Cidades

Operação Facilem Vitam

Criminosos ostentavam carros importados e movimentaram mais de R$ 3 milhões em Campo Grande

Seis suspeitos por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e porte de arma de fogo foram presos pelo Garras nesta segunda-feira (3)

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Com a prisão de seis suspeitos e apreensão de carros de luxo, drogas e armas, policiais da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) apresentaram o primeiro balanço da Operação Facilem Vitam (vida fácil), deflagrada nesta segunda-feira (3).

No total, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, sendo 13 nos bairros Aero Rancho, Centenário, Guanandi, Los Angeles e Portal Caiobá, além de dois no município de Corumbá - município a 420 quilômetros da Capital.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Pedro Henrique Pillar Cunha, as investigações começaram após a prisão de um dos suspeitos, no fim de 2024. A investigação teve que quebrar o sigilo bancário e analisar telefonemas dos suspeitos. Todos os envolvidos na operação ostentavam uma vida de alto luxo nas redes sociais, sem possuir qualquer vínculo empregatício formal.

Os valores movimentados pelos criminosos assustam. Ainda segundo o delegado Pillar, o grupo chegou a movimentar a quantia de R$ 3 milhões em apenas dois meses, o que chamou a atenção da polícia.

"Um dos locais podemos considerar como uma refinaria de drogas, mais precisamente um laboratório. [Eles] tinham tudo que precisavam para fabricar ou melhorar a qualidade da droga, algo surpreendente. Durante a abordagem, chegamos a questionar a origem de todo dinheiro movimentado, que chegava a três milhões em dois meses, mas eles diziam ter empregos com salário mínimo", disse Pillar.

Prisões e apreensões

Ao todo, os policiais do Garras cumpriram seis prisões, todas de homens com idade entre 20 e 30 anos, e todas no município de Campo Grande. 

Os agentes também recolheram 14 armas de grosso calibre, entre elas fuzis, pistolas, um revólver, e espingarda; além de 20 mil reais em espécie e cocaína do tipo "escama de peixe", avaliada como a mais pura do mercado ilegal de substâncias.

 

Também foram apreendidos uma caminhonete Toyota Hilux, uma Porsche, uma moto BMW, um Volkswagen Nivus e um jetski, que somados, dão mais de R$ 1 milhão em patrimônio.

“Alguns dos veículos estavam na garagem dos indivíduos, outros estavam em outros lugares para amostra. É uma forma de ostentação para o crime. Uma das preocupações do Garras realmente foi desarticular e derrubar a parte financeira da organização criminosa, por isso a apreensão dos veículos”, pontuou o delegado Pedro Pillar. 

Vale destacar que a ligação entre Corumbá e Campo Grande era de que a droga vinha do município fronteiriço e era refinada por criminosos na Capital. Um mandado de prisão ainda segue em aberto de outro criminoso que está foragido.

Conforme a investigação, a quadrilha era especializada em "lavar" o dinheiro do tráfico de drogas e armas. O grupo responde pelos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e porte de arma de fogo.

Criminosos osCriminosos ostentavam carros de luxo nas redes sociais, entre eles, uma Porsche avaliada em mais de R$ 1 milhão. Foto: Gerson Oliveira, Correio do Estado

Chefe do Nhanhá morto

Apontado como um dos chefes do tráfico de drogas na Vila Nhanhá, Elpídio da Silva Santos, de 35 anos, foi executado à luz do dia neste domingo (30), em Campo Grande.

Informações policiais apontam que o crime ocorreu  por volta das 14h30, na Rua Floriano Paula Corrêa, esquina com a Travessa das Oficinas, onde um homem encapuzado teria descido de um gol G3 prata e efetuado ao menos 14 disparos, que atingiram o rosto e o tórax de Elpídio.

Sentado próximo a um comércio da região, Elpídio tomava cerveja no momento do fato e, conforme os moradores, ele tentou correr para dentro de sua casa, entretanto não conseguiu sobreviver aos disparos, feitos com uma arma de calibre 9 milímetros, e morreu no local.

