Cidades

CAPITAL DO ECOTURISMO

Com 21 mil turistas, Bonito bate recorde de visitação e tem o melhor mês de fevereiro em 9 anos

Número de turistas poderia ser ainda maior caso chuvas não tivessem atingido o município

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Dados divulgados pelo Observatório do Turismo e Eventos de Bonito-MS (OTEB) apontam que o município turístico, localizado a 297 quilômetros de Campo Grande, recebeu 21.883 turistas no mês de fevereiro de 2023.

O número é o maior, se comparado ao mesmo mês dos últimos nove anos. Mesmo com a chuva, o município bateu recorde de visitantes no mês passado.

Confira o número de visitantes que Bonito recebeu no mês de fevereiro dos anos de 2023, 2022, 2021, 2020, 2019, 2018, 2017, 2016 e 2015:

FEVEREIRO/ANO NÚMERO DE TURISTAS
2015 14.670
2016 16.070
2017 16.290
2018 15.376
2019 14.576
2020 13.151
2021 11.066
2022 15.861
2023 *** 21.883 ***

Do total de turistas que visitaram Bonito e região, 6,11% desembarcaram pelo aeroporto. Maior parte das visitas ocorrem no domingo (22%), seguido de sábado (19%), segunda (17%), terça (13%), quinta (11%), quarta (11%) e sexta (8%).

Conforme o levantamento, a maioria dos turistas brasileiros que visitaram Bonito no mês de fevereiro de 2023 são dos estados de São Paulo (31,73%), Paraná (13,62%), Rio de Janeiro (10,65%), Mato Grosso do Sul (8%), Santa Catarina (7,97%), Rio Grande do Sul (7,42%), Minas Gerais (4,17%), entre outros.

Já os turistas estrangeiros que visitam o município são dos países do Paraguai (3%), Alemanha (0,74%), Argentina (0,73%), Bolívia (0,64%), Estados Unidos da América (0,49%), entre outros.

O ponto facultativo de Carnaval, celebrado entre os dias 18 e 22 de fevereiro, é um dos fatores responsáveis pela grande demanda de turistas. A taxa de ocupação de hotéis neste período ficou em 76%.

O número de turistas poderia ser ainda maior caso os temporais não tivessem atingido o município.

O Correio do Estado entrou em contato com a secretária municipal de turismo, Juliane Salvadori, para comentar os dados. Mas, até o fechamento desta reportagem, não foi respondido. 

TEMPORAL

Fortes chuvas atingiram Bonito, principal destino turístico de Mato Grosso do Sul, na segunda quinzena de fevereiro.

O município registrou 495 milímetros de chuva no mês passado e teve que decretar situação de emergência. A média pluviométrica esperada para o mês era de 140 mm, de acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec).

Os rios Miranda, Taquari e Formoso transbordaram, além de córregos. Ao todo, 10 famílias ficaram desabrigadas, 29 desalojadas e 20 casas ficaram ilhadas.

Houve estragos em estradas, pavimentação, pontes e plantações. Os temporais também prejudicaram passeios, que tiveram que ser cancelados e remarcados.

Governador do Estado, Eduardo Riedel (PSDB), chegou a sobrevoar a região, de helicópeto, para estimar o estrago causado pelas chuvas.

Ele estava acompanhado do secretário da Casa Civil, Eduardo Rocha; secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), Hélio Peluffo e do secretário de Estado de Meio Ambiente (Semadesc), Jaime Verruck.  

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, a chuva desanimou turistas e causou prejuízos milionários na cidade.

“Um levantamento preliminar aponta prejuízos de pelo menos R$ 350 mil em deques e passarelas no passeio do Parque das Cachoeiras. Outros empresários tiveram prejuízos acima de R$ 1 milhão, e com isso estou citando o prejuízo de apenas um passeio”, disse o prefeito do município, Josmail Rodrigues (PSB).

Portanto, o número de turistas poderia ser ainda maior caso os temporais não tivessem atingido o município.

TURISMO

Bonito, cidade localizada a 297km de Campo Grande, é o principal destino turístico de Mato Grosso do Sul. A cidade é conhecida como Capital do Ecoturismo.

A cidade possui rios de águas cristalinas, cavernas/grutas secas e alagadas, cachoeiras, trilhas, balneários, observatórios naturais, flutuação e mergulho em rios, praias de água doce, boia cross, aquários. Os passeios variam de R$50,00 a R$1.200,00.

Alguns dos passeios são:

  • Gruta do Lago Azul – cartão postal da cidade
  • Grutas de São Miguel
  • Grita São Mateus
  • Gruta do Mimoso (nova atração)
  • Abismo Anhumas
  • Balneário Municipal
  • Nascente Azul
  • Lagoa Misteriosa
  • Rio Sucuri
  • Boca da Onça
  • Cachoeiras da Serra da Bodoquena
  • Balneário do Sol
  • Buraco das Araras
  • Praia da Figueira
  • Projeto Jiboia

Conforme noticiado pelo Correio do Estado, os passeios foram paralisados por conta das chuvas de fevereiro, mas, já voltaram ao normal.

Quem foi afetado teve a possibilidade de remarcar ou receber reembolso.

DEMARCAÇÃO

Justiça Federal revê decisão e nega ação que tenta tirar povo de terra indígena em MS

Acórdão reconhece que processo de demarcação possui natureza declaratória, ou seja, apenas reconhece um direito originário preexistente

14/03/2026 18h15

Retomada da Terra Indígena Cachoeirinha, em 2013

Retomada da Terra Indígena Cachoeirinha, em 2013 Foto: Ruy Sposati/Cimi

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O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) manteve a decisão de primeira instância que extinguiu uma ação de reintegração de posse movida por detentores do título de propriedade na área da Terra Indígena (T.I) Cachoeirinha, em Miranda, município localizado a cerca de 203 km de Campo Grande.

