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nova rota

Com cheia no Pantanal, traficantes passam a usar rios da região para traficar cocaína

Polícia Civil identificou que trajeto entre Corumbá e Coxim virou rota para o envio de drogas pelos rios Taquari e Paraguai

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Neste ano, a volta das chuvas em ritmo mais intenso elevou o nível de diferentes rios do planalto e da planície pantaneira, o que contribuiu para a retomada de trajetos por meio de sua navegação.

O problema, porém, é que traficantes descobriram essas rotas, passando a utilizá-las para conseguir transportar cocaína entre a região de fronteira do Brasil com a Bolívia com o norte de Mato Grosso do Sul, tendo como destino a BR-163. A rodovia é um dos principais pontos de acesso para o Estado e a Região Norte do País.

Ontem, o Correio do Estado divulgou detalhes de como Campo Grande se tornou rota para o tráfico de drogas que têm como destino final o Pará.

Nesses casos, as polícias civis de MS e MT atuam em conjunto para desbaratar esse esquema, que também utiliza a BR-163. Ainda será apurada a possível ligação entre grupos criminosos.

Sobre as investigações da rota fluvial para transporte de cocaína, elas começaram logo após as chuvas passarem a inundar tributários do Rio Paraguai, bem como do Rio Taquari.

Há três meses, policiais passaram a monitorar traficantes que atuam tanto em Corumbá quanto em Coxim e identificaram que a droga saía da fronteira com a Bolívia por meio fluvial, e não terrestre.

A utilização de rios para fazer esse transporte permitiu que os traficantes conseguissem baratear o preço para distribuir a droga pelo Brasil e também encurtar distâncias.

Para fazer uma viagem entre os municípios citados, por exemplo, por meio terrestre, são mais de 700 km de percurso.

Ainda, há monitoramento ao longo das rodovias, tanto pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) quanto pelas bases da Polícia Militar Ambiental (PMA).

Além das BRs 262 e 163, rodovias com menor acesso e estradas vicinais também são usadas para o transporte de entorpecentes. Mesmo assim, as condições dessas vias são ruins.

Os trechos de navegação que ligam o município de Corumbá a Coxim encurtam em centenas de quilômetros a viagem, além de reduzirem drasticamente os pontos de fiscalização das polícias estadual e federal.

A navegação envolvendo diferentes rios, muitos deles que passaram a ficar navegáveis após as chuvas de janeiro e fevereiro, começou a ser feita pelos traficantes desde o começo deste ano.

“Após aproximadamente três meses de investigação prévia para identificar traficantes de drogas que se utilizam da via fluvial entre os municípios de Corumbá e Coxim, foi possível identificar parte dessa quadrilha. Em virtude do trabalho de inteligência, foi realizado o monitoramento dos envolvidos”, detalhou a Polícia Civil, em nota.

Equipes policiais de ambas as cidades passaram a trabalhar em conjunto para conseguir identificar como era a dinâmica dos criminosos.

O apurado até agora é que a droga vinha da Bolívia, atravessando a fronteira por diferentes formas, e chegava a Corumbá em volumes diversos.

Depois disso, a cocaína era mantida em um entreposto. Ao menos uma residência vinha sendo usada para guardar o entorpecente. Após certo volume acumulado, o despacho acontecia.

Em Corumbá, são dois endereços que foram identificados como sendo usados pela quadrilha. Todos eles ficam na parte alta da Cidade Branca.

Na tentativa de prender parte dos criminosos, as polícias civis corumbaense e de Coxim fizeram uma operação nesta semana, após obterem autorização judicial para averiguar os endereços. Na ação, 171 kg de droga foram encontrados embalados e armazenados em um cômodo de uma casa.

A residência, de estilo simples e sem acabamento, tinha um colchão e praticamente nenhum móvel.

“Equipes das delegacias de ambas as cidades dirigiram-se até dois endereços localizados no município de Corumbá. Em um deles, foi realizada a apreensão de 163 tabletes de substância entorpecente [162 tabletes de pasta base de cocaína e 1 tablete com cocaína]”, informaram as autoridades policiais.

Pelas condições encontradas no local, os agentes avaliam que o endereço era usado somente para armazenar a droga por períodos curtos de tempo. Ao menos uma pessoa permanecia in loco para fazer a segurança.

Nessa operação, que ocorreu nesta terça-feira, os policiais acharam vestígios de comida, talheres e roupas. Conforme apurado, o local foi evacuado pouco antes da entrada das autoridades civis.

O inquérito do caso segue em aberto, porque ainda é investigada a identificação dos integrantes da quadrilha, além da apuração de como as embarcações eram usadas para navegar pelo Rio Paraguai e o Rio Taquari. 

Com a volta da água, o mesmo trecho navegado pelos criminosos também vem sendo utilizado para transporte de gado entre fazendas que se encontram alagadas na região da Nhecolândia.

CONEXÕES

Na fronteira do Brasil com a Bolívia, somente neste ano, a Receita Federal interceptou nove táxis que transportavam cocaína em diferentes quantidades, que tinham como destino principal a cidade de Corumbá.

