor nacional de Justiça.

Foram elas que originaram os afastamentos de 180 dias – renovados por Campbell em agosto – dos desembargadores Marcos José de Brito Rodrigues, Sideni Soncini Pimentel, Alexandre de Aguiar Bastos e Vladimir Abreu da Silva.

Fazenda em jogo

Além dessas reclamações disciplinares, há outras no Conselho Nacional de Justiça, impetradas por vítimas do esquema de venda de sentenças.

O produtor rural Ricardo Cavassa, por exemplo, ajuizou reclamações no CNJ contra os desembargadores que atuaram no julgamento envolvendo a posse da fazenda em que ele foi vítima de um golpe, segundo o Ministério Público, mas em que os desembargadores mantiveram – na esfera cível – a posse do imóvel com os acusados de estelionato.

São alvo da reclamação do produtor rural os desembargadores Alexandre Bastos – cuja investigação da PF mostra que ele mudou o voto de última hora e enviou essa alteração ao desembargador Sideni Pimentel, outro alvo da representação. Vladimir Abreu também é alvo dessa reclamação.

No caso de Marcos José de Brito Rodrigues, na reclamação disciplinar que pesa contra ele, Mauro Campbell apontou, na decisão que o afastou do cargo, a relação do magistrado com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, acusado de operar na compra de decisões judiciais no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e com o advogado de Mato Grosso do Sul, Felix Jayme Nunes da Cunha, que, segundo Campbell, teria supostamente pago vantagens indevidas a Brito Rodrigues para a prolação de decisões.

Para o corregedor nacional de Justiça, Marcos José de Brito Rodrigues ainda ostenta, atualmente, patrimônio individual “incompatível com seus rendimentos mensais”.

“Graças a Deus”

O procurador que havia comprado uma fazenda em condições outrora vantajosas pretendia desistir do negócio depois de uma queda brusca no preço da arroba do boi, índice que lastreou a transação.

O caso estava judicializado, e um telefonema de Sottoriva para Marcos Brito foi suficiente para que o procurador de Justiça escapasse de um prejuízo milionário (de aproximadamente R$ 5 milhões).

Um detalhe, segundo a PF, é que a decisão de Brito foi tomada sem que ele sequer tivesse acesso aos autos – sem ler o processo – e ainda foi assinada por seu assessor.

Ao fim da decisão, Sottoriva, procurador do MPMS (que atua na segunda instância do Ministério Público), foi bastante cordial com o amigo em retribuição ao favor:

“Graças a Deus e ao seu trabalho, acabamos por fechar um acordo. Consegui alongar a dívida em mais uma parcela. Obrigado de coração. Boa Páscoa na bênção de Deus e de seu filho, Jesus Cristo”, disse o procurador de Justiça.

A Operação

A Operação Ultima Ratio, deflagrada em 24 de outubro pela PF, em parceria com a Receita Federal, teve como alvo um suposto esquema de venda de decisões judiciais no TJMS.

Foram cumpridos 44 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Brasília, Cuiabá e São Paulo, além de medidas cautelares, como afastamento de função pública e monitoramento eletrônico de magistrados.

Segundo os investigadores, o esquema envolvia desembargadores, advogados, lobistas e servidores públicos que negociavam decisões em processos judiciais de altos valores, sobretudo em causas envolvendo propriedades rurais e recursos bilionários.

Além disso, foram identificados indícios de lavagem de dinheiro, organização criminosa, falsificação de escrituras e extorsão.

O desdobramento da Operação Ultima Ratio incluiu encaminhamentos para punição disciplinar dos envolvidos pelo CNJ, que abriu nova frente de investigação para os magistrados suspeitos.

A PF também solicitou a abertura de ação penal contra sete desembargadores do TJMS, com base no relatório que aponta participação deles no esquema.

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PREVISÃO

Calor volta e chuva segue para os próximos dias em Campo Grande

Previsão dos dias 19 a 25 acompanha tendência observada em outubro, tanto que a Capital bateu recorde de precipitação acumulada em comparação com a média histórica para o mês

18/10/2026 11h00

Nova semana na Capital não deve ter trégua da chuva e mistura de calor e temperaturas amenas

Nova semana na Capital não deve ter trégua da chuva e mistura de calor e temperaturas amenas Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado

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Depois de uma semana com temperaturas mais amenas do que o costumeiro calorão em Campo Grande, a tendência dos próximos dias é que o termômetro volte a marcar calor acima dos 30°C, mas as chuvas devem continuar mesmo depois de alcançarem marca recorde em outubro.

Conforme o Climatempo, amanhã, segunda-feira (19), deve ser de sol com algumas nuvens, com variação de temperatura entre 15°C e 28°C, sem chuva.

Na terça-feira (20), a mesma previsão, com aumento no termômetro, visto que a previsão marca mínima de 18°C e máxima de 33°C, também sem chuva.

No dia seguinte, a tendência é que as temperaturas aumentem ainda mais, chegando a máxima de 35°C e mínima de 23°C, ainda sem chuva, mas com sol com muitas nuvens durante o dia e períodos de céu nublado.

Na quinta-feira (22), será o primeiro dia de chuva na semana, prevista entre o fim da tarde e à noite, acompanhada da mesma previsão de temperatura do dia anterior.

Nas 24 horas seguintes, a chuva segue, mas com menos intensidade, com precipitação rápida durante o dia e a noite, com mínima de 25°C e máxima de 32°C.

No sábado (24), a chuva deve atrapalhar um pouco mais o dia do campo-grandense, com previsão de chuva forte à tarde e noite com pancadas de chuva, além da temperatura seguir a mesma da observada na sexta-feira.

