Depredado há dois anos, o monumento dedicado ao poeta Manoel de Barros (1916-2014) deve ser restaurado nos próximos três meses, segundo informações do diretor-presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), Max Freitas.
A estátua produzida em cobre por Ique Woitschach, que pesa aproximadamente 400 quilos e é fixada no chão com contreto, foi alvo de vândalos em abril de 2021, e teve um dos pés amputado. Desde então, a obra não recebeu reparos.
O local também costuma ficar sujo, com bitucas de cigarro e pequenos lixos, e os jardins ao redor da estátua sem cuidados básicos.
Ao Correio do Estado, Freitas informou que será realizada uma revitalização total do monumento, incluindo jardinagem, iluminação, restauração do pé, do óculos e pintura da escultura.
A previsão é de que o reparo leve 90 dias para ser concluído. Com investimento estimado em R$ 140 mil, a FCMS busca parceria com a Energisa para efetuar a restauração.
"Realizaremos a entrega do monumento do Pedro Pedrossian no Parque dos Poderes, juntamente com o restauro do pé do Manoel de Barros. Estamos em negociação para que o patrocínio da restauração seja total, com jardinagem e iluminação do local", afirmou.
Agora, a expectativa é de que o local possa ser mantido sem sofrer ataques de vândalos.
A professora do curso de Letras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Angela Guida pontuou que, “infelizmente”, a agressão à estátua não é um ato restrito a Campo Grande.
“Custa-me crer que leitores possam vandalizar monumentos de escritores que leem e conhecem, logo, tais atos revelam falta de apreço e intimidade com a leitura e, por conseguinte, com os autores”, observa a professora.
Em entrevista, realizada no início da semana, Henrique de Medeiros, presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), disse que o respeito a todos os marcos e monumentos históricos devem ser uma constante das administrações públicas.
“O monumento a Manoel de Barros chama ainda mais atenção por conta de sua localização de alta visibilidade. Foi um ato de vandalismo despropositado, mas mais despropositado ainda é não haver a restauração da obra, que é uma ode à sensibilidade”, avalia o presidente da ASL.
A entrevista em questão faz parte de uma matéria publicada na última terça-feira (18), que cobrava justamente a restauração da obra, colocando em evidência o descaso do poder público.