O acórdão acolheu a prova de que a demarcação da T.I já estava em estágio avançado, com cerca de 610 hectares da fazenda incidindo sobre a área indígena identificada e declarada pela Portaria MJ nº 791/2007.

No entendimento do TRF3 e do Ministério Público Federal (MPF), "não é possível ingressar com ações de reintegração de posse contra terras indígenas em processo de demarcação, não sendo necessário para isso que a demarcação esteja concluída ou homologada. Basta que o processo administrativo de demarcação esteja em curso, com atos como a publicação do relatório técnico e da portaria declaratória, para que a proibição presente na Lei nº 6.001/73 (Estatuto do Índio) tenha efeitos". 

A decisão validou o argumento de que o procedimento demarcatório possui natureza declaratória, ou seja, ele apenas reconhece um direito originário preexistente das comunidades indígenas sobre suas terras tradicionais, conforme o artigo 231 da Constituição Federal.

O TRF3 reconheceu ainda que os proprietários deveriam buscar a tutela jurisdicional apenas através de ações petitórias ou demarcatórias, onde discutem quem é o verdadeiro dono e onde ficam os limites exatos da propriedade, e não  a posse em si.

O processo

A ação foi movida por proprietários quee pediam a reintegração na posse do imóvel rural, sob a alegação de que a área teria sido invadida por integrantes da Comunidade Indígena Terena. A Justiça Federal extinguiu o processo sem julgamento do mérito, levando os autores a moverem o recurso ao tribunal.

O TRF3, em acórdão anterior, deu provimento ao recurso, determinando que, enquanto não houvesse a demarcação definitiva, a área não deveria ser ocupada por indígenas. O MPF recorreu ao próprio tribunal com embargos e, depois de negado o recurso, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em seu recurso especial, o procurador regional da República Robério Nunes dos Anjos Filho defendeu que a ação possessória realmente devia ser extinta sem julgamento de mérito.

O procurador ainda ressaltou que “não é possível na temática indígena aplicar o direito civil de maneira ortodoxa, pois a posse indígena é um instituto heterodoxo, inteiramente regido pelo microssistema constitucional estabelecido nos artigos 231 e 232 da Lei Maior.”

O STJ, acolhendo o recurso, determinou que o TRF3 voltasse a julgar os embargos do MPF, para suprimir a omissão sobre o afastamento da vedação de ações possessórias previsto no artigo 19, parágrafo 2º, da Lei nº 6.001/73

Com isso, o processo voltou ao TRF3. Ao julgar novamente os embargos do MPF, o tribunal atribuiu excepcionais efeitos infringentes ao julgamento – quando, ao corrigir uma omissão na decisão anterior, o embargo acaba por alterar seu resultado – e negou provimento ao recurso dos autores, mantendo a sentença que extinguiu a ação de reintegração de posse sem resolução de mérito, devido à impossibilidade jurídica do pedido.

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SUÁSTICA

Mulher trans é capturada após ser agredida por ex e marcada com símbolo nazista

A vítima relata que sofreu golpes com um taco de sinuca e uma vassoura, além de socos, joelhadas e pisões; o caso ocorreu em Ponta Porã

14/03/2026 17h20

Delegacia de Ponta Porã

Delegacia de Ponta Porã Foto: Divulgação/PCMS

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Na madrugada deste sábado (14), a Polícia Militar atendeu uma ocorrência de agressão e possível cárcere privado, no município de Ponta Porã, localizado a cerca de 313km de Campo Grande. O resgate de uma mulher trans aconteceu em frente à rodoviária da cidade. De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima apresentava múltiplas lesões graves, incluindo uma queimadura distintiva no braço esquerdo, descrita como tendo formato semelhante ao símbolo da suástica nazista.

Além disso, os policiais constataram diversos ferimentos pelo corpo, como hematomas na cabeça. A Polícia Civil investiga que o caso se trata de um cenário de violência planejada e tortura. A vítima foi encontrada pela equipe após uma denúncia via sistema informatizado (CADG).

Em seu relato inicial aos policiais, a vítima informou que havia sido levada, junto de seu então companheiro, à residência de duas outras pessoas, onde começaram as agressões em um escritório do imóvel e terminou na área externa.

Ainda de acordo com seu relato, ela teria sofrido golpes com um taco de sinuca e uma vassoura, além de socos, joelhadas e pisões. Ao tentar pedir por socorro, a vítima contou que seu celular foi danificado com uma faca por uma das envolvidas.

A mulher conta também que teve uma ordem de um dos acusados para que outra pessoa aquecesse uma faca, a qual foi usada para causar a queimadura com o desenho de suástica no braço esquerdo dela.

A Polícia Militar se dirigiu à residência indicada, onde, nas proximidades, um dos suspeitos foi localizado e imediatamente reconhecido pela vítima, sendo dada voz de prisão.

Em conversa com os policiais, o indivíduo admitiu ter desferido dois socos e confessou ter segurado a vítima enquanto os outros envolvidos a agrediam.

Posteriormente, os policiais foram à residência dos outros dois envolvidos. Após tentativas de contato e com o apoio de oficiais da Força Tática, um dos moradores abriu a porta e iniciou a conversa com as autoridades.

Todos os envolvidos foram conduzidos à 1ª Delegacia de Polícia Civil de Ponta Porã. A perícia esteve no local dos fatos, onde, no entanto, não foram localizados objetos ilícitos.

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