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TRANSPORTE COLETIVO

Com frota velha e encolhida, Consórcio descumpre contrato

Levantamento indica que número de ônibus diminuiu e 42% dos veículos da frota estão vencidos
22/04/2019 09:00 - LUANA RODRIGUES


 

O que os passageiros sentem “na pele”, diariamente, também está refletido em dados: a frota de ônibus do transporte coletivo de Campo Grande está menor e mais velha. Com 563 ônibus em circulação - 22 a menos que em fevereiro do ano passado -, quase metade dos veículos (42%) estão vencidos. Além disso, a idade média da frota está em 6,97 anos, quando contrato prevê cinco anos.

Os dados são do Blog Ligados no Transporte - que desde 2014 monitora o transporte coletivo na Capital - , e mostram que o Consórcio Guaicurus vem descumprindo contrato firmado com a prefeitura,  em 25 de outubro de 2012. 

Segundo o contrato, os veículos do transporte coletivo não podem ter idade individual superior a oito anos. O documento também indica que a idade média da frota deve ser inferior a cinco anos. 

No entanto, o levantamento  mostra que há 237 ônibus vencidos, entre eles, há veículos fabricados em 2007 e 2008, ou seja, que já circulam há 11  e 12 anos. Além disso, cerca de 74 veículos foram fabricados em  2011, portanto, deveriam sair de circulação neste ano. A frota ainda conta com 21 veículos fabricados em  2012, 84 em 2013, 26 no ano de 2014, 101 em 2017 e 20 no ano passado.

Os dados indicam ainda que a idade média da frota de ônibus de Campo Grande está em 6,97 anos. Os ônibus da empresa Cidade Morena são os mais velhos, com idade média em 7,20 anos. Já a frota da Jaguar apresenta média de 7,01 anos. Os veículos da São Francisco tem idade média 6,83 anos e a frota da Viação Campo Grande tem média de 6,67 anos. 
Se divididos por tipo, os ônibus mais velhos são os “médios” (110 veículos vencidos), “leves” ( com 105 ônibus vencidos) e os micro (14 veículos com idade ultrapassada).

Um dos autores do levantamento, Gabriel Santos explica que o monitoramento é feito por meio das placas dos veículos, com base em dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). “Há muita dificuldade em encontrar esses dados junto a Agência Municipal de Trânsito (Agetran) ou qualquer outro órgão da prefeitura, mas, são informações de interesse da população, que deveriam estar a disposição de todos, então, já tem algum tempo que fazemos este acompanhamento e disponibilizamos, para ver se melhor alguma coisa”, diz.

E de fato a dificuldade existe, desde o dia 17 de abril o Correio do Estado tem questionado a prefeitura e o Consórcio Guaicurus quanto as informações divulgadas no blog e também com relação a dados sobre o transporte coletivo, no entanto, até a publicação desta reportagem não houve nenhuma resposta.

REPROVADOS

Em junho de 2018, a prefeitura iniciou uma vistoria nos ônibus do Consórcio Guaicurus. Até o último levantamento divulgado, 299 haviam sido inspecionados e 105 reprovados, mais de 35%. Entre os diversos itens de segurança analisados em 12 diferentes categorias, a acessibilidade foi a mais reprovada, com 74 casos. Falhas nos elevadores utilizados pelos cadeirantes apareceram em 44 veículos.

Itens básicos de segurança e que devem garantir trafegabilidade dos ônibus também foram reprovados, como limpador de pára-brisas, cinto de segurança, sinalização (pisca-alerta, lanterna de freio e ré, entre outras), pneus, amortecedores. Foram constatadas , ainda, falhas em portas, bancos piso e assoalho, corrimãos e até na sinalização de parada. 

A vistoria, feita pela empresa Otimiza Inspeção Veicular, tem previsão de terminar no dia 15 de junho, um ano após a assinatura do contrato com a prefeitura e que tem duração de 12 meses. O contrato com a Otimiza prevê que, caso o veículo inspecionado não seja aprovado, ele deve ser novamente vistoriado após 30 dias ou até que a situação seja resolvida.

O veículo só é liberado para voltar a circulação, após laudo de aprovação. E se os problemas apontados persistirem sem solução durante 30 dias após a primeira inspeção, o Consórcio fica sujeito as penalidades previstas no contrato com a prefeitura - de outubro de 2012., que incluem advertência, multa e até rescisão.