Cidades

Brota um futuro sustentável

De muda em muda: Viveiro da Águas Guariroba preserva nascentes e recupera áreas degradadas

São mais de 50 mil mudas produzidas anualmente, que levam o verde e ajudam a preservar mais de 68 municípios de Mato Grosso do Sul

Continue lendo...

Reflorestar, reconstruir e replantar são ações necessárias para garantir o verde solo sul-mato-grossense e as cristalinas águas de nossas nascentes. O equilíbrio entre o homem e a natureza depende da sustentabilidade ambiental e social, que interligados garantem o futuro das novas gerações.

Esse é o legado do Viveiro Isaac de Oliveira, uma iniciativa da Águas Guariroba desenvolvida em parceria com a Aegea e a Ambiental MS Pantanal. Ao longo dos últimos 13 anos, mais de 650 mil mudas já foram cultivadas e doadas para a recuperação de áreas urbanas e rurais e ainda, para a preservação do entorno de nascentes. 

“As árvores estão totalmente ligadas à quantidade e a qualidade da água que nós temos no meio ambiente, por isso é muito importante preservarmos as matas ciliares dos rios, porque assim vamos ter água de qualidade em abundância. Por isso, esse viveiro é tão importante para o saneamento, para a Águas Guariroba e principalmente para a população de Campo Grande”, explica o gerente de Meio Ambiente e Qualidade da concessionária, Fernando Garayo.

Com essa consciência ambiental e social, a Águas Guariroba promove desde 2010 o reflorestamento de nascentes e matas ciliares dos córregos Guariroba e Lageado, através do replantio de mudas típicas do nosso bioma, o cerrado.

Com o passar dos anos, a missão do Viveiro foi ampliada, e hoje, a doação dessas mudas extrapola os limites de Campo Grande, e alcança todo o Estado de Mato Grosso do Sul, através de parceria com o Rotary Club e a empresa Ambiental MS Pantanal, responsável pelos serviços de coleta, afastamento e tratamento de esgoto em 68 municípios do interior do Estado.

A reportagem visitou o viveiro, que tem a capacidade de produzir 50 mil mudas por ano, de 28 espécies nativas do cerrado.

Motivação é a recuperação de áreas degradadas em mananciais. Foto: Gerson Oliveira

"A maior parte do bioma em nosso Estado, cerca de 90%, é de cerrado. Por isso, nossas mudas são de espécies nativas daqui, podendo ser plantadas tanto em áreas urbanas, quanto rurais. A gente trabalha com bastante frutíferas, como Nêspera, Pitanga e Baru", destaca Kamila Fernandes, engenheira sanitarista e ambiental da Águas Guariroba.

O local já se prepara para expandir, e a expectativa é de que a capacidade seja dobrada em 2024, com a produção de 100 mil mudas por ano. Parte dessa produção é destinada para plantio nas unidades operacionais e ações socioambientais da Águas Guariroba e da Ambiental MS Pantanal, enquanto outra parte é doada para instituições, empresas e órgãos públicos de todo o Estado.

A iniciativa tem parceria, inclusive, com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, com a Prefeitura de Campo Grande e com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. No Parque dos Poderes, que possui um cinturão verde, as plantações realizadas servem como casa de diversas espécies da fauna regional.

“O reflorestamento garante a preservação e o retorno da água nos mananciais e nas nascentes. Realizamos o plantio em torno de nascentes, como na Área de Proteção Ambiental (APA) do Guariroba e do Lajeado. Em parceria com os produtores rurais, fazemos a doação de mudas para o replantio em áreas degradadas para manter o fluxo da água nessas regiões”, enfatiza a engenheira ambiental.

De muda em muda, a semeadura do Viveiro Isaac de Oliveira está por toda parte: nos córregos Segredo, Prosa, Bandeira e Lageado, nas escolas públicas, hospitais, em propriedades rurais e nas nascentes sul-mato-grossenses com essa missão de transformar o meio ambiente.

Sustentabilidade social

Três jardineiros cuidam da semeadura e tornam possível o crescimento e desenvolvimento das mudas. O trabalho é feito por custodiados do sistema penitenciário, que encontram no plantio oportunidade de reinserção na sociedade e aprendizagem.

E.G.C, que atua no viveiro há quatro meses, trabalhava como jardineiro, e agora vê no plantio uma oportunidade de aprender ainda mais sobre as plantas e os processos de recuperação da fauna.

