Cidades

GUERRA DE FACÇÕES

Comando Vermelho avança em MS: o que está por trás da guerra com o PCC

Disputa pelo controle do tráfico e de territórios espalha mortes e ameaças pelo interior de Mato Grosso do Sul; Três Lagoas está entre os focos de tensão.

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A disputa pelo controle do tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul deixou de se concentrar nas regiões próximas às fronteiras internacionais e passou a atingir municípios do interior, transformando cidades antes consideradas pontos de passagem de entorpecentes em territórios disputados por organizações criminosas.

Por trás da expansão do Comando Vermelho (CV), facção originária do Rio de Janeiro, está uma ofensiva investigada pelas forças de segurança para conquistar espaços historicamente ocupados pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), controlar corredores de distribuição de drogas e ampliar sua influência sobre o comércio ilegal de entorpecentes.

O avanço, identificado pelas autoridades principalmente a partir da região norte, próxima à divisa com Mato Grosso, alcançou municípios do leste, como Três Lagoas, e se estendeu para outras regiões do Estado.

A movimentação é acompanhada por homicídios, tentativas de execução, ameaças, recrutamento de jovens e operações policiais contra suspeitos de integrar os dois grupos criminosos.

A estratégia investigada pela polícia vai além da eliminação de integrantes da facção rival.

Os ataques contra pessoas suspeitas de manter vínculos com o PCC também funcionariam como demonstração de força, numa tentativa de enfraquecer redes locais de distribuição de drogas e intimidar quem mantém relações com a organização concorrente.

A disputa entre as organizações criminosas também envolve o controle dos pontos de venda de drogas e das redes de distribuição de entorpecentes.

Ao conquistar espaço em determinada região, as facções buscam ampliar sua influência sobre o comércio ilegal, enfraquecer grupos rivais e controlar o abastecimento de drogas nos territórios onde atuam.

Os reflexos da disputa já ultrapassam os limites do próprio crime organizado. Em Três Lagoas, moradores relatam receber ligações de pessoas que se apresentam como integrantes de facções criminosas, mencionam homicídios recentes, oferecem suposta proteção e, em alguns casos, exigem pagamentos.

As abordagens acrescentam uma nova preocupação ao cenário de violência, especialmente porque os interlocutores demonstram conhecer informações pessoais dos destinatários.

A identidade dos responsáveis pelas ligações, porém, não foi confirmada. Também não está descartada a possibilidade de criminosos utilizarem o nome do PCC ou do Comando Vermelho para aplicar golpes e extorquir moradores.

Procurada pelo Correio do Estado, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que mantém o enfrentamento ao crime organizado como prioridade e acompanha continuamente os indicadores de violência, incluindo possíveis conexões entre homicídios e a atuação de organizações criminosas.

A pasta ressaltou, entretanto, que a identificação de áreas sob influência ou disputa entre facções exige análise permanente e não pode ser estabelecida apenas pela ocorrência de crimes em determinada localidade.

Mato Grosso do Sul virou peça estratégica na guerra pelo tráfico

A localização geográfica ajuda a explicar o interesse das organizações criminosas pelo território sul-mato-grossense. O Estado faz fronteira com Paraguai e Bolívia, dois países ligados às cadeias de produção e fornecimento de drogas destinadas ao mercado brasileiro, especialmente maconha e cocaína.

As cargas que entram pelas regiões de Ponta Porã, na fronteira paraguaia, e Corumbá, próxima à Bolívia, podem seguir por diferentes corredores rodoviários em direção a outras unidades da Federação.

Nesse mapa, o interesse das facções não se limita aos municípios fronteiriços. Cidades do interior funcionam como possíveis pontos de passagem, armazenamento, redistribuição e comercialização de entorpecentes, o que amplia o valor estratégico dessas localidades para o crime organizado.

Três Lagoas, por exemplo, ocupa posição importante no leste de Mato Grosso do Sul por sua ligação com o interior paulista.

Diferentemente de Ponta Porã e Corumbá, o município não é uma porta de entrada internacional de drogas, mas integra uma região estratégica para a circulação de cargas e o acesso ao mercado consumidor de São Paulo.

A expansão do Comando Vermelho também tem relação com a proximidade de Mato Grosso, onde a organização possui presença significativa.

Durante coletiva de imprensa realizada em 25 de setembro, o diretor do Departamento de Polícia Especializada (DPE), delegado Ivan Barreira, explicou que o avanço do Comando Vermelho começou a ser identificado no norte de Mato Grosso do Sul, na região de Coxim, passou por Costa Rica e Três Lagoas e, posteriormente, alcançou municípios do sul do Estado. A declaração foi divulgada à época pelo Correio do Estado.

O movimento se intensificou a partir de 2025, período marcado pelo aumento das hostilidades entre o CV e o PCC, conforme informações reunidas pelas autoridades de segurança.

A disputa, portanto, envolve duas frentes interligadas: o domínio das rotas utilizadas no transporte de grandes carregamentos e o controle dos pontos locais de venda, que representam fontes permanentes de arrecadação para as organizações criminosas.

Três Lagoas se tornou um dos principais focos de tensão

No leste do Estado, Três Lagoas reúne episódios que ajudam a compreender a dimensão da ofensiva. A cidade registrou uma sequência de ataques investigados no contexto da rivalidade entre Comando Vermelho e PCC, inclusive com suspeitas de ordens transmitidas de dentro do sistema penitenciário de outro estado.

Em maio deste ano, três ataques ocorridos em um intervalo de poucos dias passaram a integrar investigações sobre a atuação de integrantes do Comando Vermelho na cidade.

As apurações apontaram que dois homens presos na Penitenciária Central de Cuiabá, em Mato Grosso, continuariam exercendo influência sobre criminosos em liberdade e determinando homicídios em território sul-mato-grossense.

Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva, apontados pela Polícia Civil como lideranças da organização, foram associados a pelo menos três ataques em Três Lagoas.

Em agosto, os dois foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, numa tentativa de interromper a comunicação com integrantes do grupo.

O episódio mostrou que a disputa não depende necessariamente da presença física dos mandantes nas cidades atingidas. Conforme a investigação, determinações transmitidas à distância podem ser executadas por pessoas recrutadas ou deslocadas para regiões específicas.

Outro caso foi registrado em agosto, quando um jovem procurou a Polícia Civil de Três Lagoas e relatou ter escapado de uma tentativa de homicídio depois de recusar um convite feito por pessoas que se apresentaram como integrantes do Comando Vermelho.

Segundo o relato da vítima, as mensagens começaram no dia 11 de agosto. Depois da recusa, o rapaz teria sido atraído para fora de casa, durante a madrugada, e surpreendido por dois homens em uma motocicleta, que efetuaram disparos em sua direção.

A Polícia Civil passou a investigar a autoria do atentado e a possível relação entre as mensagens e os tiros.

A violência voltou a ganhar destaque em 1º de setembro, quando um atirador entrou em um bar no Bairro Novo Oeste e abriu fogo contra os clientes. Edilson Dyego de Jesus Lima, de 19 anos, morreu, enquanto outras quatro pessoas ficaram feridas.

O suspeito, identificado como Nadson Santos Sampaio, conhecido como "Soldado", foi preso em Santa Fé do Sul, no interior paulista, em 4 de setembro.

Ele é investigado por possível ligação com o Comando Vermelho e por envolvimento em outros episódios violentos em municípios como Paranaíba e Aparecida do Taboado.

A circulação de investigados por diferentes cidades reforça a hipótese policial de que parte dos ataques é praticada por executores que se deslocam entre municípios e estados, em vez de atuar exclusivamente no local onde vivem.

Ameaças em nome de facções ampliam medo em Três Lagoas

Além dos homicídios e atentados investigados pela polícia, moradores de Três Lagoas relatam situações de intimidação envolvendo pessoas que se apresentam como integrantes de organizações criminosas.

As abordagens incluem ameaças, ofertas de suposta proteção e até exigências de pagamento, aumentando o clima de insegurança no município.

Uma moradora de Três Lagoas, que preferiu não se identificar por medo de represálias, contou ao Correio do Estado que recebeu uma ligação de uma mulher que se apresentou como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Durante a conversa, a interlocutora demonstrou conhecer seu nome e fez perguntas sobre um estabelecimento comercial com o qual ela teria ligação.

Segundo a entrevistada, a mulher mencionou as mortes registradas recentemente na cidade e afirmou que a organização criminosa passaria a controlar a região. Em seguida, perguntou se ela desejava receber proteção e se conhecia outra pessoa.

A moradora relatou que respondeu negativamente às perguntas e, diante da recusa, passou a ser ameaçada.

"Eu disse que não. Aí ela falou: 'Então você quer problema, blz', e desligou", contou.

O episódio provocou preocupação principalmente porque a pessoa responsável pela ligação demonstrou conhecer informações pessoais da entrevistada, além de utilizar referências à violência recente no município para dar credibilidade à ameaça.

Outro relato recebido pela reportagem indica que um homem também teria sido alvo de uma ligação semelhante em Três Lagoas.

Segundo as informações obtidas, os responsáveis pelo contato demonstraram conhecer o nome do morador, os nomes de seus pais e até seu endereço residencial.

Durante a ligação, os interlocutores teriam mencionado o assassinato de um homem na cidade e exigido o pagamento de uma espécie de taxa. A justificativa apresentada seria a morte de um suposto integrante da organização criminosa, que teria deixado o grupo desfalcado.

A cobrança, conforme o relato, teria sido apresentada como uma obrigação imposta ao morador, associada à perda de um integrante do grupo. A identidade dos responsáveis pelo contato e a eventual ligação deles com alguma facção não foram confirmadas.

Os dois episódios revelam diferentes formas de intimidação relatadas no município.

Enquanto uma moradora afirma ter sido ameaçada depois de recusar uma suposta oferta de proteção, o segundo caso envolve uma possível tentativa de extorsão justificada pela morte de um homem apontado pelos interlocutores como integrante de uma organização criminosa.

Entretanto, é necessário distinguir ameaças efetivamente realizadas por facções de possíveis golpes praticados por terceiros que utilizam o nome dessas organizações para assustar moradores e obter dinheiro.

Até o momento, não há confirmação sobre a autoria das ligações ou elementos suficientes para afirmar que as abordagens fazem parte de uma orientação estabelecida pelo PCC ou pelo Comando Vermelho em Três Lagoas.

A possibilidade de golpe, contudo, não diminui a gravidade das situações relatadas. O uso de informações pessoais, referências a homicídios e ameaças para exigir dinheiro pode caracterizar crime, independentemente de os responsáveis integrarem ou não uma facção.

Em meio à sequência de episódios violentos registrados na cidade, as ligações contribuem para ampliar a sensação de insegurança entre moradores, que passam a conviver não apenas com o temor dos confrontos entre organizações criminosas, mas também com a possibilidade de serem diretamente ameaçados por pessoas que afirmam agir em nome desses grupos.

Ataques a rivais fazem parte da disputa por território

A violência investigada em Mato Grosso do Sul apresenta características recorrentes. Entre elas estão a utilização de motocicletas para a execução de atentados, a escolha de pessoas suspeitas de ligação com facções rivais e o emprego de múltiplos disparos, inclusive em locais onde outras pessoas podem ser atingidas.

Para os investigadores, as mortes não representam necessariamente episódios isolados. Parte dos crimes estaria relacionada a ações de retaliação e tentativas de enfraquecer a presença da organização adversária em bairros e municípios estratégicos.