A estimativa é de que quase R$ 700 mil foram apreendidos em entorpecente somente com essas apreensões, as quais foram realizadas entre janeiro e o dia 23 de abril.

Por mais que sejam pequenas quantidades, são suficientes para abastecer o esquema do tráfico que vinha utilizando o meio fluvial para levar cocaína da Cidade Branca a Coxim.

Em todos esses casos, cidadãos bolivianos com diferentes idades, mas sempre abaixo dos 40 anos, fazem viagem de táxi e tentam entrar no Brasil pelo Posto Esdras, voltado à imigração e fiscalização aduaneira entre os países, geralmente nas noites de sábado e domingo, que concentram menor supervisão de agentes e fluxo de veículos menos intenso.

Todos os casos identificados pela Receita são encaminhados para a Polícia Federal (PF) em Corumbá. A PF mantém também canal para troca de informações com a Polícia Civil.

campo grande

Ex-funcionário é preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha e bacon de empresa

Homem confessou o crime e revelou que utilizava uma chave antiga guardada desde o período em que trabalhava no local para cometer os furtos

17/08/2026 18h15

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00 Foto: Divulgação / Polícia Civil

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Um homem de 24 anos, identificado pelas iniciais L. C. O. E. foi preso após furtar mais de R$ 13 mil em picanha, bacon e suco de uma empresa onde havia trabalhado, no Jardim Carioca, em Campo Grande.

De acordo com a Polícia Civil, na madrugada do último sábado (15), o supervisor de cargas e descargas da transportadora acionou a polícia após notar, pelo sistema de monitoramento, que um ex-funcionário invadiu o depósito de produtos congelados.

Com base em informações de inteligência levantadas pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf), que já monitorava ocorrências anteriores na câmara frigorífica da mesma empresa, equipe tática do Grupo de Operações e Investigações (GOI) intensificou ações de patrulhamento e a vigilância na região.

Por volta das 4h, investigadores, com apoio da Força Tática da Polícia Militar (PM) interceptaram um veículo Chevrolet Onix, na Avenida Sete.

O carro era conduzido pelo ex-funcionário e, dentro do veículo, foram encontrados e apreendidos 13 caixas de picanha fatiada Friboi, avaliadas em R$ 12.950,00; duas caixas de bacon Seara, no valor de R$ 580, e um fardo de suco Prates de 1,5 litro, avaliado em R$ 100, totalizando R$ 13.630,00 em produtos furtados.

O suspeito confessou o crime e afirmou que utilizava uma chave antiga, guardada desde o período em que trabalhava no local, para acessar o escritório e abrir a câmara fria.

Ele disse ainda que havia a suposta colaboração de um outro funcionário atual da empresa nos crimes.

Na abordagem, o suspeito estava acompanhado do irmão, de 26 anos, que alegou ter sido chamado apenas para receber uma suposta carne de presente e que não sabia da origem ilícita dos itens.

Ambos foram detidos e encaminhados à delegacia, onde foram autuados por furto qualificado durante o repouso noturno, pelo concurso de pessoas e pelo abuso de confiança. O caso segue sob investigação.

Picanha, bacon e suco foram avaliados em R$ 13.630,00Caixas de picanha e bacon estavam no interior de um Onix (Foto: Divulgação / Polícia Civil)

Mobilização

IBGE em MS pode entrar em greve; servidores decidem na quarta sobre paralisação

Núcleo estadual está em estado de greve, mas adesão ainda é baixa; assembleia marcada para quarta-feira (19) definirá se servidores de MS vão aderir à paralisação.

17/08/2026 17h54

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional.

Servidores do IBGE em Mato Grosso do Sul decidem nesta quarta-feira (19) se aderem à greve nacional. Foto: Reprodução.

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Os servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em Mato Grosso do Sul ainda não aderiram à greve iniciada em outras unidades do país e decidirão, na próxima quarta-feira (19), se vão se juntar à paralisação. A decisão será tomada durante uma assembleia geral da categoria no Estado.

O núcleo estadual está atualmente em estado de greve, situação em que os trabalhadores permanecem em atividade, mas se mantêm mobilizados para uma possível paralisação. 

A informação foi confirmada à equipe de reportagem do Correio do Estado por uma servidora do IBGE em Mato Grosso do Sul. Segundo ela, apesar da mobilização nacional, ainda não há greve no Estado.

“O sindicato declarou estado de greve, mas ainda não é greve. Na quarta-feira vai ter uma assembleia geral do sindicato aqui de MS e será votado se vai ter greve ou não”, explicou.

A servidora também relatou que, neste momento, a mobilização entre os trabalhadores sul-mato-grossenses ainda é pequena. Conforme a avaliação dela, mesmo que a paralisação seja aprovada na assembleia, parte dos funcionários poderá permanecer trabalhando.

“A adesão dos servidores aqui está baixa. Se for declarado, muitos aqui não vão aderir”, afirmou.

A situação coloca Mato Grosso do Sul entre os oito núcleos que, conforme levantamento divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores do IBGE (ASSIBGE-SN), estão em estado de greve, etapa anterior à eventual aprovação de uma paralisação.

