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MEIO AMBIENTE

Conservação de onças e animais aquáticos está no centro de discussões da COP15

Conferência da ONU acontece entre os dias 23 e 29 e deve reunir centenas de autoridades brasileiras e estrangeiras

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Na próxima semana, centenas de autoridades ambientais brasileiras e estrangeiras estarão em Campo Grande para acompanhar a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês), evento ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) que vai colocar a conservação de animais do Pantanal como uma das pautas centrais.

A importância do evento é tanta que, na véspera de seu início, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e mais cinco ministros do governo vão marcar presença em Campo Grande para uma “sessão especial” da COP15.

A abertura da conferência vai ocorrer na manhã de segunda-feira, às 9h. Às 13h45min, estão previstos uma coletiva de imprensa e o lançamento do Estado das Espécies Migratórias do Mundo: Relatório Intermédio 2026, com a presença de João Paulo Capobianco, presidente da COP15 da CMS e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Elizabeth Maruma Mrema, secretária-geral assistente da ONU, e outras autoridades ambientais.

Nos dias seguintes, outros lançamentos estão previstos, como a Avaliação Global de Peixes Migratórios de Água Doce (terça-feira), a Iniciativa Global para a Captura de Espécies Migratórias (quarta-feira) e o Atlas das Rotas Migratórias das Américas (quinta-feira).

Contudo, há outros 73 “minieventos” que vão acontecer paralelamente durante os seis dias da COP15 da CMS, com iniciativas que vão desde organizações ambientais privadas até ministérios estrangeiros.

Por exemplo, na terça-feira, acontecerá o evento Um Continente, Uma Onça-Pintada: Construindo Conectividade Transfronteiriça na América do Sul, com organização da Agência Francesa de Biodiversidade (OFB), da World Wide Fund for Nature Bolivia (WWF-Bolivia) e Panthera Brasil.

“Ao reunir os governos da Bolívia, da Argentina, do Paraguai e do Brasil, este evento destacará as ações nacionais sobre a conectividade da onça-pintada e explorará caminhos para estabelecer uma comissão multinacional dedicada a promover a cooperação transnacional para os corredores de onça-pintada”, descreve a convenção no site oficial.

O monitoramento de incêndios e seus reflexos nos animais migratórios também será discutido na conferência. O tema leva em consideração o sistema de zonas úmidas Paraguai-Paraná, o que significa dizer o Pantanal e parte do Cerrado.

Este painel será comandado pelo Instituto Socioambiental da Bacia do Alto Paraguai, o SOS Pantanal e outras entidades internacionais.

Outro evento que deve colocar o Pantanal e sua fauna no centro das discussões, Coexistência entre Humanos e Predadores: Resultados do Workshop Internacional sobre Conflitos com Grandes Felinos, idealizado pelo SOS Pantanal, vai tratar sobre os resultados do workshop realizado em Campo Grande em agosto do ano passado.

“O workshop deu início à elaboração de um documento nacional de orientação técnica para a coexistência com grandes felinos no Brasil, enfatizando a necessidade de abordagens coordenadas, baseadas na ciência e lideradas pela comunidade. O evento paralelo à COP15 apresentará esses resultados, discutirá os próximos passos para a implementação do protocolo de coexistência e explorará oportunidades de colaboração internacional no âmbito da CMS”, finaliza.

Os animais aquáticos também são tema de painel sobre a pesca artesanal, como uma “ferramenta escalável para a conservação de espécies migratórias e a implementação da Estratégia de Conservação de Espécies Migratórias”.

O evento será ministrado pela Secretaria Nacional de Pesca Artesanal e pelo Ministério da Pesca e Aquicultura.

Preservação dos animais aquáticos e cuidados com espécies invasoras então entre os painéis que serão apresentados durante a COP15Preservação dos animais aquáticos e cuidados com espécies invasoras então entre os painéis que serão apresentados durante a COP15 - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

A COP15 da CMS também traz painéis organizados por diversos órgãos internacionais, como o Ministério do Meio Ambiente e Segurança Energética da Itália, Ministério da Agricultura da Hungria, Comitê Nacional de Ecologia e Mudanças Climáticas do Uzbequistão, governo do Equador e Ministério do Meio Ambiente, Florestas e Mudanças Climáticas da Índia.

