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El Niño trouxe muita chuva e poucos incêndios para Mato Grosso do Sul

Até agora Estado teve 923 focos de calor, o menor número já registrado, e um acumulado de precipitação superior ao esperado

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Prevendo muito calor e uma incidência maior de incêndios florestais, o governo de Mato Grosso do Sul decretou, no início de junho, emergência ambiental, prevendo que a chegada do super-El Niño poderia trazer “eventos extremos associados à estiagem, altas temperaturas, baixa umidade do ar e ventos intensos”. Porém, o que realmente aconteceu foi o contrário, eventos extremos associados a um volume de chuva muito superior ao esperado.

Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), o acumulado de chuvas já está próximo dos 300 milímetros em algumas regiões, isso contabilizando apenas os 15 primeiros dias deste mês.

São 272,8 mm no Rio Anhanduí, no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 238,2 mm no Jardim Panamá, 235 mm na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Aparecida Gonçalves Saraiva e 221,6 mm na estação Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que fica na Embrapa. 

“A primeira quinzena de outubro de 2026 se destacou pelo predomínio de chuvas expressivas e acima da média climatológica na maior parte do estado de Mato Grosso do Sul. Contudo, observou-se também uma variação na distribuição espacial e nos volumes acumulados, com episódios de precipitação pontualmente intensos”, afirma o Cemtec-MS.

“A ocorrência de volumes elevados concentrados em curtos períodos reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas, da capacidade de infiltração do solo e da gestão dos recursos hídricos”, segue a nota do Cemtec-MS.

Para se ter uma ideia, os 272,8 mm acumulados na região do Rio Anhanduí, no Aero Rancho, representam 81% acima do volume esperado para os 31 dias de outubro, que é de 150,6 mm.

Além de Campo Grande, outros municípios também tiveram um acumulado muito superior ao esperado para o mês. 

De acordo com o Cemtec-MS, os maiores volumes foram registrados em Itaquiraí (297,8 mm), Paraíso das Águas – Fazenda Ranchinho (294,6 mm), Dourados (290,4 mm), Amambai – Novo Horizonte (281,6 mm), Maracaju (281,2 mm) e Campo Grande (272,8 mm). 

“Em diversas localidades, os totais pluviométricos superaram significativamente a média histórica esperada para todo o mês de outubro, com destaques para Corumbá – Fazenda São Cândido (154%), Corumbá – área urbana (130%), Paraíso das Águas – Fazenda Ranchinho (117%), Caracol – Fazenda Ouro e Prata (109%) e Maracaju (95%)”, traz nota do Cemtec-MS.

Esses acumulados têm refletido também nos rios de Mato Grosso do Sul, alguns já em estado de alerta, como o Rio Taquari, e outros muito próximos do nível de emergência, como o Rio Miranda.

Apesar de as fortes chuvas terem atingido quase todo Mato Grosso do Sul, “nas poucas áreas do Estado que ainda apresentam deficit pluviométrico relativo, como em municípios das regiões norte e nordeste, a menor frequência das chuvas mantém a necessidade de atenção quanto aos níveis de umidade do solo e ao risco de incêndios florestais”.

O deficit de chuvas foi registrado em Paranaíba (46%), Sonora (34%), Porto Murtinho – Fazenda São Luís (21%) e Camapuã (15%), “onde a menor ocorrência de precipitação ainda requer atenção quanto aos níveis de umidade do solo e ao risco de incêndios florestais”, alerta o Cemtec-MS.

Segundo os meteorologistas do Cemtec-MS, as chuvas acima da média já eram uma tendência prevista para este mês, em razão da atuação de alta intensidade do El Niño no segundo semestre deste ano.

“A atuação de um evento El Niño de intensidade muito forte (cerca de 98% de probabilidade) atua como potencializadora desses fenômenos extremos ao interagir com os sistemas regionais. Esse cenário eleva a severidade das tempestades e o risco de incêndios florestais”, diz trecho do prognóstico de primavera do Cemtec-MS.

