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Com menor pedágio entre leilões, Motiva permanece com a BR-163

Após deixar de se chamar CCR, grupo foi o único a apresentar proposta para comandar a via em MS; com isso, o preço da tarifa continua R$ 7,52 a cada 100 km

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O leilão simplificado garantiu à empresa Motiva (antiga CCR MSVia) a concessão da BR-163 por mais 29 anos. O arremate do investimento foi garantido com a permanência do valor tarifário de R$ 7,52 – o menor preço de pedágio entre os leilões feitos pelo governo federal desde o ano passado.

A confirmação da concessão ocorreu na tarde de ontem, na Bolsa de Valores de São Paulo (SP), a B3. De acordo com o ministro dos Transportes, Renan Filho, a nova concessão da BR-163 prevê um dos menores preços nas cancelas do País.

“Enquanto outros leilões estão sendo vencidos com tarifa média de R$ 12, a da BR-163 começou com R$ 7,50, foi o valor leiloado mais baixo até agora. A pergunta que ficou estampada foi: alguém no Brasil faz essas obras, nesse prazo, por um valor mais baixo que a Motiva? Não apareceu ninguém que conseguisse nesse leilão”, destacou o ministro.

O valor tarifário inicial corresponde a cada 100 km de pista simples, com incremento de 30% nos trechos duplicados.

Com nove praças de pedágio em atividade na BR-163, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já havia informado na apresentação do projeto de concessão, que ocorreu em dezembro do ano passado, que o preço tarifário sofrerá acréscimos à medida que forem entregues os trechos de duplicação e faixas adicionais previstos no novo contrato de concessão da via.

Se as obras foram entregues dentro do prazo estabelecido, o primeiro reajuste será de 33,70% e ocorrerá depois de 12 meses de contrato, enquanto o segundo está previsto para 24 meses, podendo ser de 25,21%.
Segundo a tabela de preços do pedágio apresentada na audiência pública de dezembro de 2024, o valor mudará ao longo dos investimentos anuais, podendo chegar a R$ 18,73 no nono ano de contrato.

A ANTT também informou que o contrato prevê o desconto de usuário frequente (DUF), que reduz o preço de pedágio para motoristas de veículos leves que trafegam nos trechos com alta frequência e que utilizam tags. Já as motocicletas serão isentas do pagamento de pedágio.

Conforme informou no leilão o vice-presidente de Rodovias da Motiva Infraestrutura e Mobilidade S.A., Eduardo Camargo, a assinatura do termo aditivo do contrato de concessão ocorrerá em agosto, mas a ordem para o início das obras será dada já no próximo mês.

“O que a gente está incluindo nesse aditivo contratual são investimentos maiores que estavam previstos nas eventuais licitações que viriam, uma tarifa menor do que estava prevista e um cronograma muito mais antecipado”, afirmou Camargo.

“Ministro, temos uma previsão de assinar o aditivo no início de agosto. O nosso compromisso interno é dar a ordem de serviço para o início da mobilização das obras a partir de junho”, declarou o representante da Motiva.

O contrato original de concessão da rodovia foi assinado em 2014, mas enfrentou obstáculos, sobretudo durante a crise econômica de 2016 e 2017, o que fez com que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) interrompesse o financiamento para a duplicação da rodovia à época, somado à redução de movimento na rodovia causada pela diminuição da demanda durante a crise.

Nesse novo ciclo, estão previstos investimentos de R$ 16,5 bilhões, sendo R$ 9,3 bilhões em melhorias e na ampliação da capacidade (capex) e R$ 7,2 bilhões com custos operacionais (opex). Conforme a ANTT, o potencial estimado de geração de empregos diretos, indiretos e por efeito renda é de 134 mil postos.

O certame foi realizado por meio do modelo de otimização, que é uma medida nova em que busca modernizar contratos que não contemplam mecanismos mais atuais de incentivo à execução de obras e à fiscalização.

Nesse modelo, é possível, por exemplo, antecipar novas obras em quatro anos, se comparado ao prazo previsto em um novo leilão tradicional.

EXPECTATIVA

Após o leilão, a reportagem do Correio do Estado ouviu representantes de sindicatos sobre o resultado do certame que garantiu a permanência da empresa responsável pela rodovia.

Segundo o presidente do Sindicato das Empresas do Transporte Rodoviário de Passageiros de Mato Grosso do Sul (Rodosul), César Possari, com essa nova concessão, é esperado que haja a efetivação da duplicação da BR-163 para melhorar a segurança da via.

“Eu espero estradas mais seguras com duplicação, pois na região somos o único estado que não tem a rodovia duplicada. Também espero que seja utilizado nas obras um asfalto de qualidade, que suporte o peso atual dos caminhões”, opinou.

Possari também destacou a importância de melhorar a rodovia para diminuir o número de acidentes. “É importante que haja terceira faixa na BR-163. Hoje, muitos motoristas trafegam com pressa e ansiedade, e mudanças como essa podem evitar acidentes”, disse.

Já Osny Bellinati, presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Mato Grosso do Sul (Sindicam-MS), enfatizou que pouco foi feito durante a concessão da antiga CCR MSVia.

“A rodovia está toda estragada e arrebentada, e pouco foi feito. A rodovia não foi duplicada, e por conta dessa otimização, o tempo de obras vai fazer com que demore mais ainda para dar conta para colocar em vista as mudanças”, afirmou Bellinati.

Durante os 29 anos de vigência, o novo contrato da BR-163 deverá investir inicialmente 150 km de faixas adicionais em pista simples, 23 km de vias marginais, três pontos de parada e descanso para caminhoneiros, 11 unidades operacionais da Polícia Rodoviária Federal (PRF), quatro delegacias da PRF, 22 novas passarelas para pedestres e 144 pontos de ônibus.

Saiba

Entre as ações previstas para a BR-163 também foram anunciadas interseções na rodovia, com 62 retornos e 70 rotatórias alongadas a serem feitos. Contornos urbanos serão criados em Mundo Novo, Eldorado, Itaquiraí, Vila São Pedro e Vila Vargas. Haverá conexão de internet móvel 4G para uso pessoal de transeuntes e para acionar a emergência em casos de acidentes nos 847 km da rodovia.

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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