“Você ir lá e podar é uma coisa, mas agora você fazer ela nascer, ver o tanto de tempo que ela demora para germinar e crescer, é outra coisa, né? É mais legal”, comenta.

"Eu me sinto bem, fazendo um trabalho que me dá orgulho de fazer". Foto: Gerson Oliveira

Para ele, o trabalho é essencial para o ecossistema, já que é um movimento no sentido contrário ao desmatamento.

“O homem faz isso, né? Desmatamento, poluição… Acaba com tudo. O plantio é ‘uma boa’ para o meio ambiente, traz as veias d'água pro solo, é uma boa para o ser humano”, pontua.

Além de ser importante para todo o Estado, o trabalho também traz um sentimento de realização pessoal.

“Me sinto bem. É um trabalho que dá orgulho de fazer. Saber que a semente vai nascer, você vai ver ela crescer e seus netos vão ver ela quando ela estiver lá grandona… É bem legal”, conclui.

Do berçário ao solo

"Da semente sai futuro
Nem que seja temporão"
Almir Sater

O processo da semente à árvore não é tão rápido: a planta leva de cinco a 10 anos para crescer e se desenvolver completamente. Os processos iniciais - e essenciais para o bom desenvolvimento da muda - acontecem no viveiro.

“Fazer um reflorestamento demora muito tempo. Vai desde o começo do cultivo da mudinha", explica a engenheira sanitária ambiental.

Primeiro, as sementes são preparadas, de acordo com a necessidade de cada espécie. Quando estão prontas são levadas ao "berçário" e colocadas no substrato - um composto de terra e adubo.

“Tem semente que você tem que colocar na água, para ela soltar a casca e ir pra terra, e tem umas que já vão direto", acrescenta E.G.C.

 Após alcançarem um tamanho adequado, são retiradas do solo e colocadas em saquinhos com terra e adubo, para crescerem ainda mais e se fortalecerem.

Cada espécie tem seu tempo de germinação. Foto: Gerson OliveiraCada espécie tem seu tempo de germinação. Foto: Gerson Oliveira

"Elas se desenvolvem individualmente, cada espécie tem seu próprio tempo. Quando são levadas ao campo para reflorestamento, demora em média de cinco a 10 anos para que comecem a florescer”, relata a engenheira.

 

Ao atingir os 30 centímetros, as mudas estão, enfim, prontas para a doação. Todo esse processo é importante para que, quando realizado o plantio no local de reflorestamento, a muda tenha mais condições de se adaptar ao ambiente, às condições climáticas variadas e sobreviver.

Preparadas para o clima

 

Mesmo diante do impacto das altas temperaturas que têm atingido Campo Grande e todo o Estado neste ano, com recordes sendo batidos semana após semana, a engenheira ambientalista garante que as mudas não "sofrem" com o clima, já que as espécies do Cerrado já são prontas para enfrentar as altas temperaturas.

São espécies nativas do cerrado, já são naturalmente criadas para aguentar fortes temperaturas e se desenvolverem. Foto: Gerson Oliveira

Como no viveiro as mudas são irrigadas duas vezes ao dia, a recomendação é de que o plantio seja feito em períodos de chuva e que os responsáveis irriguem as plantas nos primeiros dias, para que elas se adaptem mais rápido.

"Aqui no viveiro a muda é acostumada a ser irrigada, aí se ela pega um período de estiagem ela sofre bastante. Então indicamos o plantio agora em novembro, dezembro, janeiro, até março”, explica Fernandes.

Ipês

Os Ipês são menores e mais propícios à urbanização. Não prejudicam a tubulação e nem a fiação de energia. Foto: Marcelo Victor

Além das árvores frutíferas, o viveiro também possui grande quantidade de sementes e mudas de Ipê, árvore característica do Cerrado e um dos símbolos do Mato Grosso do Sul.

Além dos Ipês mais comuns, como o amarelo e o roxo, que colorem as paisagens durante a primavera, o viveiro também produz o Ipê verde, árvore rara de ser encontrada em Campo Grande.

Monitoramento

Para evitar que mudas sejam perdidas, é necessário que os responsáveis pelo local do plantio realizem monitoramento, e relatem o desenvolvimento e adaptação das espécies ao viveiro.

