Cidades

ABSTENÇÕES

Concurso do TJMS registra falta de quase 30% dos candidatos

Com 16.236 inscritos, ausências no XI Concurso do Tribunal de Justiça teve mais de 4,5 mil ausentes

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Realizado em Campo Grande neste último domingo (25), o XI Concurso Público para servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) registrou quase 30% de falta entre os mais de 16 mil candidatos que se inscreveram em busca de uma novidade financeira e carreira como funcionário público. 

Essa prova objetiva - realizada em dez locais distintos em Campo Grande, no período entre 13h e 16h30 - especificamente buscou formar cadastro de reserva para os cargos de Analista Judiciário – Área Fim e Técnico de Nível Superior – Enfermeiro.

Ao todo, 16.236 candidatos se inscreveram, sendo 13.617 para Analista Judiciário e 2.619 para Técnico de Nível Superior (enfermeiro), em busca das 360 vagas, divididas da seguinte forma: 350 para Analista Judiciário e 10 para Técnico de Nível Superior.

Em balanço, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul divulgou que um total de 4.516 candidatos não compareceram aos devidos locais de prova, o que em números absolutos corresponde a 27,82% de ausências registradas. 

XI Concurso

A aplicação das provas nos locais foram acompanhadas por diversos representantes da comissão do concurso, contando com a presença dos seguintes nomes: 

  • Desembargador Vilson Bertelli,
  • Juiz auxiliar da Presidência do TJMS, Thiago Nagasawa Tanaka;
  • Diretor da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), Luís Fernando Simões Tolentino;
  • Alzira Maria Archanjo da Silva, coordenadora executiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora do certame, e
  • Gabriela Cândido dos Santos, da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP). 

Com execução do edital sob responsabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGV), esse concurso apresenta validade de dois anos e, como bem frisa o TJMS em nota divulgada na manhã desta segunda-feira (26), poderá ser prorrogada por igual período. 

Sobre a concorrência, é importante destacar que há a reserva de vagas para grupos específicos, conforme estabelecem a legislação estadual e resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), sendo: 5% a pessoas com deficiência; 20% a candidatos negros e 3% a candidatos indígenas.

Em etapa única, a seleção acontece através dessa prova objetiva de múltipla escolha, de caráter eliminatório e classificatório, com a heteroidentificação dos candidatos autodeclarados negros e indígenas feita pela própria FGV. 

Já a perícia médica, cabe destacar, daqueles candidatos que apresentam deficiência ficará sob responsabilidade exclusiva do próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. 

Justamente a remuneração aparece como atrativo, com cargos iniciais pagos com R$7.960,97,  mais o valor referente ao auxílio-transporte, de R$500,00, e auxílio-alimentação de R$2.200,00. 

Quanto à convocação dos aprovados, essa ocorrerá de acordo com a necessidade do TJMS, respeitando primeiro a ordem de classificação e o limite do cadastro de reserva.

In loco, o Correio do Estado pôde conferir a impressão dos candidatos no pós-prova. Danilo Gonçalves, de 25 anos, é funcionário público municipal em Costa Rica (MS) e foi um dos primeiros a sair do seu local de provas, sendo um dos que foram atraídos pelos altos salários. 

"Não costumo fazer muito concurso não, mas esse me atraiu. O que me chamou atenção foi a remuneração. Eu não me preparei muito para fazer esse concurso, mas decidi testar novamente  meus conhecimentos. Foi uma prova com muitos textos extensos. Minha maior facilidade é o Direito Penal, que é minha área", contou.

De forma semelhante, Henrique da Silva Souza, de 26 anos, foi outro que também se sentiu atraído pelo concurso do TJ por conta da remuneração. 

"Trabalho em cartório. Faço cursinho em uma plataforma online. O cursinho me deu uma boa base e acho que me saí bem na prova. Mas tive dificuldades com questões de Português. A prova estava difícil. Tenho certeza que acertei 40% da prova", explicou.

Advogada recém-formada, Lorena Bonfim, 23 anos, é concurseira e já é a terceira prova do TJ que realiza. 

"Achei Língua Portuguesa bem pesada, também achei a parte do Constitucional bem chatinha. Eu vim de uma preparação de um concurso da Polícia Civil, então são editais bem diferentes em alguns pontos, então confundi algumas coisas", disse.

 

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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