Prevendo muito calor e uma incidência maior de incêndios florestais, o governo de Mato Grosso do Sul decretou, no início de junho, emergência ambiental, prevendo que a chegada do super-El Niño poderia trazer “eventos extremos associados à estiagem, altas temperaturas, baixa umidade do ar e ventos intensos”. Porém, o que realmente aconteceu foi o contrário, eventos extremos associados a um volume de chuva muito superior ao esperado.
Segundo dados do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec-MS), o acumulado de chuvas já está próximo dos 300 milímetros em algumas regiões, isso contabilizando apenas os 15 primeiros dias deste mês.
São 272,8 mm no Rio Anhanduí, no Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), 238,2 mm no Jardim Panamá, 235 mm na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Aparecida Gonçalves Saraiva e 221,6 mm na estação Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que fica na Embrapa.
“A primeira quinzena de outubro de 2026 se destacou pelo predomínio de chuvas expressivas e acima da média climatológica na maior parte do estado de Mato Grosso do Sul. Contudo, observou-se também uma variação na distribuição espacial e nos volumes acumulados, com episódios de precipitação pontualmente intensos”, afirma o Cemtec-MS.
“A ocorrência de volumes elevados concentrados em curtos períodos reforça a importância do monitoramento contínuo das condições meteorológicas, da capacidade de infiltração do solo e da gestão dos recursos hídricos”, segue a nota do Cemtec-MS.
Para se ter uma ideia, os 272,8 mm acumulados na região do Rio Anhanduí, no Aero Rancho, representam 81% acima do volume esperado para os 31 dias de outubro, que é de 150,6 mm.
Além de Campo Grande, outros municípios também tiveram um acumulado muito superior ao esperado para o mês.
De acordo com o Cemtec-MS, os maiores volumes foram registrados em Itaquiraí (297,8 mm), Paraíso das Águas – Fazenda Ranchinho (294,6 mm), Dourados (290,4 mm), Amambai – Novo Horizonte (281,6 mm), Maracaju (281,2 mm) e Campo Grande (272,8 mm).
“Em diversas localidades, os totais pluviométricos superaram significativamente a média histórica esperada para todo o mês de outubro, com destaques para Corumbá – Fazenda São Cândido (154%), Corumbá – área urbana (130%), Paraíso das Águas – Fazenda Ranchinho (117%), Caracol – Fazenda Ouro e Prata (109%) e Maracaju (95%)”, traz nota do Cemtec-MS.
Esses acumulados têm refletido também nos rios de Mato Grosso do Sul, alguns já em estado de alerta, como o Rio Taquari, e outros muito próximos do nível de emergência, como o Rio Miranda.
Apesar de as fortes chuvas terem atingido quase todo Mato Grosso do Sul, “nas poucas áreas do Estado que ainda apresentam deficit pluviométrico relativo, como em municípios das regiões norte e nordeste, a menor frequência das chuvas mantém a necessidade de atenção quanto aos níveis de umidade do solo e ao risco de incêndios florestais”.
O deficit de chuvas foi registrado em Paranaíba (46%), Sonora (34%), Porto Murtinho – Fazenda São Luís (21%) e Camapuã (15%), “onde a menor ocorrência de precipitação ainda requer atenção quanto aos níveis de umidade do solo e ao risco de incêndios florestais”, alerta o Cemtec-MS.
Segundo os meteorologistas do Cemtec-MS, as chuvas acima da média já eram uma tendência prevista para este mês, em razão da atuação de alta intensidade do El Niño no segundo semestre deste ano.
“A atuação de um evento El Niño de intensidade muito forte (cerca de 98% de probabilidade) atua como potencializadora desses fenômenos extremos ao interagir com os sistemas regionais. Esse cenário eleva a severidade das tempestades e o risco de incêndios florestais”, diz trecho do prognóstico de primavera do Cemtec-MS.
INCÊNDIOS
Sobre os incêndios, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) aponta que este ano, até esta sexta-feira, Mato Grosso do Sul havia registrado apenas 923 focos de calor. Esse número é muito inferior aos 1.677 focos de 2025, registrados de janeiro a setembro.
O ano passado, inclusive, foi o que menos registrou focos de calor, até agora, desde quando começou o levantamento do Inpe, em 1998, porém, se este ano continuar neste ritmo, há chances a marca ser quebrada. Neste mês, até sexta-feira, apenas três focos foram contabilizados.
CALOR
Outra marca de outubro que não tem correspondido aos dados históricos é referente ao calor. Historicamente, este é o mês mais quente do ano, porém, até agora, o dia 8 foi o mais quente registrado, quando os termômetros marcaram 34,8°C em Campo Grande, de acordo com o Inmet.
Essa não é sequer a maior temperatura já registrada no ano, marca que até agora é do dia 27 de setembro, quando a Capital registrou 37,8°C.
* Saiba
Após a chuva de mais de 70 mm de quinta-feira, esta sexta-feira foi de limpeza em várias regiões de Campo Grande onde a água subiu muito. A prefeitura da Capital fez um mutirão para limpar a sujeira deixada pela chuva.


