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Coincidência?

Devassa da PF na Educação surge após retorno de Waldir Neves ao TCE

Ofício de ministro do STJ que pede nova destituição do conselheiro dedica quase uma página ao suposto elo entre Waldir Neves e a empresa L&L Comercial

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O suposto esquema de corrupção na Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul foi descoberto porque os investigadores detectaram irregularidades em uma série de contratos entre o Tribunal de Contas do Estado e a empresa L&L Comercial para fornecimento de produtos como água mineral, açúcar e café.

A parceria entre o TCE e a empresa começou ainda em 2015, mas somente agora, uma semana depois do retorno de Waldir Neves ao Tribunal de Contas, é que a Polícia Federal fez questão de dar destaque à empresa de Leila Alves do Nascimento e Leonardo Primo de Araújo.

Um destes contratos, 001/2021, no valor de R$ 173,3 mil, previa a entrega de mil pacotes de dois quilos de açúcar cristal, mil caixas de saches de açúcar refinado, 3,9 mil fardos de água mineral de 500 mililitros, 4 mil galões de água mineral de 20 litros, e três mil quilos de café em grãos e torrado. A suspeita da Polícia Federal é de que parte destes valores era devolvida para conselheiros do Tribunal de Contas.

Esse contrato, fruto de pregão presencial, foi firmado no mesmo ano em que aconteceu a Operação Mineração de Ouro no Tribunal de Contas. Naquela operação, em junho de 2021, a Polícia Federal, que havia descoberto suposto esquema de corrupção na operação Lama Asfáltica, cumpriu 20 mandados de busca e apreensão para tentar desbaratar esquema de desvio de recursos públicos no TCE-MS. 

Um ano e meio depois, em dezembro de 2022, a mesma PF desencadeou a operação Terceirização de Ouro, também tendo como alvo principal o Tribunal de Contas. Um dos principais resultados desta operação foi o afastamento dos conselheiros Iran Coelho das Neves, Ronaldo Chadid e Waldir Neves Barbosa. 

Os dois primeiros seguem afastados. O outro conseguiu retomar seu posto no último dia 13 de maio. Em nota divulgada nesta quarta-feira (210, a Polícia Federal informou que a operação Veritatis, que apura desvio da ordem de 5% em dois contratos que superam os R$ 20 milhões na secretaria estadual de educação, teve origem nas descobertas feitas anteriormente no Tribunal de Contas. 

E, diferentemente do que normalmente ocorre nas operações da PF, foi a própria instituição que divulgou imagens de uma viatura em frente da sede da empresa L&L Comercial, no bairro Nova Lima, na região norte de Campo Grande.

Por coincidência ou não, a operação Veritatis acontece oito dias depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, permitir o retorno de Waldir Neves ao Tribunal de Contas. 

No dia 13 de maio, o ministro aceitou o argumento de que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) demorou demais para dar andamento às denúncias envolvendo o conselheiro e por isso permitiu sua volta. 

Três dias depois, o ministro Francisco Falcão, porém, mandou ofício ao STF dizendo que Alexandre de Moraes havia sido enganado pela defesa do conselheiro e pediu que ele voltasse a ser deposto. Até esta quarta-feira, porém, Waldir Neves seguia em seu cargo. 

COINCIDÊNCIA?

Neste ofício, de apenas oito páginas, Francisco Falcão dedica praticamente uma página inteira para detalhar o suposto esquema de cobrança de propina envolvendo Waldir Neves  e a empresa que está supostamente envolvida no esquema de corrupção na secretaria de educação. 

Conforme o documento assinado pelo ministro, “foi identificada, ainda, grave situação de suposta solicitação de propina com o envolvimento do Conselheiro WALDIR NEVES BARBOSA, de seus assessores WILLIAN DAS NEVES BARBOSA YOSHIMOTO e JOÃO NERCY CUNHA MARQUES DE SOUZA, e do empresário LEONARDO PRIMO DE ARAÚJO, sócio proprietário da empresa L&L COMERCIAL E PRESTADORA DE SERVIÇOS, que possui contratos com o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul, desde o ano de 2015, para fornecimento de água mineral, café, açúcar, alcool gel, entre outros produtos”. 

Na sequência, o ministro escreve que “apurou-se que, entre os anos 2018 e agosto de 2021, período de consulta disponível na página da transparência do TCE-MS, a empresa L&L COMERCIAL E PRESTADORA DE SERVIÇOS recebeu R$ 316.187,00 da Corte de Contas”, 

O ministro do STJ diz ainda que “mensagens localizadas no celular de WILLIAN indicam que, após intensa cobrança por parte deste e de JOÃO NERCY (fls. 349), LEONARDO PRIMO DE ARAÚJO efetuou, em 12/05/2021, transferência no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), através da conta bancária de seu filho, Leonardo Primo de Araújo Filho”.

“Os assessores do Conselheiro WALDIR NEVES BARBOSA se referem ao empresário LEONARDO PRIMO DE ARAÚJO utilizando a alcunha "negão", tendo sido identificada conversa, no mesmo período em que os assessores cobram LEONARDO, em que o próprio Conselheiro pergunta se "Negão compareceu”, cita despacho do ministro.

O ministro diz, ainda, que “durante a análise dos dados referentes ao afastamento do sigilo bancário de WILLIAN DAS NEVES BARBOSA YOSHIMOTO foram identificadas diversas transações financeiras entre este e o empresário LEONARDO PRIMO DE ARAÚJO”. 

DINHEIRO VIVO

Durante a operação desta terça-feira, agentes da PF apreenderam R$ 510 mil em endereços ligados ao empresário Marcelo Reis. Parte do dinheiro, R$ 363 mil, estavam em um apartamento de Marcelo na Rua das Garças, em Campo Grande. O restante, em um imóvel no Rio de Janeiro, onde Marcelo costuma passar parte de seus dias.  

A Polícia Federal acredita que o dinheiro tenha origem ilícita e esteja ligado ao suposto esquema de corrupção na Secretaria de Estado de Educação investigado na operação Veritatis.

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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