A empresa paranaense PayBrokers Loterias Ltda., que comanda a Loteria do Estado do Paraná (Lottopar) e acumula polêmicas policiais nos últimos anos, juntou-se à Dodmax Tecnologia S.A. e também vai operar a licitação bilionária da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul).
Na sexta-feira, o governo do Estado confirmou que a única empresa local – a Dodmax, comandada pelo pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero – que estava concorrendo no certame foi aprovada na Prova de Conceito (PoC), mesma etapa em que outras três empresas participantes tinham sido desclassificadas.
Porém, ontem, data que marcava o recomeço da disputa para a Dodmax enviar o restante dos documentos, a licitação ganhou um novo capítulo.
Conforme consta no site de compras estadual, a empresa sul-mato-grossense oficializou um pedido para constituir um consórcio com a PayBrokers.
Depois de consulta no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), o pregoeiro confirmou que “não foram encontradas sanções que pudessem impedir a participação no certame ou a futura contratação”, e agora segue para análise dos documentos para habilitação.
Contudo, assim como reportado pelo Correio do Estado em matérias passadas, a PayBrokers acumula algumas polêmicas em seu histórico.
Em abril do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) suspendeu a licitação para atender dois pedidos de impugnação enviados por Jamil Name Filho, o Jamilzinho, e pela empresa Criativa Technology, de Dourados, da Família Razuk.
Na argumentação, ambos os lados citaram que o edital continha “indícios de direcionamento do certame, em virtude de condições incomuns e injustificadas”, como se fosse um jogo de cartas marcadas.
E, ainda segundo os “reis do jogo do bicho” em Mato Grosso do Sul, a empresa que estaria sendo favorecida era a PayBrokers.
Uma outra polêmica envolvendo a empresa paranaense é que, em 2024, ela foi alvo de operação da Polícia Civil do Pernambuco em investigação sobre a atuação de jogos de azar por meio de bets legalizadas no Brasil, que levou à prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, em setembro do mesmo ano.
Segundo informações veiculadas na época, a PayBrokers estaria atuando como meio de pagamentos para jogos de azar no exterior do Brasil.
Nos depoimentos de Deolane à polícia, apesar de não ter relação com a PayBrokers, ela emitia notas fiscais para a empresa Esporte da Sorte, que fazia pagamentos por intermédio da empresa do Paraná.
A investigação, segundo o G1 Paraná, ainda mostra que, entre 2022 e 2023, a “Sports Entretenimento e Promoção de Eventos Esportivos Ltda.” recebeu mais de R$ 19 milhões e repassou o dinheiro a outras três empresas, entre elas a PayBrokers.
A maior parte foi para a empresa curitibana, que recebeu o maior valor: quase R$ 10 milhões.
Por causa desses indícios, o dono da PayBrokers, Edson Antonio Lenzi Filho, e Thiago Heitor Presser, ex-sócio da empresa, tiveram mandados de prisão emitidos contra eles.
Presser foi preso em Cascavel (PR) na época, e com ele foram apreendidos R$ 70 mil, em diferentes moedas. Já Lenzi Filho não havia sido localizado.
Na época, a empresa afirmou que estava colaborando com as autoridades e “disponibilizou espontaneamente todos os documentos e informações solicitados dos clientes-alvo da operação, permanecendo à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários”.
Por último, a PayBrokers tem entre as empresas parceiras a Blaze, que chegou a ser investigada por estelionato. A plataforma tem entre os seus jogos o Fortune Tiger – o “jogo do tigrinho” –, que levou influenciadores digitais para a prisão em 2023, e o Crash – ambos no estilo de um cassino.
OFERTA
A Dodmax Tecnologia venceu a licitação após propor ficar com 69% da arrecadação para operar a Lotesul.
Em outras palavras, isso significa que o Estado deve receber R$ 31 milhões a cada R$ 100 milhões arrecadados, ou seja, a empresa deve ficar com R$ 69 milhões. Agora, deve repartir esses milhões com a PayBrokers.
A reportagem entrou em contato com o Executivo estadual para saber mais detalhes sobre o futuro do certame, como quando deve ser assinado o contrato e a estimativa para o início das operações. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.
POLÊMICA LOCAL
Em março de 2023, a PayBrokers, em parceria com a empresa Skilrock Technologies venceu a licitação para comandar a loteria paranaense por 20 anos, sob a bagatela de R$ 167 milhões. Contudo, pouco tempo depois, o contrato e a maneira como foi conduzido processo licitatório foram alvo de questionamentos.
Exatos cinco meses depois de vencer o certame, um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), assinado por seis técnicos, apontou várias irregularidades na disputa da licitação, especialmente a falta de competitividade, o que aumentou as suspeitas de direcionamento.
Inclusive, chegou-se a recomendar a suspensão do processo, pedido que foi negado pelo conselheiro e relator do caso, Maurício Requião Mello e Silva.
Mesmo diante das polêmicas e do suposto desejo do governo do Paraná em rescindir o contrato após a operação da PF de 2024, o contrato da Lottopar segue ativo e em operação.
DESCLASSIFICADAS
Em chamadas anteriores, a administração estadual desclassificou a LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda. (atuante no Paraná, Maranhão, Paraíba, Tocantins, Rio de Janeiro e Mato Grosso), que havia oferecido ao Estado 43,36% da arrecadação.
Outras desclassificadas foram a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação Ltda., controlada pela família Baungartner, tradicional no mercado de jogos em vários estados, com proposta de 36,11%, e a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria, que tem sede em São Paulo e tinha oferecido 35,33%.
* Saiba
Caso se concretize a parceria entre a Dodmax Tecnologia, a PayBrokers e o governo do Estado, o consórcio poderá ter um faturamento bilionário, uma vez que o governo estima um ganho de até 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
A estimativa para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano.

