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TRANSPORTE PÚBLICO

Em intervenção e às vésperas da venda, Campo Grande fixa inspeção obrigatória na frota

Portaria temporária traz regras para manutenção desde a segurança veicular dos freios e pneus até a inspeção ambiental quanto à poluição, custos esses a serem arcados pela concessionária

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Publicada na edição desta quinta-feira (20) do Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), uma nova portaria da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) traz regras temporárias em meio a uma intervenção e às vésperas da venda, que fixam a obrigatoriedade de manutenção da frota com custos a serem arcados pela concessionária responsável pelo transporte público da Cidade Morena. 

Conforme o texto oficial assinado pelo diretor-presidente da Agetran, Ciro Vieira Ferreira, fica estabelecido esse novo rito de fiscalização que atribui temporariamente o ônus financeiro integralmente ao Consórcio Guaicurus.

Colocando-se como "guardiã do contrato de concessão do Sistema Municipal de Transporte Coletivo (SMTC)", a Pasta afirma que a portaria visa restabelecer as inspeções técnicas da frota diante de uma: "necessidade emergencial e temporária de assegurar a continuidade, regularidade, eficiência, segurança e adequação da prestação" desse serviço urbano durante o período de intervenção.

Diante dessa necessidade de aferir de maneira objetiva as condições de segurança, a Agetran frisa que as obrigações relativas à manutenção, conservação e adequação da frota permanecem sob responsabilidade integral e exclusiva da concessionária. 

Com o intuito de obedecer os ditos "rígidos padrões de segurança e conforto para a frota", o Executivo estabelece uma série de regras temporárias para que a inspeção técnica na frota seja realizada, o que abrange: 

  • - Inspeção de Segurança Veicular: verificação dos sistemas de freios, suspensão, direção, eixos, pneus, sinalização, cinto de segurança, acessibilidade (elevadores e rampas) e demais itens previstos nas Resoluções do CONTRAN.
     
  • - Inspeção Ambiental: medição computadorizada dos níveis de emissão de gases poluentes, material particulado (teste de opacidade para veículos a diesel) e ruídos, nos termos das Resoluções do CONAMA vigentes

Regras de inspeção

Como bem descreve a nova portaria da Agetran, essas inspeções não poderão ser realizadas por profissionais autônomos ou mesmo oficinas mecânicas que não tenham a certificação técnica expedida pelo órgão estadual de trânsito. 

Em outras palavras, esses processos devem ser realizados por empresas privadas com o devido cadastro e credenciamento ativo na condição de Instituição Técnica Licenciada (ITL), junto ao Departamento Estadual de Trânsito do Mato Grosso do Sul (Detran-MS), garantindo a integração dos laudos aos sistemas
informatizados.

Além disso, o acesso à íntegra desses laudos de inspeção técnica veículo emitidos, tanto aos veículos aprovados quanto aos reprovados, precisam ser disponibilizados pela concessionária para as agências municipais de Transporte e Trânsito e de Regulação dos Serviços Públicos (Agetran e Agereg). 

Fica claro também que toda essa aprovação e fiscalização não tiram da Concessionária a responsabilidade exclusiva sobre:  "danos, acidentes ou vícios ocultos decorrentes do uso e da manutenção inadequada da frota", complementa o texto oficial. 

Aqui também vale ressaltar que esse processo não exclui das ruas de Campo Grande aqueles ônibus com idade acima da máxima permitida, considerando ano-modelo. O que muda desses para os que estão abaixo dessa faixa limite é somente o período estabelecido entre as revisões, que devem obedecer os seguintes termos: 

  • - Idade abaixo da máxima permitida: inspeção anual.
  • - Idade acima da máxima permitida: inspeção semestral.

Esses veículos devem ser enviados para inspeção técnica de forma escalonada, com a concessionária tendo agora um prazo de 30 dias, a contar da publicação da portaria, para apresentar esse cronograma específico para evitar que as linhas fiquem desabastecidas.

Ou seja, usando obrigatoriamente a frota reserva para substituições temporárias, o total de veículos presentes em postos de inspeção não pode ultrapassar a margem de 5% da frota operacional. 

Importante destacar que aqueles veículos reprovados na inspeção técnica não poderão circular nas ruas de Campo Grande, pelo menos não até conseguir sua aprovação na inspeção técnica de retorno. 

Por outro lado, aqueles que possuem laudo técnico que demande uma renovação na data de publicação da portaria ou irão precisar durante o prazo estabelecido, já deverão ser submetidos à inspeção técnica nos primeiros lotes do cronograma.

Intervenção e venda

Em 16 de junho foi decretada pela Prefeitura de Campo Grande uma intervenção no transporte público da Capital, serviço esse para o qual o Executivo nomeou como interventor-geral o advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira. 

Entretanto, em 21 de julho uma decisão judicial suspendeu os plenos poderes dos interventores do transporte coletivo sobre contas de empresas vinculadas ao Consórcio Guaicurus.

Já em 22 de julho houve o anúncio da venda do Consórcio Guaicurus para a concessionária goianiense HP Mobilidade, negociação que ainda precisa ser aprovada pela administração municipal para ser concretizada, já que o Executivo aguarda um contato oficial da HP Mobilidade e uma proposta real.

Apesar de oficialmente não terem sido divulgados valores, fontes do Correio do Estado afirmam que a negociação gira em torno de R$200 milhões pela concessão.

Em nota, o Consórcio Guaicurus disse que a venda foi feita à Maas Administração e Participações Ltda., sociedade de propósito específico constituída para este fim e integrante do grupo HP. 

