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CPI sugere indiciamento de todos os ex-gestores do consórcio

Segundo o relatório, gestores permitiram deterioração do sistema, com indícios de improbidade administrativa, peculato e prevaricação

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Coletivo de Campo Grande concluiu seu trabalho sugerindo o indiciamento de todos os diretores e ex-diretores do Consórcio Guaicurus desde 2012, além de ex-gestores da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos). Eles são acusados, segundo o relatório, de omissão e de permitir a deterioração do sistema, com indícios de improbidade administrativa, peculato e prevaricação.

O documento final, aprovado por unanimidade, será encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que decidirá se arquiva, pede diligências ou oferece denúncia. Nomeados no documento, os ex-diretores da Agetran, Luís Carlos Alencar Filho e Janine de Lima Bruno, e os ex-diretores da Agereg, Odilon de Oliveira Júnior e Vinícius Leite Campos, foram responsabilizados por não fiscalizar o contrato de concessão firmado em 2012.

Os ex-gestores indiciados reagiram às acusações. Odilon de Oliveira Júnior classificou sua responsabilização como política: “Ao meu ver, trata-se de uma interpretação mais política do que técnica dos fatos. Sempre atuei com seriedade. Tanto é verdade que participei de duas gestões do Executivo. Minha atuação sempre esteve atrelada às limitações institucionais da Agereg, mas foram graças aos estudos que fizemos que a CPI logrou êxito em indicar pelo indiciamento de diretores do Consórcio”.

Vinícius Leite Campos também contestou. “Não conheço o relatório final, mas estou bem tranquilo com relação a minha gestão na Agereg”, afirmou, em referência à acusação de prevaricação e improbidade por não realizar a revisão tarifária em 2019. Já Janine de Lima Bruno e Luís Carlos Alencar disseram não ter lido o relatório. Alencar informou que irá pessoalmente à Câmara para retirar uma cópia.

Em nota, o Consórcio Guaicurus declarou desconhecer as conclusões da CPI: “O Consórcio Guaicurus esclarece que não recebeu qualquer comunicação ou documento oficial referente ao relatório em questão”.

A CPI, presidida pelo vereador Dr. Lívio (União Brasil) e relatada por Ana Portela (PL), apontou que a frota está em situação crítica: 197 ônibus circulam acima da idade contratual, e a média da frota é de 8,59 anos, contra o limite legal de 5 anos. Foram identificados ainda veículos sem seguro obrigatório, falhas de acessibilidade, atrasos constantes, quebras frequentes e superlotação. O relatório exige a troca imediata dos veículos e a criação de um plano rigoroso de manutenção.

A comissão também levantou operações financeiras suspeitas. Entre elas, a venda do imóvel da Viação Cidade Morena e uma movimentação de R$ 32 milhões da Viação Cidade dos Ipês, empresa que não integra o consórcio. As despesas não operacionais chamaram atenção: saltaram de R$ 250 mil para R$ 11 milhões em 2021. Para os vereadores, há indícios de fraude contra o erário, retiradas disfarçadas de lucros e possíveis desvios para empresas do mesmo grupo.

A relatora Ana Portela afirmou que o Consórcio deixou de investir na frota mesmo com recursos disponíveis. “O que vimos é que o dinheiro existe, mas foi destinado a empresas ligadas ao quadro societário. Não dá para aceitar que a população fique sem ônibus novos enquanto se prioriza outros pagamentos”, disse.

O presidente Dr. Lívio reforçou: “Foi um trabalho longo, técnico e transparente. Agora cabe às instituições fiscalizadoras e à prefeitura agir. A substituição imediata dos 197 ônibus é imprescindível”.

Durante seis meses, a comissão recebeu 644 denúncias via canal de ouvidoria, realizou inspeções técnicas e audiências públicas. Entre as recomendações finais, estão a atualização imediata da Matriz Origem-Destino, a regularização das pendências contratuais, a aplicação de sanções como multas e intervenção e, em último caso, a caducidade da concessão. Também foi sugerido concurso público para reforçar a fiscalização das agências reguladoras.

Para os vereadores, o município tem negligenciado o transporte público, ao não modernizar a legislação e ao deixar de investir em infraestrutura e fiscalização. O relatório cita a Cláusula Décima Quinta do contrato de concessão, que autoriza a prefeitura a intervir em situações graves. “Na hipótese de insucesso desse procedimento, devem ser adotadas medidas mais severas, como a intervenção na concessão ou, em última instância, a declaração de caducidade do contrato”, aponta o texto final.

Linha do tempo

2012 

  • Assinatura do contrato de concessão nº 330/2012 entre a Prefeitura de Campo Grande e o Consórcio Guaicurus.

  • Definido limite de idade média da frota em 5 anos.

  • Início das obrigações de manutenção preventiva, seguro obrigatório e acessibilidade.

2013–2016 

  • Primeiros atrasos na renovação da frota.

  • Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos) deixam de aplicar sanções contratuais, segundo a CPI.

  • Indícios de descumprimento contratual passam sem medidas efetivas.

2017–2019 

  • Frota envelhece acima do limite legal, mas ainda sem substituição em escala necessária.

  • CPI aponta omissão da fiscalização.

  • 2019: não realizada a revisão tarifária ordinária prevista no contrato (a cada 7 anos), responsabilidade da Agereg.

2020–2021

  • Situação da frota se agrava, com média acima de 8 anos.

  • Crescem denúncias de superlotação, quebras e atrasos.

  • Operações financeiras suspeitas:

    • Venda de imóvel da Viação Cidade Morena.

    • Movimentação de R$ 32 milhões envolvendo a Viação Cidade dos Ipês (fora do consórcio).

    • Despesas não operacionais saltam de R$ 250 mil para R$ 11 milhões.

  • CPI vê indícios de fraude, retiradas disfarçadas de lucro e possível desvio de recursos.

2022–2023 

  • Persistem falhas na manutenção da frota, ausência de seguro obrigatório e problemas de acessibilidade.

  • Reclamações da população aumentam: CPI registra 644 denúncias em canal de ouvidoria.

  • Prefeitura continua sem promover concurso público para reforçar equipes de fiscalização na Agetran e Agereg.

2024 

  • CPI do Transporte Coletivo é instalada na Câmara Municipal.

  • Após seis meses de investigações, relatório final é aprovado de forma unânime.

  • Principais recomendações:

    • Substituição imediata de 197 ônibus fora da idade contratual.

    • Plano rigoroso de manutenção preventiva.

    • Atualização da Matriz Origem-Destino.

    • Aplicação de multas, possibilidade de intervenção municipal e até caducidade da concessão.

  • Indiciamento de:

    • Todos os diretores e ex-diretores do Consórcio Guaicurus (2012–2024).

    • Ex-dirigentes da Agetran: Luís Carlos Alencar Filho e Janine de Lima Bruno.

    • Ex-dirigentes da Agereg: Odilon de Oliveira Júnior e Vinícius Leite Campos.

Colaboraram Eduardo Miranda e Felipe Machado**

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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