Arcebispo da Arquidiocese de Campo Grande, Dom Dimas Lara Barbosa, descreveu que apesar do momento de perda, a morte do Papa Francisco nesta segunda-feira (21) foi também um momento marcante para a história da igreja católica, uma vez que segundo ele, o Papa foi uma peça marcante e de muita inspiração dentro do Vaticano.
O primeiro contato entre ambos ocorreu em 2007 durante a 5ª Conferência Geral do Episcopado, realizada em Aparecida, São Paulo, período em que Francisco foi arcebispo em Buenos Aires.
"Naquela ocasião, Bergoglio (nome de batismo do Papa Francisco é Jorge Mario Bergoglio) foi eleito pela Argentina e eu fui um dos eleitos pelo Brasil. Trabalhamos juntos em Aparecida durante 16 dias, ele era o chefe de redação da equipe e ficou famoso na igreja aqui no Brasil, foi nosso primeiro contato", destacou o arcebispo, conduzido à 2º vice-presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) na ocasião.
Arcebispo relembra período em que trabalharam juntos (Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado)O evento foi um marco para a Igreja na América Latina e Caribe, promovendo a formação de discípulos missionários e a nova evangelização.
Questionado sobre a possibilidade do próximo Papa ser semelhante a Francisco, Dom Dimas disse que apesar de ser muito difícil de afirmar, o próximo escolhido vai dar continuidade ao trabalho já desenvolvido por Francisco ao longo dos últimos anos.
"Apesar dos últimos três (João Paulo II, Bento XVI e Francisco) João Paulo, serem muito diferentes, percebemos uma continuidade no trabalho de todos. O Papa Francisco sempre demonstrou um carinho muito grande no Brasil, desde o conheço. Outro ponto determinante na escolha do próximo líder da igreja católica pode ser os ideais políticos e sociais do novo líder, fator comentado por Dom Dimas.
"Sem dúvida que o próprio próximo Papa vai ter que partir da realidade que a gente está hoje. Os cardeais vão ter a oportunidade de se reunir e de fazer uma análise da conjuntura social, política, econômica, não só da igreja, mas do planeta, e com isso, vão ter ideia dos desafios. Eles precisam de um tempo para se conhecer, para conversar, estabelecer prioridades", frisou o arcebispo.
Dom Dimas, arcebispo de Campo Grande (Foto: Marcelo Victor / Correio do Estado)Cabe destacar que o Papa Francisco se posicionou firmemente contra o aborto e a eutanásia, reafirmando a doutrina da Igreja que defende a inviolabilidade da vida humana desde a concepção até a morte natural.
Dimas também já esteve com Francisco no Rio de Janeiro, Colômbia, México e República Dominicana.
A última vez foi há três anos, quando os bispos de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul fizeram a nossa visita chamada ad limina apostolorum, visita que os bispos devem fazer periodicamente a Roma".
Morte
O Papa Francisco, líder da Igreja Católica desde 2013, morreu nesta segunda-feira (21) aos 88 anos, morreu aos 88 anos às 2h35 pelo horário de Brasília, 7h35 pelo horário local. As informações foram confirmadas pelo portal Vatican News.
Francisco ficou internado durante 40 dias no início deste ano. No dia 14 de fevereiro, ele foi diagnosticado com pneumonia bilateral, por essa razão, foi exigido o uso de antibioticoterapia com cortisona. Além disso, precisou de transfusões de sangue em decorrência de uma baixa contagem de plaquetas, identificadas junto à anemia.
O papa também chegou a ser considerado clinicamente em condição delicada durante o período em que esteve internado, apresentando sinais iniciais de insuficiência renal leve.
Apesar de alguma melhora, os médicos classificaram seu quadro como "reservado", indicando que sua recuperação ainda era incerta e exigia cuidados intensivos.
Os problemas respiratórios enfrentados por Francisco demandaram o uso de ventilação mecânica não invasiva, um procedimento em que uma máscara é colocada sobre o rosto para facilitar a entrada de ar nos pulmões sem a necessidade de intubação. O Brasil possui oito cardeias aptos a participarem do conclave que irá escolher o novo líder do Vaticano.