Universidades também terão eventos paralelos durante a COP15, como a University of St. Andrews – a universidade mais antiga da Escócia e uma das mais antigas do Reino Unido –, a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

A maioria dos eventos da conferência serão realizados no Bosque Expo, localizado no Shopping Bosque dos Ipês. O encerramento está previsto para acontecer no dia 29, com a divulgação de resultados, decisões adotadas e resoluções aprovadas durante a conferência.

COP15

A COP15 da CMS promove a conservação de espécies, seus habitats e rotas em escala global, abrangendo cerca de 1.189 espécies, entre aves, mamíferos, peixes, répteis e insetos. Atualmente, conta com 133 partes signatárias, sendo 132 países e o bloco da União Europeia (formado por 27 nações).

A conferência faz parte de um tratado das Nações Unidas assinado em 1979, no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), com sua primeira edição tendo ocorrido em 1985, em Bonn, na Alemanha.

A última edição foi realizada em Samarcanda, no Uzbequistão, em fevereiro de 2024. Ainda não há data e local definidos para a realização da próxima conferência.

Ao todo, conforme consta no acordo, a COP15 da CMS custará R$ 46,9 milhões aos cofres públicos, que serão custeados pelo governo federal (R$ 26,7 milhões), em conjunto com o governo de Mato Grosso do Sul (R$ 10,7 milhões) e projetos de cooperação internacional (R$ 2,5 milhões), como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e o World Wide Fund for Nature (WWF), além de patrocinadores.

Para que não haja confusão, a COP15 da CMS e a COP30 – que também foi realizada no Brasil, no ano passado – tratam de assuntos diferentes.

Enquanto a COP15 da CMS aborda a conservação de animais, a COP30 tem como tema central as mudanças climáticas e os planos das principais nações para promover um futuro melhor diante da piora do aquecimento global.

*Saiba

Diretor-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur), o turismólogo Bruno Wendling afirmou que Campo Grande deve receber de 2,5 mil a 3 mil pessoas durante a conferência, o que pode movimentar o turismo local e as redes de hotéis da cidade.

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Visibilidade

Campo Grande entra no mapa global dos eventos com a COP15

Evento da ONU reúne delegações de mais de 130 países, impulsiona economia local e projeta a capital de MS para o mundo

21/03/2026 04h00

COP15 começa na segunda-feira, mas eventos paralelos já começam no domingo

COP15 começa na segunda-feira, mas eventos paralelos já começam no domingo Gerson Oliveira

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Campo Grande sedia a partir deste domingo o maior e mais abrangente evento de sua história recente, a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), evento organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, com delegações de mais de 133 países e de blocos continentais, como a União Europeia, por exemplo.

Para o setor econômico, tanta gente do mundo inteiro reunida significa mais faturamento não apenas na semana do evento, mas também a possibilidade de tornar a capital de Mato Grosso do Sul mais conhecida internacionalmente. Na sexta-feira, a expectativa de comerciantes e autoridades já era alta.

Mais de 3 mil pessoas foram confirmadas e mais de 78% dos leitos de hospedagem disponíveis reservados.

A Capital tem, ao todo, 10.508 leitos de hotéis e o índice de hospedagem indica que o público que passará pela cidade durante a COP15 deve ser ainda maior que o esperado.

No Aeroporto Internacional de Campo Grande, embora não haja a confirmação de voos extras, as companhias aéreas registraram um aumento da capacidade, disponibilizando mais assentos: serão 42,3 mil ao todo.

A presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso do Sul (Abih-MS), Alexandra Corrêa Martins, lembra que a COP15 é uma oportunidade para Campo Grande se apresentar ao mundo. “Eventos dessa magnitude geram impacto direto e positivo na economia local. A hotelaria é um dos setores mais beneficiados, com aumento na taxa de ocupação, maior permanência dos hóspedes e incremento na receita”, destaca.