INCÊNDIOS

Sobre os incêndios, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que este ano, até esta sexta-feira, Mato Grosso do Sul havia registrado apenas 923 focos de calor. Esse número é muito inferior aos 1.677 focos de 2025, registrados de janeiro a setembro. 

O ano passado, inclusive, foi o que menos registrou focos de calor, até agora, desde quando começou o levantamento do Inpe, em 1998, porém, se este ano continuar neste ritmo, há chances a marca ser quebrada. Neste mês, até sexta-feira, apenas três focos foram contabilizados.

CALOR

Outra marca de outubro que não tem correspondido aos dados históricos é referente ao calor. Historicamente, este é o mês mais quente do ano, porém, até agora, o dia 8 foi o mais quente registrado, quando os termômetros marcaram 34,8°C em Campo Grande, de acordo com o Inmet.

Essa não é sequer a maior temperatura já registrada no ano, marca que até agora é do dia 27 de setembro, quando a Capital registrou 37,8°C.

* Saiba 

Após a chuva de mais de 70 mm de quinta-feira, esta sexta-feira foi de limpeza em várias regiões de Campo Grande onde a água subiu muito. A prefeitura da Capital fez um mutirão para limpar a sujeira deixada pela chuva.

Sustentabilidade

Campo Grande ganha nova loja feita com 1 tonelada de plástico reciclado

Nova unidade do O Boticário no Jardim Centro-Oeste utiliza materiais reciclados na construção e oferece ponto de coleta de embalagens de cosméticos de qualquer marca.

17/10/2026 09h22

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Embalagens e outros resíduos plásticos que poderiam acabar descartados ganham uma nova finalidade em Campo Grande. Aproximadamente uma tonelada de plástico reciclado foi utilizada na construção da quarta loja sustentável do O Boticário na Capital, instalada na Avenida dos Cafezais, no Jardim Centro-Oeste.

A inauguração foi programada para sexta-feira (16), ampliando a presença de estabelecimentos que utilizam materiais reaproveitados na própria estrutura.

A unidade integra um projeto da rede de cosméticos que transforma resíduos plásticos pós-consumo em componentes empregados na construção de espaços comerciais.

A proposta combina a reutilização desses materiais com soluções destinadas a melhorar o conforto térmico e reduzir a necessidade de consumo de energia elétrica.

Parte do plástico utilizado na estrutura vem dos próprios programas de reciclagem do Grupo Boticário, responsáveis por receber embalagens e outros resíduos que podem retornar à cadeia produtiva.

Além da característica ambiental, a construção apresenta diferenças em relação aos modelos convencionais. Segundo informações divulgadas pela empresa, a estrutura é 50% mais leve que os contêineres tradicionais e apresenta desempenho térmico 40% superior. 

Na prática, a tecnologia busca manter condições mais confortáveis no interior do estabelecimento, reduzindo a necessidade de climatização artificial, especialmente em períodos de temperaturas elevadas.

Uma tonelada de plástico ganha nova utilidade

O conceito de lojas sustentáveis foi lançado pelo O Boticário em 2020, com a proposta de incorporar materiais reciclados à construção de unidades comerciais.

As outras três unidades ficam no Assaí Atacadista, na Avenida Duque de Caxias, e nos Atacadões das avenidas Cônsul Assaf Trad e Costa e Silva.

Desde então, a marca passou a adotar um modelo que utiliza, em média, uma tonelada de plástico reciclado por estabelecimento, aproveitando resíduos que já passaram pelo consumo e podem ser transformados em matéria-prima.

A quarta unidade de Campo Grande segue esse padrão e amplia a aplicação do conceito na Capital sul-mato-grossense.

A iniciativa também representa uma alternativa para o aproveitamento de resíduos no setor comercial, ao empregar materiais reciclados em estruturas que tradicionalmente dependem de outros insumos de construção.

