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Empresas ganham mais 30 dias de lixo recolhido pela Solurb

Justiça havia determinado que concessionária encerraria os serviços aos grandes geradores de lixo na sexta-feira, mas acordo deu "gordura" para nova solução

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Menos de 48 horas antes de a Solurb paralisar por completo o serviço de coleta dos grandes geradores de lixo, audiência entre as partes definiu que serão dados mais 30 dias de prazo para que seja encontrada uma nova solução que não afete os envolvidos.

Reuniram-se ontem os representantes da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), da CG Solurb, do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) e da Prefeitura de Campo Grande. Após aproximadamente uma hora de conversa, as partes chegaram a um consenso.

Márcio Torres, advogado da CG Solurb, confirmou que até dia 31 de agosto a concessionária continuará a recolher o lixo dos grandes geradores, enquanto as partes tentam encontrar uma nova solução para este problema, que impacta, principalmente, bares e restaurantes da Capital.

“Essa equação precisa ser feita nesse período de sentar e rediscutir um modelo, para que a sociedade, por meio dessas empresas privadas, que geram um lixo que não é coletado pelo lixo individual de porta a porta, e o gerador que é destinatário do controle de coleta possam ter uma solução melhor”, disse.

O representante reafirmou que a ideia da prorrogação do prazo é para que aquelas empresas que serão impactadas pela decisão judicial consigam encontrar uma solução com um custo melhor, sem que a concessionária volte a recolher esses resíduos.

“A princípio, a Solurb não tem essa intenção de voltar a fazer a coleta, mas de participar de uma solução melhor para a sociedade”, complementou.

Representando a Fiems, entidade que entrou com o pedido para prolongar o serviço em ação civil pública, o advogado Daniel Castro explicou que foi debatido entre as partes o impacto do encerramento do serviço para os grandes geradores e o prazo de aplicabilidade da decisão judicial.

Ademais, destacou que alguns dos grandes geradores falaram que não foram notificados no período pactuado, que era de 60 dias a partir da homologação do acordo, contradizendo a nota enviada pela CG Solurb ao Correio do Estado, que afirmou que “todos os clientes atendidos pela Solurb nessa modalidade foram formalmente notificados sobre a rescisão contratual com 60 dias de antecedência da interrupção dos serviços”.

“Pedimos um prazo mais elástico para nós podermos compreender melhor a questão e tentar arranjar alternativas que não prejudiquem o sistema de coleta de lixo dos grandes geradores em Campo Grande”, afirmou.

Ao fazer um balanço do que foi decidido na audiência, Castro disse que a prorrogação do prazo foi satisfatória para a Fiems e que agora vão sentar com o MPMS e a CG Solurb para encontrar alternativas por meio do diálogo.

NOVELA

A briga pela mudança na coleta de lixo de grandes geradores é antiga. Decreto municipal de 2018, que começou a valer em 1º de janeiro de 2019, determinava que os grandes geradores ficassem responsáveis pela coleta e a destinação do próprio lixo. A medida vale para todas as empresas que geram volume superior a 100 litros por dia ou 50 quilogramas. Anteriormente, a prefeitura realizava o serviço de forma gratuita.

Há dois anos, o MPMS iniciou a ação civil pública, a fim de investigar o fato de que o serviço de coleta de resíduos dos grandes geradores não constava no contrato firmado entre a concessionária e a Prefeitura de Campo Grande em 2012.

Com isso, no início de junho deste ano, o MPMS e o Executivo municipal firmaram um acordo que determinava que a concessionária teria 180 dias para encerrar por completo esse tipo de atividade, determinando que as empresas afetadas deveriam terceirizar o serviço.

Em nota, a CG Solurb havia afirmado que deixaria de realizar a coleta nesta sexta-feira e que a interrupção não afetaria os serviços públicos prestados regularmente.

