Cidades

LICITAÇÃO

Empresa do "jogo do tigrinho" vai operar a Lotesul

Empresa Dodmax, da Capital, que venceu licitação na semana passada, juntou-se à paranaense PayBrokers para gerir a loteria estadual em consórcio

Continue lendo...

A empresa paranaense PayBrokers Loterias Ltda., que comanda a Loteria do Estado do Paraná (Lottopar) e acumula polêmicas policiais nos últimos anos, juntou-se à Dodmax Tecnologia S.A. e também vai operar a licitação bilionária da Loteria Estadual de Mato Grosso do Sul (Lotesul).

Na sexta-feira, o governo do Estado confirmou que a única empresa local – a Dodmax, comandada pelo pecuarista Mauro Luiz Barbosa Dodero – que estava concorrendo no certame foi aprovada na Prova de Conceito (PoC), mesma etapa em que outras três empresas participantes tinham sido desclassificadas. 

Porém, ontem, data que marcava o recomeço da disputa para a Dodmax enviar o restante dos documentos, a licitação ganhou um novo capítulo.

Conforme consta no site de compras estadual, a empresa sul-mato-grossense oficializou um pedido para constituir um consórcio com a PayBrokers. 

Depois de consulta no Cadastro de Emitentes de Cheques sem Fundos (CCF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), o pregoeiro confirmou que “não foram encontradas sanções que pudessem impedir a participação no certame ou a futura contratação”, e agora segue para análise dos documentos para habilitação.

Contudo, assim como reportado pelo Correio do Estado em matérias passadas, a PayBrokers acumula algumas polêmicas em seu histórico. 

Em abril do ano passado, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) suspendeu a licitação para atender dois pedidos de impugnação enviados por Jamil Name Filho, o Jamilzinho, e pela empresa Criativa Technology, de Dourados, da Família Razuk.

Na argumentação, ambos os lados citaram que o edital continha “indícios de direcionamento do certame, em virtude de condições incomuns e injustificadas”, como se fosse um jogo de cartas marcadas.

E, ainda segundo os “reis do jogo do bicho” em Mato Grosso do Sul, a empresa que estaria sendo favorecida era a PayBrokers.

Uma outra polêmica envolvendo a empresa paranaense é que, em 2024, ela foi alvo de operação da Polícia Civil do Pernambuco em investigação sobre a atuação de jogos de azar por meio de bets legalizadas no Brasil, que levou à prisão da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, em setembro do mesmo ano.

Segundo informações veiculadas na época, a PayBrokers estaria atuando como meio de pagamentos para jogos de azar no exterior do Brasil.

Nos depoimentos de Deolane à polícia, apesar de não ter relação com a PayBrokers, ela emitia notas fiscais para a empresa Esporte da Sorte, que fazia pagamentos por intermédio da empresa do Paraná. 

A investigação, segundo o G1 Paraná, ainda mostra que, entre 2022 e 2023, a “Sports Entretenimento e Promoção de Eventos Esportivos Ltda.” recebeu mais de R$ 19 milhões e repassou o dinheiro a outras três empresas, entre elas a PayBrokers.

A maior parte foi para a empresa curitibana, que recebeu o maior valor: quase R$ 10 milhões.

Por causa desses indícios, o dono da PayBrokers, Edson Antonio Lenzi Filho, e Thiago Heitor Presser, ex-sócio da empresa, tiveram mandados de prisão emitidos contra eles.

Presser foi preso em Cascavel (PR) na época, e com ele foram apreendidos R$ 70 mil, em diferentes moedas. Já Lenzi Filho não havia sido localizado. 

Na época, a empresa afirmou que estava colaborando com as autoridades e “disponibilizou espontaneamente todos os documentos e informações solicitados dos clientes-alvo da operação, permanecendo à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários”.

Por último, a PayBrokers tem entre as empresas parceiras a Blaze, que chegou a ser investigada por estelionato. A plataforma tem entre os seus jogos o Fortune Tiger – o “jogo do tigrinho” –, que levou influenciadores digitais para a prisão em 2023, e o Crash – ambos no estilo de um cassino.

OFERTA

A Dodmax Tecnologia venceu a licitação após propor ficar com 69% da arrecadação para operar a Lotesul.

Em outras palavras, isso significa que o Estado deve receber R$ 31 milhões a cada R$ 100 milhões arrecadados, ou seja, a empresa deve ficar com R$ 69 milhões. Agora, deve repartir esses milhões com a PayBrokers.

A reportagem entrou em contato com o Executivo estadual para saber mais detalhes sobre o futuro do certame, como quando deve ser assinado o contrato e a estimativa para o início das operações. Porém, até o fechamento desta edição, não houve retorno.

POLÊMICA LOCAL

Em março de 2023, a PayBrokers, em parceria com a empresa Skilrock Technologies venceu a licitação para comandar a loteria paranaense por 20 anos, sob a bagatela de R$ 167 milhões. Contudo, pouco tempo depois, o contrato e a maneira como foi conduzido processo licitatório foram alvo de questionamentos.

