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Saúde

Corumbá deve ganhar novo hospital até 2031

Estudo para construção da unidade já está em desenvolvimento, com previsão de 170 novos leitos

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Na manhã desta quinta-feira (6), o Governo do Estado, a Prefeitura de Corumbá e o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) firmaram um acordo com o objetivo de amenizar os problemas enfrentados pela Saúde nos municípios de Corumbá e Ladário.

Dentre as medidas, foi acertada a construção de um novo hospital em Corumbá, que ficará sob responsabilidade do Governo do Estado, que por sua vez poderá decidir se contará ou não com a parceria de alguma empresa para as obras e gestão da unidade.

O que se sabe, até o momento, é que o hospital será construído no bairro Popular Velha, próximo à Universidade Cesumar (UniCesumar), em um terreno de cerca de 30 mil metros quadrados, e deve ser entregue já em funcionamento dentro de seis anos, ou seja, até 2031.

"O novo hospital vem para substituir a Santa Casa, um hospital centenário, que já não tem mais estrutura física para suportar as necessidades de uma prática médica de alta complexidade", disse o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa.

O projeto está sendo desenvolvido no Escritório de Projetos Estratégicos, junto com a consultoria do Banco Interamericano de Desenvolvimento e uma empresa especializada, que está desenhando qual seria a estrutura necessária do hospital para atender a população de Corumbá e Ladário.

"Nós temos considerado essas duas cidades, por conta de dificuldade logística de transporte de pacientes. Então, aquela região precisa, por conta da população e dessas distâncias que interferem na logística, de uma unidade hospitalar que seja resolutiva, que impeça ou que evite o transporte desnecessário de pacientes para a capital", acrescentou Maurício Simões.

O estudo deve ser entregue até o fim de 2025. A expectativa é de que a unidade tenha em torno de 170 leitos.

"A gente está fazendo um estudo epidemiológico pra justificar o hospital, né? A gente não constrói a oferta sem conhecer a demanda. Então nós estamos identificando qual seria a demanda. O que seria essa demanda hoje? Aquilo que a Santa Casa já faz, mas tudo aquilo que é colocado na ambulância e transportado para Campo Grande, todos os pacientes. Então essa provavelmente será a demanda que vai nos ajudar a desenhar a oferta de leitos", concluiu.

UTI Neonatal

Uma das expectativas da população é a construção de unidades de terapia intensiva para atender a recém-nascidos que necessitem de cuidados especiais, setor que ainda não existe em Corumbá e vem sendo reivindicado a mais de uma década.

"Tudo dependerá dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos no escritório de projetos estratégicos. Como eu disse, por se tratar de uma área remota, com dificuldades logísticas, muito provavelmente sim, terá uma unidade de terapia (intensiva neonatal)", disse o secretário estadual de saúde, Maurício Simões Corrêa.

Durante a assinatura, realizada no Ministério Público Estadual (MPE), o governador Eduardo Riedel relembrou um episódio ocorrido durante sua campanha eleitoral, em 2022, em que andava por Corumbá quando avistou três jovens, de idades entre 18 e 20 anos, olhando com descrença para a caravana da campanha.

Riedel esperou os apoiadores passarem, voltou até onde as jovens estavam e perguntou a elas "vocês não estão gostando nada dessa moagem, né?", ao que uma delas respondeu "é sempre a mesma coisa, vem campanha, vai campanha. Perdi meu filho semana passada".

"Eu acho que aqui todos nós estamos dando um passo importante em ações, que são a nossa responsabilidade. Você sente na pele no dia a dia. Nós não podemos perder o senso de realidade da sociedade", concluiu o governador.

Enquanto o Hospital não fica pronto, a prefeitura tenta viabilizar um acordo com o Estado e a Cassems para que os atendimentos a recém-nascidos seja feito em parceria com a rede privada.

Briga de mais de uma década

A Santa Casa de Corumbá era dirigida e tocada pela própria diretoria da Santa Casa. Em 2010, ocorreu uma intervenção, e a gestão ficou sob responsabilidade da prefeitura.

Em 2018, o Ministério Público, pela promotora de justiça responsável na comarca, ajuizou a ação para a dissolução da entidade filantrópica Santa Casa, e a assunção da responsabilidade pela saúde nos municípios de Corumbá e Ladário pelas próprias prefeituras.

"Essa ação intentada pelo município foi julgada improcedente pelo Poder Judiciário, que recusou o pedido do Ministério Público. O  Ministério Público apelou ao Tribunal de Justiça, visando a reforma dessa decisão, que tinha o objetivo principal de que o atendimento pela saúde fosse feito pelo município e pelo estado, consequentemente com a dissolução da Santa Casa", explicou o procurador-geral do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Romão Avila Milhan Júnior.

O processo em questão foi suspenso no âmbito do Tribunal de Justiça, com o objetivo de um acordo ser firmado entre as partes.

Acordo

O procurador-geral do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, Romão Avila Milhan Júnior, explicou que o acordo envolveu duas obrigações principais, divididas entre Município e Estado.

"O município continua com a intervenção na Santa Casa, nomeando novos gestores, e isso ocorreu com essa nova gestão, então foi importante também essa troca de mandato. A partir de agora, o município continua com a intervenção, fazendo a gestão da Santa Casa, e com isso nós conseguimos estabelecer uma obrigação secundária do Estado para o Município para uma repactuação do repasse mensal que o Estado faz ao Município para o atendimento à saúde"

Já como obrigação do Estado, foi estabelecida a obrigação da construção do novo hospital.

"O Estado deve construir para gestão própria ou por intermédio de terceiros, como ele está buscando aqui em Campo Grande, com o Hospital Regional, pela iniciativa privada, para que no prazo de seis anos esse hospital esteja construído lá para o atendimento da população", concluiu.

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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