Cidades

Mato Grosso do Sul

Com alta de 59%, Disque 100 recebe 5 denúncias de violência contra idosos por dia

Nos primeiros 5 meses do ano, o Ministério dos Direitos Humanos registrou 4,7 mil violações de direitos dos idosos em Mato Grosso do Sul

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De janeiro a maio de 2023, o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), recebeu 818 denúncias de violência cometida contra pessoas idosas em Mato Grosso do Sul, que correspondem a 4.704 violações de direitos. Esses números indicam que o serviço recebe mais de cinco denúncias de violência contra idosos por dia.

Campo Grande é o município com o maior número de denúncias (502), seguido por Dourados (51), Corumbá (39) e Três Lagoas (36).

Os registros dos primeiros cinco meses do ano apontam um aumento de 59,4% no número de vítimas em comparação com o mesmo período de 2022, ano em que 513 denúncias haviam sido enviadas ao Disque 100 até o fim de maio. Com relação ao número de violações, o aumento foi ainda maior, de 74%, já que no ano passado foram regristradas 2.702 violações de direitos no período.

As principais vítimas são do sexo feminino. Em 2023, elas correspondem a 64,84% das denúncias. No ano passado, 69,07% das vítimas eram mulheres. Os dados são do painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

No ranking de estados com maior número de denúncias referentes a violência contra idosos, Mato Grosso do Sul aparece em 17º lugar.

A nível nacional

No Brasil, de janeiro a maio deste ano, o Disque 100 recebeu mais de 47 mil denúncias que apontam para cerca de 282 mil violações de direitos contra idosos. O número de violações de direitos apresenta aumento de 87% em relação ao registrado no mesmo período de 2022.

Naquele ano, foram pouco mais de 150 mil violações, indicadas em mais de 30 mil denúncias, segundo dados do Painel da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos.

Os estados com maior número de denúncias são: São Paulo (13.709), Rio de Janeiro (7.523), Minas Gerais (6.120), Rio Grande do Sul (3.812) e Pernambuco (2.354). Os com menor número de denúncias são Acre (153), Amapá (86) e Roraima (56).

Quais são as violações de direitos contra pessoas idosas?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define as situações de violência contra pessoas mais velhas como ações que prejudicam a integridade física e emocional do idoso, impedindo ou anulando seu papel social.

Violências mais registradas:

Negligência: A mais comum entre todas, quando os responsáveis pela pessoa idosa deixam de oferecer cuidados básicos, como higiene, saúde, medicamentos, proteção contra frio ou calor.

Abandono: O abandono é considerado uma forma extrema de negligência. Acontece quando há ausência ou omissão dos familiares ou responsáveis, governamentais ou institucionais, de prestarem socorro a um idoso que precisa de proteção.

Violência Física: quando é usada a força para obrigar os idosos a fazerem o que não desejam, ferindo, provocando dor, incapacidade ou até a morte. E a sexual, quando a pessoa idosa é incluída em ato ou jogo sexual homo ou heterorrelacional, com objetivo de obter excitação, relação sexual ou práticas eróticas por meio de aliciamento, violência física ou ameaças.

Psicológica: A violência emocional ou psicológica é a mais sutil das violências. Inclui comportamentos que prejudicam a autoestima ou o bem-estar do idoso, entre eles, xingamentos, sustos, constrangimento, destruição de propriedade ou impedimento de que vejam amigos e familiares.

Violência financeira ou material: que é a exploração imprópria ou ilegal dos idosos ou o uso não consentido de seus recursos financeiros e patrimoniais.

Junho Violeta

No início deste mês, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), por meio da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, deu início à campanha “Junho Violeta”, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância do combate à violência cometida contra pessoas idosas.

A campanha iniciada em junho faz alusão ao dia 15 do mês, data reconhecida oficialmente pela Organização das Nações Unidas (ONU), desde 2011, como o Dia Mundial de Conscientização sobre a Violência contra a Pessoa Idosa.

Canais de denúncia

Além das unidades básicas de saúde, delegacias e Polícia Militar por meio do 190 para situações de risco eminente, o Ministério dos Direitos Humanos disponibiliza o Disque 100, serviço coordenado pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH) gratuito, sigiloso e opera 24h por dia.

Além de ligação gratuita, os serviços estão disponíveis por meio do site da Ouvidoriaaplicativo Direitos Humanos, Telegram (digitar na busca “Direitoshumanosbrasil”) e WhatsApp (61) 99611-0100). O canal também possui atendimento em Libras.

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Números

Apenas 76 países enviaram delegações à COP15 em Campo Grande

Organização espera reunir cerca de 2 mil pessoas, entre delegados, cientistas e povos indígenas

26/03/2026 17h45

Ministra Marina Silva

Ministra Marina Silva Foto: Marcelo Victor

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A 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias (COP15) começou nesta segunda-feira (23) com um dado que chama atenção: há mais participantes acompanhando o evento de forma virtual do que presencial. Dos 133 países signatários do tratado, apenas 76 enviaram delegações, enquanto o restante optou pela participação remota.