Em setembro, durante uma ofensiva contra o crime organizado, o delegado Roberto Guimarães, da Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras), chamou atenção para a violência dos ataques e para o risco imposto a pessoas sem relação com a disputa.

Segundo o delegado, os criminosos efetuam disparos mesmo diante da possibilidade de atingir terceiros, comportamento que amplia as consequências dos confrontos para a população.

Outro elemento identificado pelas autoridades é o recrutamento de adolescentes e jovens. A Polícia Civil aponta que dinheiro, armas, ostentação nas redes sociais e a promessa de reconhecimento dentro das organizações são utilizados para atrair novos participantes.

A utilização de pessoas cada vez mais jovens permite ampliar a estrutura criminosa, ao mesmo tempo em que expõe adolescentes a atividades violentas e ao risco de morte.

Sidrolândia, Maracaju e Rio Brilhante entraram na rota da violência

A expansão da disputa também ficou evidente em municípios próximos às regiões central e sul do Estado.

Em Sidrolândia, a Polícia Civil investiga pelo menos 13 ocorrências de homicídios consumados e tentativas de homicídio relacionadas à rivalidade entre Comando Vermelho e PCC desde junho deste ano.

Um dos casos ocorreu no distrito de Capão Seco, onde Tobias Felipe Ribeiro de Carvalho foi morto em circunstâncias investigadas como possível "tribunal do crime". Outros ataques, registrados nos meses seguintes, passaram a ser associados à sequência de represálias entre grupos rivais.

No fim de agosto, Alessandro dos Santos, conhecido como "Costela", foi baleado no Bairro Cascatinha II e morreu após ser socorrido.

Horas depois, Cleiderson Chaves da Rocha, de 22 anos, foi executado dentro de uma residência. A polícia investiga a hipótese de que o segundo assassinato tenha sido uma retaliação.

Em setembro, o Garras também identificou Paulo Ricardo Bueno, conhecido como "Terrível" ou "Pierre CV", como um dos suspeitos de atuar em atentados na região de Sidrolândia, Rio Brilhante e Maracaju.

De acordo com o Departamento de Polícia Especializada, ele era investigado por participação em quatro homicídios em Sidrolândia, além de outros crimes em Rio Brilhante. O suspeito morreu durante uma abordagem policial no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande, em 24 de setembro.

Na mesma ofensiva, policiais civis localizaram quatro pessoas que, segundo a investigação, seriam submetidas a um julgamento clandestino e posteriormente executadas em Rio Brilhante. As vítimas foram resgatadas, e a operação resultou em prisões e apreensões.

A sequência de crimes chegou a outro momento crítico na sexta-feira (9), quando quatro suspeitos de integrar o Comando Vermelho morreram durante uma operação conjunta do Batalhão de Choque e do Garras, em Sidrolândia.

Conforme a versão apresentada pela Polícia Militar, os investigados reagiram à abordagem e atiraram contra as equipes. Foram apreendidas quatro armas de fogo e uma motocicleta apontada como possivelmente utilizada em atentados.

Entre os mortos estava Vanessa Thiel de Almeida, de 19 anos, apontada pela investigação como responsável por atividades logísticas do grupo, incluindo a obtenção de armas e a organização de deslocamentos.

A polícia relaciona os suspeitos a crimes praticados em diferentes municípios, entre eles Maracaju e Rio Brilhante. O grupo teria utilizado residências alugadas para permanecer temporariamente nas cidades onde os ataques eram planejados.

Triplo homicídio mostrou que pessoas fora da disputa também estão expostas

Outro episódio de grande repercussão ocorreu em 19 de setembro, no distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina.

Daniel Matos Alves, de 32 anos, Eliane Franco, de 37, e Raissa Franco, de 21, foram assassinados durante um ataque a tiros dentro de uma residência. Um adolescente de 14 anos também ficou ferido.

A investigação da Polícia Civil apontou indícios de que o crime teria sido ordenado por integrantes do Comando Vermelho. Quatro pessoas foram presas pouco depois do episódio, e a polícia passou a investigar a função de cada uma na organização do ataque.

A ocorrência evidenciou um dos aspectos mais preocupantes da disputa: a possibilidade de pessoas que não são os alvos principais também acabarem feridas ou mortas durante ações de grupos criminosos.

Facção também tenta conquistar apoio por meio de festas infantis

A disputa por influência sobre comunidades não estaria restrita aos ataques contra organizações rivais. Investigações recentes da Polícia Civil indicam que o Comando Vermelho também estaria utilizando eventos comunitários e distribuição de benefícios como estratégia para conquistar a simpatia da população.

Na segunda-feira (12), forças de segurança impediram a realização de uma festa de Dia das Crianças em Pedro Gomes, no norte de Mato Grosso do Sul, que, segundo a investigação, seria organizada e financiada pela facção.

Duas mulheres foram presas durante a operação, realizada no campo de futebol do Bairro São Luís, onde era preparada uma estrutura para distribuir alimentos às crianças.

As apurações apontaram que ações semelhantes estavam previstas para Sonora e Coxim. Em Sonora, outra intervenção policial resultou na prisão de duas mulheres e na apreensão de aproximadamente 200 brinquedos, além de doces que seriam distribuídos durante as comemorações.

Segundo a Polícia Civil, a estratégia consistiria em apresentar a organização criminosa como uma espécie de protetora das comunidades, criando vínculos com moradores e buscando legitimar sua presença nos bairros.

A investigação aponta que essas iniciativas podem contribuir para normalizar a atuação das facções e dificultar a aproximação da população com as forças de segurança.

