Cidades

limite aos supsersalários

Após cortar salário dos ativos, MPMS eleva renda de aposentados

Pelo menos 18% dos promotores e procuradores do Ministério Público de MS já poderiam estar aposentados

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No primeiro mês de vigência das restrições aos supersalários determinada pelo Supremo Tribunal Federal em 25 de março, a folha de pagamento dos cerca de 230 promotores e procuradores da ativa do Ministério Público de Mato Grosso do SUl encolheu 68%. Por outro lado, o custo dos 62 aposentados teve alta da ordem de 44% na comparação entre abril e maio, passando de R$ 3 milhões para R$ 4,4 milhões. 

Com isso, o abismo entre o salário médio dos ativos e inativos praticamente desapareceu e pelo menos 18% dos ativos, que já poderiam estar aposentados, acabaram recebendo uma espécie de incentivo para que "pendurem as chuteiras".

Enquanto o salário bruto dos ativos relativo a maio foi da ordem de R$ 72 mil, os inativos tiveram rendimento médio de quase R$ 62 mil, já descontando o chamado extra-teto em ambos os grupos. 

Dados disponíveis no site da transparência do Ministério Público mostram que, ao contrário de meses anteriores, em maio deste ano os inativos receberam um novo penduricalho, denominado de "Parcela de Valorização por Tempo de  Antiguidade na Carreira", que garantiu R$ 14,6 mil para boa parte dos aposentados e consumiu R$ 660 mil dos cofres públicos.

E, além do salário-base (de até R$ 53,6 mil) e do auxílio-saúde (R$ 6,27 mil), os inativos receberam ainda o que o site da transparência identifica como "Parcela de irredutibilidade de vencimentos", que variou de R$ 5,7 mil a R$ 14,6 mil. 

Este penduricalho já vinha sendo pago eventualmente em meses anteriores, como ocorreu em maio do ano passado. Mesmo assim o valor total entre a folha de pagamento de maio de 2025 e maio de 2026 teve alta de quase 21%. 

Dos cerca de 230 promotores e procuradores da ativa, pelo menos 41 já preenchem os critérios para solicitarem aposentadoria. Prova disso é que estão recendo o chamado abono de permanência, de cerca de R$ 6,5 mil relativos ao  reembolso daquilo que é descontado pela previdência. 

Até o início da semana eram 42 os que recebiam este abono. A procuradora Irma Anzoatuegui, porém, pediu aposentadoria e nesta quarta-feira (3) teve seu pedido atendido, conforme publicação do diário oficial do MPMS.  Ela estava na carreira desde junho de 1987 e tinha quase 39 anos de carreira na instituição.

O Correio do Estado procurou o Ministério Público para saber sua idade, uma vez que servidor público é obrigado a se aposentar ao completar 75 anos. Porém, a instituição se limitou a informar que "quanto à idade e ao tempo de contribuição previdenciária, o MPMS informa que se tratam de dados pessoais protegidos pela legislação vigente e, por esse motivo, não são divulgados". 

O MPMS também se recusou a informar se existem outros pedidos de aposentadoria em andamento em decorrência da restrição ao pagamento dos penduricalhos. "Sobre eventuais aposentadorias de membros da Instituição, o MPMS não divulga projeções ou situações funcionais individuais, uma vez que a aposentadoria depende de manifestação pessoal do interessado e da conclusão do respectivo procedimento administrativo", informou a assessoria. 

Ao longo dos 39 anos, Irma Vieira de Santana e Anzoategui atuou nas Comarcas de Ribas do Rio Pardo, Fátima do Sul, Dourados e Campo Grande. Em outubro de 1998 foi promovida ao cargo de Procuradora de Justiça e entre maio de 2004 e maio de 2008 chegou a ocupar o cargo máximo da procuradoria. 

SALÁRIO DOS ATIVOS

Em janeiro deste ano, antes das restrições aos chamados penduricalhos imposta por decisões do Supremo Tribunal Federal, o salário bruto dos procuradores foi da ordem de R$ 200 mil. Dos 37 ativos, ao menos 29 já poderiam estar aposentados. 

Enquanto isso, o maior salário bruto pagou a um aposentado não passou de R$ 60  mil. Naquele mês, o rendimento médio líquido dos inativos foi de quase R$ 31 mil. Agora em maio, este valor saltou para R$ 52 mil. 

Exatamente a metade dos inativos é beneficiada pela isenção do pagamento do Iposto de Renda, embora todos recebam bem acima da faixa daqueles assalariados que são isentos, que é de R$ 5 mil.  Estas isenções, possivelmente, ocorrem porque todos eles têm laudo médico apontanto que têm doença que garante isenção. 

Em abril, último mês em que foi permitido o pagamento de uma série de benefícios, o salário médio dos cerca de 230 ativos foi de R$ 230 mil.  Em maio, caiu para R$ 73 mil, em média.  Em abril, a folha de pagamento somou R$ 52,9 milhões. Em maio, recuou para R$ 16,8 milhões, uma queda de 68%. 

