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Em ano de eleição, conflitos por terras voltam a crescer

Áreas de duas fazendas, em Amambai e Sidrolândia, foram invadidas por indígenas que pedem a ampliação da demarcação

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A cerca de quatro meses das eleições deste ano, os conflitos por terras em Mato Grosso do Sul têm ganhado destaque após fazendas no interior do Estado estarem no centro de disputas entre indígenas e produtores rurais nos últimos dias, o que gerou manifestações do governo federal e de autoridades sul-mato-grossenses.

No sábado, as fazendas São Sebastião e Água Clara, ambas em Sidrolândia, foram ocupadas por povos originários da Terra Indígena (TI) Buriti.

Esta área em disputa é reivindicada pelos indígenas do território Buriti há anos, com avanço na demarcação sendo cobrada desde 2013 quando foi registrada a paralisação no processo. 

A dita ocupação teria começado por volta das 17h do sábado, em busca dos 17,2 mil hectares da TI Buriti que teriam sido sobrepostos pela chegada da Fazenda São Sebastião. Na manhã do dia seguinte, a Polícia Militar retirou os indígenas que ainda ocupavam as terras.

Antes mesmo da equipe policial conseguir desocupar a área, a Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul) se posicionou afirmando que a “invasão da propriedade configura uma série de crimes que devem ser rigorosamente apurados pelas autoridades competentes, com a devida responsabilização dos envolvidos”.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) também emitiu uma nota de esclarecimento sobre o ocorrido, afirmando que “não podemos aceitar que produtores rurais continuem arcando com prejuízos materiais e psicológicos sem responsabilização dos criminosos e sem qualquer ressarcimento pelas perdas que são resultado da impunidade”.

Por outro lado, o deputado estadual Vander Loubet (PT) disse que as lideranças e os caciques da região não estavam sabendo da ocupação, o que causou estranheza, visto que todas as manifestações dos povos indígenas seriam realizadas de forma “organizada e articuladas pelo conjunto dos caciques e lideranças indígenas e têm suas razões amplamente divulgadas”.

OUTRO CASO

Cinco dias depois da ocupação em Sidrolândia, outro episódio envolvendo indígenas e produtores rurais ocorreu no interior do Estado. Entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, famílias kaiowá e guarani ocuparam parte da Fazenda Limoeiro, localizada às margens da Rodovia MS-156, em Amambai.

Assim como a disputa na Fazenda São Sebastião, essa ocupação também teria sido motivada pela propriedade rural sobrepor o tekoha Tapykora Korá, parte da Terra Indígena Iguatemipeguá II, cujo Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) está em elaboração desde 2008. Horas depois, a Polícia Militar retirou os indígenas.

Na manhã de ontem, em razão dessa nova ocupação, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) emitiu uma nota oficial autorizando a ampliação do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

“Para operacionalizar o reforço determinado pelo Ministério da Justiça, o comando da FNSP confirmou o deslocamento de uma equipe adicional. Paralelamente, equipes da Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas] foram designadas para acompanhar o caso in loco, prestando assistência direta aos indígenas detidos e monitorando o cumprimento dos parâmetros legais estabelecidos pelas instâncias superiores”, pontua.

Vale lembrar que este é o segundo episódio de ocupação na região em menos de dois meses. No dia 26 de abril, batalhões da Polícia Militar realizaram a retirada dos indígenas da Fazenda Limoeiro, após retomada na noite do dia anterior. Naquela ocasião, seis kaiowá e guarani foram presos, entre eles duas mulheres e um adolescente.

GUERRA DE IDEOLOGIA

Um dia após a ocupação em Sidrolândia, um encontro entre as lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul e os caciques dos povos envolvidos levantou a suspeita de que a invasão da Fazenda São Sebastião tenha sido organizada por “indígenas de direita”, e não pelos povos originários de esquerda, justamente por não ter sido uma invasão articulada previamente.

Sobre o mesmo caso, o deputado federal Rodolfo Nogueira, o Gordinho do Bolsonaro (PL), usou suas redes sociais para publicar que os “indígenas invadiram, tocaram o terror e fizeram vários reféns”.

Ainda chamou os responsáveis de “terroristas”, alegando que uma mãe teve que implorar para retirar um bebê de 2 anos do quarto antes que o local fosse incendiado.

Ontem, durante coletiva de imprensa concedida no Fórum Internacional da Agropecuária (Fiap), em Campo Grande, o governador Eduardo Riedel (PP) comentou sobre os episódios, especialmente acerca dos comentários de que os ocupantes seriam de esquerda ou direita.