"Às vezes a gente pede relatório fotográfico de acompanhamento, para saber também se quem recebeu a doação está cuidando. O reflorestamento ajuda na transparência da água, porque as árvores impedem que o carregamento de sedimentos pro interior dos córregos. Isso mantém a qualidade e a quantidade de água. Fazendo isso estamos garantindo água de qualidade para as futuras gerações”, enfatiza a engenheira ambiental, Kamila Fernandes.

Semeadura é o que fica de quem parte

Artista plástico, Isaac de Oliveira era apaixonado por Ipês. Arquivo Pessoal

Apesar de ter sido criado em 2010, o Viveiro da Águas Guariroba foi reinaugurado em 2022 recebendo o nome “Viveiro Isaac de Oliveira”, em homenagem ao artista regional, falecido em 2019, que eternizou em suas obras as cores da fauna e flora sul-mato-grossenses.

Nas palavras do artista, “O florescer dos Ipês é uma explosão de cores em meio a estação com menos cores”, dizia Isaac de Oliveira - In memorian.

Para a esposa do artista, Selma M. Rodrigues, carinhosamente conhecida por Secéu, o ciclo da natureza e da vida nunca se encerram.

“Isaac sempre foi super interessado na flora e fauna sul-mato-grossense. Ele dizia que a luz do MS era diferente e encantadora. Acredito que ele está feliz, pois sempre gostou de cuidar do jardim de casa e de todas as plantas em geral”, relembra Secéu.

Semeadura é o que fica de quem parte. Confira o vídeo da reinauguração do Viveiro em homenagem ao artista: 

 

 

 

Versões Conflitantes

Namorada diz que policiais admitiram ter matado jovem errado em ação do Choque

Alexandra Raquele afirma que namorado estava desarmado e que policial teria reconhecido erro após comparar fotografias; Choque sustenta que jovem apontou revólver durante abordagem em Campo Grande.

20/10/2026 18h29

Alexandra Raquele, de 18 anos, aponta marcas na janela do quarto onde o namorado, Bruno Rafael, foi baleado durante uma ação do Batalhão de Choque, em Campo Grande.

Alexandra Raquele, de 18 anos, aponta marcas na janela do quarto onde o namorado, Bruno Rafael, foi baleado durante uma ação do Batalhão de Choque, em Campo Grande. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado.

Continue Lendo...

Uma declaração atribuída a policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar levanta questionamentos sobre as circunstâncias da morte de Bruno Rafael Souza da Silva, de 18 anos, baleado durante uma operação realizada na madrugada de segunda-feira (19), no bairro Portal Caiobá, em Campo Grande.

Em entrevista ao Correio do Estado, Alexandra Raquele, de 18 anos, namorada de Bruno e mãe de um bebê de quatro meses, afirmou que um dos militares teria reconhecido um possível erro na identificação do suspeito após comparar fotografias de Bruno e de seu irmão, Miguel Sousa da Silva, conhecido como "Neguinho".

"A gente matou a pessoa errada", teria dito o policial, segundo o relato de Alexandra.

A denúncia feita por Alexandra apresenta uma versão diferente da relatada pela Polícia Militar.

Segundo o Batalhão de Choque, Bruno era suspeito de envolvimento no latrocínio de Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, ocorrido na sexta-feira (16), e teria apontado um revólver contra os policiais durante a abordagem, circunstância que, conforme a corporação, motivou os disparos.

As divergências envolvem não apenas a identificação do suspeito, mas também as circunstâncias do disparo e o estado de saúde em que Bruno foi retirado da residência.

Alexandra relata momentos antes do disparo

Alexandra contou que estava no quarto com Bruno e o filho do casal, um bebê de quatro meses, quando percebeu a chegada dos policiais, por volta das 4h da madrugada.

Segundo ela, o companheiro estava deitado e não apresentou qualquer reação de ameaça quando foi avisado sobre a presença dos militares.

A testemunha afirma que, pouco depois, vários agentes entraram na residência e determinaram que ela deixasse o quarto com a criança.

Ao tentar se levantar, um dos policiais teria pisado no colchão e prendido seu vestido, dificultando momentaneamente sua saída.

"Já entrou gritando: 'Vai, vai, vai, vai para fora, vai para fora!'", relatou.

