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ILEGAIS

Desde 2009, mais de 23 mil brasileiros ilegais foram presos na Europa

Desde 2009, mais de 23 mil brasileiros ilegais foram presos na Europa

ESTADÃO

29/10/2010 - 13h45
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Os emigrantes brasileiros estão entre os mais afetados pelo endurecimento das leis contra estrangeiros na Europa. Desde o início de 2009, quando muitas das novas normas de imigração entraram em vigor, mais de 23,4 mil brasileiros foram presos na Europa por estar vivendo ilegalmente e sem autorização de trabalho. O número de brasileiros detidos só perde para o total de imigrantes irregulares na Europa de origem do Marrocos, Afeganistão e Albânia.

Essa é a primeira vez que a Europa torna público o número total de detenções de estrangeiros e a nacionalidade dos infratores. No total, 574 mil estrangeiros foram detidos em apenas 18 meses na Europa. Muitos foram deportados diretamente a seus países de origem, enquanto milhares de outros aguardam uma definição de seu destino em centros de detenções espalhados pelo continente.

Há um mês, a reportagem do Estado havia revelado que os brasileiros estavam entre os estrangeiros que são mais frequentemente barrados ao tentar entrar no Velho Continente. Se apenas o número de pessoas barradas nos aeroportos for calculado, os brasileiros aparecem na primeira colocação. Para os europeus, esses brasileiros não deram garantias de que voltariam ao país de origem e eram suspeitos de estar tentando entrar de forma irregular na Europa.

Agora, novos números da agência de fronteiras da União Europeia, a Frontex, indicam que, além daqueles que são pegos já ao desembarcar, o número de brasileiros irregulares vivendo pela Europa tem surpreendido as autoridades. A assessoria de imprensa da Frontex se recusa a divulgar os números relativos a 2008 ou 2007, alegando que são apenas para uso das polícias nacionais. Mas a entidade acredita que não haja um fluxo maior de brasileiros para a região nos últimos meses, inclusive porque a crise na Europa de fato fez milhões de desempregados, muitos deles sendo estrangeiros.

O resultado do alto número de brasileiros detidos seria mesmo o recrudescimento das políticas de imigração e da suposta facilidade em encontrar os brasileiros. Muitos trabalham como operários, pessoal de limpeza e nos restaurantes das principais cidades. Mas se o número de novos brasileiros chegando ao continente não dá sinais de aumentar, a constatação é de que os números de detenções de Brasil já na Europa está em alta. No primeiro trimestre de 2009, foram apenas 2,3 mil brasileiros detidos. No segundo trimestre de 2010, esse número já era de 4,2 mil.

No início de 2009, iraquianos, argelinos, indianos e somalis superavam a média brasileira. Mas, se todo o período dos últimos 18 meses for somado, o Brasil apenas perde para três outras nacionalidades. A maior delas é a de afegãos, fugindo da guerra que assola o país há quase uma década. 47,9 mil cidadãos de nacionalidade afegã foram detidos pelos europeus por estar vivendo de forma ilegal dentro do bloco desde 2009. Muitos saem de seu país, vão para a Turquia e, de lá, cruzam a fronteira com a Grécia. Em segundo lugar vem os marroquinos, com 38,1 mil detidos. 37,4 mil albaneses foram detidos pelos policiais europeus já dentro da Europa desde o início de 2009.

Desde a eclosão da crise econômica, os governos europeus foram pressionados pela opinião pública a adotar medidas concretas para salvar postos de trabalho e a renda da população. Sem poder incentivar indústrias que não tinham a quem vender, o caminho adotado por inúmeros governos foi a de endurecer a fiscalização sobre imigrantes irregulares, expulsando-os e teoricamente abrindo vagas aos trabalhadores europeus. No sul da Espanha, por exemplo, uma onda de deportações foi registrada a partir de 2009, com fiscalizações da polícia na colheita na região de Almeria. Centenas foram enviados de volta a seus países para dar lugar aos espanhóis, que enfrentam uma taxa de desemprego de mais de 20%. O problema é que poucos foram os espanhóis que aceitaram voltar a trabalhar no campo.

