Cidades

Última Ratio

Venda de sentença: Avião de advogado, avaliado em R$ 3,5 milhões, levava desembargadores a pesqueiro

Aeronave era de propriedade do filho de um dos desembargadores, que é advogado e participava do esquema, segundo aponta relatório da Polícia Federal

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O advogado Rodrigo Gonçalves Pimentel, filho do desembargador Sideni Soncini Pimentel, é ex-proprietário de uma aeronave avaliada em cerca de R$ 3,5 milhões, que era utilizada para levar desembargadores envolvidos em esquema de venda de sentença a um pesqueiro, sendo o abastecimento feito pelos magistrados. A propriedade da aeronave foi transferida um mês após operação que revelou o esquema.

É o que aponta relatório final do inquérito elaborado pela Polícia Federal, que solicita o indiciamento de autoridades e advogados no âmbito da Operação Ultima Ratio.

A aeronave, de prefixo PT-LNP é um modelo Beech Aircraft 58, segundo registro na Agência Nacional de Avição Civil (Anac). Esta é uma aeronave bimotor executiva a pistão de pequeno porte, com capacidade para transportar um piloto e cinco passageiros.

Ainda segundo consta na ANAC, a aeronave foi transferida de propriedade em novembro de 2024, cerca de um mês após o desencamento da operação.

O valor da aeronave varia conforme o ano, mas o avião pode ser avaliado, em média, em R$ 3,5 milhões para modelos mais antigos (Baron 58), conforme pesquisa feita pelo Correio do Estado em sites especializados.

Na ocasião da operação, um dos escritórios do advogado Rodrigo Pimentel foi alvo de mandado de busca e apreensão. Rodrigo Pimentel foi vinculado a investigação após receber repasse de parte do dinheiro transferido a uma outra advogada também investigada, com base nas decisões judiciais sob suspeita de terem sido vendidas por desembargadores.

Conforme o relatório da Polícia Federal, também ficou demonstrada a intimidade do advogado com alguns desembargadores, em conversas extraídas do WhatsApp e dados em nuvem.

É citado, por exemplo, a relação próxima que ele mantinha com o desembargador Julio Roberto Siqueira Cardoso, também investigado, que se aposentou em 2024, após completar 75 anos. O magistrado o chamava pelos apelidos de Didi e Didi Pimentinha.

Viagens para pesqueiro

Dados analisados em nivel apontam que o magistrado e o advogado realizaram viagens juntos para pescarias utilizando o avião que até então era de Rodrigo Pimentel, o que foi verificado no fato de que o avião aparece em imagens e documentos de abastecimentos.

Nas imagens das viagens de pescarias também estão, aparentemente, segundo narra o relatório,  os desembargadores Sideni Soncini Pimentel, pai de Rodrigo e aposentado voluntariamente em outubro de 2025, e Vladimir Abreu da Silva, que está afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).

As imagens que constam no relatório da PF são do ano de 2000 e, segundo notas de abastecimento, estaria em nome de Ipe Assessoria e Consultoria, com o nome de Rodrigo Pimentel e a explicação de "retorno pesqueiro" para justificar o pagamento. Os valores das notas anexadas variam entre R$ 1,4 a R$ 3,4 mil por abastecimento.

Além das diversas viagens de avião para o pesqueiro, a intimidade entre as partes também está comprovada por várias fotos em eventos variados, que vão de almoços a festas de aniversário, além de troca ativa de mensagens.

"Entre os dados fornecidos pelo Whatsapp foram informados os grupos em que a conta de Julio Cardoso participa ou criou, sendo informado, dentre outros, o grupo 'Pescaria rancho Paraíso'. Embora não conste a lista de linhas participantes, consta o número da linha de Rodrigo Pimentel no campo ID, o que, ao que tudo indica, significa se tratar de um grupo criado por ele, reforçando, portanto, os indícios de que o vínculo entre Julio Cardoso e Rodrigo Pimentel é forte e duradouro", diz a PF no relatório.

A Polícia Federal afirma ainda que as mensagens envolviam, além de assuntos pessoais como pescarias, assuntos relativos a ações judiciais, cque demonstram grande proximidade entre o desembargador e o advogado e provas de venda de decisão pelo magistrado em pelo menos um processo.

Pimentel recebeu, por meio de sua empresa, R$ 275 mil que tiveram como origem o dinheiro obtido em decorrência da citada decisão judicial e, ainda segundo o relatório, apreensão de valor milionário em dinheiro na casa do desembargador provam que a transferência de R$ 275 mil a Rodrigo Pimentel é o pagamento de vantagem indevida por tal decisão, configurando o crime de corrupção passiva.

"Agravando tal constatação, verificou-se, conforme exposto acima, que os filhos de Vladimir possuem escritório de advocacia no mesmo endereço do escritório Rodrigo", acrescenta a PF, ressaltando que em inquérito "foram expostos os processos encontrados em que Sideni Pimentel julga e os filhos de Vladimir Abreu atuam, assim como os processos em que Vladimir julga e Rodrigo atua".

No relatório, a PF entende estar provada a materialidade e autoria do crime de corrupção passiva pela venda das decisões tendo como autor Rodrigo Pimentel e outras quatro pessoas.

Enriquecimento exponencial

Conforme reportagem do Correio do Estado, relatório anterior da Polícia Federal, que culminou na Operação Ratio, destacou que o advogado Rodrigo Gonçalves Pimente teve o rendimento aumentado em 174 vezes em seis anos.

Em 2017, ele declarou ter recebido como rendimento anual o valor de R$ 52,5 mil. No ano seguinte, em 2018, a declaração foi do valor de R$ 3.310.068,00, o que representa rendimento 62 vezes maior de um ano para o outro.