Outros segmentos, como gastronomia, transporte e comércio, também acompanham o movimento.
Os setores ligados a área de turismo e eventos do Estado e de Campo Grande acompanham o cenário com expectativa positiva.

Mesmo o município não sendo um participante direto da organização do evento, papel exercido pela ONU e pelo governo federal, o titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Júnior, vê a COP15 de maneira otimista. “A expectativa é positiva, de um bom público externo movimentando o comércio local durante o período da COP15”, disse o secretário ao Correio do Estado.

Ele também destaca a projeção internacional.

“O evento fortalece a cidade como destino internacional, amplia sua visibilidade e pode influenciar na atração de investimentos”, afirmou.

Projetando apenas os gastos individuais dos participantes, a expectativa é de que a movimentação financeira se aproxime dos R$ 17 milhões durante o período da COP15. A estimativa é de que os gastos individuais, incluindo todos os serviços, atinjam uma média de R$ 684 por participante.
O valor, claro, não leva em consideração gastos corporativos, como os de organizações não governamentais mundialmente conhecidas, como a World Wide Fund for Nature e a Greenpeace, por exemplo, que estarão presentes no evento.

Para além disso, o evento também deve trazer parte de sua estrutura organizacional de Brasília e de outras unidades da federação. Servidores do Ministério do Meio Ambiente, além de policiais federais e rodoviários federais, foram destacados para trabalhar no evento e ficarão temporariamente em Campo Grande.

O evento, que começa neste domingo e se estende até o dia 29, será majoritariamente realizado em três sedes: a Blue Zone (montada no Bosque Expo, no Shopping Bosque dos Ipês), o Bioparque do Pantanal, e também o Centro de Convenções Rubens Gil de Camilo. 

Para a abertura, neste domingo, estarão presentes o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, e cinco ministros de Estado, entre eles a organizadora do Meio Ambiente, Marina Silva e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, além do anfitrião, o governador do Estado, Eduardo Riedel. 

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ENERGIA LIMPA

Estações de recarga de carros elétricos agora têm direito a incentivos do Mover

As normas substituem, preservando a espinha dorsal do programa, uma regulamentação que tinha como base a medida provisória que, no fim de 2023, instituiu originalmente o programa

20/03/2026 22h00

Carros elétricos recarregando a bateria

Carros elétricos recarregando a bateria Foto: José Cruz / Agência Brasil

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Os postos de abastecimento de gás natural liquefeito (GNL) e de outras fontes de energia limpa, caso das estações de recarga de carros elétricos, entraram na lista de projetos beneficiados pelo Mover. O programa liberou estímulos de R$ 19,3 bilhões à transição energética dos carros vendidos no Brasil.

Hoje, foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) uma portaria que atualiza as regras do programa, colocando, entre as principais mudanças, a infraestrutura de postos de GNL e de fontes de energia de baixa emissão de carbono entre as categorias que podem solicitar habilitação. Como já estava previsto, o desenvolvimento de novos veículos, a transferência de linhas de produção mais modernas e a instalação de unidades destinadas à reciclagem ou à economia circular na cadeia automotiva também fazem parte dos projetos contemplados.

Segundo a Pieracciani, uma consultoria especializada em inovação, a ampliação do escopo dos projetos de desenvolvimento e produção tecnológica beneficiados pelo Mover mostra que o programa passou a mirar também a infraestrutura associada à transição energética. A novidade, ressalta a consultoria, pode repercutir diretamente no planejamento de investimentos e no perfil dos projetos passíveis de habilitação.

Editadas sob a lei definitiva do programa automotivo, as normas substituem, preservando a espinha dorsal do programa, uma regulamentação que tinha como base a medida provisória que, no fim de 2023, instituiu originalmente o Mover. A Pieracciani salienta em relatório que isso reforça a segurança jurídica do regime automotivo, que ganha "densidade normativa e vocação de permanência", já que a base jurídica deixa de ser provisória.

Procurado pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que a portaria, editada na terça-feira e publicada nesta sexta, não traz, no mérito, qualquer mudança em relação aos requisitos e às regras do Mover.
 

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