Além de Mato Grosso do Sul, estão nessa condição os núcleos de Sergipe, Piauí, Espírito Santo, a unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), a unidade do Canabarro, também no Rio de Janeiro (RJ), Paraná e Rio Grande do Sul.

Mato Grosso e Pará possuem indicativo de greve, enquanto Bahia e Sede já aprovaram a paralisação.

Greve começou em 10 de agosto

A mobilização nacional dos trabalhadores do IBGE começou em 10 de agosto e faz parte de um calendário de reivindicações definido durante a Reunião de Direção Nacional da ASSIBGE-SN, realizada entre 9 e 11 de julho.

A paralisação ocorre em meio a uma escalada das divergências entre servidores e a direção do instituto, comandada pelo presidente Marcio Pochmann.

Entre as reivindicações apresentadas pelo sindicato estão questões relacionadas ao Programa de Gestão e Desempenho (PGD) dos servidores que ingressaram por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), além da criação de comissões paritárias para discutir o programa e a experiência dos novos funcionários.

A pauta também inclui o retorno dos critérios anteriores para pagamento da indenização de campo, reajuste e garantia de direitos aos trabalhadores temporários, eleição do Comitê de Carreira, negociação dos dias paralisados em uma greve anterior na unidade do Chile, no Rio de Janeiro (RJ), e reabertura dos canais de diálogo entre trabalhadores e direção.

Um dos principais pontos de insatisfação envolve justamente as regras de trabalho dos novos servidores.

De acordo com a entidade sindical, trabalhadores aprovados no concurso haviam recebido a informação de que poderiam ingressar no regime híbrido depois de determinado período, mas uma portaria publicada posteriormente teria modificado essa previsão.

O sindicato questiona ainda mudanças relacionadas à indenização de campo, benefício destinado a trabalhadores que realizam atividades externas.

Paralisação já atinge outros estados

Enquanto Mato Grosso do Sul ainda discute uma possível adesão, a greve já alcança unidades do IBGE em outras regiões.

No Rio de Janeiro, segundo informações divulgadas pelo sindicato, a mobilização chegou à sede do instituto e à Superintendência Estadual. Na Bahia, a entidade informou adesão de parte dos trabalhadores.

Apesar do avanço da mobilização, não há, até o momento, indicação de suspensão ou adiamento das divulgações estatísticas programadas pelo IBGE.

A estratégia da ASSIBGE-SN é ampliar gradualmente o movimento nos estados. A entidade orienta que cada núcleo realize sua própria assembleia antes de aderir formalmente à paralisação.

De acordo com as orientações distribuídas aos trabalhadores, após a aprovação da greve em uma unidade, o núcleo sindical deve comunicar oficialmente a decisão à respectiva Superintendência ou Diretoria e encaminhar a ata da assembleia à Executiva Nacional da entidade.

A orientação é para que a paralisação comece 72 horas depois da deliberação local.

Servidores são orientados a interromper atividades

Caso a greve seja aprovada em Mato Grosso do Sul na quarta-feira, os servidores que decidirem aderir deverão comunicar individualmente a decisão à chefia imediata e ao núcleo sindical.

Os dias de paralisação deverão ser registrados no sistema de controle de frequência com o código correspondente à greve, para posterior negociação.

A orientação também alcança os funcionários que trabalham remotamente. Segundo o sindicato, quem aderir ao movimento deverá interromper integralmente as atividades profissionais durante a paralisação, inclusive o acesso aos sistemas internos, Microsoft Teams, e-mails e mensagens relacionadas ao trabalho.

A entidade também orienta os núcleos a realizarem levantamentos periódicos sobre o número de servidores que aderirem, permitindo acompanhar a evolução do movimento em cada estado.

Categoria questiona gestão do instituto

Além das reivindicações trabalhistas, representantes sindicais têm feito críticas à condução administrativa do IBGE.

A ASSIBGE-SN questiona decisões relacionadas à participação dos servidores na gestão, às condições estruturais das unidades e à área de tecnologia do instituto.

Entre os pontos levantados está uma contratação estimada em aproximadamente R$ 80 milhões envolvendo o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).

O sindicato questiona a transferência de serviços e recursos tecnológicos e sustenta que o próprio IBGE dispõe de estrutura de processamento de dados.

A entidade também relata problemas de infraestrutura em unidades do instituto, incluindo dificuldades relacionadas à internet, energia elétrica, mobiliário e espaços destinados ao trabalho presencial.

Em relação aos servidores que participarem da greve, o sindicato afirma que a adesão ao movimento não configura falta grave.

A entidade ressalta, porém, que decisões do Supremo Tribunal Federal admitem o desconto dos dias não trabalhados, salvo quando houver acordo para compensação.

Em Mato Grosso do Sul, porém, qualquer paralisação ainda depende da decisão dos próprios servidores. A assembleia de quarta-feira será o ponto decisivo para definir se o Estado continuará apenas em estado de greve ou passará a integrar efetivamente o movimento nacional.

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