Exatos cinco meses depois de vencer o certame, um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR), assinado por seis técnicos, apontou várias irregularidades na disputa da licitação, especialmente a falta de competitividade, o que aumentou as suspeitas de direcionamento.

Inclusive, chegou-se a recomendar a suspensão do processo, pedido que foi negado pelo conselheiro e relator do caso, Maurício Requião Mello e Silva.

Mesmo diante das polêmicas e do suposto desejo do governo do Paraná em rescindir o contrato após a operação da PF de 2024, o contrato da Lottopar segue ativo e em operação.

DESCLASSIFICADAS

Em chamadas anteriores, a administração estadual desclassificou a LottoPro Jogos de Apostas e Gestão de Lotéricas Ltda. (atuante no Paraná, Maranhão, Paraíba, Tocantins, Rio de Janeiro e Mato Grosso), que havia oferecido ao Estado 43,36% da arrecadação.

Outras desclassificadas foram a Prohards Comércio, Desenvolvimento e Serviços em Tecnologia da Informação Ltda., controlada pela família Baungartner, tradicional no mercado de jogos em vários estados, com proposta de 36,11%, e a Idea Maker Meios de Pagamento e Consultoria, que tem sede em São Paulo e tinha oferecido 35,33%.

* Saiba

Caso se concretize a parceria entre a Dodmax Tecnologia, a PayBrokers e o governo do Estado, o consórcio poderá ter um faturamento bilionário, uma vez que o governo estima um ganho de até 0,85% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual. 

A estimativa para 2025 era de mais de R$ 227,8 bilhões, o que representaria mais de R$ 2 bilhões ao ano.
 

Assine o Correio do Estado

BURACO SEM FIM

Na cadeia, "barão" do tapa-buraco mantém contratos milionários

Empresa investigada por esquema de corrupção é responsável pelo serviço em quatro das sete regiões urbanas de Campo Grande

14/05/2026 08h00

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

Continue Lendo...

Responsável pelo tapa-buraco em quatro das sete regiões de Campo Grande, o empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Construtora Rial Ltda., continuará preso, envolvido em investigação de corrupção no serviço. Mesmo assim, o contrato com a empresa será mantido, pelo menos neste momento.

Segundo a investigação do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), braço do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a apuração identificou a existência de uma organização criminosa que atuaria na fraude da execução do serviço de manutenção de vias públicas de Campo Grande.

Conforme a investigação, o grupo manipulava medições e a fazia a realização de pagamentos de obras que não havia sido necessariamente feitas.

O esquema era operado, segundo o MPMS, dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep) e teria começado em 2017. A investigação ainda afirma que os contratos alvo vão até 2025.

Para conseguir mais informações, foi deflagrada na terça-feira a Operação Buraco Sem Fim, que prendeu sete pessoas envolvidas no esquema, entre elas o ex-secretário de Obras da Capital Rudi Fiorese, além de servidores e ex-servidores da Pasta e o empresário.

Ontem pela manhã os sete participaram da audiência de custódia, que definiu que eles deve seguir presos. 
São investigados: Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa (dono da Construtora Rial); Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa (pai do empresário); Erick Antônio Valadão Ferreira de Paula (ex-servidor da Sisesp); Edivaldo Aquino Pereira (responsável pela medição do tapa-buraco); Fernando de Souza Oliveira (ex-servidor); Mehdi Talayeh (engenheiro e servidor) e  Rudi Fiorese (ex-secretário).

Após a operação ser deflagrada, a Prefeitura de Campo Grande publicou a exoneração dos dois servidores que ainda estavam ativos no quadro da secretaria.

O governo do Estado também exonerou Fiorese, que ocupava o cargo de diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul).

Com a manutenção da prisão, os sete suspeitos de envolvimento no esquema foram conduzidos até o Centro de Triagem Anísio Lima, em Campo Grande.

“BARÃO”

Campo Grande é dividida em sete regiões urbanas e essa divisão é usada pela prefeitura para estabelecer os lotes de licitações como o tapa-buraco, que precisa ser feito em toda a cidade.

Das sete regiões, a Construtora Rial é responsável por quatro, inclusive a maior delas, que é o Anhanduizinho. Ela também tem contrato para o serviço no Imbirussu, Segredo e Bandeira.

Matéria publicada ontem pelo Correio do Estado mostrou que o valor original desses contratos, somados aos seus aditivos, totaliza R$ 114.608.571,16 que serão pagos à empresa.

O contrato mais recente abrange a região Bandeira e foi assinado em janeiro deste ano pelo valor de R$ 6.979.892,07 e recebeu um aditivo de R$ 2.057.672,18 apenas 40 dias depois de ter sido celebrado.

Somado aos outros contratos que a empresa também tem com o município, tanto para recapeamento como para manutenção de vias não pavimentadas, a Rial chega a marca de R$ 141.993.707,68 a receber.