Imagens divulgadas do circuito interno da Rua Floriano, mostram o momento em que o homem desce, dispara contra "Dinho" e corre atrás da vítima para concluir a execução, deixando uma pessoa ferida nessa ação, já que é possível visualizar uma mulher sair "mancando" após os disparos.

Para ver a imagem do momento dos disparos, clique aqui.

Operação Dual

Leonardo Diego Fagundes Lourenço morreu, na última madrugada da última sexta-feira (31), ao entrar em confronto com policiais militares do Batalhão de Choque, na Vila Nhanhá, após reagir a abordagem dos agentes durante a deflagração da Operação Dual, cujo objetivo é combater o tráfico de drogas que é intenso na região, por meio de abordagem, fiscalização e blitz.

Conforme apurado pela reportagem, os militares realizavam policiamento preventivo e ostensivo na região, quando abordaram o indivíduo e, em seguida, ele reagiu com uma faca.

Para se defenderem, os policiais revidaram, balearam e desarmaram o criminoso.

Participaram da operação comandos e batalhões da Polícia Militar: Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), Comando de Policiamento Especializado (CPE) - Batalhão de Choque (BPMChoque) e Coordenadoria Geral de Policiamento Aéreo (CGPA).

A Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar), da Polícia Civil, também apoiou a ação.

Helicóptero também foi utilizado para reforçar o policiamento.

Outros objetos e drogas confiscados pelos policiais durante a Operação:

  • 1 arma de fogo foi apreendida
  • 1 veículo proveniente de furto foi recuperado
  • 50 autos de infração foram aplicados
  • 15 veículos foram removidos
  • 68 trouxinhas de cocaína
  • 13 porções de maconha
  • 7 pessoas conduzidas à delegacia

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Conferência das Partes

PF age na COP15 em Campo Grande e fiscaliza segurança privada do evento

Polícia Federal tanto compõe e estrutura esquema especial de segurança, quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais

26/03/2026 09h44

Agentes estão  empregados de forma estratégica e preventiva

Agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional".  Reprodução/PF/CS.SRMS

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Até o próximo domingo (29), a Polícia Federal atua e também fiscaliza a segurança privada da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), realizada no espaço Bosque Expo em Campo Grande. 

Nessas duas frentes, a PF tanto compõe e estrutura um esquema especial de segurança quanto garante que as demais forças de proteção estejam atuando dentro das conformidades legais. 

Durante essa semana acontecem ações de fiscalização dos vigilantes privados que atuam durante a Conferência, que basicamente garantem que toda a segurança contratada da COP15 "esteja de acordo com a legislação vigente". 

Como bem esclarece a PF, através do setor de comunicação social da superintendência regional em Mato Grosso do Sul, essa fiscalização da segurança privada é essencial em eventos de grande porte, garantindo um ambiente seguro e regulado para servidores, público e os profissionais que realizam o evento. 

Esquema de segurança

Além de fiscalizar a segurança privada, o emprego das chamadas equipes especializadas do Comando de Operações Táticas (COT) estrutura um esquema especial responsável por reforçar as ações preventivas e proteger as autoridades e delegações participantes. 

Dessas medidas, por exemplo, cabe destacar que esses agentes estão empregados de forma estratégica e preventiva "em pontos sensíveis e em áreas de interesse operacional". 

Ou seja, esses agentes do Comando de Operações Táticas (COT) trabalham a todo o tempo durante a COP15 com objetivo de identificar e de neutralizar eventuais ameaças. 

"A atuação envolve vigilância qualificada, posicionamento tático em locais estratégicos e capacidade de pronta resposta a incidentes que podem comprometer a segurança das autoridades, das delegações estrangeiras, do público e das estruturas relacionadas ao evento", complementa a PF em nota.

Além disso, como bem acompanha o Correio do Estado, até mesmo "fuzis anti drones" estão sendo usados pela Polícia Federal durante a COP15, para inclusive neutralizar eventuais voos irregulares de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs) nas áreas sob proteção.

É importante esclarecer que há protocolos específicos para inclusive resposta imediata, por isso a PF reforça que o emprego de aeronaves remotamente pilotadas nas áreas de interesse da segurança do evento deve observar as normas vigentes e eventuais restrições temporárias de espaço aéreo estabelecidas para a COP15.
 

