Cidades

ENTREVISTA

"Educação é sinônimo de desenvolvimento. É tudo. Não tem outro caminho"

Secretário-adjunto Sérgio Gonçalves fala sobre expansão da Rede Estadual de Ensino, reformas de escolas, qualificação de novos polos econômicos e programas que aproximam gestão e comunidade

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A frase, dita com convicção pelo secretário-adjunto de Educação de Mato Grosso do Sul, Sérgio Luiz Gonçalves, resume a visão que tem guiado sua atuação no governo estadual.

Com longa trajetória na gestão pública, passando por Caravana da Saúde, articulação política e administrativa e Secretaria de Fazenda, ele chegou à Secretaria de Estado de Educação com a missão de fortalecer a estrutura da Rede Estadual de Ensino (REE) e aprimorar a gestão de recursos num momento em que o Estado vive expansão econômica e aumento da demanda por qualificação.

Sérgio Gonçalves tem percorrido escolas em todas as regiões do Estado para compreender o cotidiano de professores, servidores e estudantes. Nessas visitas, cobra eficiência, dialoga com equipes e acelera soluções, buscando reduzir a distância entre o gabinete e a realidade escolar.

Para ele, o papel da gestão pública na educação vai além de construir prédios ou comprar equipamentos: envolve criar condições para que cada aluno tenha acesso a um ambiente adequado de aprendizagem.

Em um cenário de grandes investimentos privados e de crescimento populacional em polos industriais, como Ribas do Rio Pardo, o desafio da educação se multiplica.

Novas escolas, reformas estruturais, programas sociais voltados a mulheres e adultos e estratégias de qualificação são parte de um pacote de ações que se tornam fundamentais para preparar Mato Grosso do Sul para o futuro.

E, como reforça o secretário-adjunto, esse futuro só será possível com uma base clara e inegociável: a educação.

Sérgio, em primeiro lugar, gostaria que você falasse sobre sua trajetória na administração pública.

Eu entrei para o governo de Mato Grosso do Sul em 2015, no primeiro mandato de Reinaldo Azambuja. Na época, o Estado tinha uma deficiência muito grande no setor da saúde e estávamos buscando uma maneira de resolver esse problema.

Foi então que encontramos a Caravana da Saúde como uma das soluções, e eu fui um dos coordenadores da caravana, com o doutor Marcelo Henrique Mello. Ele cuidava da parte hospitalar, e eu, de toda a estruturação do projeto, para administrar tudo.

A Caravana da Saúde foi um acontecimento muito interessante, porque envolveu a sociedade civil na época. Era algo novo. Até casamento nós fizemos.

Depois da Caravana da Saúde, o governador Reinaldo Azambuja sentiu a necessidade de colocar um assessor a mais para auxiliar o então secretário de Governo e Gestão Estratégica Eduardo Riedel. Então, eu fiquei mais dois anos ajudando dentro do gabinete nas demandas dele.

Ao fim do primeiro mandato do Reinaldo Azambuja, fui para a Comunicação, onde fiquei quatro anos e acredito que fiz um bom trabalho.

E então veio o governo de Eduardo Riedel...

Nessa transição dos mandatos de Reinaldo Azambuja para Eduardo Riedel, eu fui para a Secretaria de Fazenda, para ajudar o secretário Flávio César.

Já era uma preparação para o mandato atual. Foi um grande desafio entender como funciona a secretaria e também como fazer com que o dinheiro público fosse melhor usado. É um desafio, porque as demandas sempre são muito grandes.

Por fim, mais recentemente, vim para a secretaria executiva da Secretaria de Estado de Educação.

Você sempre foi conhecido por fazer pontes e cultivar bons relacionamentos, sobretudo na gestão pública, onde há burocracia, metas... Como é esse trabalho?

Agora você me surpreendeu. Eu nunca tinha visto por esse prisma, mas construir pontes é saber lidar com pessoas. É algo que o governo tem de fazer. Acredito que temos de dar o nosso melhor, atender às necessidades, ainda que nem sempre seja possível atender todos.

Temos de saber falar de uma maneira em que a pessoa não se sinta excluída do processo. É dessa forma que acredito que um relacionamento se cria.

É por isso que, dentro da administração pública, eu consigo transitar bem, e também por isso saí da Secretaria de Fazenda e fui ser secretário-adjunto de Educação.