DUODÉCIMO

Apesar desta redução, o duodécio repassado pelo Governo do Estado ao MPMS não sofreu alteração. No ano passado a promotoria estimou aumento de 8,3% as depesas em 2026 na comparação com 2025 e o orçamento anual subiu de R$ 705,5 milhões para para R$ 767,1 milhões.

Então, em tese, vai sobrar dinheiro nos cofres, já que há limites mais rígidos para o pagamento de salários aos ativos. Sendo assim, tende a sobrar dinheiro para melhorar a renda dos inativos.

CLIMA

Risco de super-El Niño põe Estado em emergência contra incêndios florestais

Previsão já havia alertado que o fenômeno deve favorecer ondas de calor frequentes e intensos no 2º semestre do ano

04/06/2026 10h00

Fenômeno deve ser forte e provocar altas temperaturas em MS

Fenômeno deve ser forte e provocar altas temperaturas em MS Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O governo do Estado decretou estado de emergência ambiental diante da previsão de um super-El Niño atingir Mato Grosso do Sul no segundo semestre do ano, favorecendo a ocorrência de focos de incêndio.

A preocupação é que a situação se aproxime do registrado entre junho e agosto de 2024, uma das piores épocas da história recente em queimadas florestais.

O decreto foi publicado no Diário Oficial do Estado (DOE) e vai durar 180 dias, valendo para os 79 municípios sul-mato-grossenses. Segundo o divulgado, as condições climáticas previstas para os próximos seis meses devem favorecer a propagação de incêndios florestais sem controle e a queda drástica na qualidade do ar.

Na previsão climática realizada pelo Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS) para os meses de junho, julho e agosto, o instituto já havia detalhado que o El Niño atuaria de forma intensa no Estado a partir do segundo semestre, o que poderia favorecer ondas de calor frequentes e intensas.

“As projeções apontam aumento progressivo da probabilidade de ocorrência de El Niño moderado a forte entre a primavera e o início do verão, o que poderá favorecer episódios de ondas de calor mais frequentes e intensos, além de potencializar períodos prolongados de temperaturas acima da média climatológica no Estado”, analisa o Cemtec-MS.

Na própria publicação que garante o decreto, o governo estadual disse que a intensificação do El Niño “favorece a formação de material combustível altamente suscetível à ignição e à rápida propagação do fogo, ampliando o risco de incêndios florestais em diversas áreas do Estado, especialmente no Bioma Pantanal”.

Segundo o capitão Samuel Pedrozo Borges, da Diretoria de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS), há uma preocupação da corporação quanto ao mês de julho, o qual deve contar com uma mobilização intensa para que grandes focos não se propaguem.

“Há uma preocupação para que já no mês de julho o Corpo Bombeiros Militar tenha o maior efetivo possível para atuar em condição de combate aos incêndios florestais. Nós estamos atentos a essas questões climáticas, principalmente no período crítico. O que mais interfere na questão do El Nino é o aumento da temperatura, que é o ponto crítico para os incêndios florestais”, analisa.

Ainda de acordo com o capitão, esse período é chamado de Triplo 30, que recebe esse nome justamente pelo registro de temperaturas acima dos 30°C, umidade relativa do ar abaixo dos 30% e a velocidade do vento acima dos 30 km/h. Todas essas condições combinadas favorecem o risco de incêndios florestais e queimadas.

Números

Conforme dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 2026 é um dos anos mais “tranquilos” em relação a focos de incêndio em Mato Grosso do Sul, com 375 registros até o momento. Entre janeiro e maio do ano passado, 100 focos a mais já tinham sido catalogados.

Porém, foi em 2024 que o El Niño mais influenciou nas queimadas florestais no Estado. Ainda de acordo com o programa do Inpe, foram registrados mais de 13 mil focos ao longo daquele ano, sendo que julho e agosto terminaram como os piores desde 1998. 

Somente no Pantanal, cerca de 17% da área total – 2,6 milhões de hectares de 15 milhões de hectares – do bioma foram queimados.

Pantanal

Em matéria recente, o Correio do Estado veiculou que, há duas semanas, o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu documento direcionado a órgãos federais e estaduais sobre a situação de alerta com relação ao risco de incêndios florestais para toda a região oeste de Mato Grosso do Sul, onde está o Pantanal, e áreas do leste do Estado.

No contexto de médio prazo, o alerta aponta para riscos de atividades humanas envolvendo o manejo do fogo inadequado, que pode apresentar alta tendência de focos de calor, e um acúmulo de focos de calor em regiões do Pantanal, bem como para municípios como Três Lagoas, Bataguassu e Ribas do Rio Pardo.

Em grau de dimensão menor, ainda há o nível de classificação feito pelo Cemaden, o de alerta alto, que abrange áreas de Naviraí e Itaquiraí.