Ao Correio do Estado a prefeitura afirmou que solicitou à Justiça a investigação para, segundo ela, saber do que se trata a operação e poder tomar a melhor providência. No entanto, enquanto isso não acontece, a empresa deverá continuar sendo responsável pela maior parte da cidade no assunto tapa-buraco.

“Em relação à solicitação sobre contratos firmados entre a administração municipal e a empresa Rial, a Prefeitura Municipal de Campo Grande esclarece que, por meio da Procuradoria-Geral do Município, está solicitando acesso ao conteúdo do processo, que corre em segredo de justiça, para o conhecimento detalhado das denúncias apresentadas e embasamento de eventuais providências cabíveis a serem tomadas, tendo como principal objetivo não prejudicar o andamento de serviços prestados à população”, diz nota. (Colaborou Leo Ribeiro)

* Saiba

O contrato de tapa-buracos, pelo menos duas vezes já foi alvo de investigações por supostas irregularidades.

O primeiro caso foi em 2015, com os “buracos fantasmas” tapados. Após isso, veio a investigação da Lama Asfáltica.

Assine o Correio do Estado

Crise

TJMS reconhece colapso na Santa Casa e aplica multa diária ao Estado e município por omissão

Tribunal determinou multa diária de R$ 100 mil à Adriane e Riedel por omissão

13/05/2026 18h15

Segundo o Hospital, Estado e Município devem pagar multa de R$ 100 mil diários até o cumprimento das sentenças

Segundo o Hospital, Estado e Município devem pagar multa de R$ 100 mil diários até o cumprimento das sentenças FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

Conforme nota enviada pela Santa Casa de Campo Grande, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou a aplicação de multa diária à Prefeitura de Campo Grande e ao Estado de Mato Grosso do Sul pela crise enfrentada pelo Hospital.  

A entidade apresentou recurso na última terça-feira (12) ao Tribunal, alegando descumprimento da ordem para a apresentação do plano de ação destinado ao atendimento integral do Hospital, enquanto o Hospital segue disponibilizando as informações necessárias e participando de todas as reuniãos a que é convocada. 

"Essa postura de alheamento contribui para a manutenção da situação calamitosa vivida pelo Nosocômio, reclamando, em decorrência do descompromisso dos Gestores para com a saúde pública de nosso Estado, a necessidade de imposição de medidas coercitivas severas para obrigá-los à obediência das decisões judiciais proferidas, já que são refratários ao cumprimento do seu dever legal e constitucional de efetivamente garantir a prestação de saúde à população, porque édisso que se trata", afirmou o Hospital na ação a qual o Correio do Estado teve acesso. 

Segundo a Santa Casa, o pedido do recurso foi aceito pelo TJMS, que determinou a aplicação de multa diária ao Estado e ao Município no valor de R$ 100 mil por dia, pela ausência de apresentação e executação do plano emergencial destinado à regularização dos pagamentos devidos ao Hospital. 

No documento do julgamento, por maioria, contra o parecer, deram parcial provimento ao recurso elevando a multa, nos termos do voto do relator, com acréscimos do 1º vogal.

Na decisão proferida nesta quarta-feira (13), o Tribunal teria reconhecido a gravidade e ressaltou que os órgãos públicos foram omissos frente à situação da saúde pública.

A Santa Casa é custeada por aportes do Governo do Estado, do Município e do Governo Federal e alega que o repassado atualmente (R$ 32,9 milhões mensais) não é suficiente para cobrir as despesas operacionais, pedindo reajuste para R$ 45 milhões.

Em nota, o Hospital afirmou que a decisão "reforça a importância da Santa Casa para a saúde pública e evidencia a necessidade da adoção de medidas concretas por parte do Estado e do Município para garantir a continuidade da assistência prestada à população com qualidade". 

Relembre

Em 2025, a 76ª Promotoria de Justiça ajuizou ação civil pública que resultou na obrigatoriedade do Estado e do Município a apresentarem um plano de ação no prazo de 90 dias, com medidas para regularizar os serviços médicos, recompor estoques de medicamentos e insumos, além de organizar o pronto-socorro para reduzir a superlotação.

Inicialmente,a Justiça determinou que, em caso de descumprimento, haveria sequestro mensal de R$ 12 milhões das contas do Estado e do Município. Porém, posteriormente, o bloqueio foi substituído por multa diária de R$ 5 mil.

O Estado recorreu, alegando ilegitimidade passiva, incompetência da Justiça Estadual e ingerência judicial em políticas públicas, porém teve seu pedido negado.

No mês passado (abril de 2026), o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu o bloqueio das verbas do Estado de Mato Grosso do Sul e do Município de Campo Grande para garantir os serviços de atendimento no Hospital.

Para o MP, se os entes públicos continuam regulando pacientes para a Santa Casa, é indispensável que garantam condições mínimas para que essas pessoas sejam atendidas de forma digna.

Relatórios do Conselho Regional de Medicina (CRM) mostram que a Santa Casa tem superlotação superior a 500% da capacidade instalada, além da falta de insumos básicos e paralisações de atendimento por ausência de pagamento a profissionais.

 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).