Os episódios acrescentam outra dimensão à disputa territorial: além de tentar controlar as atividades criminosas, a organização também buscaria construir uma rede de influência social nas localidades onde pretende se estabelecer.

Mais de 100 mortes podem estar ligadas à guerra entre facções

O agravamento do conflito também aparece nos indicadores de violência de Mato Grosso do Sul.

Levantamento divulgado pelo Correio do Estado em 22 de setembro, com base em dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), apontou 405 homicídios registrados entre janeiro e 20 de setembro de 2026. O total já superava os 332 contabilizados entre janeiro e o fim de setembro de 2025.

A comparação envolve períodos de duração diferente e, por isso, exige cautela na avaliação da evolução percentual dos crimes. Também é importante destacar que nem todos os homicídios registrados no Estado estão relacionados à disputa entre facções.

Em avaliação apresentada em setembro, o promotor de Justiça Felipe Almeida Marques, coordenador da Unidade de Investigação de Crimes Cibernéticos do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), estimou que mais de 100 pessoas já poderiam ter sido mortas em decorrência dos confrontos entre Comando Vermelho e PCC somente neste ano.

O promotor ressaltou, entretanto, que não havia uma contagem exata das vítimas diretamente relacionadas à guerra entre as organizações.

As investigações conduzidas pelo Ministério Público também identificaram publicações em redes sociais com fotografias de pessoas apontadas como integrantes do PCC e supostamente ameaçadas de morte.

Pelo menos 24 pessoas apareceriam nesse material, de acordo com as informações divulgadas à época.

A exposição pública de possíveis alvos acrescenta uma dimensão de intimidação à violência, embora a autoria das publicações e a ligação entre as ameaças e eventuais ataques precisem ser demonstradas em cada investigação.

Questionada sobre os indicadores de criminalidade, a Sejusp informou que os dados oficiais sobre homicídios estão disponíveis para consulta pública na plataforma "Estatísticas On-line", com atualização diária.

A secretaria ressaltou que comparações entre diferentes anos devem considerar períodos equivalentes e a data de referência dos registros.

O posicionamento encaminhado à reportagem não apresentou uma contagem específica de mortes comprovadamente relacionadas à rivalidade entre as facções.

Polícia tenta interromper avanço e atingir lideranças

O crescimento da violência levou as forças de segurança estaduais e federais a intensificarem operações contra estruturas ligadas ao crime organizado.

Em junho, a Polícia Civil deflagrou a segunda fase da Operação Leviatã, voltada ao enfrentamento da expansão do Comando Vermelho na região norte de Mato Grosso do Sul.

Foram expedidos mandados contra investigados em Coxim e Rondonópolis, em Mato Grosso, com duas mortes registradas durante uma das ações policiais.

Mais recentemente, em 8 de outubro, a Polícia Federal deflagrou a Operação Kathárisma para combater uma organização criminosa investigada por atuação principalmente no norte do Estado.

A operação foi associada ao PCC em apuração jornalística, embora o comunicado oficial da Polícia Federal não tenha identificado nominalmente a facção investigada.

A ofensiva envolveu o cumprimento de 24 mandados de prisão preventiva e 12 mandados de busca e apreensão em Sonora, Pedro Gomes, Coxim, Aquidauana, Terenos, Corumbá, Anastácio e Campo Grande.

Na Capital, três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em unidades prisionais, sendo dois na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira e um no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho.

As autoridades investigam não apenas os responsáveis diretos pelos crimes, mas também lideranças, mecanismos de comunicação, movimentações financeiras e estruturas responsáveis por manter as organizações em funcionamento.

No caso do Comando Vermelho, a Polícia Civil aponta que parte das determinações para os ataques praticados em Mato Grosso do Sul tem origem fora do Estado.

Por isso, a estratégia de repressão também envolve a integração com forças policiais de outras unidades da Federação e o isolamento de lideranças identificadas dentro de presídios.

O que diz a Sejusp sobre o avanço das facções

Procurada pelo Correio do Estado para esclarecer as medidas adotadas diante da disputa entre Comando Vermelho e PCC, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que o enfrentamento à criminalidade permanece entre as prioridades do Governo de Mato Grosso do Sul.

De acordo com a pasta, as ações incluem prevenção da violência, investigação de homicídios, responsabilização dos autores e desarticulação das estruturas criminosas.

O objetivo é preservar vidas, proteger a população e direcionar os recursos de segurança pública conforme as necessidades identificadas em cada região.

A secretaria explicou que o planejamento das operações considera indicadores criminais, informações de inteligência e características dos fatos registrados.

"As prioridades territoriais são definidas com base nos indicadores criminais, nas informações de inteligência e nas características dos fatos registrados", informou a Sejusp.

Conforme o posicionamento oficial, municípios localizados em regiões de fronteira internacional e de divisa interestadual recebem atenção específica, assim como localidades que apresentam indicadores relevantes de violência.

A pasta, entretanto, fez uma ressalva sobre a identificação de territórios dominados ou disputados pelas organizações criminosas.

"A identificação de possíveis áreas de influência ou disputa entre organizações criminosas exige análise permanente e não deve ser confundida com a simples ocorrência de crimes em determinada localidade", destacou.

A manifestação indica que, embora determinadas cidades concentrem investigações sobre crimes relacionados às facções, a ocorrência de homicídios e atentados não representa, isoladamente, comprovação de domínio territorial por uma organização criminosa.

A Sejusp também informou que o enfrentamento ao crime organizado envolve atuação integrada das forças estaduais, com utilização de inteligência, análise criminal, policiamento orientado por indicadores e investigação de possíveis conexões entre diferentes ocorrências.

A cooperação com instituições federais e forças de segurança de outras unidades da Federação também integra as estratégias de combate às organizações criminosas.