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Campo Grande

Prefeitura monta plano para privatizar unidades 24 horas

Proposta apresentada pela Sesau para o Conselho Municipal de Saúde foi rejeitada pela maioria; ideia seria conceder a parte administrativa dos CRSs

26/03/2026 08h35

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital

Centro Regional de Saúde do Aero Rancho é uma das unidades que constam na proposta de privatização feita pela prefeitura da Capital Gerson Oliveira

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), montou um plano para privatizar duas Unidades de Saúde com atendimento 24 horas da Capital e apresentou a proposta para o Conselho Municipal de Saúde (CMS) e a Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal.

Ontem, membros da Sesau se reuniram com representantes do CMS para apresentar uma proposta de terceirização dos Centros Regionais de Saúde (CRSs) do Aero Rancho e do Tiradentes. O plano é alterar o modelo de gestão dessas unidades para Organizações Sociais de Saúde (OSSs), sem mudanças estruturais previstas inicialmente.

A ideia seria entregar a parte administrativa das unidades para a iniciativa privada, o que, segundo a Sesau em sua apresentação, daria celeridade a processos de compra de insumos, assim como ampliaria os investimentos nessas unidades.

Em nota enviada à reportagem, o CMS se posicionou contrário à intenção da Sesau de privatizar ambos os Centros de Saúde, por entender que a alteração no modelo de gestão não vai resolver os principais problemas das unidades, podendo, inclusive, piorar a situação dos gargalos que hoje elas enfrentam.

“O Conselho Municipal de Saúde não se opõe a essa proposta por mero posicionamento político circunstancial. O conselho se opõe porque compreende, à luz de sua história, de suas atribuições legais e da experiência acumulada no SUS, que a terceirização da gestão das Unidades Públicas de Saúde não enfrenta os principais problemas hoje vividos pela população de Campo Grande e ainda pode agravar fragilidades já existentes”, pontua.

“Transferir a gestão administrativa dessas unidades não cria leitos hospitalares, não reorganiza de forma automática a retaguarda assistencial e não elimina, por si só, os fatores que produzem superlotação e desassistência”, completa o CMS.

Em conversa com o Correio do Estado, o presidente do CMS, Jader Vasconcelos, disse que as duas Unidades de Saúde não recebem financiamento do Ministério da Saúde e, por isso, viraram alvo de privatização por parte da Sesau.

Durante a tarde, foi a vez dos vereadores da Comissão Permanente de Saúde receberem os representantes da Sesau para debater a proposta de terceirização. 

O vereador Lívio Viana de Oliveira Leite, o Dr. Lívio (União Brasil), que integra a comissão, disse que não esperava esta atitude do Município, além de esclarecer que é contrário ao plano.

“Fomos pegos de surpresa. Não sabíamos nada disso e fomos alertados pelo Conselho Municipal de Saúde. Hoje [quarta-feira] a reunião é um pedido da Comissão de Saúde para estes esclarecimentos. Eu, pessoalmente, sou contrário a essa terceirização”, afirma o vereador.

Cabe ressaltar que as OSSs são entidades privadas sem fins lucrativos que atuam em conjunto com o poder público no gerenciamento de Unidades de Saúde via contratos de gestão. Focadas em eficiência e agilidade, buscam maior produtividade no SUS, mas enfrentam desafios de transparência.

A conversão de administração pública para OSS já foi feita no âmbito estadual. A ideia começou em 2016, quando o secretário de Estado de Saúde era Nelson Tavares. Algumas das empresas que ingressaram naquela época, no entanto, foram retiradas posteriormente por problemas na gestão dos hospitais.

PLANO INICIAL

Em contato com a Sesau para mais informações sobre esse plano, a secretaria limitou-se a declarar que se trata de uma ideia inicial, ainda em análise, que será amplamente debatida com outros órgãos.

“Uma ideia de proposta para implementação de OSS na Remus [Rede Municipal de Saúde], que será amplamente discutida com o Conselho Municipal de Saúde, Câmara Municipal, Tribunal de Contas, entre outros”, afirma a Sesau.

A reportagem também questionou o gasto mensal da prefeitura para gerir as CRSs Aero Rancho e Tiradentes. Contudo, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

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