Diante de diversos casos de agressão em escolas de Mato Grosso do Sul, especialista alerta sobre a importância da conscientização de pais e alunos acerca da influência do acesso a símbolos que remetem a violência. Segundo a psicóloga Izabelli Coleone, para inibir a onda de violência nas escolas, os pais devem estar atentos à exposição dos adolescentes e às suas atitudes no dia a dia.
“Hoje em dia, as grandes demandas vêm das influências, tanto de convivência como de pessoas que têm atitudes mais violentas em palavras ou ações. Isso pode ser em ambientes dentro de casa, no trabalho, com amigos, jogos e filmes. Temos acesso a tudo isso, mas a conscientização sempre será o meio mais correto para evitar a agressão”.
De acordo com a psicóloga, “dentro da escola ou em casa, ações e atitudes agressivas devem ser observadas, notadas e corrigidas pelos pais”.
Em entrevista ao Correio do Estado, Coleone explica como deve ser direcionada a atenção dos pais e dos responsáveis ao se depararem ou serem avisados sobre alterações no comportamento dos adolescentes no ambiente escolar.
“É interessante que nesses ambientes os responsáveis observem ações e comportamentos dos adolescentes. O diálogo e as correções sempre serão os métodos mais indicados como consequências de atitudes agressivas, principalmente as consequências emocionais”, declara Coleone.
A psicóloga também ressalta que a função analítica dos jovens não deve ser realizada apenas por funcionários educacionais, mas sobretudo pelos pais ou responsáveis.
O tema da violência nas escolas voltou à tona após um ex-aluno da Escola Municipal Bernardo Franco Baís esfaquear, na entrada da instituição, a mãe de outro estudante, no fim da manhã de quinta-feira.
Apesar do susto, a vítima, de 46 anos, sofreu ferimentos leves e, após encaminhamento e atendimento no pronto-socorro da Santa Casa, recebeu alta nesta sexta-feira.
Conforme apuração do Correio do Estado, o agressor, de 15 anos, que estuda atualmente em escola da Rede Estadual de Ensino, tem um registro realizado no fim de março de comportamentos atípicos no ambiente escolar, e os responsáveis pelo aluno foram chamados e avisados pela escola sobre o ocorrido.
Uma ata foi aberta pela coordenadoria da escola estadual, orientando que o aluno fosse encaminhado pelos pais para um atendimento psicológico na rede pública de saúde.
Isso porque o adolescente teria desenhado durante a aula o símbolo da suástica nazista na carteira da escola e no caderno.
PAIS ALERTADOS
De acordo com fonte ouvida pelo Correio do Estado, os responsáveis pelo ex-aluno da Escola Municipal Bernardo Franco Baís já foram alertados e até chamados para irem pessoalmente à instituição por conta de mau comportamento do estudante.
Além disso, na escola onde ocorreu o ataque, há relatos de que o adolescente já foi visto com facas enquanto ainda era matriculado na unidade de ensino.
Também vale ressaltar que, de acordo com as apurações, o comportamento apresentado pelo aluno no mês de março chamou atenção de todo o corpo organizacional da escola, diante da gravidade dos sinais e da postura, a qual se diferencia de um “dia ruim” ao qual todos estão sujeitos.
“Mas a gente percebeu que, nesse caso especial do estudante, ele estava tendo um comportamento que merecia uma atenção especial. A observação da escola comprova que, após o ato que ele fez, era necessário mesmo que tivesse esse acompanhamento, o qual a família infelizmente optou por não fazer”, relatou a fonte.
O CASO
No fim da manhã de quinta-feira, o adolescente, armado com quatro facas e uma marreta dentro de sua mochila, esfaqueou uma mulher que deixava o filho na Escola Municipal Bernardo Franco Baís, na Avenida Calógeras, em Campo Grande.
Informações do Corpo de Bombeiros Militar expõem que o suspeito foi contido por um guarda municipal e por um instrutor de badminton que dá aula na escola e, inclusive, treinava o esporte com o filho da mulher atacada.
Vestido com o característico uniforme verde da Rede Estadual de Ensino, o adolescente foi até a antiga escola da Rede Municipal para realizar o ataque, que ocorreu perto da secretaria da unidade escolar.
Conforme informações da polícia, em depoimento, o adolescente argumentou que o alvo principal da agressão não era a mulher, e sim três ex-colegas que teriam cometido abusos contra ele quando ainda estudava na escola municipal.