“Ouvi alguém dizer que é ‘índio de direita’ ou ‘índio de esquerda’. Ou é criminoso de direita ou criminoso de esquerda. Crime é crime. Não interessa quem o pratique, quem faça, da maneira que o faça. O Estado não vai tolerar isso. Não tem um palmo de terra em Mato Grosso do Sul onde o Estado não possa estar presente, garantindo a ordem, a institucionalidade e o direito das pessoas”, declarou Riedel.

* Saiba 

De acordo com a Famasul, o Brasil tem mais de 12 milhões de hectares em disputas fundiárias, sendo 275 mil hectares em Mato Grosso do Sul, que passam por processo de delimitação.

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campo grande

Trabalhadores sofrem intoxicação em obra do Belas Artes e resgate mobiliza dezenas de bombeiros

Suspeita é que eles se intoxicaram após usarem maçarico e manta asfáltica no local fechado, o que também causou falta de oxigênio

06/08/2026 18h00

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênio

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênio Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Dois homens que trabalhavam na obra do Centro de Belas Artes, em Campo Grande, passaram mal durante um serviço na caixa d'água do local e foram socorridos inconscientes, na tarde desta quinta-feira (6), em Campo Grande.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, os homens entraram na caixa d'água para realização de um serviço de impermeabilização, com uso de maçarico e manta asfáltica. Ainda segundo o militar, a combinação acabou com o oxigênio do local.

Além da falta de oxigênio, o uso de maçarico a gás e manta asfáltica em locais fechados causa acúmulo de gases inflamáveis, gerando intoxicação.

Um terceiro funcionário, ao perceber os colegas desacordados, segurou a respiração e conseguiu retirar ambos de dentro da caixa, acionando o Corpo de Bombeiros em seguida.

"Os próprios trabalhadores retiraram os dois de lá de dentro, no entanto, eles ficaram em um local de díficil acesso, em um local elevado, foi onde nós chegamos, a equipe médica deu o primeiro atendimento, estabilizou ambas as vítimas, enquanto a equipe de salvamento trabalhava para poder fazer a retirada dos dois trabalhadores da altura", disse o primeiro-tenente Wellington Pereira Gomes.

A retirada foi feita por um sistema de movimentação vertical de macas, usando maca e cordas para chegar ao alto do prédio e descer as vítimas até um patamar onde havia escadas.

O trabalho de resgate durou cerca de 40 minutos, devido a ser um local de difícil acesso, e envolveu de 15 a 20 militares.

Um dos trabalhadores recuperou a consciência durante o salvamento e foi encaminhado a uma unidade de saúde consciente e orientado, enquanto o outro inalou bastante solvente e chegou a ficar consciente, mas estava desorientado.

"Sempre que se trabalhar em um ambiente confinado, que é como a gente caracteriza esse tipo de local, que não foi feito para ser habitado por humano, é preciso usar EPI [equipamento de proteção individual], fazer a mensuração dos gases que tenham naquele local ou não antes de fazer qualquer acesso, é um ambiente confinado, onde não tem ventilação e pode encontrar diversos perigos ocultos, então é importante averiguar", orienta o bombeiro.

Suspeita é que trabalhadores se intoxicaram ao usar maçarico em local com pouco oxigênioResgate durou cerca de 40 minutos, pois a área da caixa d'água é de difícil acesso (Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado)

Centro de Belas Artes

A tentativa de conclusão do Centro de Belas Artes faz parte de um projeto que se estende há mais de 30 anos. A estrutura começou a ser construída em 1991, quando o espaço seria destinado a um novo terminal rodoviário de Campo Grande.

A obra, no entanto, foi abandonada ainda na década de 1990 e passou por diferentes mudanças de finalidade ao longo dos anos. O imóvel acabou sendo transferido ao município e, posteriormente, destinado à implantação de um centro cultural.

Em 2007, um acordo com o Ministério Público Estadual consolidou essa proposta. Já em 2018, um novo entendimento buscou viabilizar a conclusão, mas as tentativas seguintes também não avançaram.

Licitações abertas nos anos seguintes acabaram frustradas ou interrompidas. Em 2022, uma nova empresa chegou a assumir a execução, mas os trabalhos voltaram a ser paralisados. A atual contratação, firmada em 2025, é mais uma tentativa de finalizar o chamado “puxadinho” do complexo.