Sobre a possibilidade de lideranças continuarem determinando crimes mesmo após serem presas, o Governo do Estado informou que eventuais denúncias de ordens para homicídios, ameaças ou outras atividades ilícitas transmitidas a partir do sistema penitenciário são objeto de apuração pelos órgãos competentes.

A secretaria ressaltou que não divulga informações que possam comprometer investigações em andamento, procedimentos de inteligência ou a segurança das pessoas envolvidas nas operações.

"A Secretaria não antecipa detalhes de planejamento operacional cuja divulgação possa comprometer a atuação policial", afirmou.

O posicionamento não confirmou a autoria das ligações de ameaça e cobrança por suposta proteção relatadas em Três Lagoas, nem apresentou uma delimitação oficial dos territórios que estariam sob influência do Comando Vermelho ou do PCC.

O que está em jogo na disputa por Mato Grosso do Sul

Embora os episódios de maior repercussão envolvam homicídios e confrontos armados, o objetivo central da expansão investigada pelas autoridades está relacionado ao controle econômico e territorial das atividades criminosas.

O domínio de cidades localizadas em corredores de distribuição permite às organizações ampliar sua influência sobre diferentes etapas do tráfico, desde o transporte de grandes carregamentos até a comercialização de entorpecentes nos municípios.

Para conquistar esses espaços, o Comando Vermelho estaria tentando avançar sobre regiões onde o PCC já possui presença consolidada. A reação dos grupos rivais alimenta uma sucessão de ataques e retaliações, ampliando a violência em municípios do interior.

Três Lagoas sintetiza parte desse cenário. A cidade reúne investigações sobre ordens de homicídios transmitidas de dentro de presídios, denúncias de aliciamento, ataques em estabelecimentos comerciais e relatos recentes de ameaças atribuídas a organizações criminosas.

Os depoimentos recebidos pelo Correio do Estado acrescentam uma dimensão humana à disputa. A intimidação já não aparece apenas nos ataques armados, mas também em ligações que utilizam informações pessoais, referências a assassinatos e o nome de facções para provocar medo entre moradores.

A existência de uma ofensiva criminosa é apontada pelas forças de segurança, mas isso não significa que cada episódio violento ou mensagem intimidatória registrada no município tenha sido comprovadamente praticado pelo Comando Vermelho ou pelo PCC.

Enquanto as investigações procuram identificar mandantes, executores e financiadores dos ataques, a disputa provoca efeitos que ultrapassam o mercado ilegal de drogas.

O medo de circular pelas ruas, de receber ameaças ou de ser atingido por um atentado transforma o conflito entre organizações criminosas em um problema de segurança pública para toda a população.

O desafio das autoridades é impedir que a tentativa de expansão territorial se converta em domínio permanente de bairros, rotas e atividades ilegais.

Para os moradores das cidades atingidas, porém, a preocupação é mais imediata: não permitir que a guerra entre facções passe a determinar as regras da vida cotidiana.

Leia a nota da Sejusp na íntegra:

O Governo de Mato Grosso do Sul, por meio da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública), mantém o enfrentamento à criminalidade como prioridade, com ações voltadas à prevenção da violência, à investigação dos homicídios, à responsabilização dos autores e à desarticulação das estruturas criminosas.

O objetivo é preservar vidas, proteger a população e direcionar os recursos de segurança pública de acordo com as necessidades identificadas em cada região, além de acompanhar continuamente os indicadores de criminalidade e as informações produzidas pelas forças de segurança, com atenção às diferentes dinâmicas criminais identificadas no território estadual, inclusive às possíveis relações entre homicídios e a atuação de organizações criminosas. 

As prioridades territoriais são definidas com base nos indicadores criminais, nas informações de inteligência e nas características dos fatos registrados.

Regiões de fronteira e de divisa interestadual, assim como municípios que apresentam indicadores relevantes de violência, recebem atenção específica no planejamento das ações de segurança pública.

A identificação de possíveis áreas de influência ou disputa entre organizações criminosas exige análise permanente e não deve ser confundida com a simples ocorrência de crimes em determinada localidade.

Os dados oficiais sobre homicídios em Mato Grosso do Sul são públicos e podem ser consultados no site da Sejusp-MS, por meio do link “Estatísticas On-line”.

As informações são atualizadas diariamente, permitindo o acompanhamento dos registros e a consulta aos indicadores disponíveis.

Para comparações entre 2025 e 2026, recomenda-se utilizar períodos equivalentes e observar a data de referência dos dados. A disponibilização de recortes específicos por município ou natureza criminal deve considerar a base estatística correspondente e os critérios de consolidação adotados.

O enfrentamento ao crime organizado envolve atuação integrada das forças estaduais de segurança, com emprego de inteligência, análise criminal, policiamento orientado por indicadores e investigação para identificação dos responsáveis pelos crimes e de eventuais conexões entre ocorrências.

A cooperação com instituições federais e de outras unidades da Federação também integra as estratégias de enfrentamento às atividades criminosas, respeitadas as competências legais de cada órgão.

Em relação à atuação de integrantes de organizações criminosas a partir do sistema penitenciário, eventuais informações sobre ordens para a prática de crimes, ameaças ou atividades ilícitas são objeto de apuração pelos órgãos competentes.

A divulgação de detalhes sobre investigações, inteligência, procedimentos de segurança e eventuais operações deve observar os limites necessários à preservação da eficácia das ações e da segurança das pessoas envolvidas.

A Secretaria não antecipa detalhes de planejamento operacional cuja divulgação possa comprometer a atuação policial.

Atenciosamente, 

Assessoria de Comunicação 

Sejusp-MS

TEMPESTADES

Após estragos em MS, Campo Grande pode ter temporal com ventos de 100 km/h

Chuvas já provocaram casas destelhadas, lavouras alagadas e ponte interditada no interior; Inmet prevê até 100 mm de chuva e granizo.

