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Eleição para cargo de R$ 9 mil teve adesão de 3% da população

Em 2019, apenas 20.166 campo-grandenses participaram do processo; pleito de 2023 já tem 362 candidatos para a vaga de conselheiro tutelar na Capital

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As eleições para conselheiros tutelares de Campo Grande têm 362 inscrições para o cargo, que pode ter salário de até R$ 9.902. No entanto, a população votante da Capital não tem interesse em participar do processo de escolha, visto que na última eleição apenas 3% das pessoas aptas a votar participaram. 

De acordo com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), foram registrados apenas 20.166 votos válidos nas apurações em 60 sessões para a eleição de novos conselheiros. O número é muito baixo em relação à quantidade de pessoas aptas a votar.

Campo Grande tem população de 595.174 habitantes aptos a votar, e é fundamental o engajamento das pessoas na escolha dos conselheiros. No entanto, apenas 3% desse público participou das últimas eleições, em 2019. 

O presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares de Mato Grosso do Sul, Adriano Vargas, afirma que a adesão das pessoas no processo eleitoral é baixa porque não há obrigatoriedade e há pouca divulgação, quando comparada a outras eleições municipais. 

“Não existe grande participação das pessoas, ninguém é obrigado a votar, vai apenas quem quer. A divulgação é baixa, se comparada à eleição político-partidária, não havendo a mesma estrutura”. 
“Mesmo assim, não basta apenas apontar o dedo. É importante que a população se conscientize e participe de maneira ativa, conhecendo a formação e o histórico de cada candidato para melhor escolher”, afirma Vargas. 

O presidente da associação detalha que o Conselho Tutelar é o órgão responsável pela garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, portanto, são os conselheiros eleitos pela população que vão atuar pelos próximos quatro anos na proteção da infância.

“Acabam falando erroneamente que o Conselho Tutelar é cabide de emprego ou indicação política, mas é a própria população que escolhe os conselheiros”, argumenta. 

Para o cargo em questão, de conselheiros e suplentes, o salário-base preestabelecido pela Prefeitura é De R$ 5.946, equivalente ao nível 15 inicial do plano de cargos e carreira do município. 

No entanto, esse valor pode dobrar conforme a carga de trabalho de cada profissional. Segundo a Secretaria de Assistência Social (SAS), os conselheiros trabalham em escala de plantão e recebem R$ 354 por dia a mais. 

É possível que o atuante realize até 14 plantões por mês, deste modo, o salário recebido pode chegar a R$ 9.902, ao somar o valor-base com o acrescido ao longo das escalas mensais. 

Os conselheiros trabalham oito horas por dia, com plantões noturnos e em fins de semana e feriados cumpridos por escala, sendo um membro de cada Conselho Tutelar, ou seja, oito profissionais que atendem à demanda do município todo. 

O quantitativo pode ser o motivo do recorde de inscrições neste ano. Conforme divulgado pelo Correio do Estado, houve 302 candidatos com inscrições deferidas e 62 com candidaturas indeferidas, totalizando 362 pessoas com interesse no cargo. 

Segundo o vice-presidente do CMDCA, Márcio Benites, o comparativo das inscrições deste ano com as da última eleição em 2019 mostra aumento de interesse.

Na eleição anterior, houve 80 candidatos concorrendo às vagas, ou seja, a procura triplicou. Em 2019, os candidatos concorreram a 25 vagas disponíveis para cargos titulares.

Este ano, o número de vagas para membros titulares atuarem na gestão 2024-2027 aumentou para 40, já que foram acrescidas 10 vagas para suplentes em cada conselho.

Isso porque o município tem objetivo de abrir três novos Conselhos Tutelares no ano que vem. Atualmente, Campo Grande tem apenas cinco, metade da quantidade necessária para atender a população. 

A CApital tem uma população estimada em 916.001 habitantes, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o art. 132 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, do Estatuto da Criança e do Adolescente, cada município deve ter uma unidade do Conselho Tutelar para cada 200 mil habitantes. 
Logo, Campo Grande atende com apenas metade da quantidade necessária, tornando-se urgente a abertura de novas unidades. 

Benites afirma que foi decidida judicialmente a abertura dos novos conselhos e, por mais que as novas unidades ainda não tenham nem mesmo locais definidos, ele garante a inauguração até 2024. 
“A eleição será para os oito Conselhos Tutelares já nesse pleito. [As unidades] são de responsabilidade da prefeitura municipal, e os locais estamos estudando com a SAS, mas vai sair”.

Ele ainda detalha que cada candidato pode escolher o local de atuação a partir da classificação nas eleições. 
“Não concorrem para um determinado Conselho Tutelar, estão todos juntos, e aí vão ser escolhidos os mais votados. Os mais bem votados escolhem para qual dos oito Conselhos Tutelares vão, até que todas as vagas estejam preenchidas”, conclui.

NEGLIGÊNCIA

O município tem sido acusado de negligência em relação à capacidade e à habilidade em dar a devida assistência aos casos de violência contra crianças e adolescentes. 

O último caso de destaque, que ganhou repercussão nacional, foi o de Sophia, morta no dia 26 de janeiro, após ser espancada pelo padrasto, Christian Campoçano Leitheim, de 25 anos, e pela mãe, Stephanie de Jesus da Silva.

