Um projeto cultural destinado a contar a história da industrialização de Mato Grosso do Sul, desde a criação do Estado, em 1977, até os dias atuais, recebeu autorização do Ministério da Cultura para captar até R$ 588,3 mil por meio da Lei Rouanet. A iniciativa prevê a produção de um livro de 180 páginas, com tiragem de mil exemplares, além de uma versão digital gratuita e atividades culturais abertas à população.
A autorização foi publicada nesta sexta-feira (16), no Diário Oficial da União (DOU), por meio da Portaria Sefic/MinC nº 702, de 15 de outubro de 2026, assinada pela Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura.
O projeto, denominado "Made in Mato Grosso do Sul - Como a industrialização transformou o Estado", foi apresentado pela empresa Paulo Renato Coelho Netto Conteúdo Cultural Ltda., sediada em Campo Grande, e está registrado no Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).
Paulo Renato Coelho Netto é jornalista e escritor, com experiência na produção de obras dedicadas à história e à memória de Mato Grosso do Sul. Ele também é responsável pela empresa que apresentou o projeto cultural ao Ministério da Cultura.
Conforme a publicação federal, a proposta foi enquadrada na área de Humanidades e poderá buscar doações e patrocínios entre 16 de outubro e 31 de dezembro de 2026.
O valor autorizado, entretanto, não representa um repasse imediato de dinheiro à empresa responsável. A aprovação permite que os organizadores procurem patrocinadores interessados em financiar a iniciativa por meio dos incentivos fiscais previstos na legislação.
Livro terá 180 páginas e mil exemplares
O principal produto previsto no projeto é um livro dedicado à trajetória da industrialização sul-mato-grossense ao longo de quase cinco décadas.
A proposta pretende reunir pesquisa, documentação e registros históricos sobre as transformações ocorridas desde a divisão de Mato Grosso e a criação de Mato Grosso do Sul, em 1977, até o período atual.
Segundo o resumo apresentado ao Ministério da Cultura, o trabalho busca preservar a memória da industrialização estadual, contribuindo para o registro de uma parte da história econômica e cultural de Mato Grosso do Sul.
A publicação será produzida no formato coffee table book, expressão utilizada para identificar livros de apresentação visual elaborada, geralmente destinados à exposição e à consulta.
Ao todo, o projeto prevê a impressão de mil exemplares, com 180 páginas cada, destinados à publicação da obra.
A iniciativa contempla a produção editorial e a disponibilização dos livros, enquanto informações sobre os critérios de distribuição, eventual comercialização e lançamento não constam no documento publicado.
Projeto também prevê versão digital gratuita
Além da publicação impressa, a proposta inclui a disponibilização de um e-book gratuito com áudio, ampliando as formas de acesso ao conteúdo produzido.
A iniciativa também contempla a realização de palestras culturais gratuitas e presenciais, voltadas à divulgação do conhecimento reunido durante a pesquisa histórica.
Essas atividades fazem parte do conjunto de ações apresentado pelo proponente ao Ministério da Cultura e deverão integrar a execução do projeto, caso sejam atendidas as condições necessárias para sua realização.
O resumo publicado no Diário Oficial não informa quantas palestras serão promovidas, quais municípios poderão recebê-las ou se haverá participação de pesquisadores, historiadores e representantes do setor industrial.
A publicação também não apresenta o orçamento detalhado de cada etapa, como pesquisa, produção editorial, impressão dos exemplares, desenvolvimento da versão digital e organização das atividades presenciais.
Dessa forma, os R$ 588,2 mil representam o valor global autorizado para captação, abrangendo o conjunto das atividades previstas, e não apenas a impressão dos mil livros.
Como funciona a captação pela Lei Rouanet?
Criada pela Lei Federal nº 8.313, de 1991, a Lei Rouanet permite que projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura busquem financiamento junto a pessoas físicas e empresas interessadas em apoiar iniciativas artísticas e culturais.
Pelo mecanismo de incentivo fiscal, os patrocinadores podem destinar parte do Imposto de Renda devido ao financiamento desses projetos, respeitando os limites e as condições estabelecidos pela legislação.
No caso do livro sobre a industrialização de Mato Grosso do Sul, a publicação da portaria significa que a proposta cumpriu os requisitos iniciais de admissibilidade e está autorizada a procurar patrocinadores.
A liberação para captar recursos não significa, portanto, que a empresa já recebeu os R$ 588 mil ou que o governo federal tenha transferido diretamente esse montante.
Para viabilizar a iniciativa, a responsável precisará conseguir o apoio financeiro necessário, seguindo as regras do programa.
Os valores efetivamente captados e sua utilização estão sujeitos aos procedimentos de acompanhamento e prestação de contas estabelecidos pelo Ministério da Cultura.
O prazo inicialmente autorizado para a busca de patrocínios termina em 31 de dezembro de 2026.
Até a publicação do ato, não foram divulgados no documento os nomes de possíveis patrocinadores, o montante eventualmente já captado nem um cronograma definitivo de produção e lançamento da obra.
A proposta passa, assim, à etapa de obtenção dos recursos necessários para transformar o projeto editorial em uma publicação dedicada à história industrial de Mato Grosso do Sul.