14/10/2026 17h33

Nuvens carregadas tomam conta do céu de Campo Grande, que está sob alerta para tempestades com ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo.

Nuvens carregadas tomam conta do céu de Campo Grande, que está sob alerta para tempestades com ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo. Foto:Paulo Ribas/Correio do Estado

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Campo Grande permanece em alerta laranja para tempestades, com previsão de chuvas que podem atingir 100 milímetros em um único dia, rajadas de vento de até 100 quilômetros por hora e possibilidade de queda de granizo.

O aviso do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), reforçado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil nesta quarta-feira (14), mantém a Capital sob risco de alagamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica até quinta-feira (15).

A preocupação não se limita à Capital. Mato Grosso do Sul enfrenta uma sequência de dias de instabilidade, que já provocou estragos em diferentes regiões do Estado.

Em Três Lagoas, o acumulado de chuva ultrapassou a média histórica de outubro, enquanto municípios do sul sul-mato-grossense registraram casas destelhadas, quedas de árvores, prejuízos em lavouras e até a interdição de uma ponte após a elevação do nível de um rio.

Conforme o Inmet, o alerta laranja indica perigo e prevê chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 milímetros ao longo de um dia.

Os temporais podem ser acompanhados por ventos entre 60 e 100 km/h, descargas elétricas e granizo, aumentando o risco de danos a imóveis, estruturas urbanas e plantações.

O alerta laranja representa uma situação de perigo, sendo o segundo nível mais grave na escala de avisos meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), atrás apenas do alerta vermelho.

Nessa classificação, são previstas chuvas intensas, entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 milímetros em um único dia, acompanhadas de ventos que podem atingir 100 km/h e queda de granizo.

Essas condições aumentam o risco de alagamentos, quedas de árvores, danos em imóveis e plantações, além de interrupções no fornecimento de energia elétrica.

O alerta divulgado nesta quarta-feira abrange Campo Grande e outros 53 municípios sul-mato-grossenses, incluindo Dourados, Três Lagoas e Ponta Porã. Outras 25 cidades, entre elas Corumbá, estão sob alerta amarelo, que representa perigo potencial e prevê chuvas de menor intensidade.

A Defesa Civil de Campo Grande divulgou um novo comunicado com vigência das 23h01 desta quarta-feira até as 22h59 de quinta-feira (15).

Embora a publicação municipal classifique o novo aviso como amarelo, os volumes informados correspondem aos parâmetros do alerta laranja. A atualização meteorológica do Inmet também mantém aviso laranja para a Capital na quinta-feira.

Diante desse cenário, a orientação é que os moradores evitem áreas sujeitas a alagamentos, permaneçam atentos às condições das vias e não procurem abrigo debaixo de árvores durante tempestades.

Tempestades devem continuar e temperaturas podem cair

A previsão indica que Mato Grosso do Sul continuará enfrentando tempo instável nos próximos dias, com possibilidade de novas tempestades.

A combinação de umidade elevada e condições favoráveis à formação de nuvens carregadas mantém o risco de pancadas de chuva acompanhadas de trovoadas e ventos fortes.

Em Campo Grande, a quinta-feira (15) deve ser marcada por céu predominantemente nublado e possibilidade de tempestades, com temperaturas próximas de 17°C na mínima e 23°C na máxima.

Para sexta-feira (16), a tendência é de temperaturas ainda mais amenas, com possibilidade de chuva em determinados períodos do dia. A previsão aponta mínima próxima de 15°C e máxima de 21°C.

O cenário favorece mudanças nas temperaturas e na distribuição das chuvas, embora a intensidade das precipitações possa variar significativamente entre os municípios de Mato Grosso do Sul.

Veja a previsão de chuva para cinco regiões de MS

Os alertas emitidos pelo Inmet nesta quarta-feira apresentam diferentes níveis de risco para municípios sul-mato-grossenses.

Os volumes informados correspondem às faixas previstas nos avisos meteorológicos e não representam necessariamente a quantidade de chuva que será registrada em cada cidade.

Campo Grande: permanece sob alerta laranja, com possibilidade de chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 milímetros ao longo de um dia. Há risco de ventos fortes, granizo, alagamentos e quedas de árvores.

Dourados: está sob alerta laranja nesta quarta-feira, com possibilidade de precipitações entre 30 e 60 milímetros por hora ou acumulados de 50 a 100 milímetros em um dia, acompanhadas por rajadas de vento e eventual queda de granizo.

Três Lagoas: também integra a relação de municípios em alerta laranja, com previsão de chuvas entre 30 e 60 milímetros por hora ou de 50 a 100 milímetros por dia. A região leste do Estado permanece sujeita à formação de tempestades.

Ponta Porã: integra a área de alerta laranja, com previsão de chuvas que podem alcançar 60 milímetros por hora ou até 100 milímetros ao longo do dia. A região de fronteira também está sujeita a rajadas intensas de vento.

Corumbá: diferentemente dos outros municípios, está sob alerta amarelo nesta quarta-feira. A previsão correspondente indica chuvas entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 milímetros em um dia, além de ventos entre 40 e 60 km/h e possibilidade de granizo.

As condições podem mudar rapidamente, principalmente durante a primavera, período marcado por variações de temperatura e formação de tempestades localizadas.

Temporal com granizo provoca estragos em Três Lagoas

Os efeitos do período chuvoso já foram sentidos em Três Lagoas, na região leste de Mato Grosso do Sul. Na tarde de terça-feira (13), uma forte tempestade, acompanhada de granizo e rajadas de vento, atingiu o município e provocou danos em estruturas.

Entre os locais afetados está o Centro Poliesportivo Professor Eduardo Antônio Milanez, nas proximidades da Lagoa Maior. A força do temporal arrancou chapas de zinco da cobertura da quadra de futsal, deixando parte da estrutura danificada.

