Cidades

Corumbá e Ladário

Crise climática em cidades de MS vira objeto de fiscalização do MPF

A região pantaneira, principalmente nas cidades de Corumbá e Ladário, é conhecida pelas altas temperaturas ao longo do ano, as quais ultrapassam os 40ºC

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O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um Procedimento Administrativo para acompanhar a implementação de políticas públicas municipais, estaduais e federais para "adaptação e resiliência" das cidades de Corumbá e Ladário às mudanças climáticas e eventos extremos.

O órgão ministerial quer garantir que os Poderes Executivos estejam integrados no enfrentamento da crise climática e na redução das desigualdades socioterritoriais. O MPF quer vistoriar também se as medidas estão em conformidade com as diretrizes da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30) e do Plano Nacional de Adaptação.

No ano passado, a COP30, realizada em Belém (PA), consolidou a adaptação climática como eixo central das negociações, aprovando o Objetivo Global de Adaptação (Global Goal on Adaptation – GGA), e reforçou a noção de continuidade obrigatória das políticas públicas de adaptação, vinculando os compromissos internacionais às legislações nacionais.

De acordo com a Política Nacional sobre Mudança do Clima (Lei nº 12.187/2009), que institui diretrizes para mitigação e adaptação às mudanças climáticas, é obrigação do Poder Público formular e implementar planos de ação.

O Estatuto da Cidade (Lei nº 10.257/2001) estabelece normas de ordem pública e interesse social para o
uso da propriedade urbana, impondo ao município o dever de integrar sustentabilidade e adaptação climática em seus planos diretores.

O procurador da República em Mato Grosso do Sul, Marco Antônio Delfino de Almeida, destacou uma série de considerações para instaurar o procedimento administrativo.

Para ele, a adaptação das cidades às mudanças climáticas exige a promoção de um novo modelo de desenvolvimento urbano, que seja mais justo, sustentável e responsável, requerendo obras de mitigação de riscos, como o remanejamento de populações em áreas vulneráveis, a recuperação de fundos de vale, a arborização urbana, a criação de áreas verdes e a adoção de soluções baseadas em natureza, como o conceito de “cidades esponja”, que ampliam a permeabilidade do solo e reduzem enchentes.

Impactos das altas temperaturas

Entre as considerações, o MPF destacou o estudo “Análise multiescala de seca, ondas de calor e eventos compostos no Pantanal brasileiro em 2019–2021”, publicado na revista Climatologia Teórica e Aplicada, o qual evidencia a ocorrência simultânea de secas severas e ondas de calor prolongadas na região pantaneira, configurando eventos compostos de alta intensidade. 

Tais fenômenos impactaram diretamente a biodiversidade, a dinâmica hidrológica e as atividades econômicas locais, incluindo turismo e pesca, além de aumentar a vulnerabilidade das populações residentes em Corumbá e Ladário, o que reforça a urgência de políticas públicas de adaptação e resiliência específicas para este território.

As altas temperaturas médias anuais entre 31°C e 33°C e a ocorrência de ondas de calor, que ultrapassam os 40°C, tornam essas cidades altamente vulneráveis a enchentes, estiagens e queimadas, afetando diretamente o meio ambiente, a economia local e a população.

As projeções científicas divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e por estudos internacionais apontam para um aumento médio de 2°C a 4°C nas temperaturas da região Centro-Oeste até meados do século XXI, com maior frequência e intensidade de ondas de calor superiores a 40°C.

Tais perspectivas agravam os riscos de secas prolongadas, incêndios florestais e impactos severos sobre a biodiversidade, o turismo e a qualidade de vida da população local.

 

Transporte Coletivo

Passageiros poderão cobrar melhorias no transporte coletivo da Capital

População poderá acompanhar apresentação de relatórios de fiscalização e enviar sugestões sobre o serviço de ônibus em Campo Grande

31/05/2026 16h02

Foto: Gerson Oliveira

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A situação do transporte coletivo em Campo Grande voltará ao centro das discussões públicas na próxima semana. A Prefeitura realiza, na terça-feira (2), uma audiência pública para apresentar relatórios, dados e informações sobre a fiscalização do sistema de ônibus da Capital.

O encontro será aberto à participação da população e íntegra os trabalhos da comissão criada pela Procuradoria-Geral do Município (PGM) para avaliar a execução do contrato do transporte público.

Na audiência, serão detalhadas as ações de monitoramento e fiscalização realizadas pelo município, além da divulgação de dados técnicos elaborados pelas agências reguladoras responsáveis pelo acompanhamento do serviço.

A proposta é ampliar a transparência das ações desenvolvidas pela administração municipal e permitir que os usuários acompanhem os resultados das análises realizadas sobre o sistema de transporte coletivo.

Além da apresentação dos relatórios, os cidadãos terão a oportunidade de registrar manifestações, sugestões e questionamentos sobre a qualidade do serviço prestado à população. As contribuições serão incorporadas ao processo conduzido pela comissão responsável pela avaliação contratual.

De acordo com a procuradora-geral do Município e coordenadora da comissão, Cecília Rizkallah, a participação popular é uma etapa prevista dentro do procedimento administrativo em andamento.

“Esta já é uma etapa prevista em todo o processo. Além dessa apresentação, os usuários também serão ouvidos e suas manifestações inseridas nos atos do processo”, destacou.