Conforme o depoimento, Alexandra conseguiu sair do quarto e, momentos depois, ouviu os policiais questionarem Bruno sobre a existência de uma arma.

“Quando saí do quarto, ouvi um policial perguntar: ‘Cadê a arma, seu filho da puta?’. Bruno respondeu: ‘Não, senhor, não sei de arma, não estou com arma’. Logo depois, escutei o barulho do tiro”, relatou Alexandra.

Ela afirma ter ouvido apenas um disparo, que teria atingido o peito do companheiro.

A namorada também contesta a informação de que Bruno teria se levantado espontaneamente, se deslocado até a porta do quarto e retornado para buscar uma arma.

Segundo Alexandra, o jovem acordou ao ser alertado sobre a presença dos policiais e só tentou se levantar após receber uma ordem dos agentes.

O relato contraria a dinâmica apresentada pelo Batalhão de Choque, mas a testemunha já havia deixado o quarto quando o disparo ocorreu, não tendo presenciado diretamente o momento em que Bruno foi baleado.

"A gente matou a pessoa errada", relata testemunha

Um dos pontos mais contundentes da entrevista envolve o que teria acontecido após a abordagem.

Alexandra afirmou que um policial perguntou sobre os apelidos utilizados por Bruno e pelo irmão, Miguel. Durante a conversa, ela teria explicado que o companheiro era conhecido como "Taxa", enquanto "Neguinho" seria o apelido de Miguel.

Segundo a testemunha, o militar pediu uma fotografia de Miguel, e ela apresentou uma imagem que estava armazenada no celular.

O policial teria fotografado a imagem com seu próprio aparelho e, em seguida, solicitado uma fotografia de Bruno.

A jovem afirma ter mostrado um registro em que aparecia ao lado do namorado. Nesse momento, o militar teria comparado as imagens, olhado para outro integrante da equipe e feito a declaração que passou a alimentar as suspeitas da família.

"A gente matou a pessoa errada", teria afirmado, conforme Alexandra.

Questionada se os próprios policiais teriam percebido naquele momento um possível equívoco na identificação, ela respondeu: "Na hora. Na hora".

A testemunha acrescentou que, depois da suposta declaração, vários militares se reuniram em um canto da residência.

Família contesta versão sobre arma e socorro

Outro ponto de divergência está relacionado à existência de uma arma de fogo no quarto.

Alexandra afirma que Bruno não estava armado e sustenta que os policiais não encontraram qualquer resistência por parte do companheiro.

Segundo ela, aproximadamente dez minutos após o disparo, um militar teria informado ao pai de Bruno que o jovem apontara uma arma para a equipe.

A testemunha afirma ter contestado imediatamente essa explicação.

"Mentira, não tinha arma lá dentro", declarou.

Ela também questiona as circunstâncias em que o corpo do namorado foi retirado da residência.

Conforme seu relato, quatro policiais carregaram Bruno, que estava apenas de cueca, até uma viatura. Alexandra afirma que as pernas dele ficaram penduradas durante o transporte.

A família acredita que ele já estivesse morto naquele momento, embora a Polícia Militar sustente que houve socorro.

A namorada relatou que, ao chegar ao Centro Regional de Saúde do Coophavila, recebeu informações de que Bruno teria dado entrada sem vida.

"A gente já sabia que ele estava morto desde o tiro", afirmou.

Essa informação, atribuída por ela a um profissional da unidade, contraria o registro divulgado pelo Choque, segundo o qual o jovem chegou ao estabelecimento de saúde apresentando sinais vitais e morreu posteriormente.

Marcas de sangue permanecem na residência

Durante a entrevista, familiares mostraram objetos que, segundo eles, estavam no quarto no momento da abordagem e ficaram manchados de sangue.

Entre os materiais apresentados estão um sofá, cobertores e uma manta utilizada pelo bebê de quatro meses.

Alexandra afirmou que o colchão onde o casal dormia ficou com grande quantidade de sangue após o disparo.

"Com muito sangue, que você erguia o colchão assim, ó, ficava aquele monte de sangue debaixo do colchão", relatou.

A família também apontou marcas na parede e na região da janela do quarto, associando-as ao disparo.

Os vestígios, segundo os familiares, reforçam os questionamentos sobre a dinâmica da ação. Entretanto, a interpretação técnica dessas marcas depende de exames periciais.