Nuvens carregadas tomam conta do céu de Campo Grande, que está sob alerta para tempestades com ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo.Temporal com chuva intensa e fortes rajadas de vento provoca danos e arranca estruturas metálicas em Três Lagoas, na região leste de Mato Grosso do Sul. Foto: Reprodução Intagran.

O episódio ocorreu em um momento em que a cidade já registra um volume de chuva superior ao esperado para todo o mês.

Até terça-feira (13), Três Lagoas havia acumulado 172 milímetros de chuva, o equivalente a 145% da média histórica de outubro, estimada em 119 milímetros.

Nuvens carregadas tomam conta do céu de Campo Grande, que está sob alerta para tempestades com ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo.Trecho da Circular da Lagoa Maior, em Três Lagoas, fica alagado após forte temporal que atingiu o município nesta terça-feira (13). Foto: Reprodução MinutoMS.

Isso significa que, antes mesmo de chegar à metade do mês, o município já havia recebido uma quantidade de chuva aproximadamente 45% superior à média histórica mensal.

As projeções meteorológicas para o período de 7 a 22 de outubro indicam acumulados de chuva que podem variar de 30 a 300 milímetros em Mato Grosso do Sul.

Os maiores volumes são esperados nas regiões sul, sudoeste e sudeste, onde determinadas localidades podem superar 250 milímetros.

Nas regiões central e leste, a expectativa é de acumulados entre 80 e 150 milímetros, enquanto no norte e nordeste os volumes previstos são menores, predominantemente entre 30 e 70 milímetros.

A ocorrência de chuvas concentradas em curtos intervalos preocupa principalmente pela possibilidade de alagamentos, danos em coberturas, queda de árvores e problemas no fornecimento de energia elétrica.

Temporais deixam casas destelhadas, lavouras alagadas e ponte interditada no sul de MS

Além dos estragos registrados em Três Lagoas, municípios da região sul de Mato Grosso do Sul também enfrentam as consequências das chuvas que atingem o Estado desde o início da semana.

Entre segunda-feira (12) e terça-feira (13), temporais acompanhados de ventos fortes provocaram danos em residências, propriedades rurais, redes elétricas e estruturas utilizadas pela população.

Em Antônio João, a intensidade da enxurrada comprometeu parte de uma área agrícola. A água avançou sobre uma lavoura, ultrapassou as barreiras de terra utilizadas para conter o escoamento e abriu canais em meio à plantação.

Nuvens carregadas tomam conta do céu de Campo Grande, que está sob alerta para tempestades com ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo.
Enxurrada invade lavoura em Antônio João, no sul de Mato Grosso do Sul, após fortes chuvas nesta terça-feira (13), causando prejuízos à produção agrícola. Foto: Reprodução.

O avanço da água foi registrado em imagens feitas pelo próprio produtor rural, que relatou a perda de parte da produção. Apesar dos danos na propriedade, não houve registro de feridos. 

Em Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, o volume de água acumulado durante a madrugada e a manhã de terça-feira provocou a elevação do Rio Apa, comprometendo a ponte localizada no Assentamento Boa Vista.

Nuvens carregadas tomam conta do céu de Campo Grande, que está sob alerta para tempestades com ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo.
Ponte do Assentamento Boa Vista, em Ponta Porã, sofre danos após a elevação do nível do Rio Apa e é interditada pela Prefeitura. Foto: Reprodução.

Diante dos danos identificados na estrutura, a Prefeitura determinou a interrupção da passagem de veículos e pedestres como medida preventiva.

Servidores da Secretaria Municipal de Obras estiveram no local para avaliar as condições e impedir a circulação até que haja segurança para a utilização da ponte.

A situação permanece sob acompanhamento das autoridades municipais, principalmente porque as chuvas voltaram a atingir a região durante a madrugada, após um período de redução das precipitações.

Vendaval danifica pelo menos 30 casas em Amambai

Em Amambai, os transtornos começaram na segunda-feira (12), quando um vendaval atingiu diferentes pontos da cidade e deixou moradores com prejuízos materiais.

De acordo com informações do Corpo de Bombeiros, pelo menos 30 residências foram afetadas pela força dos ventos. Parte dos imóveis teve a cobertura danificada, enquanto quedas de árvores também comprometeram o fornecimento de energia elétrica.

Diante da situação, a administração municipal iniciou o atendimento às famílias atingidas, com a entrega de lonas e materiais destinados à proteção emergencial das casas.

Queda de árvores provoca bloqueios e falta de energia em Dourados

Em Dourados, maior município do interior de Mato Grosso do Sul, os efeitos do mau tempo foram sentidos principalmente nas ruas e na rede de distribuição de energia elétrica.

A cidade registrou 18,1 milímetros de chuva, acompanhados de rajadas de vento que provocaram a queda de árvores em pelo menos cinco bairros.

Algumas ocorrências dificultaram a circulação de veículos e exigiram a atuação de equipes municipais para a retirada de troncos e galhos.

No Jardim Universitário, um ipê caiu dentro de um conjunto residencial, atingiu a fiação elétrica e interrompeu a passagem pela via.

Nuvens carregadas tomam conta do céu de Campo Grande, que está sob alerta para tempestades com ventos de até 100 km/h e possibilidade de granizo.Árvore Árvore de grande porte cai e bloqueia trecho de rua em Dourados após fortes chuvas e rajadas de vento que atingiram o município. Foto: Divulgação/Assecom.

O incidente deixou moradores sem energia durante parte da manhã, mobilizando equipes da Energisa e da Defesa Civil.

Ainda nas proximidades, outra árvore caiu sobre a área de acesso a um conjunto de casas, impedindo temporariamente a entrada e a saída dos moradores.