E como você tem recebido essa missão? Tem aprendido muito na Educação?

Acredito que está ocorrendo uma boa transformação. A Educação já vinha com bons índices no governo Reinaldo Azambuja, mas precisávamos de ainda mais no setor.

Como eu sou formado em Administração e o nosso secretário, professor Hélio [Daher], domina toda a área pedagógica e é uma pessoa excelente de se trabalhar , entendo que estamos em um momento muito bom.

A minha missão é essa: cuidar da administração e do financeiro da Educação.

Assim que você chegou à secretaria, visitou algumas escolas em todo o Estado. Como foi a experiência?

Temos, hoje, 352 escolas em Mato Grosso do Sul, e eu já visitei mais de 100, principalmente no interior. Eu quis ver de perto a realidade do professor, do pessoal da secretaria, do aluno.

Verifiquei se o ar-condicionado funciona, se os banheiros estão limpos, se o aluno está bem atendido, se a mãe ou o pai são bem recebidos quando chegam à secretaria, provei a merenda que é oferecida.

Foi uma experiência fantástica, porque eu me misturei com a galera, com os alunos. E, historicamente, essa interação do gabinete com quem está na ponta do serviço é algo que faltava.

E qual foi o feedback?

Nessas visitas, conseguimos resolver problemas de forma muito mais fácil. Em primeiro lugar, porque chegamos à escola com toda a estrutura de governo e, em segundo, porque quando estamos in loco é mais fácil ver o que está acontecendo com os técnicos de maneira muito mais rápida e com menos burocracia.

Vemos o problema, resolvemos, e o assunto é encerrado.

O Estado vive aumento na demanda por qualificação em cidades que recebem grandes investimentos, como no Vale da Celulose e em polos da agroindústria. Qual tem sido a resposta da Educação?

Quando a gente tem grandes investimentos, gente qualificada, vem muito mais gente boa. Os investimentos estão chegando, e realmente é um grande desafio. Como diz o nosso governador, Eduardo Riedel, é a "dor do crescimento".

A notícia boa é que, na Educação, temos acompanhado esse aumento de demanda. Vamos inaugurar, agora em 2026, escolas em cidades que receberam investimentos, como Ribas do Rio Pardo, e há projetos para outras localidades.

Neste ano, entregamos outras três novas escolas, uma delas em Campo Grande. E mais: temos um trabalho que considero fantástico, que é o EJA [Educação de Jovens e Adultos] Mulher.

Teria como detalhar esse programa?

É um programa criado pelo governo de Mato Grosso do Sul que atende a mulher e permite que ela leve seu filho para as aulas. Lá, ela tem acesso a recreação e alimentação para seu filho, o que permite que estude no período noturno.

É uma forma de garantir educação a uma mãe que precisa trabalhar e sustentar a família. Isso transforma a vida dessas mulheres, que se tornam muito mais independentes.

Qual é a estrutura do sistema estadual de educação atualmente?

Temos, sem dúvida, a maior rede escolar já reformada do Brasil, proporcionalmente. Atingimos mais de 70% das escolas reformadas. Desde o início do governo de Reinaldo Azambuja, o investimento em reformas já passa de R$ 1,2 bilhão.

As obras são completas, com adequação estrutural da escola por dentro e por fora e novos equipamentos nas salas de aula e nas cozinhas.

No Paraná, há uma parceria público-privada (PPP) para a gestão de escolas. Há plano parecido para MS?

Acreditamos que, nessa parte de gestão e construção, estamos muito bem encaminhados. Para isso acontecer, teríamos de ter um estudo do governo e vontade política e da sociedade. Vejo com bons olhos todo investimento que possa ajudar, mas não há nenhum estudo em andamento.

Há previsão de novos investimentos para 2026?

Temos, sim. Em 2026, temos de construir, no mínimo, cinco novas escolas nesses polos de desenvolvimento.

E quanto custa uma escola hoje?

Uma escola nova custa em torno de R$ 20 milhões. Já uma reforma pode custar de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões, dependendo da estrutura.

E o programa Revitalizando a Educação com Liberdade, em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul?

