Cidades

INSPEÇÃO | INTERIOR

Em MS, seis fazendas entram na 'lista suja' do trabalho escravo em 2024

Última atualização do Ministério do Trabalho e Emprego acrescentou 176 nomes, entre eles o cantor Leonardo, à lista que agora conta com 727 relacionados

Continue lendo...

Mato Grosso do Sul possui seis propriedades em seu território que, conforme última atualização do Ministério do Trabalho e Emprego da chamada "Lista Suja", neste ano de 2024 entraram na relação de empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. 

Cabe lembrar que, ainda no fim de 2023, como bem acompanha o Correio do Estado, a "Lista Suja" tinha 21 propriedades sul-mato-grossenses relacionadas. 

Ainda em 07 de outubro veio a público a última atualização da Lista, por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apontando que, dos 727 nomes totais, 13 propriedades de Mato Grosso do Sul aparecem relacionadas atualmente. 

Vale lembrar que, nessa leva recente de atualização, até mesmo Emival Eterno da Costa - o popular cantor Leonardo - entrou para a "lista suja do trabalho escravo do MTE. 

Na série histórica, desde 1995, Mato Grosso do Sul já acumula 3.112 trabalhadores em Condições análogas à escravidão encontrados pela Inspeção do Trabalho. 

Nesse período, o ranking de municípios de MS com mais autos de infração lavrados são: 

  1. º 317 - Água Clara
  2. º 258 - Corumbá
  3. º 224 - Porto Murtinho 
  4. º 220 - Ribas do Rio Pardo
  5. º 163 - Brasilândia. 

Com quase trinta anos de criação, 63.516 pessoas já foram resgatadas por auditores-fiscais do trabalho de situações análogas à escravidão, ou seja, incompatíveis com a dignidade humana pela violação de direitos fundamentais. 

Entre essas condições que colocam em risco a saúde e vida do trabalhador, são listadas três modalidades de trabalho análogo à escravidão: 

  • Jornada exaustiva (em que o trabalhador é submetido a esforço excessivo ou sobrecarga de trabalho que acarreta a danos à sua saúde ou risco de vida); 
  • Trabalho forçado (manter a pessoa no serviço mediante fraudes, isolamento geográfico, ameaças e violências físicas e psicológicas); 
  • Servidão por dívida (fazer o trabalhador contrair ilegalmente um débito e prendê-lo a ele).

Série histórica de MS

Lançado olhar sobre a série histórica de Mato Grosso do Sul, o maior número de trabalhadores em condições análogos à escravidão foi registrado em 2007, quando 1.646 funcionários foram encontrados nessa situação. 

Desde então o Estado oscila no índice, com o segundo maio pico ficando para o ano de 2011, com 390 trabalhadores encontrados e 389 resgatados de alguma das modalidades de trabalho escravo. 

No último ano, 77 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à de escravo pela Inspeção do Trabalho, com Corumbá liderando o ranking. 

Conforme o MTE, na Cidade Branca, em 2023, 49 autos de infração foram lavrados no município corumbaense, seguido por: 

  • Porto Murtinho (30) 
  • Aquidauana (25) 
  • Bela Vista (20)
  • Nova Alvorada do Sul (14)

Novos de MS

Dos seis novos relacionados em Mato Grosso do Sul, que neste ano entraram para a lista suja, duas dessas propriedades ficam na zona rural da Cidade Branca, sendo as fazendas Bandeira e Nossa Senhora Aparecida. 

Sendo que ambas as ações fiscais datam de 2023, as decisões administrativas de procedência foram registradas em 02 de janeiro e 16 de fevereiro desse ano. 

Com isso, as propriedades no nome de Quirino Azevedo (Nossa Senhora) e João Baird (Bandeiras), entraram na "Lista Suja" em 05 de abril e 07 de outubro, respectivamente, envolvendo seis trabalhadores. 

Além desses, a Fazenda São Joaquim, de Kelis Bezerra, em Angélica, se destaca não só pela inclusão na lista suja (em 05 de abril) como também pela quantidade de trabalhadores envolvidos, 31 no total. 

