Cidades

EDUCAÇÃO

Com celulares restritos, acesso à tecnologia nas escolas é mantido

O uso dos aparelhos ainda será permitido em situações pedagógicas ou didáticas, desde que seja autorizado pelos professores; restrição já está vigente neste ano

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A nova lei que proíbe o uso dos celulares nas escolas de todo o Brasil, sancionada no dia 13 de janeiro, não impede que outras tecnologias e o próprio aparelho auxilie na prática do ensino.

O objetivo da criação da legislação é minimizar as distrações dos estudantes, garantindo assim um ambiente mais disciplinado e focado no aprendizado.

Por mais que também vise salvaguardar a saúde mental, física e psíquica de crianças e adolescentes diante da usual utilização de celulares por parte dos estudantes durante o período de estudo, essa medida não deve interferir em atividades pedagógicas que envolvem o uso de tecnologias em sala de aula.

Para o Correio do Estado, a professora da Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) Rosimeire Martins Régis dos Santos, doutora em Educação e pesquisadora das tecnologias de informação e comunicação, explicou a importância de manter a possibilidade de utilizar as tecnologias digitais de forma pedagógica.

“Embora a medida do Ministério da Educação [MEC] busque limitar o uso indiscriminado de celulares nas escolas, ela não desconsidera a possibilidade de utilizar as tecnologias digitais de forma pedagógica, reconhecendo a sua importância no desenvolvimento das competências dos estudantes como cidadãos digitais”, disse.

Rosimeire acrescenta também os benefícios da utilização de tecnologias digitais no aprendizado escolar.

“Há diversas pesquisas – incluindo estudos realizados por professores e escolas do Estado – que destacam práticas bem-sucedidas e positivas no uso das tecnologias digitais no processo de ensino e aprendizagem na Educação Básica”, mencionou.

“Essas iniciativas demonstram o potencial das tecnologias digitais como um recurso a mais para enriquecer a experiência educacional e promover a formação de cidadãos digitais”, complementou.

Segundo Ana Claudia Favano, especialista em Psicologia Positiva e educadora da Escola Internacional de Alphaville, é importante que as escolas criem um ambiente em que a tecnologia seja uma ferramenta ao aprendizado, e não um obstáculo.

“É no equilíbrio que se encontra a solução para o dilema dos celulares. Basta lembrarmos que os tablets, os notebooks e as lousas digitais são usados nas salas de aula há um bom tempo e trouxeram inovação tecnológica para os ambientes acadêmicos. Não se trata apenas de restringir ou liberar, mas de criar um ambiente em que a tecnologia ajude no aprendizado e no desenvolvimento humano”, declarou.

ORIENTAÇÕES

Também está previsto na Lei nº 15.100/2025 que caberá às redes de ensino e às escolas elaborar estratégias para tratar do tema do uso imoderado dos aparelhos e do acesso a conteúdos impróprios na Educação Básica.

Essas unidades terão de oferecer treinamentos periódicos para a detecção, a prevenção e a abordagem de sinais sugestivos de sofrimento psíquico e mental e de efeitos danosos do uso imoderado das telas.

As escolas serão as responsáveis por divulgar as normas, educar sobre os riscos do uso excessivo de tecnologia e aplicar medidas disciplinares para descumprimentos, as quais vão desde advertências até o recolhimento temporário do aparelho.

A iniciativa reflete uma preocupação crescente com os impactos negativos da tecnologia na vida dos jovens e busca promover um ambiente mais propício ao aprendizado.

Será orientado para os alunos que eles devem manter os dispositivos desligados durante o período de aulas escolares e durante os intervalos de aula e as atividades extracurriculares.

VOLTA ÀS AULAS

As aulas das escolas municipais de Campo Grande retornaram nesta segunda-feira com uma novidade: os celulares estão proibidos.

De acordo com o secretário municipal de Educação de Campo Grande, Lucas Bittencourt, os alunos a partir 
do quinto ano serão orientados a deixarem seus celulares em casa ou guardados dentro da mochila.

“Nós não estamos recolhendo o celular, e é feita a orientação para que o aluno guarde isso na mochila, uma vez que é um objeto pessoal dele. Se houver uma negligência, uma utilização do celular, seja filmando, seja utilizando ele sem fim pedagógico, aí sim a escola tem que tomar as providências conforme já é previsto no regimento escolar”, ressaltou o titular da Pasta.

Na Capital, as regras sobre a utilização do celular para professores e alunos serão divulgadas nos próximos dias. A resolução que define os detalhes sobre essa proibição – onde deve ser guardado o item, por exemplo – também será publicada em breve.

Já a Rede Estadual de Ensino, sob a responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação (SED), está organizando os últimos detalhes com professores e diretores para voltarem as aulas no dia 17 seguindo o que manda a nova lei.

Desde a última semana, a SED tem enviado orientações para que as unidades escolares repassem os protocolos para os seus profissionais. A Pasta se encontra em fase de reforçar as orientações da nova lei, por meio de avisos aos pais e/ou responsáveis e aos estudantes nesta semana.

SAIBA

Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Educação vem trabalhando para regulamentar a medida desde o ano passado, quando a proposta ainda era um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional.

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Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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