A intervenção em andamento contempla cerca de 4,3 mil metros quadrados dentro de uma área total de aproximadamente 16 mil m².

O projeto inclui implantação de sistemas de água, esgoto e drenagem, além de instalações elétricas, climatização, cobertura, esquadrias, pintura, forro em gesso e paisagismo.

Quando concluído, o espaço deve abrigar salas de dança, ambientes multiuso para cursos, auditório e salão de exposições. No subsolo, está prevista a instalação do Arquivo Histórico de Campo Grande, com áreas de pesquisa, restauração e setores administrativos.

Dívida de Jogo

Dívida de R$ 30 mil em jogo de sinuca pode estar por trás de execução em MS

Polícia investiga se aposta feita no Paraná tem relação com a morte de Willian Souza, de 22 anos; atirador entrou de capacete em bar, disparou contra a vítima e fugiu em uma motocicleta

06/08/2026 17h55

Movimentação de policiais e moradores em frente ao bar onde Willian Souza, de 22 anos, foi morto a tiros em Mundo Novo.

Movimentação de policiais e moradores em frente ao bar onde Willian Souza, de 22 anos, foi morto a tiros em Mundo Novo. Foto: Divulgação

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Uma dívida de aproximadamente R$ 30 mil, que teria surgido após uma aposta em uma partida de sinuca no Paraná, é uma das linhas de investigação sobre a execução de Willian Souza, de 22 anos, morto a tiros dentro de um bar na região central de Mundo Novo, no sul de Mato Grosso do Sul. O crime ocorreu na noite desta quarta-feira (5), e o autor continua sendo procurado.

Conforme informações repassadas pela policia, o criminoso chegou ao estabelecimento pilotando uma motocicleta, possivelmente de origem paraguaia, e estacionou em frente ao comércio, localizado na Avenida Brasil.

Ainda usando capacete, o homem entrou no bar e caminhou em direção a Willian. Sem iniciar qualquer discussão ou dizer algo à vítima, sacou uma arma e efetuou os disparos. Willian foi atingido na região da cabeça e do pescoço.

Na sequência, o atirador deixou o estabelecimento, retornou à motocicleta e fugiu. Equipes de segurança foram acionadas, mas, devido à gravidade dos ferimentos, o jovem morreu no local antes que pudesse receber atendimento médico.

Policiais militares e civis realizaram buscas pela região, porém, até o momento, o responsável pelo homicídio não havia sido localizado.

Imagens registradas por câmeras de segurança instaladas nas proximidades deverão ser analisadas pelos investigadores na tentativa de identificar o autor e reconstruir o trajeto utilizado durante a fuga.

Aposta de sinuca é investigada

Entre as hipóteses apuradas pela Polícia Civil está uma possível desavença relacionada a uma aposta em um jogo de sinuca realizado em Toledo, no Paraná, município localizado a cerca de 115 quilômetros de Mundo Novo.

As informações preliminares apontam que a aposta teria envolvido aproximadamente R$ 31 mil e resultado em uma dívida próxima de R$ 30 mil. A polícia busca esclarecer se a cobrança desse valor possui relação direta com a execução.

Um vídeo que circula pelas redes sociais também passou a integrar o contexto investigado. Nas imagens, aparece um homem que se identifica como “Catrina”, apontado nas informações que chegaram aos investigadores como uma das pessoas envolvidas na suposta disputa financeira.

A existência da dívida e, principalmente, sua eventual ligação com o assassinato ainda são investigadas. A Polícia Civil trabalha para estabelecer a dinâmica dos acontecimentos anteriores ao crime e identificar quem teria interesse na morte de Willian.

Disparos dois dias antes

Outra situação ocorrida poucos dias antes do homicídio também chamou a atenção dos investigadores.

De acordo com o delegado de Mundo Novo, dois dias antes de ser morto, Willian teria efetuado disparos de arma de fogo em frente a um estabelecimento comercial da cidade. A ação teria ocorrido como forma de ameaça contra uma pessoa.

A Polícia Civil agora apura se esse episódio possui alguma conexão com a execução ou se trata de um fato independente.

A maneira como o homicídio foi cometido também é considerada na investigação. O autor teria chegado diretamente ao local onde Willian estava, mantido o capacete durante toda a ação e realizado os disparos sem qualquer discussão aparente antes de fugir.

As investigações continuam para esclarecer a motivação do crime, identificar o atirador e verificar se outras pessoas participaram do planejamento ou da execução do homicídio.

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