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MALHA OESTE

Empresas estrangeiras estão interessadas em assumir a Malha Oeste, afirma ministro

Conforme João Carlos Parkinson, do Ministério das Relações Exteriores, é necessário R$ 4 bilhões

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Nesta sexta-feira (15), durante coletiva de imprensa na Câmara Municipal de Campo Grande, o ministro da carreira diplomática do Ministério das Relações Exteriores, João Carlos Parkinson, afirmou que, há grupos interessados, inclusive estrangeiros, em assumir o controle da Malha Oeste, mas antes disso, é preciso definir qual vai ser o planejamento do governo brasileiro.

"Antes de você ter ou não ter gente interessada, nós temos que primeiro definir qual vai ser o planejamento do governo brasileiro sobre a nova licitação de uma futura concessão, isso porque, a concessão atual vence em 2026, e ninguém sabe o que acontecerá depois disso", disse ele, durante uma coletiva de imprensa que antecedeu a Audiência Pública para debater a Reativação da Ferrovia Malha Oeste.

Na ocasião, Parkinson ressaltou que, o investimento necessário para a reativação da Malha Oeste, seria de R$ 3 a R$ 4 bilhões. Ele ainda afirmou que, em seu entendimento, a Rumo Malha Oeste, empresa que era responsável pelo gerenciamento da ferrovia, gostaria de entregar a concessão.

"Eu não posso afirmar nem sim, nem não, mas o que eu entendo é que a Rumo gostaria de entregar a concessão. Agora, se ela vai ou não reassumir, isso eu não desejaria comentar, porque eu não sei", disse o ministro, explicando que tudo vai depender das regras e da decisão do governo brasileiro.

Na opinião do presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Neto (Papy), a reativação da ferrovia traz uma solução ampla para diversos pontos, principalmente no que se trata do ponto de vista ambiental. 

"O primeiro passo já foi dado, que é uma decisão judicial, que não prorrogou a concessão da Rumo, que operava aqui na Malha Oeste, e isso abre uma possibilidade de outras empresas ganharem essa concessão pública e aí, posteriormente, explorarem o serviço", disse.

Além do ministro, também estiveram presentes no evento o presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Neto (Papy), a vereadora Luiza Ribeiro, o deputado federal Vander Loubet, o deputado estadual Zeca do PT e o ex-ministro da Casa Civil do Governo Federal, José Dirceu.

DEBATE

A Malha Oeste é uma ferrovia de 1.973 km que conecta Mairinque (SP) a Corumbá (MS). Conforme a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), a infraestrutura da Malha Oeste, incluindo sua via permanente, encontra-se depreciada. Durante anos, a atual concessionária realizou investimentos em patamares insuficientes para a sua manutenção, o que acarretou perda da capacidade de transporte.

O debate ocorrido na Câmara nesta sexta-feira (15), foi proposto pela vereadora Luiza RibeiroO debate ocorrido na Câmara nesta sexta-feira (15), foi proposto pela vereadora Luiza Ribeiro - FOTO: Marcelo Victor

O debate ocorrido na Câmara nesta sexta-feira (15), foi proposto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), com o objetivo de atender a uma solicitação do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul (STEFBU), juntamente com o deputado estadual Zeca do PT e o deputado federal Vander Loubet.

“A retomada da Malha Oeste pode transformar a logística do nosso Estado, impulsionar o comércio internacional, gerar empregos e fortalecer a integração latino-americana. É fundamental que todos os atores — do Brasil e da Bolívia — estejam unidos nesse diálogo”, destacou a vereadora Luiza Ribeiro.

ENTENDA

A reativação da Malha Oeste é importante para otimizar o escoamento da produção do Estado, reduzindo custos logísticos, além de ser estratégica para a Rota Bioceânica, ligando o Brasil aos portos do Pacífico, por meio da integração com a malha ferroviária boliviana.

Conforme já divulgado pelo Correio do Estado, em março desse ano concessionária Rumo ganhou o direito de explorar os 1.625 km da linha férrea Malha Oeste, entre Mairinque (SP) e Corumbá – por tempo indeterminado, mesmo com o fim da prorrogação do contrato de concessão, que ocorreu no dia 19 de janeiro desse ano, e sem a necessidade de fazer novos investimentos.

Já em maio, a concessionária afirmou que, só ficaria com cerca de 300 km, ou seja, entre Ribas do Rio Pardo e Três Lagoas, dos 1.973 km da linha férrea que liga Mairinque (SP) a Corumbá, além de construir 144 km de novos trechos, e ainda reformar 47 km em Corumbá, a fim de transportar celulose e minério, produtos considerados rentáveis.

Além disso, segundo o que foi apurado e divulgado pelo Correio do Estado, havia um desinteresse concreto na reativação do trecho entre Campo Grande e Três Lagoas. O motivo era a relação entre o investimento necessário para a recuperação da infraestrutura e o volume potencial de carga não justifica a operação. “Não fecha a conta”, afirmam técnicos envolvidos na discussão.

Diante disso, entre entraves regulatórios, ausência de consenso entre as partes envolvidas e, principalmente, a baixa viabilidade econômica de certos trechos, a renovação da concessão enfrenta obstáculos que tornam incerto o futuro da linha férrea que liga Corumbá a Mairinque (SP).

Cabe ressaltar que, as negociações estão paralisadas por falta de consenso entre a concessionária Rumo, a União, o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A complexidade do processo fez com que o Tribunal de Contas da União (TCU) entrasse em cena para determinar parâmetros que precisam ser seguidos antes de qualquer decisão sobre o futuro da concessão.

PASSADO

Desde 2020, há um processo de caducidade da concessão em curso, instaurado após a agência identificar descumprimentos legais e contratuais. O processo foi suspenso após o projeto ser qualificado pelo Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) para fins de relicitação.

Mesmo assim, os problemas se acumulam. Apenas em 2024, a concessionária foi multada em R$ 2,1 milhões pelo abandono de um trecho de 436 km entre Campo Grande e Três Lagoas. Uma inspeção da ANTT apontou que 94,5% dos dormentes estão deteriorados – e não há previsão de manutenção.

Em outro trecho, de 418,7 km entre Bauru (SP) e Três Lagoas, a situação é igualmente grave: desde o pedido de devolução feito pela concessionária, há um abandono generalizado. A equipe de manutenção foi reduzida em 58% e a aplicação de materiais caiu drasticamente. A taxa de dormentação inservível subiu para 59,38%.

Ainda, de acordo com o relatório técnico da ANTT, existem centenas de passagens em nível sem sinalização, tanto em áreas urbanas quanto rurais. A concessionária, sem operar trens no trecho, deixou de zelar pela segurança nos cruzamentos e permitiu a invasão da faixa de domínio, com a abertura irregular de ruas e construções em áreas da ferrovia.

Outros problemas incluem o descumprimento das normas de inspeção dos trilhos e velocidades operacionais perigosamente baixas. Há trechos onde a velocidade permitida é de apenas 1 km/h – um claro indicativo de que a via está em condições críticas.

Em sua defesa, a Rumo afirma que suas obrigações foram reduzidas por termos aditivos ao contrato original e que tem feito “esforços para manter a prestação do serviço público”.

A empresa também argumenta que a relicitação surgiu justamente por não haver viabilidade de manutenção adequada da via com os recursos disponíveis.

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Cidades

TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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testemunha-chave

Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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