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FREE FLOW

Edital da Rota da Celulose prevê alta inadimplência com pedágio

A estimativa é de que os usuários das BRs 262 e 267 e da MS-040 se adaptem ao sistema free flow, isto é, sem cancelas, apenas no quarto ano da concessão

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O governo de Mato Grosso do Sul prevê uma alta inadimplência de veículos nos primeiros anos da concessão da Rota da Celulose, em função do sistema free flow, em que não há cancelas para o pagamento de pedágios, mas sim pórticos que fazem a cobrança dos valores por meio de tags de arrecadadoras parceiras da concessionária.

A inadimplência só deve cessar, conforme as previsões do Escritório de Parcerias Estratégicas (EPE) do governo de Mato Grosso do Sul, em 2030. 

Para resolver essa problemática, a administração estadual vai repassar 75% do valor das infrações graves por fuga de pedágio na rodovia para a conta centralizadora, que terá como capital inicial os R$ 47 milhões que a concessionária pagará como outorga ao governo. 

A expectativa do EPE é de que no primeiro ano o saldo de multas por inadimplência atinja R$ 80 milhões nos 12 pórticos que serão instalados nas BRs 262 e 267 e nas estradas estaduais MS-040 e MS-338.

Esse valor deve cair gradativamente até 2030, quando deve se estabilizar em R$ 30 milhões – uma projeção realizada com base no valor atual da multa grave, que é de R$ 195,23.

A conta centralizadora, que receberá o recurso das multas e mais as outorgas fixa e variável da rodovia, é um mecanismo encontrado pelo governo do Estado para mitigar os riscos do concessionário.

Os inadimplentes do sistema free flow serão cobrados pelo Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso do Sul (Detran-MS), por meio de multa. A modelagem econômico-financeira do contrato prevê que a conta centralizadora fique com 75% do valor da multa grave por fuga de pedágio.

Atualmente, esse tipo de infração obriga o proprietário do veículo a pagar R$ 195,23. A conta centralizadora ficará com R$ 145,47 de cada veículo que furar o pedágio.

“Estima-se que uma taxa de pagamento das multas de 20% é suficiente para manter e superar o valor mínimo de R$ 47 milhões da conta centralizadora”, afirmou o EPE na modelagem econômico-financeira da Rota da Celulose entregue ao mercado.

No mês passado, em entrevista ao Correio do Estado, o governador Eduardo Riedel explicou como funcionaria o mecanismo de mitigação de riscos.

“O que nós inovamos é que existe por parte do governo a decisão de compartilhar parte desse risco. Isso quer dizer que, se houver algum problema de demanda, ou seja, se o tráfego diminuir e comprometer o resultado para a empresa, o governo vai participar disso, vai ter de pôr dinheiro para cobrir esse deficit”, esclareceu. 

“Por outro lado, se houver um aumento de demanda e o resultado for acima da expectativa, o governo também vai participar do resultado positivo. E a gente acredita no nosso estado. Por isso, fizemos dessa maneira, por termos a absoluta convicção de que nós estamos em uma trajetória de crescimento e de que o governo vai ser partícipe do risco do projeto. E o mercado recebeu isso muito bem, porque dá uma tranquilidade em relação aos riscos de qualquer projeto de longo prazo em infraestrutura com um montante como esse”, acrescentou.

ROTA DA CELULOSE

A Rota da Celulose é o conjunto de três eixos viários que ligam MS ao estado de São Paulo e tem como principais rodovias as BRs 262 e 267, a MS-040 e a MS-338.

A expectativa do governo é de que, já no segundo ano de contrato de concessão, a conta centralizadora quase dobre o seu saldo, que partirá dos R$ 47 milhões da outorga e poderá chegar a R$ 80,6 milhões.

A rodovia terá R$ 6,9 bilhões em investimentos para ampliação de estrutura (capex) e mais R$ 3,6 bilhões em investimentos operacionais.

Há a previsão de duplicar alguns trechos, como o compreendido entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, entre Bataguassu e o Rio Paraná e nas imediações de Três Lagoas.

Na BR-262, estão previstos pórticos free flow nos municípios de Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas. Já na MS-040 haverá pórticos de cobrança na Capital e nas cidades de Ribas e Santa Rita do Pardo. O município de Santa Rita do Pardo também terá outro pórtico, na MS-338, via que liga a MS-040 à BR-267, em Bataguassu.

Na BR-267, estão previstos dois pórticos em Bataguassu, um próximo ao Rio Paraná e outro adiante, no sentido interior do Estado; um em Nova Andradina, perto do distrito de Nova Casa Verde; e um em Nova Alvorada do Sul, perto do entroncamento com a BR-163.

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Senado aprova criação de 794 cargos e funções no TSE e TREs com impacto anual de R$ 109 milhões

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas

25/03/2026 22h00

Crédito: Wilson Dias / Agência Brasil

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O Senado aprovou nesta quarta-feira, 25, o Projeto de Lei 4/2024, que cria 794 cargos e funções comissionadas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e em Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). De autoria do próprio TSE, o texto segue para sanção e tem impacto estimado de R$ 109,3 milhões por ano.

Estão previstos 85 postos no TSE, além de cargos e funções para 27 unidades federativas. O TRE do Distrito Federal receberá o maior número de postos (117), seguido de Bahia (30).

Ao todo, considerando TSE e TREs, os postos serão distribuídos da seguinte forma:

  • 232 cargos de analista judiciário;
  • 242 cargos de técnico judiciário;
  • 75 cargos em comissão;
  • 245 funções comissionadas.

O projeto determina que os custos serão pagos pelo orçamento já destinado ao TSE e aos TREs e que o valor só pode entrar em vigor se houver autorização na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA).

O TSE alegou que a ampliação do quadro de pessoal é necessária pelo crescimento contínuo do eleitorado, do número de candidaturas e de processos judiciais e extrajudiciais em cada eleição. O Tribunal também argumentou haver "crescentes demandas relacionadas à segurança das urnas, ao combate à desinformação, ao cumprimento de normas do Conselho Nacional de Justiça e à manutenção da qualidade dos serviços prestados à sociedade".

Durante a votação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), defendeu a proposta: "[Reconhecer] O momento mais importante da democracia, que são as eleições [...] Estamos fazendo com coerência o que deveríamos ter feito", declarou o parlamentar.
 

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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