O modelo está associado ao conceito de economia circular, que procura prolongar a utilização dos materiais e reduzir a quantidade de resíduos encaminhados para descarte.

Com isso, materiais que já cumpriram sua finalidade inicial podem retornar ao processo produtivo e assumir novas funções, como a composição de estruturas comerciais.

Nova loja também receberá embalagens usadas

A participação dos consumidores no reaproveitamento dos materiais não ficará restrita à construção da unidade.

O estabelecimento terá um ponto permanente de coleta do BotiRecicla, programa do Grupo Boticário que recebe embalagens vazias de cosméticos para destinação adequada.

Um dos diferenciais é que o descarte não está limitado aos produtos vendidos pela rede. Embalagens de cosméticos de outras marcas também poderão ser entregues no local.

A proposta é ampliar as possibilidades de descarte correto desses materiais e estimular a participação dos consumidores na reciclagem, evitando que embalagens reaproveitáveis sejam misturadas ao lixo comum.

Dessa maneira, além de funcionar como ponto de venda de produtos de beleza e cuidados pessoais, o estabelecimento passa a oferecer um serviço de recebimento de resíduos.

O espaço de coleta permanente também permite que moradores da região utilizem a estrutura ao longo do funcionamento da unidade, sem depender exclusivamente de campanhas pontuais de arrecadação.

Onde fica a nova loja do Boticário?

A quarta loja sustentável da marca em Campo Grande está localizada na Avenida dos Cafezais, nº 1, no Jardim Centro-Oeste. A inauguração aconteceu ontem, sexta-feira (16).

Entre as ações preparadas para a abertura estavam a distribuição de girassóis, ecobags e atividades promocionais voltadas aos visitantes.

Com a nova unidade, Campo Grande passa a contar com quatro estabelecimentos da marca dentro do modelo sustentável, que reúne utilização de plástico reciclado, soluções construtivas voltadas ao conforto térmico e incentivo à coleta de embalagens usadas.

Memória Industrial

Livro sobre industrialização de MS poderá captar R$ 588 mil pela Lei Rouanet

Projeto apresentado por empresa de Campo Grande prevê publicação de 180 páginas, mil exemplares, versão digital gratuita e palestras sobre a transformação industrial do Estado

17/10/2026 08h42

Complexo industrial ilustra o avanço da industrialização em Mato Grosso do Sul, que será tema de livro autorizado a captar R$ 588 mil pela Lei Rouanet.

Complexo industrial ilustra o avanço da industrialização em Mato Grosso do Sul, que será tema de livro autorizado a captar R$ 588 mil pela Lei Rouanet. Foto: Divulgação Suzano

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Um projeto cultural destinado a contar a história da industrialização de Mato Grosso do Sul, desde a criação do Estado, em 1977, até os dias atuais, recebeu autorização do Ministério da Cultura para captar até R$ 588,3 mil por meio da Lei Rouanet. A iniciativa prevê a produção de um livro de 180 páginas, com tiragem de mil exemplares, além de uma versão digital gratuita e atividades culturais abertas à população.

A autorização foi publicada nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial da União (DOU), por meio da Portaria Sefic/MinC nº 702, de 15 de outubro de 2026, assinada pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.

O projeto, denominado "Made in Mato Grosso do Sul - Como a industrialização transformou o Estado", foi apresentado pela empresa Paulo Renato Coelho Netto Conteúdo Cultural Ltda., sediada em Campo Grande, e está registrado no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

Paulo Renato Coelho Netto é jornalista e escritor, com experiência na produção de obras dedicadas à história e à memória de Mato Grosso do Sul. Ele também é responsável pela empresa que apresentou o projeto cultural ao Ministério da Cultura.

Conforme a publicação federal, a proposta foi enquadrada na área de Humanidades e poderá buscar doações e patrocínios entre 16 de outubro e 31 de dezembro de 2026.