Diante das constantes denúncias de que o Conselho Tutelar Norte foi negligente no atendimento oferecido a Sophia e ao pai, Jean Carlos Ocampo da Rosa, que compareceu três vezes no órgão para denunciar os maus-tratos sofridos pela filha, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) protocolou um inquérito civil para apurar a responsabilidade da instituição na morte da menina. (Colaborou Valesca Consolaro)

SAIBA

Campo Grande atualmente tem cinco Conselhos Tutelares, distribuídos em cinco regiões da cidade. São eles: 1º Conselho Tutelar Sul – Região Urbana Anhanduizinho; 2º Conselho Tutelar Norte – Regiões Urbanas Prosa e Segredo; 3º Conselho Tutelar Centro – Regiões Urbanas Centro e Imbirussu; 4º Conselho Tutelar – Região Urbana Bandeira; e 5º Conselho Tutelar – Região Urbana Lagoa.
 

Rescaldo

Quase 48 horas após temporal, Prefeitura ainda remove árvores das ruas de Campo Grande

Equipes estão mobilizadas nas sete regiões da Capital para desobstruir vias, retirar destroços e reparar pontos afetados pela tempestade

12/09/2026 18h00

Paulo Ribas

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Quase 48 horas após o temporal que atingiu Campo Grande na quinta-feira (10), árvores e galhos derrubados pelo vento ainda ocupam trechos de algumas vias da Capital. Neste sábado (12), a Prefeitura mantém equipes mobilizadas nas sete regiões da cidade para retirar as estruturas, liberar ruas e atender outros pontos afetados pela tempestade.

Em levantamento realizado pelo Correio do Estado neste sábado, uma árvore ainda ocupava aproximadamente metade da pista da Avenida Euler de Azevedo, perto da Rua 13 de Maio. Na Rua Filinto Müller, galhos de grande porte permaneciam sobre parte da via. Na região central, galhos já cortados também continuavam acumulados em um trecho da Rua 13 de Maio.

Segundo a Prefeitura, as equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) atuam principalmente na retirada de árvores e galhos, limpeza, remoção de destroços e manutenção da iluminação pública, incluindo a substituição de luminárias.

Mais de 100 ocorrências

O temporal provocou mais de 100 registros de árvores caídas, além de quedas de postes, vias interditadas, danos em estruturas e interrupções no fornecimento de energia. A dimensão dos estragos levou a Prefeitura a decretar situação de emergência por 180 dias. O Decreto nº 16.735, publicado em edição extra do Diogrande neste sábado, prevê a mobilização dos órgãos municipais para ações de resposta e recuperação dos pontos atingidos.

O decreto também determina um levantamento detalhado dos danos provocados pela tempestade, incluindo impactos na infraestrutura urbana, arborização, iluminação pública, vias, unidades municipais e prejuízos decorrentes da falta de energia.

A força-tarefa municipal começou ainda na noite de quinta-feira e chegou a contar com 20 equipes concentradas principalmente na liberação de vias bloqueadas por árvores e galhos. Além da Sisep, participam das ações órgãos como Defesa Civil, Agetran, Guarda Civil Metropolitana e SAS, com apoio de Corpo de Bombeiros, Energisa e Solurb.

Operação Antidotum

Santa Casa diz que atendimento seguirá normal após operação que prendeu seis

Conselho de Administração se reuniu após a Operação e declarou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares

12/09/2026 17h30

02 0826 0003 Fachada Santa Casa GO

02 0826 0003 Fachada Santa Casa GO Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande afirmou neste sábado (12) que os atendimentos no hospital seguem normalmente e não serão interrompidos após a Operação Antidotum, deflagrada na sexta-feira (11) pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS).

Em nova nota, o Conselho de Administração declarou solidariedade aos integrantes da diretoria atingidos pelas medidas cautelares e afirmou confiar no esclarecimento dos fatos pela Justiça. A manifestação ocorreu após reunião extraordinária realizada na sexta-feira.

A operação investiga supostas fraudes em contratos da Santa Casa e da Santa Casa Saúde, com prejuízo estimado inicialmente em R$ 4,9 milhões. Foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Entre os presos está a presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, além de outros integrantes da administração e pessoas ligadas às empresas investigadas.

Segundo o MPMS, um dos contratos investigados envolve a digitalização de prontuários, enquanto outro núcleo apura pagamentos feitos pela Santa Casa Saúde a empresas relacionadas ao mesmo grupo econômico.

Relembre o Caso

A crise que culminou na Operação Antidotum ganhou força em 29 de julho, quando médicos da Santa Casa suspenderam cirurgias eletivas e atendimentos ambulatoriais em meio à crise financeira enfrentada pelo hospital. Em agosto, denúncias sobre possíveis irregularidades em contratos da instituição passaram a ser acompanhadas pelo Ministério Público. Na última sexta-feira, o MP deflagrou a operação.

Santa Casa já havia se manifestado

Logo após a operação, na sexta-feira, a Santa Casa informou que estava colaborando com as autoridades e aguardava acesso aos autos para conhecer oficialmente o conteúdo das acusações.

Na ocasião, a instituição também afirmou que os atendimentos à população seguiriam normalmente. Um dia depois, a nova nota reforçou a continuidade dos serviços e acrescentou a manifestação de solidariedade do Conselho de Administração aos integrantes da diretoria.

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