Na mesma data, a propriedade de Vilso Gava - a Chácara Sossego, na zona rural de Laguna Carapã - também entrou para a lista com 11 trabalhadores em situação análoga à escravidão. 

Entre as outras fazendas de MS relacionadas na Lista Suja entraram, incluídas em 07 de outubro deste ano, aparecem as propriedades de Virgilio Mettifogo e Rodrigo Ceni. 

Respectivamente, as fazendas Marreta (em Dourados) e Nossa Senhora Aparecida (de Aquidauana) tiveram sete e 11 trabalhadores localizados em situação análoga à escravidão. 

 

Assine o Correio do Estado

ACIDENTE FATAL

Mulher morre atropelada por ambulância

Veículo retornava de Dourados e atingiu vítima enquanto ela atravessava a rodovia

21/03/2026 11h45

Ambulância atropela mulher na MS-463

Ambulância atropela mulher na MS-463 Leandro Holsbach

Continue Lendo...

Na noite da última sexta-feira (20), uma mulher morreu na BR-463 após sofrer um atropelamento envolvendo uma amblância de Dourados. O acidente aconteceu no trecho entre Dourados e Ponta Porã, próximo a ponte do Rio Dourados.

Segundo informações de jornais locais, a mulher tentava atravessar a rodovia a pé quando foi atingida pelo veículo de socorro. A ambulância da Prefeitura de Ponta Porã retornava de Dourados, onde havia deixado um outro paciente que foi transportado naquele dia.

De acordo com as informações, dentro do veículo estava um médico e uma enfermeira, que prestaram apoio imediatamente com os primeiros socorros e acionaram o Corpo de Bombeiros Militar, mas a mulher não resistiu ao impacto e ferimentos do atropelamento, e morreu pouco tempo depois.

Ainda não foi possível a identificar, mas foi feita a descrição das vestimentas. A vítima utilizava camiseta preta, calça jeans e tinha tatuagem no braço esquerdo. Segundo os populares próximos ao local do acidente, a mulher foi vista caminhando pela rodovia no fim da tarde de ontem.

O caso foi registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Dourados. Equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) estiveram no local para auxiliar no tráfego e a perícia também compareceu para realizar os levantamentos técnicos. 

A investigação da forma que se deu o acidente e velocidade da ambulância segue sendo apurada pela Polícia. Nas proximidades do local há um acampamento indígena, e também está sendo apurado pela perícia a identificação da mulher.

Assine o Correio do Estado

COP15

Referência nacional, professora de MS ganha destaque na COP15

Pesquisadora leva projeto sobre aves urbanas e educação ambiental ao evento global em Campo Grande

21/03/2026 10h15

Ao longo dos anos, a pesquisadora ajudou a projetar a capital sul-mato-grossense como referência nacional na observação de aves

Ao longo dos anos, a pesquisadora ajudou a projetar a capital sul-mato-grossense como referência nacional na observação de aves Divulgação

Continue Lendo...

A história da professora e pesquisadora Simone Mamede é daquelas que atravessam o tempo sem perder o propósito. Começa de forma simples, dentro de uma sala de aula da rede municipal de Campo Grande, quando ainda era estudante de Ciências Biológicas e ganha o mundo quase 30 anos depois, ao integrar a programação de um dos maiores eventos ambientais do planeta. 

Hoje docente da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e vinculada à pós-graduação da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Simone construiu uma trajetória sólida, marcada pelo compromisso com a educação, pela produção científica e pela defesa da conservação ambiental.

Ao longo dos anos, a pesquisadora ajudou a projetar a capital sul-mato-grossense como referência nacional na observação de aves. Seus estudos sobre biodiversidade urbana contribuíram para evidenciar o papel das áreas verdes na qualidade de vida e no equilíbrio ambiental. 

Antes disso, ainda no início da carreira, foi na rede municipal de ensino que Simone consolidou sua vocação. em sala de aula não apenas moldou sua atuação profissional, mas também estabeleceu as bases de um trabalho que sempre caminhou entre a ciência e a educação. Parte desses estudos contribuiu para consolidar Campo Grande como um dos principais polos de observação de aves no país, destacando a presença de áreas verdes e a diversidade de espécies no ambiente urbano.