Temor. Entre a comunidade brasileira vivendo na Europa, muitos admitem limitar cada vez mais a exposição na rua ou em locais públicos, temendo ter seus documentos pedidos pela polícia. "Eu já quase não saio pela noite", contou Cintia, uma mineira que há três anos vive em Barcelona. "Se houver uma briga no bar e a polícia chegar, pedem os documentos de todos", afirmou. Com 26 anos, Cintia trabalha como babá. As associações de brasileiros também começam a se mobilizar, com pedidos de intervenção ao Itamaraty. "Há pessoas que já estão estabelecidas na Europa há anos e, de repente, são pegas em situação irregular. O choque é muito grande e perdem tudo o que tem", afirma uma representante da Rede de Brasileiros na Europa, que pediu para não ser identificada.

Hoje, o número de brasileiros detidos já supera o do Iraque, Argélia, China, Somália e Sérvia. Segundo os números da Frontex, os brasileiros estão entre os imigrantes irregulares mais detidos na Espanha. Lá só perdem para os bolivianos e marroquinos. A entidade afirma ter detectado um número cada vez maior de paraguaios. Quanto à fronteira, os números mostram que, assim como outras nacionalidades, os brasileiros também reduziram suas viagens para a Europa nos últimos meses.

Aeroportos. Nos aeroportos europeus, os brasileiros são de longe os mais barrados entre todas as nacionalidades estrangeiras. Os principais aeroportos onde os brasileiros foram pegos foram o de Londres, Madri e Lisboa. Segundo a Frontex, esse dado se justifica por conta da distância entre o Brasil e o continente europeu. Se africanos podem tentar entrar na Europa por barco ou mesmo escondidos em carregamentos entre portos do Mar Mediterrâneo, cidadãos do leste europeu precisam apenas pegar seus carros e viajar até as fronteiras da Polônia, Hungria ou Eslováquia.
 

solidariedade

Campanha Natal Solidário é lançada com foco em arrecadar brinquedos em Campo Grande

Itens arrecadados serão distribuídos para crianças em situação de vulnerabilidade social em dezembro

23/08/2026 17h00

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos

Prefeitura pede que brinquedos doados sejam novos Foto: Pixabay

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A Prefeitura de Campo Grande, por meio do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), lançou oficialmente a Campanha Natal Solidário, que tem como principal objetivo arrecadar brinquedos novos para crianças de famílias em situação de vulnerabilidade social.

As doações serão destinadas a ações especiais de Natal, que serão realizadas nas sete regiões urbanas e nos dois distritos de Campo Grande, Anhanduí e Rochedinho.

Conforme a prefeitura, a proposta é mobilizar a população para transformar solidariedade em presentes e levar alegria às crianças durante o período natalino.

Podem ser doados brinquedos novos para meninas e meninos nos pontos de coleta espalhados pela cidade.

Entre os pontos de arrecadação estão o Shopping Norte Sul Plaza, na Avenida Presidente Ernesto Geisel, 2.300, e a sede do Fundo de Apoio à Comunidade (FAC), na Avenida Fábio Zahran, 6.000, na Vila Carvalho.

“Doar um brinquedo novo de menina ou menino é levar amor e alegria a quem mais precisa, que é a criança”, destaca a presidente do FAC, Adir Diniz.

O FAC destaca ainda a importância de que as doações sejam de brinquedos novos. A iniciativa busca garantir que cada criança receba um presente em boas condições e tenha a experiência de abrir um brinquedo novo no Natal.

Além de estimular a solidariedade, a campanha busca reforçar a importância do consumo consciente e do cuidado com o meio ambiente. A proposta, conforme o Executivo Municipal, une sustentabilidade e solidariedade ao incentivar atitudes que contribuam para o bem-estar das pessoas e do planeta.

A Campanha Natal Solidário conta com o apoio das secretarias municipais e de parceiros da iniciativa privada, além de estar aberta à participação de toda a população.

Para informações sobre a campanha e orientações para doações, o FAC disponibiliza o telefone (67) 2020-1361.

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24° FEMINICÍDIO

Mulher é morta a facada dentro de casa e MS registra o 24° feminicídio

Crime ocorreu na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade; vítima tinha 38 anos e polícia realiza buscas pelo suspeito e a filha do casal

23/08/2026 15h15

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana

Polícia Civil foi acionada para apurar a morte de Marta Florentino Godoi, de 38 anos, ocorrida dentro da residência onde vivia, em Aquidauana Divulgação

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Uma mulher de 38 anos foi morta a facada dentro de casa na manhã deste domingo (23), na Vila Trindade, em Aquidauana. Identificada como Marta Florentino Godoi, ela teria sido atacada pelo próprio marido, que fugiu após o crime levando a filha menor de idade do casal. 