No Parque dos Ipês, uma árvore de grande porte também foi derrubada pela força dos ventos, mas não chegou a bloquear o trânsito.

Situações semelhantes foram identificadas nos bairros Segundo Plano, Jardim Itaipu e Vila Esplanada, onde equipes trabalharam na remoção da vegetação e na liberação dos trechos afetados.

Os episódios registrados nos municípios do sul e do leste de Mato Grosso do Sul demonstram os diferentes impactos provocados pelas tempestades, que podem causar transtornos mesmo em localidades onde os acumulados de chuva são inferiores aos maiores volumes previstos pelos órgãos meteorológicos.

Defesa Civil orienta moradores durante tempestades

Diante da continuidade das condições de instabilidade, a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil recomenda que a população redobre os cuidados durante as chuvas, principalmente em regiões com histórico de alagamentos e pontos vulneráveis à queda de árvores.

Durante as tempestades, a orientação é evitar circular por ruas alagadas, não permanecer debaixo de árvores e manter distância de postes e estruturas metálicas que possam oferecer riscos.

Motoristas também devem evitar estacionar veículos próximos a árvores de grande porte, torres de transmissão e placas de publicidade, especialmente durante rajadas de vento.

Em situações de emergência, os moradores podem acionar a Defesa Civil pelo telefone 199.

Para solicitar serviços municipais, como remoção de árvores e desobstrução de vias, o atendimento está disponível pelo número 156.

Nos casos em que árvores ou galhos atinjam a rede elétrica, oferecendo risco de choque, a orientação é manter distância e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.

A Defesa Civil reforça a importância de acompanhar os comunicados oficiais, uma vez que a intensidade das chuvas e os níveis de risco podem ser atualizados conforme a evolução das condições meteorológicas.

danos morais

Diretora de aeroporto receberá R$ 40 mil após ser levada à PF por falha da empresa

PF solicitou informações que não foram respondidas pela empresa concessionária dentro do prazo e funcionária acabou sendo conduzida coercitivamente à delegacia, gerando dano moral

14/10/2026 17h18

Funcionária trabalhava no Aeroporto Internacional de Ponta Porã

Funcionária trabalhava no Aeroporto Internacional de Ponta Porã Foto: Divulgação / Aena

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Uma diretora do Aeroporto Internacional de Ponta Porã, que não teve o nome divulgado, será indenizada em R$ 40 mil a título de danos morais, por ter sido encaminhada à Delegacia da Polícia Federal em razão da demora da concessionária Aena, que administra o terminal, em responder requisições da autoridade policial.

Inicilamente, o valor da indenização foi fixado em 30 mil, mas ela recorreu e a Segunda Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região (TRT/MS) manteve, por unanimidade, o reconhecimento do direito à indenização por danos morais e deu parcial provimento ao recurso da trabalhadora para aumentar o valor da indenização de R$ 30 mil para R$ 40 mil.

Conforme os autos do processo, a mulher atuou por 27 anos na Infraero, exercendo suas funções no aeroporto de Ponta Porã.

A unidade foi privatizada, com a empresa espanhola Aena assumindo a concessão no dia 7 de novembro de 2023. No mesmo mês, a mulher foi contratada para exercer o cargo de diretora pela nova empresa.

Logo nos inícios da atividade, a Polícia Federal encaminhou ofícios requisitando informações detalhadas sobre voos particulares, como prefixo das aeronaves, identificação dos pilotos, origem e destino dos voos.

As requisições não foram resondidas dentro do prazo e, em razão da omissão, em janeiro de 2024, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão no aeroporto e conduziu a diretora coercitivamente à delegacia, diante de colegas de trabalho e passageiros.

Ela argumentou que encaminhou todas as solicitações aos seus superiores hierárquicos, mas a empresa não respondeu. Devido a situação, a diretora entrou com ação trabalhista pedindo indenização por danos morais.

Em primeira instância, o juiz Marcelino Gonçalves concluiu que a prova dos autos demonstrou que a demora da empresa em responder aos ofícios da Polícia Federal foi a causa da situação vivenciada pela empregada.

Para o magistrado, a conduta da Aena expôs a trabalhadora a constrangimento e atingiu sua honra, imagem e dignidade, ao submetê-la à investigação por suposto crime de desobediência sem que ela tivesse responsabilidade pelo atraso.

Em juízo, testemunhas confirmaram que a diretora havia pedido as informações à Aena e aguardava orientação e resposta do setor jurídico da empresa antes de encaminhar as informações solicitadas à PF.

Documento enviado pela própria empregadora à Polícia Federal também corroborou com a versão. A Aena reconheceu que os ofícios haviam sido encaminhados à sede corporativa, ao departamento de Aviation Security (AVSEC) e, posteriormente, ao setor jurídico para análise e validação, em razão de as equipes dos aeroportos desempenharem predominantemente atividades operacionais.

Em primeiro grau, a indenização foi fixada em R$ 30 mil, mas a mulher entrou com recurso pedindo a majoração do valor.

Ao analisar o recurso, o relator do processo, desembargador João Marcelo Balsanelli, destacou que os depoimentos demonstraram que, no período de transição da concessão aeroportuária, não existia um fluxo institucional claro para responder às requisições de órgãos públicos, sendo adotado, na prática, o encaminhamento das demandas à sede corporativa e ao departamento jurídico.

O relator também ressaltou que ficou demonstrado o nexo causal entre a omissão da empresa e os danos sofridos pela trabalhadora, uma vez que a demora no atendimento da requisição policial desencadeou a realização de busca e apreensão e sua condução à delegacia em um ambiente de grande circulação de pessoas.

Dessa forma, o recurso foi parcialmente provido e a indenização aumentou para R$ 40 mil.

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