Aqui, em Campo Grande, o programa está indo muito bem e, recentemente, assinamos para implantá-lo em Dourados. É um programa fantástico, não apenas pela reforma que os detentos entregam, mas porque é uma via de mão dupla: eles são muito bem recebidos pelos alunos, com respeito, o que ajuda na ressocialização. Eles também se sentem bem ajudando uma escola.

É um dos programas de que eles mais gostam, porque é emblemático. Além disso, fica muito mais barato, economiza mão de obra e permite comprar materiais com preços menores. As reformas também ocorrem com mais celeridade. Esperamos ampliar ainda mais esse programa.

Seu nome foi lembrado para a Casa Civil do governo de Eduardo Riedel. Como recebeu essa notícia?

Com naturalidade. Criamos bons relacionamentos. Talvez a ideia tenha surgido pelo trabalho técnico, mais voltado aos projetos do governador Eduardo Riedel. Mas, hoje, nosso secretário da Casa Civil é o Walter Carneiro Júnior, que preenche todos os requisitos técnicos e está muito à frente politicamente.

Quantos alunos a REE atende atualmente?

Hoje estamos com 192 mil estudantes matriculados. Para 2026, já abrimos vagas para chegar a 200 mil.

Como funciona o calendário de matrícula e transferência?

Para alunos que já estão na rede, as matrículas e transferências seguem abertas até o dia 22 de dezembro. Para novos alunos, o prazo vai até 30 de dezembro.

O processo é presencial ou on-line?

Totalmente on-line. O sistema permite que o responsável escolha três opções de escolas. Nossa equipe avalia o endereço e direciona para a mais próxima, sempre respeitando as escolhas.

O senhor costuma dizer que educação é a base de tudo. O que isso significa?

Educação é desenvolvimento. É tudo. Não tem outro caminho. Pode parecer um jargão repetido, mas é verdade. Sem educação de qualidade, não há progresso possível. Qualquer avanço econômico ou social começa pela educação e termina nela.

*PERFIL

Sérgio Luiz Gonçalves

Secretário-adjunto de Educação, Sérgio Luiz Gonçalves é formado em Administração pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e tem histórico de serviços prestados na administração pública e na sociedade civil, tendo atuado na Associação dos Prefeitos do Estado de Mato Grosso do Sul (Assomasul) e no governo de MS, como coordenador da Caravana da Saúde e secretário-executivo de várias pastas, como as Secretarias de Governo, de Fazenda e, agora, de Educação.

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ANUÁRIO

Crescem registros de racismo e violência contra pessoas LGBTQIAPN+ em MS

Casos podem ser ainda maiores, considerando que muitos casos não são denunciados ou não há computação da orientação sexual de vítimas

23/07/2026 18h45

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

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Os registros de crimes de racismo, injúria racial e violência contra pessoas LGBTQIAPN+ aumentaram em Mato Grosso do Sul entre 2024 e 2025, segundo a nova edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.    

Com relação aos casos de injúria racial, foram 179 registros no ano passado, contra 155 em 2024, variação de 14,6%. Já os casos de racismo, foram 199 em 2024 e 209 em 2025, aumento de 4,2%.

A injúria racial consiste em ofender a honra de alguém se valendo de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, enquanto o crime de racismo atinge uma coletividade indeterminada de indivíduos, discriminando toda a integralidade de uma raça.

Dentre os estados, considerando os casos de injúria racial para cada 100 mil habitantes, Distrito Federal (28,9), Santa Catarina (27,1) e Mato Grosso (20,6) apresentaram as maiores taxas.

Quanto às ocorrências de racismo, Santa Catarina liderou os registros, computando 32,8 a cada 100 mil habitantes, seguido por Distrito Federal e Rio Grande do Sul, respectivamente com taxas de 30,3 e 26,8.

Violência contra pessoas LGBTQIAPN+

O Anuário registrou queda dos casos de racismo motivados por homofobia ou transfobia no Estado. Entre 2024 e 2025, esse tipo de ocorrência caiu -62,5%, passando de 16 para seis registros entre um ano e outro.

Também houve redução nos casos de estupro de pessoas LGBTQIAPN+, passando de 54 para 50.

No entanto, houve aumento em outros tipos de violência contra esta população. Os casos de lesão corporal dolosa saltaram de 368 para 407, crescimento de 10,6%. Cinco pessoas foram assassinadas no ano passado, contra três em 2024.

