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MS: só 5% dos alunos saem da rede pública sabendo matemática

Na matéria de português, apenas 28% vão para a faculdade com grande conhecimento dos conteúdos. Pesquisa foi divulgada hoje (28).

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Em MS, apenas 5% dos alunos da rede pública terminam o ensino médio com alto rendimento em Matemática. A informação foi divulgada hoje (28) através dos resultados de uma pesquisa feita pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede) com base nos microdados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Ministério da Educação. 

A prova é realizada em escolas públicas e particulares do país, uma mostra representativa e não são divulgadas quais instituições participam. 

Ainda na rede pública, o rendimento para o Ensino Médio na disciplina de português no Estado é de 28%, o que representa um nível básico de aprendizado. Os dados foram divulgados com base no ano de 2023. 
 
Além do 3º ano do ensino médio, alunos do 2º, 5º e 9º ano também realizam as provas. Segundo dados, 52% dos formandos do 5º ano vão para a próxima série sem aprender o básico de matemática e 40% sem aprender o básico de português.

Já sobre os formandos do 9º ano, apenas 17% segue para o ensino médio com conhecimento em conteúdos de matemática e 38% em português. 

Em Mato Grosso do Sul, os alunos do 5º ano na rede pública apresentam os maiores índices de aprendizado, 35% em matemática e 50% em português.

Os menores índices no estado são de alunos formandos, prestes a ingressar nas faculdades, com 30% de alunos que aprenderam os conteúdos da língua portuguesa e apenas 5% de conteúdos matemáticos, como calcular área de figuras geométricas e equações de 1º e 2º grau. 

Nas escolas particulares, Mato Grosso do Sul se destaca com o índice de aprendizado em matemática de 78% entre as crianças de 10 anos. Em português, há um aumento de 4 pontos com relação à última pesquisa em 2021, apresentando um indicador de 86% de alunos indo para os anos finais com conhecimento na matéria. 

No Ensino Médio, pagamento de mensalidade não é indicativo de aprendizado, já que apenas 37% dos alunos se formam na rede particular com entendimento de matemática, um índice básico. 

A Matemática é considerada grande entrave na educação brasileira e em vários países, apresentando resultados piores do que uma prova de linguagens. O governo federal deve lançar um programa para incentivo à educação da matemática com metas de aprendizagem na disciplina para governos e prefeituras. 

Mato Grosso do Sul

A pesquisa com dados do Saeb mostram três indicadores principais: o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), calculado com base no aprendizado dos alunos em português e matemática; o fluxo de alunos, isto é, a porcentagem de alunos que passam de ano e o aprendizado (que é calculado a partir das notas de português e matemática da prova do Saeb/2023, divida por dois e multiplicada pelo fluxo).Quanto maior a pontuação, melhor é a média dos pontos abordados.

Água Clara é o município que apresenta maior Ideb do estado (6,7) de alunos dos anos iniciais (do 1º ao 5º ano), seguido de Nova Andradina e Angélica (6,5). Os menores índices ficaram com Anastácio (4,4), Miranda (4,0) e Bodoquena (3,9). Campo Grande apresentou índice de 5,3. 

No tópico de aprendizado com relação aos anos iniciais, destacou-se o município de Água Clara, com pontuação de 6,77. Em último lugar, se encontra o município de Bela Vista, com pontuação de 4,75. 

A capital teve pontuação de aprendizado de 5,65. 

Sobre os anos finais (do 6º ao 9º ano), Nova Andradina apresentou melhor Ideb (5,8), e Miranda ocupou o último lugar no ranking (3,7). Campo Grande ficou em 20ª posição dos municípios do estado, com 4,8. 

Na lista de aprendizado, Nova Andradina também se destacou, com uma média de 5,90. Em último lugar, Pedro Gomes teve nota de 4,38. 

Com relação ao ensino médio, a menor nota foi do município de Japorã, tanto no Ideb (2,7) como na média de aprendizado (3,64). 

Brasil

Mato Grosso do Sul ocupa a 7ª pior posição no ranking entre os estados brasileiros na rede pública no Índice de Desenvolvimento de Educação Básica dos anos iniciais, com 5,3 pontos. Na rede privada, a pontuação melhora e o estado ocupa o 8º lugar, com 7,3 pontos. 

Na rede pública, as crianças de 6 a 10 anos de idade têm um fluxo de 0,93, o que significa que, de 100 alunos, 7 não foram aprovados. Na particular, alunos da mesma idade têm um fluxo de 0,98. 

Nos índices de alunos do ensino médio, Mato Grosso do Sul ocupa o 4º lugar no índice de aprovação nacional nas escolas particulares, 0,98. Nas escolas públicas, ocupa a 8ª posição em média de aprendizado, com 4,46 pontos. 

O município de Nova Andradina foi Destaque Regional nos índices Anos Iniciais e 26 escolas do estado também ganharam destaque regional, de excelência e bom percurso nas categorias anos iniciais e anos finais. 
 

Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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