Encontrar moradores nas residências e convencer quem nunca separou o próprio lixo a adotar esse hábito serão os principais desafios a serem superados pela Prefeitura de Campo Grande para implantar o programa de coleta seletiva porta-a-porta na Capital. Os trabalhos começaram ontem, atingindo cerca de 4 mil domicílios em seis bairros, mas ainda com adesão reduzida.
O Correio do Estado acompanhou uma das equipes do programa no Jardim São Lourenço ontem de manhã e em duas ruas percorridas (Itápolis e Ibirapuera), os coletores depararam com a maioria das casas fechadas. Naquelas onde havia morador ou funcionário - requisito para que aconteça a coleta - uma das situações constatadas foi o fato de a pessoa ainda não ter conhecimento do programa. Em outros, o residente afirmou que havia sido informado previamente e separou o lixo para entrega, ou já tinha o hábito de separar o lixo e aproveitou a passagem da equipe para descartar o material.
"Não sabia, não passaram antes na minha casa. Mas acho muito bom", comentou Ruth Martins, de 83 anos. A moradora conta que já tem o hábito de juntar jornais, que depois são doados para um catador de lixo reciclável que passa em sua rua, mas agora pretende participar do programa, separando outros tipos de material. Dona Ruth recebeu ontem da equipe de coleta seletiva sacos de plástico, que serão recolhidos durante a próxima passagem dos coletores pela rua, na semana que vem.
A professora Juliana Lache, 32 anos, mudou-se há um mês para Campo Grande e soube por meio de uma vizinha que seu bairro receberia as equipes de coleta seletiva. No entanto, sem saber qual seria o dia de coleta, acabou entregando todo o material que havia separado para um catador de material reciclável. Mesmo sem ter participado do primeiro dia do programa, ela considera válida a iniciativa. "Eu morava no Rio de Janeiro e lá a gente praticava a coleta seletiva, mas tinha que levar tudo para uma escola do bairro. Aqui, será bem mais cômodo", comentou.
Falta consciência
A artista plástica Glorinha Paixão, 57 anos, também separa regularmente o lixo seco do molhado em sua residência, mas recebeu a notícia de que haveria coleta seletiva em seu bairro com descrédito. "Eu já faço isso há dois anos, mas não acreditava que iam passar em minha rua. Acho excelente, o povo tem que aprender, se organizar e ter consciência de que muita coisa pode ser reaproveitada", defendeu.
A uma quadra da casa da moradora, o Correio do Estado deparou com uma situação curiosa — na lixeira em frente a um residencial, um cartaz busca orientar os condôminos a evitar misturar fezes de animais com o lixo doméstico, flagrante que mostra a necessidade de mudança de cultura da população campo-grandense em geral sobre a destinação do lixo. "Esse é o objetivo macro do programa: reciclagem total e mudança de comportamento", resumiu o secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Marcos Cristaldo.



