Menos de cinco meses depois de ser promovido a desembargador, por antiguidade, Djailson de Souza teve seu pedido de aposntadoria voluntária publicado no diário oficial da Justiça nesta segunda-feira (2) e a partir desta terça-feira (3) ele deixa de trabalhar no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.
Filho de lavradores baianos e nascido em Bataguassu, na região da divisa de Mato Grosso do Sul com São Paulo, Djailson foi empossado no Tribunal de Justiça em 21 de outubro do ano passado.
Ele completou 65 anos em agosto do ano passado e poderia seguir na magistratura por mais dez anos, já que a aposentadoria compulsória ocorre somente aos 75 anos. Mas, como tem idade e tempo de contribuição (35 anos de magistratura) suficientes, decidiu "pendurar as chuteiras".
No começo do mês, seu salário bruto ultrapassou os R$ 146 mil, conforme o site da transparência do Tribunal de Justiça. Pelo menos outros 30 desembargadores também já poderiam pedir aposentadoria, mas preferem seguir na ativa por conta dos altos rendimentos.
Em janeiro teve desembargador que recebeu R$ 281,2 mil. Depois de se aposentar, os rendimentos dos aposentaos caem em praticamente 50%.
Após atuar em cartórios e concluir a graduação em Direito em 1983, Djailson trabalhou como advogado e professor, consolidando sua vocação para a magistratura, onde ingressou em 1990.
Desde então, atuou Vara da Infância e Juventude de Sete Quedas, na 1ª Vara Cível de Corumbá e na 7ª Vara do Juizado Especial em Campo Grande. Em 2014, assumiu a Vara do Juizado Especial de Trânsito, onde permaneceu até sua promoção a desembargador.
A aposentadoria precoce confirma sua versão de que não tinha pretensão de atuar no topo do judiciário estadual, já que nunca tentou ser promovido por merecimento. “Eu nunca me candidatei para vir para cá, as coisas aconteceram pela minha dedicação. Comecei de baixo e hoje estou aqui. Me sinto realizado. O trabalho só vale a pena se for digno, sempre penso nas consequências de cada ato meu”, disse Djailson ao ser escolhido.
E a saída de Djailson deve se a segunda baixa neste começo de 2026 no tribunal que tem 37 desembargadores. Ary Raghiant Neto, indicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), anunciou que pretende renunciar ao cargo ainda neste mês. Ele foi nomeado novembro de 2022.