A audiência faz parte das medidas adotadas pelo município para acompanhar o cumprimento das obrigações contratuais do transporte coletivo, tema que tem sido alvo de debates frequentes devido às reclamações de usuários relacionadas à qualidade da frota, horários, lotação e condições de operação do serviço.

Os interessados em participar poderão encaminhar manifestações até o dia da audiência por meio do e-mail: [email protected], ou presencialmente na sede da Procuradoria-Geral do Município, localizada na Rua Marechal Rondon, nº 2.655, no Centro.

A participação é gratuita e aberta a qualquer cidadão, entidade ou instituição interessada em contribuir com as discussões sobre o futuro do transporte coletivo em Campo Grande.

Obesidade infantil

Em MS, 3 a cada 10 crianças até 9 anos de idade têm excesso de peso

Ao todo, dados mostram que mais de 67 mil crianças nesta faixa etária apresentam de sobrepeso a obesidade grave no Estado

31/05/2026 15h30

Mais de 37% das crianças e adolescentes do Estado estão acima do peso

Mais de 37% das crianças e adolescentes do Estado estão acima do peso Divulgação

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O mês de junho começa com uma data importante: o dia da conscientização contra a obesidade infantil, celebrado na próxima quarta-feira (3) e chama atençãop para um dado recente. 

De acordo com dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), em 2025, 3 em cada 10 crianças entre 0 e 9 anos de idade estavam com excesso de peso em Mato Grosso do Sul. Isto é, 67.275 crianças nesta faixa etária apresentavam sobrepeso, obesidade ou obesidade grave no Estado. 

Somente entre as crianças entre 0 e 5 anos de idade, o número era de 40.944 com peso acima do normal para a idade, representando uma porcentagem de 32,95% das crianças. Já entre os adolescentes, o número foi de 56.850 no ano passado.

Apenas nos cinco primeiros meses de 2026, entre as crianças entre 0 e 5 anos de idade, o número já chegou a 18.594 com peso maior que o esperado para a idade, ou seja, 32,56% desses indivíduos. 

“Os dados revelam que a obesidade infantil deixou de ser uma situação isolada e se tornou um importante desafio para a saúde pública. Além de ter consequências nos primeiros anos de vida, o excesso de peso na infância pode aumentar significativamente o risco de doenças crônicas na adolescência e na vida adulta, o que reforça a importância da prevenção e do acompanhamento precoce”, destaca a pediatra e membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Dra. Mariana Grigoletto.

Consequências

Segundo a médica, mesmo com 67% das crianças apresentando peso adequado para a idade, o percentual de sobrepeso e obesidade entre a faixa etária (32%) acende um alerta e reforça a necessidade de estratégias preventivas desde a infância. 

Entre as consequências do aumento do peso, as principais incluem aumento do risco para doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares; e impactos psicológicos como baixa autoestima e maior exposição a situações de bullying.

"É fundamental que as crianças sejam acompanhadas por um pediatra. Quando identificamos alterações no peso e nos hábitos da criança logo no início, podemos intervir antes que a situação piore. Com as orientações certas, é possível evitar que a obesidade aconteça na vida adulta e diminuir os riscos de doenças relacionadas, tornando uma vida mais saudável ao longo do tempo", ressalta a Dra. Mariana.

Prevenção

Não é segredo que a estratégia para combater a obesidade é a adoção de uma dieta balanceada no dia a dia. 

Para a pediatra, as principais recomendações são o consumo de alimentos in natura (naturais) ou minimamente processados, como frutas, legumes e verduras, além de diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas. 

A médica destaca ainda a prática de atividades físicas regularmente, além da diminuição do tempo de tela como celulares, TVs e outros aparelhos eletrônicos. 

“Formar hábitos saudáveis desde cedo é um fator decisivo para evitar o desenvolvimento da obesidade e de outras doenças associadas. Embora a predisposição genética também possa influenciar no desenvolvimento da condição, os hábitos de vida e o ambiente em que a criança está inserida têm papel fundamental na prevenção e no controle da obesidade infantil”, complementou a médica. 

Hábitos não saudáveis avançam 

De acordo com dados do Atlas Global da Obesidade e da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil pode chegar a ser o 5º país no mundo com mais crianças e adolescentes obesos até 2030. 

Dados do Panorama de Obesidade Infantil e Adolescente do Sisvan de 2025, no ano passado foram registradas mais de 1,17 milhão de crianças com obesidade e mais de 783 mil com obesidade grave. 

Ou seja, 9 em cada 100 crianças de 0 a 9 anos de idade do País estavam obesas e 6 em cada 100 estavam com obesidade grave nessa mesma faixa etária. 

Esses números são reflexo das alterações no padrão alimentar durante a infância. Conforme os indicadores do Sisvan, as crianças estão começando a ingerir alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas cada vez mais cedo. 

Mais de 37% das crianças e adolescentes do Estado estão acima do pesoTabela mostra o início do consumo de alimentos não saudáveis por cada faixa etária / Fonte: Sinsav

"A obesidade infantil raramente acontece de forma isolada. Ela está diretamente relacionada aos hábitos alimentares, à rotina familiar e ao ambiente em que a criança vive. Pequenas mudanças consistentes no dia a dia, especialmente nos primeiros anos de vida, têm potencial de gerar um impacto duradouro na saúde física e emocional da criança”, finalizou a Dra. Mariana Grigoletto.


 

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