Naa entrada do Pantanal, a maior zona úmida tropical do planeta, a conferência reúne espera reunir cerca de 2 mil pessoas, entre delegados, cientistas, povos indígenas, comunidades locais e organizações de conservação. O encontro ocorre em um contexto ambiental crítico para a região, que enfrenta seca, incêndios florestais e mudanças no uso do solo.

A abertura da conferência também foi marcada pela divulgação de novos relatórios que apontam um cenário preocupante para a biodiversidade global. Segundo o documento “Estado das Espécies Migratórias do Mundo: Relatório Provisório (2026)”, quase metade (49%) das espécies listadas na Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias (CMS) apresenta tendência de queda populacional, enquanto cerca de uma em cada quatro já está ameaçada de extinção em nível global.

O estudo indica que a pressão sobre essas espécies é resultado de uma combinação de fatores, como sobre-exploração, destruição de habitats, poluição, mudanças climáticas e a presença de espécies invasoras.

Ao longo da semana, os participantes discutirão propostas de inclusão de novas espécies nas listas de proteção, além de ações conjuntas, resoluções e decisões que irão orientar as políticas de conservação nos próximos anos. As deliberações finais devem ser submetidas à aprovação no próximo domingo (29).

A Conferência das Partes é o principal órgão deliberativo da CMS e se reúne a cada três anos. O encontro tem como objetivo avaliar avanços, atualizar compromissos e reforçar medidas de proteção às espécies migratórias, sempre com base em evidências científicas sobre ameaças, tendências populacionais e estratégias de conservação eficazes. O evento é realizado no Bosque dos Ipês. 

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Epidemia

Idoso é a 6ª vítima de Chikungunya de 2026 em MS

Óbitos pela doença em 2026 já correspondem a um terço do total em 2025

26/03/2026 17h30

Óbitos pela doença em 2026 já correspondem a um terço do total em 2025

Óbitos pela doença em 2026 já correspondem a um terço do total em 2025 Divulgação

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Um idoso de 72 anos é a 6ª vítima confirmada decorrente da Chikungunya. A morte do homem aconteceu no dia 19 de março, mas estava em investigação, sendo confirmada no boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES) desta quinta-feira (26). A vítima era do município de Bonito e foi a primeira morte fora de Dourados. 

O idoso possuía outras comorbidades, como hipertensão arterial e diabetes e apresentou os sintomas iniciais no dia 13 de março, apenas seis dias antes do óbito. 

De acordo com o boletim epidemiológico da SES, o município de Bonito tem 56 casos da doença confirmados e 74 em investigação, colocando a cidade com risco vermelho para incidência de Chikungunya, quando há mais de 300 casos a cada 100 mil habitantes. 

Em apenas três meses, 2026 já registrou pouco mais de um terço das mortes registradas em todo o ano de 2025, considerado o ano mais letal da doença no Estado, com 17 óbitos. 

Além do idoso, as outras cinco vítimas eram moradores de aldeia indígenas em Dourados:

  • mulher de 69 anos (Aldeia Jaguapiru, no dia 26/02);
  • homem de 73 anos (Aldeia Jaguapiru, no dia 09/03);
  • bebê de 3 meses (Aldeia Bororó, no dia 10/03);
  • mulher de 60 anos (Aldeia Jaguapiru, no dia 12/03);
  • bebê de 1 mês (Aldeia Jaguapiru, no dia 24/03).

Em todo o Estado, são 3.058 casos prováveis de Chikungunya e 1.452 casos confirmados. Dentre os casos confirmados, 21 são gestantes. 

Chikungunya em MS

Em Dourados, a atual situação causada pelo surto de chikungunya motivou o decreto de estado de emergência em saúde pública por parte do Executivo Municipal. 

Inicialmente concentrada na área da Reserva Indígena, a disseminação da doença já atinge bairros como Jardim dos Estados, Novo Horizonte e a região do Jóquei Clube, apontados como áreas com maior incidência de focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor também da Dengue e Zika.

Essa "explosão" dos casos de Chikungunya em 2025 passou a ser observada já desde o início do ano passado, quando até o começo de março Mato Grosso do Sul já anotava 2.122 casos prováveis. 

Através do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do Ministério da Saúde, por exemplo, é possível notar que a série histórica iniciada em 2015 começa com apenas um óbito registrado naquele ano.

Até 2024 essa arbovirose iria vitimar um total de apenas oito sul-mato-grossenses, já que com 2016 e 17 passando sem qualquer registro de morte por Chikungunya em Mato Grosso do Sul, a doença só voltou a matar um paciente em 2018, ano em que três pessoas morreram.

Porém, nos quatro anos seguintes (de 2019 a 2022) ela voltaria a sumir do radar do sul-mato-grossense. Na sequência, antes de explodir no ano passado, 2023 e 2024 só registraram, respectivamente, três e uma morte por chikungunya em Mato Grosso do Sul, com o ano passado somando o dobro dos óbitos da última década, como bem acompanha o Correio do Estado

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