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Prisão

Defesa de homem que matou família em acidente pede prisão domiciliar para tratamento de saúde

O acidente aconteceu no dia 6 de abril e matou quatro pessoas. A defesa alega que o réu não pode receber tratamento de saúde adequado dentro do presídio

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A defesa de David Lopes Queiroz, o responsável por causar o acidente que levou à morte Drielle Leite Lopes e seus três filhos no dia 6 de abril, entrou com um pedido à Justiça de Campo Grande para a revogação da sua prisão preventiva. 

David havia sido preso em flagrante após o acidente mas foi convertida em prisão preventiva, que é uma medida provisória que visa garantir o bom andamento do processo penal, evitando que o acusado cometa novos crimes ou atrapalhe o andamento das investigações. 

A justificativa é a de que, dentro do regime prisional, o réu não tenha acesso a atendimento médico de forma devida, visto que sua saúde foi comprometida em virtude do acidente. 

De acordo com o documento, David precisou receber diversas bolsas de plasma e remédios para dor que “de total certeza o presídio não é capaz de fornecer, visto que o atendimento de saúde prestado pelos estabelecimentos prisionais é extremamente precário e insuficiente, existindo somente para prestar o auxílio básico ao custodiado”. 

“Importante salientar o esforço desta D. defesa em tentar prestar o auxílio necessário para que o Requerente tenha acesso ao tratamento médico adequado e, até mesmo, aos itens necessários à sua higiene básica, porém, existe um limite no podemos fazer, motivo pela qual expõe-se a situação, tendo em vista as consequências da manutenção do Requerente no sistema prisional”, consta no documento. 

Alega, ainda, que a unidade prisional em que David se encontra não possui as medicações prescritas. No acidente, ele foi arremessado para fora do carro que dirigia, o que resultou na fratura do fêmur e da clavícula, necessitando de retorno médico. 

No pedido, a defesa ainda dá a opção de converter a prisão preventiva em prisão domiciliar ou ao uso de tornozeleira eletrônica, em razão da necessidade dos tratamentos médicos. 

A conversão de prisão preventiva em domiciliar pode ser deferida em casos onde “o réu se encontra extremamente debilitado em razão de uma doença grave aliada à impossibilidade de receber tratamento no estabelecimento prisional em que se encontra”. 

O pedido da defesa finalizou pedindo urgência na deliberação e alegou que o acusado comparecerá em todas as intimações a que for chamado. 

Relembre o acidente

Na noite do domingo, dia 6 de abril de 2025, Drielle Leite Lopes, de 29 anos, os três filhos (uma menina de 10 anos, um menino de 11 anos e um bebê de 3 meses), e o esposo, Oldinei Centurión Saraiva, de 42 anos, estavam em uma Saveiro retornando à Sidrolândia na BR-060 quando foram atingidos. 

Conforme apurado pelo Correio do Estado, o Corsa, conduzido por David Queiroz, invadiu a pista contrária e atingiu violentamente a lateral da Saveiro. Ele trafegava em alta velocidade e em zigue-zague no sentido Sidrolândia-Campo Grande. 

Após o impacto, a Saveiro foi atingida por uma carreta carregada por calcário e o Corsa foi parar às margens da rodovia e pegou fogo. 

Drielle e as três crianças morreram na hora. Oldinei foi socorrido com vida e encaminhado ao hospital. Segundo a mídia local, a família voltava à Sidrolândia após um passeio.

David, motorista do Corsa, foi arremessado para fora do veículo, também foi socorrido e levado à unidade de saúde. O condutor da carreta não teve ferimentos. 

O acidente causou um congestionamento de 10 quilômetros na rodovia, já que a via ficou interditada por algumas horas.  

Prisão preventiva

No dia 8 de abril, foi decretada a prisão preventiva do mecânico após a polícia verificar que o motorista pudesse estar dirigindo sob efeito de álcool e, possivelmente, sob influência de cocaína. 

A Polícia Civil havia pedido a prisão logo quando o homem deu entrada no hospital com nome falso e apresentando sinais de embriaguez como “hálito etílico e fala arrastada com palavras com baixo calão, não colaborativo e com períodos de sonolência”, conforme consta na ocorrência registrada pela polícia. 
 

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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