Ao longo dos anos, a pesquisadora ajudou a projetar a capital sul-mato-grossense como referência nacional na observação de aves Simone foi selecionada para integrar o Espaço Brasil, na chamada Blue Zone do evento

Agora, essa trajetória ganha um novo capítulo com a participação na COP15. O projeto de extensão “Pré-COP15: Diálogos e Passarinhadas”, coordenado por Simone na UFT, foi selecionado para integrar o Espaço Brasil, na chamada Blue Zone do evento, área que concentra iniciativas de destaque voltadas à pauta ambiental global.

A proposta reúne atividades que combinam educação ambiental, ciência cidadã e observação de aves. O projeto é desenvolvido principalmente no Tocantins,  mas conecta pesquisadores, universidades e comunidades em diferentes regiões, com ações que incluem rodas de conversa e saídas de campo.

Um dos eixos centrais da iniciativa é o “passarinhar” , prática de observação de aves que, no projeto, ganha caráter educativo e acessível. A ideia é aproximar o público da natureza, especialmente das espécies migratórias, e ampliar a percepção sobre a importância da conservação ambiental.

As chamadas “passarinhadas” fazem parte dessa proposta. Durante essas atividades, os participantes são convidados a observar o ambiente de forma mais atenta, identificando espécies e entendendo como diferentes territórios estão interligados no ciclo de vida das aves.

Para Simone, participar da COP15 em Campo Grande também tem um aspecto simbólico, por marcar um retorno ao local onde iniciou sua trajetória profissional e acadêmica.

“Sou sul-mato-grossense e estar em Campo Grande durante a COP15 me traz reflexões sobre o nosso papel como cidadãos planetários, na busca pela conservação da Terra com qualidade de vida para todos”, afirma.

Ao longo dos anos, a pesquisadora ajudou a projetar a capital sul-mato-grossense como referência nacional na observação de avesAtividades terão o objetivo de aproximar as pessoas da natureza no espaço urbano

Durante o evento, o público poderá participar de duas “passarinhadas” abertas, previstas para os dias 24 e 27 de março, organizadas pela UFT, UFMS e Instituto Mamede, por meio do projeto “Vem Passarinhar”.

As atividades são gratuitas e voltadas à população em geral, com a proposta de aproximar as pessoas da natureza no espaço urbano, uma ideia que atravessa toda a trajetória da pesquisadora desde o início, ainda nas salas de aula da rede municipal.

O que é a COP15?

A COP15 é o encontro para tomada de decisões entre os países-membros da Convenção sobre Espécies Migratórias, um tratado ambiental da Organização das Nações Unidas (ONU) para a conservação das espécies migratórias, seus habitats e rotas de migração em toda sua área de distribuição. 

A cada três anos, a  Conferência das Partes (COP), principal instância decisória da CMS, reúne asa 133 partes para definir as prioridades e o orçamento para tratar das espécies migratórias. 

É nesse espaço que os países aprovam planos de ação, atualizam as listas de espécies protegidas e adotam resoluções e decisões que orientam políticas públicas e iniciativas de conservação ao redor do mundo.

Durante a conferência, são feitas ainda recomendações para os países membros sobre a necessidade de realizar mais acordos regionais para a conservação de espécies específicas. 

A Conferência avalia os avanços na implementação da Convenção e define as prioridades para o triênio seguinte. 

Por dentro das espécies migratórias

As espécies migratórias se deslocam de um lugar para outro em determinados períodos do ano, seguindo padrões que, na maioria dos casos, são regulares, cíclicos e previsíveis. Esse comportamento ocorre em todos os grandes grupos de animais, como mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes e insetos. 

Na CMS, uma espécie migratória é aquela cuja população, ou parte dela, cruza as fronteiras entre países ao longo de seu ciclo de vida. Isso significa que a proteção desses animais depende da cooperação entre diferentes nações.

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).