Outubro

Como reportado pelo Correio do Estado, os primeiros 15 dias deste mês estão mais chuvosos do que nunca. Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), o acumulado de chuvas já está próximo dos 300 milímetros em algumas regiões, isso contabilizando apenas os 15 primeiros dias deste mês.

São 272,8 mm no Rio Anhanduí, no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 238,2 mm no Jardim Panamá, 235 mm na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Aparecida Gonçalves Saraiva e 221,6 mm na estação Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que fica na Embrapa. 

“A primeira quinzena de outubro de 2026 se destacou pelo predomínio de chuvas expressivas e acima da média climatológica na maior parte do estado de Mato Grosso do Sul. Contudo, observou-se também uma variação na distribuição espacial e nos volumes acumulados, com episódios de precipitação pontualmente intensos”, afirma.

“A ocorrência de volumes elevados concentrados em curtos períodos reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas, da capacidade de infiltração do solo e da gestão dos recursos hídricos”, segue a nota do Cemtec-MS.

Para se ter uma ideia, os 272,8 mm acumulados na região do Rio Anhanduí, no Aero Rancho, representam 81% acima do volume esperado para os 31 dias de outubro, que é de 150,6 mm.

Outra marca de outubro que não tem correspondido aos dados históricos é referente ao calor. Historicamente, este é o mês mais quente do ano, porém, até agora, o dia 8 foi o mais quente registrado, quando os termômetros marcaram 34,8°C em Campo Grande, de acordo com o Inmet.

Essa não é sequer a maior temperatura já registrada no ano, marca que até agora é do dia 27 de setembro, quando a Capital registrou 37,8°C.

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MEDICINA

Enamed passa a ser obrigatório em meio a notas baixas em MS

Na quinta-feira, o Senado Federal aprovou a Medida Provisória que tornou o exame uma condição para o exercício da medicina; em janeiro, UniCesumar e Uniderp tiraram nota 2 de 5

18/10/2026 09h00

A Uniderp de Campo Grande foi uma das duas faculdades de MS que ficaram abaixo dos 60% de proficiência no último Enamed

A Uniderp de Campo Grande foi uma das duas faculdades de MS que ficaram abaixo dos 60% de proficiência no último Enamed Foto: Divulgação

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O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) agora é obrigatório para o exercício da profissão em todo o Brasil, depois de 99 cursos de Medicina tirarem nota 1 ou 2 nos resultados divulgados em janeiro, incluindo duas faculdades de Mato Grosso do Sul, o que acendeu alerta no Ministério da Educação (MEC).

Na última quinta-feira (15), o Senado Federal aprovou a Medida Provisória que institui o Enamed como obrigatório para os futuros médicos exercerem a profissão. Agora, serão três avaliações ao longo da graduação: no final do segundo, do quarto e do sexto ano do curso. Antes, conforme texto do Poder Executivo, estavam previstas apenas duas avaliações.

O resultado final será calculado pela média acumulada das três provas, com maior peso para a última avaliação. O desempenho mínimo exigido, os pesos de cada etapa e os critérios de cálculo serão definidos pela Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica e deverão ser previamente publicados.

Quem não alcançar o nível mínimo de proficiência poderá refazer a terceira etapa do exame nas edições seguintes, com novo cálculo da média final. A primeira média acumulada das três avaliações constará do histórico escolar do estudante concluinte, e as faculdades poderão utilizar as notas em seus processos de avaliação acadêmica.

Porém, a exigência de aprovação no Enamed para obtenção do registro será aplicada apenas aos estudantes que ingressaram nos cursos de medicina a partir de 19 de junho de 2026. Quem já estava matriculado antes dessa data continuará submetido às regras anteriores, assim como médicos que já tinham diploma reconhecido nacionalmente.

PREOCUPAÇÃO

Em janeiro deste ano, os resultados do último Enamed, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), acenderam um alerta em toda a comunidade acadêmica e profissional de medicina depois de 99 dos 351 cursos avaliados ficarem abaixo do suficientes, ou seja, ficaram abaixo dos 60% de proficiência (nota 1 ou 2).

Em Mato Grosso do Sul, duas faculdades ficaram dentro deste universo de notas insuficientes: a Anhanguera Uniderp, em Campo Grande; e a UniCesumar, em Corumbá. Na época, o Conselho Regional de Medicina (CRM-MS) informou ter recebido com preocupação o resultado do Enamed, tendo em vista a classificação atribuída aos cursos das universidades privadas.

Recentemente, em agosto, estudantes do curso de Medicina da Uniderp realizaram uma manifestação em Campo Grande para cobrar melhorias nas condições oferecidas pela universidade. Com cartazes, os acadêmicos protestaram contra problemas de infraestrutura, questões relacionadas à qualidade do ensino e ao internato médico, além de mudanças acadêmicas ocorridas ao longo do curso.

Ainda, o Correio do Estado também reportou que dois estudantes da UniCesumar conseguiram ser aprovados no Exame Nacional de Residência (Enare), que tinha 11,3 mil vagas abertas e concorrência de 138.974 candidatos. Porém, eles não conseguiram iniciar a residência, pois a faculdade não emitiu a documentação necessária para serem realizadas as inscrições.

LADO BOM

Nos mesmos resultados divulgados pelo Inep em janeiro, os melhores resultados foram registrados no Estado por universidades públicas, que concentraram os conceitos mais altos, como o campus de Três Lagoas da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Fundação Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), em Dourados.

A Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em Campo Grande, e o campus campo-grandense da UFMS tiraram nota 4 no exame nacional e ficaram dentro dos resultados satisfatórios.

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