Choque afirma que jovem apontou revólver contra policiais

Em sua versão oficial, divulgada na segunda-feira (19), o Batalhão de Choque informou que os militares realizavam diligências relacionadas ao latrocínio de Gian Marcelo Samaniego Ramão, ocorrido três dias antes no Parque do Lageado.

Bruno Rafael foi identificado inicialmente pelos policiais como suspeito de ter efetuado o disparo que matou Gian durante o assalto.

Conforme o relato da corporação, as equipes chegaram ao imóvel no Caiobá para realizar a abordagem, mas o jovem teria sacado um revólver e apontado a arma contra os militares.

Ainda segundo o Choque, Bruno desobedeceu às ordens para abandonar a arma, provocando uma situação considerada de ameaça iminente à integridade dos policiais.

Diante disso, os agentes efetuaram disparos contra o suspeito.

A corporação informou que Bruno foi desarmado, socorrido e encaminhado ao Centro Regional de Saúde do Coophavila, onde teria dado entrada com sinais vitais, mas não resistiu.

A Polícia Militar também comunicou que a perícia técnica compareceu ao local e que armas e materiais relacionados à ocorrência foram apreendidos para os procedimentos legais.

Essa é a versão apresentada pelos militares, que contrasta com o relato de Alexandra sobre a ausência de arma, o comportamento de Bruno e as condições em que ele deixou a residência.

Namorada afirma que Bruno não participou de latrocínio

A namorada de Bruno Rafael, Alexandra, afirmou ao Correio do Estado que o jovem não teve qualquer participação no latrocínio que terminou com a morte de Gian Marcelo Samaniego Ramão, no Parque do Lageado.

Segundo ela, no período em que o crime aconteceu, Bruno estava acompanhado de outro irmão, Cauã, em um estabelecimento conhecido na região, nas proximidades da residência da família.

A jovem relatou que os dois chegaram a se envolver em uma discussão no local, ocasião em que uma cadeira teria sido danificada.

Para Alexandra, a presença de Bruno no estabelecimento reforça a versão de que ele não estava envolvido no assalto investigado pela polícia.

O relato apresentado pela namorada poderá ser verificado por meio de testemunhas e eventuais imagens de câmeras de segurança do estabelecimento.

Apesar da negativa de Alexandra, a participação ou não de Bruno no latrocínio ainda depende da análise das provas reunidas pelas autoridades responsáveis pela investigação.

Crime no Lageado terminou com morte de homem de 27 anos

O episódio que deu origem às diligências policiais aconteceu na noite de sexta-feira (16), no Parque do Lageado, em Campo Grande.

Gian Marcelo Samaniego Ramão, de 27 anos, havia retornado de uma viagem a Ponta Porã com a esposa quando foi surpreendido por criminosos armados e encapuzados.

Durante a ação, o homem tentou fugir, mas foi atingido por disparos nas costas. Ele chegou a receber atendimento médico e foi encaminhado à Santa Casa de Campo Grande, onde morreu horas depois.

Os criminosos levaram um Volkswagen Gol, posteriormente localizado incendiado.

No decorrer das investigações, Yuri Silva Santos Modesto, de 27 anos, também foi preso. Segundo informações policiais, ele admitiu participação no crime e forneceu detalhes que contribuíram para o avanço das diligências.

A investigação levou ainda à localização de um imóvel no bairro Tijuca, onde foram apreendidas armas de fogo, acessórios para armamentos, pneus e mercadorias de origem paraguaia.

As prisões e apreensões fazem parte da investigação do latrocínio, enquanto as circunstâncias da morte de Bruno durante a operação policial constituem uma questão distinta que também precisa ser esclarecida.

A identificação dos envolvidos no assassinato de Gian e a verificação da legalidade do uso da força policial são pontos fundamentais para o esclarecimento completo do caso.

Até o momento, as informações oficiais divulgadas pelo Choque não esclarecem especificamente a suposta declaração sobre ter atingido a pessoa errada, atribuída a um dos militares por Alexandra Raquele.

O que dizem as autoridades

O Correio do Estado procurou o Batalhão de Choque e a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) para obter esclarecimentos sobre as denúncias apresentadas por Alexandra e as circunstâncias da morte de Bruno.

Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

Desdobramento

MPMS pede nova condenação de envolvido na Operação Coffee Break

Parecer também se manifesta contra o provimento dos recursos apresentados o ex-governador André Puccinelli e o ex-prefeito Nelson Trad Filho

20/10/2026 18h15

Procurador-geral de Justiça, Paulo Passos, em 2016, durante oferecimento da denúncia

Procurador-geral de Justiça, Paulo Passos, em 2016, durante oferecimento da denúncia Foto: Arquivo Correio do Estado

Continue Lendo...

Por meio do Procurador de Justiça Sérgio Luiz Morelli, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) se manifestou pelo parcial provimento de recurso para reconhecer a prática de improbidade administrativa pelo ex-vereador Flávio César Mendes de Oliveira, titular da Secretaria de Fazenda de MS, no âmbito do caso Coffee Break, investigação sobre suspeita de compra de votos para cassar o mandato do então prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, em 2014.

O parecer também se manifesta contra o provimento dos recursos apresentados por outros réus, entre eles os empresários João Alberto Krampe Amorim dos Santos e João Roberto Baird, o ex-governador André Puccinelli e o ex-prefeito Nelson Trad Filho, além dos vereadores Carlos Augusto Borges (Carlão), Eduardo Pereira Romero, Gilmar Nery de Souza, João Batista da Rocha, Otávio Augusto Trad Martins, Waldecy Batista Nunes, Raimundo Nonato de Carvalho e Luiz Pedro Gomes Guimarães. 

A manifestação contra o atual presidente do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) integra o desdobramento judicial da Operação Coffee Break, que apurou suspeitas de articulação entre políticos e empresários para viabilizar a cassação de Bernal, em março daquele ano. À época, o Ministério Público sustentou que o afastamento do prefeito atenderia a interesses políticos e empresariais, incluindo a retomada de contratos e a distribuição de cargos na administração municipal.

Na conclusão do parecer mais recente, o órgão ministerial defende que Flávio César seja responsabilizado por ato de improbidade previsto no artigo 9º, inciso VII, da Lei nº 8.429/1992, relacionado ao enriquecimento ilícito.

O pedido, no entanto, não abrange todas as acusações apresentadas durante a investigação, uma vez que o próprio Ministério Público pede que seja mantida a improcedência das alegações de negociação de votos, intermediação de vantagens políticas e condução remunerada da comissão processante.

"O parecer é maravilhoso, sendo de um dos mais consagrados nomes do Ministério Público Estadual: Sérgio Luiz Morelli. Merece ser acolhido, porque foi técnico e independente, como é da tradição dessa bela instituição à qual ele pertence. Otávio Trad não vê a hora de limpar por completo o nome de quem nunca mereceu a injusta acusação inicial", destacou ao Correio do Estado André Borges, advogado de defesa do vereador Otávio Trad (PSD). 

Imbróglio 

Em maio de 2016, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou 24 pessoas, entre políticos e empresários, pelos crimes de associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, com base na investigação da Operação Coffee Break. Entre os denunciados estavam o ex-governador do Estado, André Puccinelli (MDB), o ex-prefeito de Campo Grande Nelson Trad Filho (PV) e Gilmar Olarte. 

Na ocasião, foram denunciados os vereadores Mário César, José Airton Saraiva, Flávio César, Edil Albuquerque, Edson Shimabukuro, Eduardo Romero, Jamal Salém , João Rocha , Otávio Trad, Paulo Siufi, Gilmar da Cruz, Waldecy Batista Nunes, o Chocolate, Carlos Augusto Borges, o Carlão, e o ex-vereador Alceu Bueno.

Também foram denunciados os empresários João Alberto Krampe Amorim dos Santos, João Roberto Baird, Carlos Eduardo Belineti Naegele, Fábio Portela Machinsky, Luiz Pedro Gomes Guimarães, Raimundo Nonato de Carvalho e o procurador da Câmara Municipal André Luiz Scaff.

Conforme o Procurador-geral de Justiça Paulo Passos, a Operação Coffee Break teve início em investigação feita pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a partir de representação que atribuía a Olarte e a seu assessor, Ronan Edson Feitosa Lima, a prática de delitos criminais.

Coordenada por Marcos Alex, investigações revelaram que os dois atuaram em conjunto em razão de suas funções públicas, em delitos de corrupção e lavagem de dinheiro. Também foram apurados indícios da existência de corrupção ativa e passiva para a cassação do mandato do prefeito Alcides Bernal.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).