O caso é investigado como feminicídio. Conforme informações do portal O Pantaneiro, o crime ocorreu por volta das 6h, em uma residência localizada na Travessa Margarita Meza. Marta foi atingida por um golpe de faca e não resistiu aos ferimentos. 

Depois do ataque, o suspeito deixou o imóvel e teria levado a filha do casal. Equipes das forças de segurança foram mobilizadas para tentar localizá-lo e encontrar a criança. Até o momento, as circunstâncias que levaram ao crime não foram esclarecidas.

A Polícia Civil realizou os primeiros levantamentos no local. A ocorrência é acompanhada pela Delegacia de Atendimento à Mulher (DAM) de Aquidauana, sob responsabilidade da delegada Isabelle Sentinelo. A investigação deverá reconstruir os momentos anteriores ao ataque e apurar a motivação. 

Moradores da região relataram que não tinham conhecimento de episódios anteriores de violência doméstica envolvendo o casal. As informações preliminares também indicam que não havia registros policiais nteriores relacionados a agressões ou desentendimentos entre os dois. 

A ausência de ocorrências anteriores, no entanto, será considerada apenas como um dos elementos da investigação. A Polícia Civil devera ouvir pessoas próximas à vítima, ao suspeito e reunir outros elementos para esclarecer a dinâmica do crime. 

Feminicídio

Feminicídio é o assassinato de uma mulher pelo fato de ser mulher, ou seja, questões de gênero que envolvem violência doméstica, física, verbal, sexual ou patrimonial. 

Geralmente, o feminicídio é praticado por (ex) companheiros, (ex) namorados, (ex) noivos ou (ex) esposos da vítima. 

É um crime hediondo cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de reclusão, não sendo possível pagar fiança. A pena é cumprida em regime fechado.

O feminicídio passou a ser um crime autônomo, com seu próprio artigo no Código Penal, diferente do homicídio qualificado. O condenado por feminicídio perde o poder familiar e é impedido de exercer cargos/funções públicas.

Violência contra mulher deve ser denunciada em qualquer circunstância, seja agressão física, psicológica, sexual, moral ou patrimonial.

Os números para denúncia são 180 (Atendimento à Mulher), 190 (Polícia Militar) e 153 (Guarda Civil Metropolitana).

O sinal "X" da cor vermelha, escrita na mão, significa que a vítima quer alertar que sofre violência doméstica. Portanto, o cidadão deve ficar atento, acolhê-la e acionar as autoridades. 

2026

A morte de Marta ocorre dois dias depois de Mato Grosso do Sul atingir a marca de 23 feminicídios registrados em 2026. O número foi alcançado após um caso ocorrido em Costa Rica, na sexta-feira (21).

Conforme dados do Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp-MS), o Estado contabilizava 23 vítimas de feminicídio neste ano até agosto.

Caso a investigação confirme o enquadramento da morte de Marta como feminicídio e o caso seja incluído nas estatísticas oficiais, Mato Grosso do Sul passará a contabilizar 24 feminicídios em 2026.

As buscas pelo suspeito continuam, enquanto a Polícia Civil trabalha para esclarecer a motivação e as circunstâncias do crime, além de localizar a filha do casal.

Lista trágica

Confira a lista de mulheres vítimas de feminicídio em 2026:

  1. Josefa dos Santos - 16 de janeiro
  2. Rosana Candia Ohara - 24 de janeiro
  3. Nilza de Almeida Lima - 22 de fevereiro
  4. Beatriz Benevides da Silva - 25 de fevereiro
  5. Liliane de Souza Bonfim Duarte - 6 de março
  6. Leise Aparecida Cruz - 7 de março
  7. Ereni Benites - 8 de março
  8. Fátima Aparecida da Silva - 23 de março
  9. Marlene de Brito Rodrigues - 6 de abril
  10. Vera Lúcia da Silva - 13 de abril
  11. Zelita Rodrigues de Souza - 30 de abril
  12. Kelly Laura - 15 de maio
  13. Fabíola Marcotti - 18 de maio
  14. Maria do Carmo - 28 de junho
  15. Paula de Souza Conceição - 11 de julho
  16. Rosenilda de Oliveira Candelário - 17 de julho
  17. Terezinha Nantes - 27 de julho
  18. Ana Carolina Goés - 31 de julho
  19. Adrielle Encarnação - 31 de julho
  20. Rose Batista Cabreira - 2 de agosto
  21. Adriana Barrios - 5 de agosto
  22. Nathalia Rodrigues Nogueira - 06 de agosto
  23. Fátima Alves de Matos - 21 de agosto

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