Réu em processos por corrupção e alvo de investigações sobre fraudes em contratos públicos, André Luiz dos Santos, conhecido como André "Patrola" está entre os empreiteiros que venceram a licitação que prevê R$ 37.129.082,48 em projeto inédito de recapeamento das sete grandes macrorregiões de Campo Grande.
Investigado no âmbito da Operação Cascalhos de Areia, desencadeada em junho de 2023 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), Patrola é dono da empresa André L. dos Santos Ltda, que receberá R$ 6.153.797,28 para recapear a macrorregião do Prosa, conforme publicação do Diário Oficial desta terça-feira (5).
Além da empresa de Patrola, outras cinco venceram a disputa pelos reparos nos diferentes pontos da cidade, destaque para Empresa Construtora Rial Ltda, que levou dois dos sete lotes e será responsável pelo recapeamento das regiões Imburussu e Anhanduizinho, contratos que somados chegam à casa dos R$ 10,7 milhões.
Caberá a Gradual Engenharia e Consultoria Ltda recapear a região central (R$ 4.702.673,71); Empresa Asfaltec Usina de Asfalto e Tecnologia Ltda será responsável pelas reformas na região do Segredo (R$ 4.045.000,00); Empresa Relevo Engenharia Ltda fará o recapeamento da região Lagoa (R$ 5.220.414,62), enquanto a empresa Empresa RR Barros Serviços e Construções Ltda fará a reforma na área do Bandeira (R$ 6.199.000,00).
Em março último, o ex-secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos Marcelo Miglioli, já havia antecipado ao Correio do Estado que a ideia seria fazer um serviço contínuo, assim como o de tapa-buracos.
Na ocasião, Miglioli destacou que os reparos ocorreriam à medida em que a verba for liberada, recursos da própria prefeitura.
A proposta, seria priorizar "as vias mais estruturantes" da cidade, com reforço em pontos de maior fluxo de veículos, como a Avenida Manoel da Costa Lima, que deve estar entre os trechos contemplados pelas obras de recapeamento. O prazo de vigência de cada um dos contratos é de 360 dias, período que pode ser prorrogado pela prefeitura.
Operação Cascalhos de Areia
André "Patrola"é investigado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) por suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo contratos de manutenção de vias não pavimentadas e locação de máquinas firmados com o município.
A investigação apontou um suposto esquema de fraude em licitações, medições fraudulentas e pagamento de propina a servidores públicos para garantir contratos com a prefeitura.
Segundo o Ministério Público, empresas ligadas ao empreiteiro simulavam concorrência em licitações para assegurar a vitória nos certames e, posteriormente, apresentavam documentos e relatórios de serviços que não teriam sido executados.
Em alguns casos, de acordo com a denúncia, as mesmas fotografias foram utilizadas repetidas vezes para comprovar serviços diferentes, prática identificada em 869 registros fotográficos analisados pelos investigadores.
As apurações indicam que os desvios podem ter chegado a R$ 46 milhões em contratos relacionados à manutenção de ruas sem pavimentação e locação de máquinas.


