Cidades

Meio Ambiente

COP15 arrecada R$ 36,6 milhões e Estado pleiteia fatia para investir no Pantanal

Evento da ONU sobre espécies migratórias, que reuniu representantes do mundo todo, terminou ontem em Campo Grande

Continue lendo...

Em meio às discussões que ocorreram durante a 15ª Conferência das Partes (COP15) da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS, na sigla em inglês), um dos assuntos abordados de forma mais exclusiva foi a possibilidade de arrecadação de recursos para financiar projetos de conservação em áreas consideradas prioritárias, definidas pelos delegados de mais de uma centena de países. 

Durante a COP15 da CMS, realizada em Campo Grande até ontem, relatório sobre mobilização de recursos apontou que foram recebidos 6.968.743 de euros (R$ 42 milhões na cotação atual) de fundos para uso em projetos de proteção de espécies migratórias.

Desse total, que começou a ser doado pelos governos da Austrália, Flanders (Bélgica), França, Alemanha, Mônaco, Nova Zelândia, Suíça, Reino Unido, Uzbequistão, União Europeia e Fundo da Kunming de Biodiversidade na COP14, perto de 905,9 mil euros foram usados para cobrir despesas de programa das Nações Unidas. 

O restante, que corresponde a cerca de R$ 36,6 milhões (ou 6 milhões de euros) estão disponíveis para serem revertidos em possíveis projetos, incluindo propostas que podem ser aprovadas futuramente em Mato Grosso do Sul.

O tema financiamento recebeu especial atenção na agenda da COP15, a primeira a ser realizada no Brasil. Além disso, o Pantanal recebeu um destaque que nunca tinha sido dado nesse tipo de reunião de deliberação global, envolvendo mais de uma centena de países.

Na terça-feira, que foi chamada na COP15 de Dia do Pantanal, autoridades deliberaram que a ciência, o uso de dados e o financiamento estratégico representam pilares para a conservação global.

O Pantanal, que se estende por Mato Grosso, Bolívia, Paraguai e Mato Grosso do Sul (onde fica sua maior parte), acabou reconhecido como um elo de integração para garantir corredores de biodiversidade e áreas que ajudam a conectar espécies que dependem da migração para sobreviver. 

Esse debate, que teve como tema “Pantanal em Movimento: ciência, governança e financiamento para a conservação de espécies migratórias”, reuniu representantes do governo brasileiro e de Mato Grosso do Sul, universidades, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil. 

Quem promoveu o painel foi o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e The Pew Charitable Trusts, que tem sede na Philadelphia (EUA) e escritórios em Washington (EUA) e Bruxelas (Bélgica).

“O Pantanal tem um reconhecimento extremamente relevante como habitat das espécies migratórias. Simbolicamente, o bioma é uma referência fundamental para esta convenção. A integração e a busca de financiamentos sustentáveis são fundamentais para que a gente garanta um resultado efetivo e permita que a conectividade continue possibilitando a migração das nossas espécies”, defendeu a secretária-executiva adjunta do MMA, Anna Flávia de Senna Franco.

Como estratégia brasileira, o que ficou destacado é que há um planejamento para fortalecer Unidades de Conservação (UCs), criando novas, ampliando as já existentes e também gerando mecanismos para a manutenção das UCs.

Para receber recursos arrecadados com a COP15 da CMS, ainda é necessário que mais trâmites burocráticos e diplomáticos avancem, em especial envolvendo o governo federal, para depois alcançarem a esfera estadual, em Mato Grosso do Sul. 

Oficialmente, ainda não existe projeto em andamento para garantir fatia dos R$ 36,6 milhões que a COP15 já arrecadou, por exemplo, para ser destinado ao Pantanal de MS. Entretanto, a realização do evento em Campo Grande representa um importante movimento estratégico para inserir o Estado no radar de financiamentos internacionais.

Para garantir que esses recursos ainda sejam aportados localmente, é preciso o desenvolvimento de pesquisas e dados que justifiquem o aporte. 

Nesse caso, os lançamentos de plataforma que traça a rota das aves migratórias nas Américas, feito durante a COP15, e a iniciativa global sobre a captura de espécies migratórias (GTI, na sigla em inglês) são instrumentos que podem gerar informações para sustentar a importância do Estado no âmbito global de conservação. A inserção de espécies na lista de prioridade, como é o caso da ariranha, presente no Pantanal, é outro contexto relevante.

“Ao longo destes últimos dias, fizemos mais do que nos reunir. Reafirmamos algo essencial: a natureza não reconhece fronteiras e tampouco pode reconhecê-las o nosso compromisso de protegê-la. Agimos pelo que não pertence a ninguém e, portanto, pertence a todos. Protegemos espécies que talvez nunca permaneçam dentro de nossas fronteiras. Investimos em um patrimônio natural que não possuímos, mas pelo qual todos somos responsáveis. Do Pantanal ao Ártico, dos oceanos às savanas, as espécies migratórias conectam o nosso planeta de maneiras que nenhum mapa político jamais poderia”, defendeu o presidente da COP15 e secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco, em discurso de encerramento.

OUTROS ASSUNTOS

A concessão da hidrovia do Rio Paraguai foi um dos temas discutidos no último dia da COP15. Para o presidente do Instituto Brasileiro do Maio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Rodrigo Antonio de Agostinho Mendonça, a superintendência do órgão vem atuando na região com foco na proteção de espécies que possam ser impactadas com as iniciativas.

“Nós temos um plano de ação da incidência da mineração em Corumbá e Ladário. Temos a superintendência do Ibama atuando na região. O tramo norte já possui licença, o tramo sul, ainda não. A região já é duramente afetada. Na proteção dos peixes, pintado e dourado, temos como base o período de defeso, com equipes atuando sobre isso”, afirmou Rodrigo. 

Como adiantado pelo Correio do Estado, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) já considera praticamente certo que o leilão dos cerca de 600 quilômetros do tramo sul da hidrovia do Rio Paraguai só será realizado no fim do segundo semestre deste ano, o que representa um atraso de aproximadamente seis meses em relação à estimativa inicial.

No entanto, para o governo federal, essa concessão está condicionada ao fato de não haver derrocamento ou dragagem na região, apenas dragagem de manutenção. 

“A eventual concessão da PPP [parceria público-privada da hidrovia] perpassa o fato de que não haja derrocamento nem dragagem na região, exceto dragagem de manutenção. O derrocamento, principal problema ali, não seria permitido”, ressaltou o presidente da COP15, João Paulo Capobianco. 

O projeto da hidrovia é uma estratégia para o escoamento de cargas na Região Centro-Oeste. A concessão compreende o tramo sul do rio, abrangendo o trecho entre Corumbá e a Foz do Rio Apa, na fronteira com o Paraguai, e o Canal do Tamengo, em Corumbá. (Colaboraram Alison Silva e Karina Varjão)

Assine o Correio do Estado

Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

Continue Lendo...

A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

Continue Lendo...

Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).