375
focos de incêndio

Este ano foram registrados 375 focos de incêndio em Mato Grosso do Sul até o momento, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

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MEIO AMBIENTE

Compensação de hidroelétrica rende R$ 8,5 milhões para MS

Valor será dividido entre o Imasul e a prefeitura de Sonora para ser aplicado na manutenção de áreas de preservação

04/06/2026 09h45

Parque Estadual do Rio Taquari abriga várias espécies silvestres

Parque Estadual do Rio Taquari abriga várias espécies silvestres Reprodução/Saul Schramm/Secom-MS

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O Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF) liberou o recurso de R$ 8.579.924,11 para ser destinado aos cofres do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e à Prefeitura de Sonora para a manutenção de áreas de preservação no Estado. 

No caso do Imasul, os valores podem contribuir para amenizar um imbróglio antigo que envolve a regularização fundiária do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari. Nesse caso, o recurso vai servir para o pagamento a antigos proprietários rurais. 

Essa destinação foi acordada durante a 101ª reunião ordinária do CCAF, que aconteceu no dia 13 de maio, na sede do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em Brasília. 

Durante a reunião, houve a participação de 10 representantes do ministério, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sobre a presidência de Guilherme Barbosa Checco, secretário-executivo adjunto do MMA.

As propostas analisadas e deliberadas referem-se à compensação ambiental sob responsabilidade da Engie Brasil Energia S.A., que detém o empreendimento da usina hidrelétrica Ponte de Pedra, localizada no Rio Correntes, no município de Itiquira (MT), com concessão até 2035. A instalação tem três unidades geradoras com capacidade instalada de 176,1 MW.

*Saiba

O recurso destina ao Imasul é referente a Usina Hidrelétrica Ponte de Pedra, que vai destinar R$ 4.182.288.65 para investir no Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari. Os outros R$ 4.397.635,46 para de Sonora são para manter o parque Monumento Natural Municipal Serra do Pantanal.

Conforme a especificação dos projetos, o Imasul tem direito a receber R$ 1.057.175,00 para aplicar na regularização fundiária e implantação do Parque Estadual de Sonora.

Além disso, há a destinação de R$ 105.751,00 para pagamento anual no período de 15 anos, o que totaliza R$ 2.643.440,00. O instituto protocolou ofício ao comitê, ainda em setembro de 2025, para redirecionar o uso do dinheiro para o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari.

Com a análise feita por nota técnica nº13/2026 do Serviço de Compensação Ambiental Federal (Secaf) e da Diretoria de Licenciamento Ambiental Federal (Dilic), houve acordo sobre as alterações solicitadas pela autarquia municipal. 

“Redestinação dos valores já depositados na conta do Imasul, atualizados até setembro de 2025, no montante de R$ 4.182.288,65, a serem direcionados ao Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari, para fins de regularização fundiária, nos termos do inciso 1 do parágrafo único do art. 33 do Decreto nº 4.340/2002”, diz a nota técnica.

Nessa região pantaneira do Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari existe um antigo imbróglio que houve a criação da unidade de conservação, mas nem todos os pagamentos a proprietários foram realizados. 

Essas regularizações fundiárias vêm sendo feitas ao longo dos anos, desde que houve a criação do parque, em 9 de outubro de 1999, a partir do decreto estadual nº 9.662. O procedimento mais recente, divulgado pelo Imasul, ocorreu em julho do ano passado, com a escrituração de 122 hectares no município de Costa Rica.

Esse parque estadual abrange uma área de 30.618 hectares, nos municípios de Costa Rica e Alcinópolis e a proposta dele é proteger as nascentes que abastecem o Rio Taquari e também regiões com sítios arqueológicos com vestígios humanos de até 11 mil anos.

Com relação aos recursos para a prefeitura de Sonora, o valor da proposta acatada é de R$ 4.397.635,46, mas que ainda estão pendentes de pagamento pela Engie. A regulamentação desse recurso foi feita a partir de termo do Imasul de nº 36/2011. 

A proposta para utilização desse recurso é manter o Monumento Natural Municipal Serra do Pantanal. Essa unidade de conservação tem mais de cinco mil hectares e foi criada para proteger formações geológicas.

“Com definição específica da aplicação a ser estabelecida pelo gestor da unidade de conservação [prefeitura de Sonora] (...) O MoNa [Monumento Natural]Municipal Serra do Pantanal é unidade de proteção integral e a única pertencente à bacia hidrográfica do Rio Corrente, em que a barragem foi construída e, por consequência, alvo dos impactos prováveis do empreendimento em tela, e que ainda não havia sido alvo de recurso de compensação ambiental”, especificou o CCAF.

Com essa deliberação, o recurso que ainda não tinha sido liberado para a gestão municipal deve ser viabilizado, porém não houve divulgação da data. 

“A compensação ambiental é um instrumento previsto na Lei nº 9.985/2000. Os recursos são destinados à criação, implementação e fortalecimento de unidades de conservação, apoiando ações como regularização fundiária, proteção territorial, monitoramento ambiental, pesquisa, manejo e conservação da biodiversidade”, detalhou o MMA, em nota.

 

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