O valor autorizado, entretanto, não representa um repasse imediato de dinheiro à empresa responsável. A aprovação permite que os organizadores procurem patrocinadores interessados em financiar a iniciativa por meio dos incentivos fiscais previstos na legislação.

Livro terá 180 páginas e mil exemplares

O principal produto previsto no projeto é um livro dedicado à trajetória da industrialização sul-mato-grossense ao longo de quase cinco décadas.

A proposta pretende reunir pesquisa, documentação e registros históricos sobre as transformações ocorridas desde a divisão de Mato Grosso e a criação de Mato Grosso do Sul, em 1977, até o período atual.

Segundo o resumo apresentado ao Ministério da Cultura, o trabalho busca preservar a memória da industrialização estadual, contribuindo para o registro de uma parte da história econômica e cultural de Mato Grosso do Sul.

A publicação será produzida no formato coffee table book, expressão utilizada para identificar livros de apresentação visual elaborada, geralmente destinados à exposição e à consulta.

Ao todo, o projeto prevê a impressão de mil exemplares, com 180 páginas cada, destinados à publicação da obra.

A iniciativa contempla a produção editorial e a disponibilização dos livros, enquanto informações sobre os critérios de distribuição, eventual comercialização e lançamento não constam no documento publicado.

Projeto também prevê versão digital gratuita

Além da publicação impressa, a proposta inclui a disponibilização de um e-book gratuito com áudio, ampliando as formas de acesso ao conteúdo produzido.

A iniciativa também contempla a realização de palestras culturais gratuitas e presenciais, voltadas à divulgação do conhecimento reunido durante a pesquisa histórica.

Essas atividades fazem parte do conjunto de ações apresentado pelo proponente ao Ministério da Cultura e deverão integrar a execução do projeto, caso sejam atendidas as condições necessárias para sua realização.

O resumo publicado no Diário Oficial não informa quantas palestras serão promovidas, quais municípios poderão recebê-las ou se haverá participação de pesquisadores, historiadores e representantes do setor industrial.

A publicação também não apresenta o orçamento detalhado de cada etapa, como pesquisa, produção editorial, impressão dos exemplares, desenvolvimento da versão digital e organização das atividades presenciais.

Dessa forma, os R$ 588,2 mil representam o valor global autorizado para captação, abrangendo o conjunto das atividades previstas, e não apenas a impressão dos mil livros.

Como funciona a captação pela Lei Rouanet?

Criada pela Lei Federal nº 8.313, de 1991, a Lei Rouanet permite que projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura busquem financiamento junto a pessoas físicas e empresas interessadas em apoiar iniciativas artísticas e culturais.

Pelo mecanismo de incentivo fiscal, os patrocinadores podem destinar parte do Imposto de Renda devido ao financiamento desses projetos, respeitando os limites e as condições estabelecidos pela legislação.

No caso do livro sobre a industrialização de Mato Grosso do Sul, a publicação da portaria significa que a proposta cumpriu os requisitos iniciais de admissibilidade e está autorizada a procurar patrocinadores.

A liberação para captar recursos não significa, portanto, que a empresa já recebeu os R$ 588 mil ou que o governo federal tenha transferido diretamente esse montante.

Para viabilizar a iniciativa, a responsável precisará conseguir o apoio financeiro necessário, seguindo as regras do programa.

Os valores efetivamente captados e sua utilização estão sujeitos aos procedimentos de acompanhamento e prestação de contas estabelecidos pelo Ministério da Cultura.

O prazo inicialmente autorizado para a busca de patrocínios termina em 31 de dezembro de 2026.

Até a publicação do ato, não foram divulgados no documento os nomes de possíveis patrocinadores, o montante eventualmente já captado nem um cronograma definitivo de produção e lançamento da obra.

A proposta passa, assim, à etapa de obtenção dos recursos necessários para transformar o projeto editorial em uma publicação dedicada à história industrial de Mato Grosso do Sul.

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