Porém, visando esticar esse prazo apertado para empresários e estabelecimentos se organizarem acerca do assunto, a Fiems entrou com um pedido na Justiça para conseguir uma prorrogação, o que resultou na audiência de conciliação entre as partes.

Agora, as empresas e a CG Solurb terão mais 30 dias para encontrar uma solução que não gere tanto prejuízo aos clientes da concessionária. Por exemplo, a Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados (Amas) disse que “o valor do serviço vai aumentar em quatro a cinco vezes por loja”, podendo inflacionar o preço do produto final entregue ao consumidor.

Saiba

Segundo a Solurb, aproximadamente 300 grandes geradores são atendidos pela concessionária atualmente, 39% a menos do que o total reportado há seis anos, que era de 492 empresas.

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TCU aponta problemas na prestação de contas da Cultura e da Ancine, com passivo de R$ 22 bi

São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas

25/03/2026 21h00

Crédito: Valter Campanato / Agência Brasil

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O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas que classificou como graves na gestão de recursos transferidos a projetos culturais do Ministério da Cultura e da Agência Nacional do Cinema (Ancine) de 2019 a 2024. O montante alcança cerca de R$ 22,1 bilhões, segundo relatório da Corte. São 26.583 projetos que dependem de uma análise final no trâmite formal de prestação de costas. Além dos atrasos nas análises, há "elevado" risco de prescrição de processos.

O montante resulta da soma de R$ 17,73 bilhões em 19.191 projetos incentivados (renúncia fiscal) e R$ 4,36 bilhões em 7 392 projetos não incentivados (recurso direto do governo). De acordo com a fiscalização, o passivo de projetos nessa situação é crescente, o que fragiliza o controle sobre o uso de recursos públicos.

No caso do Ministério, o TCU apontou um cenário com acúmulo de processos pendentes e ausência de mecanismos eficazes de controle de prazos. A demora na análise, que pode ultrapassar anos, eleva o risco de perda do direito de cobrança de valores eventualmente devidos ao erário, segundo a Corte.

A Ancine também apresentou atrasos relevantes, embora o Tribunal tenha destacado iniciativas tecnológicas em curso para aprimorar a análise de prestações de contas, incluindo o uso de ferramentas automatizadas.

"O acompanhamento permite detectar omissões, atrasos e inconsistências na análise das prestações de contas", afirmou o relator do processo, ministro Augusto Nardes.

Diante dos achados, o tribunal determinou a adoção de medidas para priorizar processos com risco iminente de prescrição, implementar sistemas de monitoramento de prazos e revisar procedimentos internos, com o objetivo de reduzir o passivo e fortalecer a fiscalização.
 

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Chaveiro aponta que Bernal pode ter dado 'tiro de misericórdia' em fiscal

Em depoimento disse que ocorreu apenas um disparo assim que o ex-prefeito entrou no imóvel. O fiscal tributário, porém, morreu atingido por dois tiros

25/03/2026 18h28

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que  le deve permanecer na prisão

Nesta quarta-feira Alcides Bernal passou por audiência de custódia e o juiz entendeu que le deve permanecer na prisão Marcelo Victor

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O depoimento do chaveiro Maurílio da Silva Cardoso, de 69 anos, testemunha-chave do assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, contradiz as declarações de Alcides Bernal e pode comprometer a tese da legítima defesa, que é o principal argumento dos advogados para tentar tirar da prisão o ex-prefeito de Campo Grande. 

O crime ocorreu no  começo da tarde de terça-feira (24) e ao se apresentar à polícia, dizendo que acreditava estar sendo perseguido, o ex-prefeito afirmou que fez dois disparos contra o fiscal tributário, que acabou morrendo no interior da casa que motivou o assassinato. 

Bernal alegou que fez os disparos para se defender, pois teria se sentido ameaçado, já que os dois homens já haviam aberto o portão social que fica no muro do imóvel e estavam tentando abrir a porta que dá acesso à casa, localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na região central de Campo Grande. 