"É importante considerar que muitas agressões contra pessoas LGBTs não se explicam só pela manifestação do ódio individual. Pelo contrário, elas são sustentadas por normas sociais que exigem conformidade a um só padrão cisheteronormativo, isto é, que impõe a cisgeneridade e a heterossexualidade como norma, e punem, sistematicamente, a diferença", diz análise do anuário.

A pulbicação ressalta ainda que os números podem ser bem maiores, pois há estados que não especificam a identidade de gênero ou a orientação sexual de vítimas de homicídio nos registros de ocorrência.

Segurança Pública

Número de armas legais em MS cresce 240% e supera 40 mil registros

Levantamento aponta que estoque de armas registradas na Polícia Federal mais que triplicou em oito anos; Estado ocupa a 10ª posição no ranking nacional.

23/07/2026 18h29

Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 40.899 armas registradas, crescimento de 240% em relação a 2017, aponta levantamento nacional.

Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 40.899 armas registradas, crescimento de 240% em relação a 2017, aponta levantamento nacional. Foto: Divulgação

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O mercado legal de armas de fogo em Mato Grosso do Sul mais que triplicou nos últimos oito anos e atingiu o maior patamar da série histórica. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelam que o Estado passou de 12.023 armas com registro ativo em 2017 para 40.899 em 2025, um crescimento de 240,2% no período.

Somente no último ano, o estoque de armamentos legalizados aumentou 3%, consolidando a tendência de expansão observada desde a flexibilização das regras para aquisição de armas no país.

O levantamento considera os registros ativos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), administrado pela Polícia Federal, e contempla armas pertencentes a cidadãos, empresas e instituições autorizadas.

Os números demonstram que, embora o ritmo de crescimento tenha desacelerado em relação aos anos anteriores, Mato Grosso do Sul continua ampliando o número de armamentos legalizados em circulação.

A evolução é expressiva. Em 2018, o Estado contabilizava 12.575 registros ativos. No ano seguinte, esse número saltou para 16.217. Em 2020, alcançou 19.177. Já em 2021, ultrapassou pela primeira vez a marca de 24 mil armas registradas.

Após relativa estabilidade em 2022, quando foram contabilizadas 24.799 armas, o estoque voltou a crescer de forma acelerada em 2023, chegando a 37.989 registros. Em 2024, o total subiu para 39.694 e, em 2025, atingiu 40.899 armas legalizadas.

Mato Grosso do Sul fechou 2025 com 40.899 armas registradas, crescimento de 240% em relação a 2017, aponta levantamento nacional.
Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Embora o aumento dos registros não signifique, necessariamente, maior violência, a ampliação do número de armas exige fiscalização constante.

Isso porque armamentos adquiridos legalmente podem acabar desviados para organizações criminosas por meio de furtos, roubos, comércio clandestino ou utilização irregular pelos proprietários.

Quais armas predominam em MS

O perfil do arsenal legal em Mato Grosso do Sul mostra predominância das pistolas e revólveres, que concentram a maior parte dos registros ativos no Sistema Nacional de Armas (Sinarm).

Entre as pessoas físicas, há 29.216 pistolas e revólveres, além de 11.048 espingardas e 11.273 rifles, fuzis e carabinas.

Já entre as pessoas jurídicas, destacam-se 6.027 pistolas, 3.655 revólveres, 445 espingardas, 392 rifles, fuzis e carabinas e 100 metralhadoras ou submetralhadoras registradas.

Os dados evidenciam que as armas curtas continuam predominando no mercado legal sul-mato-grossense, enquanto as armas longas mantêm presença significativa, principalmente em atividades rurais, na segurança privada e em instituições autorizadas.

MS no ranking nacional de armas

Na comparação entre os estados, Minas Gerais concentra o maior número de armas de fogo com registro ativo no Sistema Nacional de Armas (Sinarm), com 185.619 registros em 2025. Na sequência aparecem São Paulo (149.562), Goiás (100.589) e Mato Grosso (79.808).