Fundada em 1972, a HP Mobilidade atua principalmente no estado de Goiás, operando o transporte coletivo urbano e metropolitano na Grande Goiânia e no Distrito Federal.

 

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DOURADOS

Irmãos colocam dedo no peito de policial e ameaçam vizinha em MS

A discussão começou por causa de um som automotivo na noite deste sábado (13)

13/09/2026 12h00

O caso foi registrado na Depac-Dourados

O caso foi registrado na Depac-Dourados Foto: Divulgação/PCMS

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Dois irmãos, identificados Franklim Lima Parron Garcia e André Lima Parron Garcia, de 43 e 46 anos respectivamente, foram presos em flagrante após ameaçarem uma vizinha, que teria reclamado do som alto, e por desacatarem policiais militares durante o atendimento da ocorrência no bairro Jardim Rasslem, em Dourados.

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para ir até a residência da vítima por volta das 22h50 deste sábado (12), para atender um caso de perturbação de sossego.

A vizinha relatou que estava em sua casa junto com seus filhos, sendo duas meninas, uma de 17 e outra de 9 anos, e um menino, de 14 anos, quando seu vizinho ligou o som automotivo em alto volume.

Ela relatou aos policiais que pediu para que Franklim baixasse o volume, mas ele teria aumentado ainda mais, pulado dentro de seu quintal e batido na porta repetidas vezes dizendo "abre aqui essa porta, você não é a gostosona, abre aqui".

A vítima relatou ainda que era possível ouvir o filho do vizinho gritando "pai não pula não, não faz isso pai" e depois "pai volta aqui, ela vai chamar a policia". Após a mulher se recusar a abrir a porta e Franklim ouvir ela chamando a polícia, ele pegou um tijolo e jogou em direção a sua porta.

Após ouvir o relato da vítima, os policiais foram até a casa de Franklim que teria se apresentado junto com André, relatando que estava testando o som automotivo quando a vizinha pediu para baixar o volume.

Enquanto os policiais faziam os procedimentos em relação ao suspeito, André ficou na calçada da vizinha com os braços cruzados e encarando a mulher que aguardava no portão de casa.

Os policiais teriam dado ordem para que ele saísse de lá porque a mãe e a filha estavam com medo. Neste momento, André se aproximou de uma militar dizendo "essa vizinha está se achando só porque é mulher, ela vai ver o dela".

Questionado pela policial sobre o que disse, teria apontado o dedo em direção a militar e falado "você é prevalecida só porque é mulher, vai à merda". Neste momento, foi dada voz de prisão ao homem, que desobedeceu e voltou para dentro da casa. Um reforço foi solicitado e quando Franklim ouviu que tinha mais viaturas vindo, chamou o irmão à frente.

Ao retornar estaria sorrindo e teria dito "vocês não sabem com quem estão mexendo, vocês vão se f*der".

Enquanto André estava sendo algemado, Franklim começou a gritar com a equipe policial perguntando "cadê as câmeras de vocês?" "vocês estão gravando?", momento em que ele colocou o dedo indicador no colete do policial, em tom ameaçador, dizendo "vocês estão ferrados".

Foi dada ordem para que Franklim se afastasse, porém foi desobedecida e novamente tentou colocar a mão no colete do policial. Após se recusar pela segunda vez, o homem foi preso.

Os dois foram levados à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário para que seja investigado o caso, registrado como ameaça agravante em caso de vítima mulher, violação de domicílio, dano, desobediência, desacato e perturbação do trabalho ou sossego alheio.

CASO MASTER

PF aponta fraude de R$ 17 bilhões em operações entre Master e BRB

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça

13/09/2026 10h30

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025

Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 Divulgação: MPC-MS

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A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões e foram "estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos" e utilização de uma empresa de fachada.

A conclusão aparece no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não comentou. O Estadão não conseguiu contato até a noite de sábado (12) com os advogados de Costa.

Segundo a PF, "as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa".

Especificamente sobre o BRB, a PF apontou "prática de corrupção explícita" pelo ex-presidente da instituição e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez do banco.

O Master vendeu carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e o banco de Daniel Vorcaro foi liquidado. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.

Conforme as investigações, o banco de Daniel Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi, então, que, para conseguir recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para o BRB.

Para concretizar a fraude, foi constituída a Tirreno, empresa suspeita de ser aberta para servir como veículo de emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos para o Master, que os vendia para o BRB.

O objetivo seria conferir lastro às transações previamente realizadas entre os dois bancos, pois o Master não possuía histórico ou capacidade operacional de produção de crédito consignado suficiente para alcançar os volumes bilionários das operações.

A aprovação das compras era feita pela diretoria do BRB com "trâmite frequentemente acelerado", contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao conselho de administração, segundos os relatórios da PF.

"Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master", dizem os investigadores da PF.

A polícia identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou uma propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique, operacionalizada por meio da aquisição de pelo menos seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. Foi essa informação que, em abril passado, levou o ministro André Mendonça a determinar a prisão do ex-presidente do BRB, durante a quarta fase da Operação Compliance Zero.

'Daniel e os leões'

Segundo a PF, Vorcaro tinha um grupo no WhatsApp com seus advogados para encaminhar documentos relativos ao Master e ao BRB. O grupo se chamava "Daniel e os leões".

Entre as fraudes, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos (como do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que veio parar no Banco Master).

A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas nas quais se simulava que os clientes teriam dado poderes para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem que os titulares jamais tivessem autorizado ou assinado qualquer procuração. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais provavelmente saíram 1.785 procurações enviadas ao BRB referentes a créditos supostamente originados pela Tirreno.
 

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