Acumulado em 15 dias chegou a 198,6 milímetros, o maior já registrado no mês, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia
Em pouco mais de cinco horas choveu 66 milímetros em Campo Grande, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com isso, a Capital chegou a um acumulado de 198,6 mm em apenas 15 dias, o maior volume já registrado na cidade para o período.
Conforme os dados do Inmet, que são registrados desde 2002, nos primeiros 15 dias de outubro nunca houve um acumulado maior que o deste ano. Até então, o ano mais chuvoso neste período foi 2011, quando foram 158,8 mm de precipitação.
O acumulado é 31,8% acima do que era esperado para todo o mês, que tem uma média história de 150,6 mm na Capital.
Ontem foi o dia mais chuvoso do mês até agora, com acumulado de 66 mm até as 18h, segundo o Inmet. Institutos que medem o acumulado em outras regiões da cidade afirmam que o valor é ainda maior.
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), por exemplo, o acumulado de chuvas ontem chegou aos 74,2 mm no Rio Anhaduí, na região do Aero Rancho.
Já o meteorologista Natálio Abrahão, da Uniderp, afirma que o total de chuva foi de 137,9 mm na região do Bairro Carandá Bosque e do Shopping Campo Grande.
Todo esse acumulado resultou em diversas ruas alagadas e muito estrago.
IMPACTOS DA CHUVA
Entre os alagamentos estava a Avenida Rachid Neder, que é considerada um ponto crítico sempre que chove na Capital.
Na Av. Euler de Azevedo, próximo à Av. Rachid Neder, a água do córrego tomou a avenida ontem - Foto: Gerson Oliveira / Correio do EstadoNa região, o Córrego Segredo transbordou e a avenida virou um rio, com a água invadindo um grande trecho da via.
Na região da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), próximo ao ginásio Moreninho e da Rotatória da Coca-Cola, o Córrego Bandeira transbordou, deixando parte da rua intransitável. O Bandeira é um dos córregos que formam e abastecem o Lago do Amor, que também transbordou ontem.
Considerado ponto crítico, o transbordamento do Lago do Amor causou alagamento na Avenida Filinto Muller. Alguns motoristas se arriscaram a passar pelo trecho, tiveram problemas e carros afogaram no meio da via.
Outro lago que transbordou foi o do Parque das Nações Indígenas. Na região, a Avenida Nelly Martins, conhecida como Via Park, ficou intransitável durante a tarde de ontem.
As Avenidas Gunter Hans e Guaicurus também registraram pontos de alagamento. Alguns carros chegaram a ficar ilhados.
Na Avenida Ernesto Geisel, o Córrego Segredo e o Rio Anhanduí subiram muito o nível, mas não chegaram a transbordar até a tarde de ontem.
Relatos feitos nas redes sociais mostraram ainda que houve alagamento em trechos da Avenida Calógeras, ruas dos Bairros Jardim Centro Oeste, Caiobá, Jardim Canguru, Los Angeles, Aero Rancho, entre outros diversos pontos da Capital.
O temporal já estava previsto para Campo Grande, conforme divulgado pela Coordenadoria de Proteção e Defesa Civil Municipal, que emitiu um alerta na quarta-feira para possibilidade de chuvas fortes, associadas a ventos intensos e granizo.
PREVISÃO
De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), ainda há previsão de chuvas para hoje, em decorrência da atuação de uma frente fria, associada à formação de um ciclone extratropical sobre o oceano Atlântico.
As chances de chuva são maiores nas regiões norte, nordeste e leste do Estado, onde podem ocorrer chuvas mais intensas com acumulados significativos, além de tempestades acompanhadas de raios e rajadas de vento pontuais.