Ranking dos estados com mais armas registradas (2025)

  • 1º Minas Gerais -185.619
  • 2º São Paulo - 149.562
  • 3º Goiás - 100.589
  • 4º Mato Grosso - 79.808
  • Rio Grande do Sul - 58.251
  • 6º Paraná - 57.645
  • 7º Santa Catarina - 56.956
  • 8º Bahia - 54.370
  • 9º Rio de Janeiro - 49.169
  • 10º Mato Grosso do Sul - 40.899

Com 40.899 armas registradas, Mato Grosso do Sul ocupa a 10ª posição no ranking nacional e supera estados como Pernambuco (14.332), Piauí (7.849), Rio Grande do Norte (7.814), Tocantins (6.207), Sergipe (5.230) e Roraima (5.061), este último com o menor estoque de armas registradas do país.

Apesar de possuir uma população inferior à dos principais estados brasileiros, Mato Grosso do Sul mantém um número expressivo de armamentos legalizados.

O resultado reflete características próprias do Estado, como a forte presença do agronegócio, a ampla área rural e a extensa faixa de fronteira com Paraguai e Bolívia, fatores que influenciam tanto a demanda por armas quanto os desafios para o controle e a fiscalização.

O papel dos CACs na expansão do mercado de armas

Parte desse crescimento está diretamente relacionada ao universo dos Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs). Nos últimos anos, a flexibilização das regras para aquisição de armas impulsionou a expansão dessa categoria e elevou significativamente seus acervos.

O ano de 2025 marcou uma mudança importante na política de controle de armas no Brasil. Desde 1º de julho, a Polícia Federal passou a ser responsável pelo registro, controle e fiscalização das atividades dos CACs, função que até então era exercida pelo Exército Brasileiro.

A transferência de competência, prevista no Decreto nº 11.615/2023, ocorreu após um período de transição entre as duas instituições e colocou sob gestão da PF um universo de 1.064.959 pessoas com Certificado de Registro de CAC em todo o país, segmento que registrou forte expansão durante os anos de flexibilização do acesso às armas.

O debate ganha contornos ainda mais relevantes em Mato Grosso do Sul devido à posição geográfica estratégica do Estado.

Com mais de 1.500 quilômetros de fronteira seca com Paraguai e Bolívia, a região é considerada uma das principais rotas de entrada de armas, munições e drogas no território nacional.

Operações da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Civil e das forças estaduais frequentemente interceptam carregamentos destinados a abastecer facções criminosas em diferentes estados brasileiros.

Menos armas apreendidas

Apesar da expansão do mercado legal de armas, outro indicador do Anuário aponta movimento contrário. As apreensões realizadas pelas forças estaduais de segurança diminuíram em Mato Grosso do Sul.

Em 2024, foram apreendidas 591 armas de fogo. No ano seguinte, esse número caiu para 559, redução de 5,4%. A taxa estadual passou de 12,7 para 12 armas apreendidas por 100 mil habitantes.

A redução nas apreensões não permite concluir, por si só, que há menos armas ilegais circulando. O indicador pode refletir mudanças na estratégia das organizações criminosas, alterações no perfil das operações policiais ou oscilações nas ações de fiscalização.

Por isso, os dados prcisam ser analisados em conjunto com outros indicadores, como homicídios, roubos, tráfico de armas e atuação das facções criminosas.

Brasil

Em âmbito nacional, o Anuário mostra que o Brasil possui cerca de 1,6 milhão de armas de fogo com registros ativos no Sinarm.

O levantamento também chama atenção para a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de controle e rastreabilidade do armamento legal, especialmente em estados de fronteira como Mato Grosso do Sul, onde o combate ao tráfico internacional de armas representa um dos maiores desafios para as forças de segurança.

Para pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o fortalecimento da fiscalização sobre armas legalizadas, aliado ao combate às rotas internacionais de contrabando, continua sendo uma das principais estratégias para reduzir o abastecimento do mercado ilegal e limitar o acesso de organizações criminosas a armamentos de alto poder de fogo.

Mais do que revelar um aumento expressivo no número de armas registradas, o levantamento coloca em evidência um dos principais desafios da segurança pública em Mato Grosso do Sul: conciliar o direito à posse legal de armamentos com mecanismos eficientes de controle e fiscalização.

Em um estado que faz fronteira com dois dos principais corredores do tráfico internacional, manter o monitoramento permanente do arsenal legal é uma das estratégias para evitar desvios e dificultar o fortalecimento do crime organizado.

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