Considerando o rendimento declarado em 2022, quando o valor total foi de R$ 9.226.989,95, o crescimento é de mais de 174 vezes no período de seis anos. Essa evolução patrimonial exponencial em curto espaço de tempo chamou a atenção da Polícia Federal.

Rodrigo Pimentel tem várias empresas que, somadas, superam o capital de R$ 12 milhões, e seis delas não possuem registros de funcionários em seus quadros, o que também causou estranheza.

Por fim, somando com outras provas colhidas durante a investigação, a PF conclui que “há fortes elementos no sentido de que Rodrigo Pimentel seja intermediador na venda de sentenças judiciais” de um desembargador.

A Operação Ultima Ratio foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) com apoio da Receita Federal no dia 24 de outubro de 2024 e desvendou um amplo esquema de venda de sentenças envolvendo desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS), advogados e empresários.

DOURADOS

Irmãos colocam dedo no peito de policial e ameaçam vizinha em MS

A discussão começou por causa de um som automotivo na noite deste sábado (13)

13/09/2026 12h00

O caso foi registrado na Depac-Dourados

O caso foi registrado na Depac-Dourados Foto: Divulgação/PCMS

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Dois irmãos, identificados Franklim Lima Parron Garcia e André Lima Parron Garcia, de 43 e 46 anos respectivamente, foram presos em flagrante após ameaçarem uma vizinha, que teria reclamado do som alto, e por desacatarem policiais militares durante o atendimento da ocorrência no bairro Jardim Rasslem, em Dourados.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para ir até a residência da vítima por volta das 22h50 deste sábado (12), para atender um caso de perturbação de sossego.

A vizinha relatou que estava em sua casa junto com seus filhos, sendo duas meninas, uma de 17 e outra de 9 anos, e um menino, de 14 anos, quando seu vizinho ligou o som automotivo em alto volume.

Ela relatou aos policiais que pediu para que Franklim baixasse o volume, mas ele teria aumentado ainda mais, pulado dentro de seu quintal e batido na porta repetidas vezes dizendo "abre aqui essa porta, você não é a gostosona, abre aqui".

A vítima relatou ainda que era possível ouvir o filho do vizinho gritando "pai não pula não, não faz isso pai" e depois "pai volta aqui, ela vai chamar a policia". Após a mulher se recusar a abrir a porta e Franklim ouvir ela chamando a polícia, ele pegou um tijolo e jogou em direção a sua porta.

Após ouvir o relato da vítima, os policiais foram até a casa de Franklim que teria se apresentado junto com André, relatando que estava testando o som automotivo quando a vizinha pediu para baixar o volume.

Enquanto os policiais faziam os procedimentos em relação ao suspeito, André ficou na calçada da vizinha com os braços cruzados e encarando a mulher que aguardava no portão de casa.

Os policiais teriam dado ordem para que ele saísse de lá porque a mãe e a filha estavam com medo. Neste momento, André se aproximou de uma militar dizendo "essa vizinha está se achando só porque é mulher, ela vai ver o dela".

Questionado pela policial sobre o que disse, teria apontado o dedo em direção a militar e falado "você é prevalecida só porque é mulher, vai à merda". Neste momento, foi dada voz de prisão ao homem, que desobedeceu e voltou para dentro da casa. Um reforço foi solicitado e quando Franklim ouviu que tinha mais viaturas vindo, chamou o irmão à frente.

Ao retornar estaria sorrindo e teria dito "vocês não sabem com quem estão mexendo, vocês vão se f*der".

Enquanto André estava sendo algemado, Franklim começou a gritar com a equipe policial perguntando "cadê as câmeras de vocês?" "vocês estão gravando?", momento em que ele colocou o dedo indicador no colete do policial, em tom ameaçador, dizendo "vocês estão ferrados".

Foi dada ordem para que Franklim se afastasse, porém foi desobedecida e novamente tentou colocar a mão no colete do policial. Após se recusar pela segunda vez, o homem foi preso.

Os dois foram levados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário para que seja investigado o caso, registrado como ameaça agravante em caso de vítima mulher, violação de domicílio, dano, desobediência, desacato e perturbação do trabalho ou sossego alheio.

CASO MASTER

PF aponta fraude de R$ 17 bilhões em operações entre Master e BRB

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça

13/09/2026 10h30

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram "estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos" e utilização de uma empresa de fachada.

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. O Estadão não conseguiu contato até a noite de sábado (12) com os advogados de Costa.

Segundo a PF, "as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa".

Especificamente sobre o BRB, a PF apontou "prática de corrupção explícita" pelo ex-presidente da instituição e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.

O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.

Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi, então, que, para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para o BRB.

Para concretizar a fraude, foi constituída a Tirreno, empresa suspeita de ser aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos para o Master, que os vendia para o BRB.

O objetivo seria conferir lastro às transações previamente realizadas entre os dois bancos, pois o Master não possuía histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.

A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com "trâmite frequentemente acelerado", contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao conselho de administração, segundos os relatórios da PF.

"Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master", dizem os investigadores da PF.

A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. Foi essa informação que, em abril passado, levou o ministro André Mendonça a determinar a prisão do ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.

'Daniel e os leões'

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo no WhatsApp com seus advogados para encaminhar documentos relativos ao Master e ao BRB. O grupo se chamava "Daniel e os leões".

Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).

A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas nas quais se simulava que os clientes teriam dado poderes para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 procurações enviadas ao BRB referentes a créditos supostamente originados pela Tirreno.
 

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