O chaveiro, porém, dá outra versão em seu depoimento prestado horas depois do crime. Conforme o documento oficial da Polícia Civil, o chaveiro "afirmou, de forma veemente, ter presenciado um disparo efetuado contra o senhor Roberto, relatando que ficou extremamente abalado com a situação. Declarou recordar-se de apenas um disparo ocorrido enquanto ainda se encontrava no local, não podendo, contudo, informar se o autor realizou novos disparos após sua saída da residência."

Em outro trecho o documento que que ele "informou que, de forma cautelosa, afastou-se lentamente do autor, enquanto o autor ficou vidrado na vítima Roberto, até conseguir alcançar o portão, momento em que empreendeu fuga, pois temia por sua vida, acreditando que o autor poderia também atentar contra si, especialmente após ter sido ordenado que se deitasse de bruços. Acrescentou que, após deixar o local e alcançar uma distância segura, entrou em contato com seu filho, DIEGO, comunicando o ocorrido e solicitando que acionasse a polícia". 

Diego é Guarda Municipal e, segundo as informações prestadas pelo pai, também faz bico como chaveiro e no dia anterior seu filho teria sido contactado pelo fiscal tributário para prestar o serviço de abertura da casa. Porém, o guarda teria repassado o serviço para o pai. Os advogados de Bernal dizem, porém, que o guarda também teria participado daquil que chama de invasão da casa. 

O revólver calibre 38 entregue por Bernal à polícia estava com três projéteis intactos e dois deflagrados. No corpo do fiscal tributário havia três perfurações. E, segundo a perícia, um dos disparos entrou pela parte frontal das costelas e saiu pelas costas. O outro, atingiu a região da cintura. 

Pelo fato de os policiais terem indagado ao chaveiro se ele escutou um segundo disparo depois que fugiu do local, os investigadores deixam claro que suspeitam que Bernal tenha dado o que se chamam de "tiro de misericórdia" contra Roberto Mazzini depois que este já estava imobilizado e depois que a testemunha-chave havia deixado o imóvel.

E, caso isto se confirme, a tese de legítima defesa cairia por terra. As versões diferentes sobre o exato momento em que foram efetuados os disparos podem ser esclarecidas pelas imagens das câmeras internas da mansão.

Estas imagens, apesar de os advogados de defesa de Alcides Bernal garantirem que existem, não haviam chegado às mãos do juiz que nesta quarta-feira decidiu manter o ex-prefeito na cadeia. O magistrado entendeu que não estava claro se realmente ocorreu legítima defesa. 

Em seu despacho, o juiz diz que "a defesa sustenta a ocorrência de legítima defesa. Todavia, para o  reconhecimento da excludente de ilicitude nesta fase processual, seria necessária prova cabal, inequívoca e indiscutível, o que não se verifica no presente momento".

Logo na sequência, diz o magistrado, "destaca-se o depoimento da testemunha Maurílio da Silva Cardoso, o qual afirmou que a vítima não teve qualquer oportunidade de reação ou explicação, tendo o custodiado se aproximado já com a arma em punho". 

Além disso, ressalta o juiz, "o  custodiado (Bernal), ao ser informado de possível invasão, poderia ter acionado os órgãos de segurança pública, como Polícia Militar ou Polícia Civil, ao invés de dirigir-se ao local armado e efetuar disparos sem oportunizar esclarecimentos. A conduta, portanto, revela elevada gravidade concreta, tratando-se de crime doloso contra a vida, praticado com violência extrema."

MANSÃO

Com quase 680 metros quadrados de área construída e um terreno de 1,4 mil metros quadrados, a casa foi arrematada pelo fiscal tributário por pouco mais de R$ 2,4 milhões em novembro do ano passado. Desde então ele tentava tomar posse. Conforme advogados de Bernal, o fiscal já havia participado de pelo menos 25 leilões e conhecia as normativas para tomar posse destes imóveis. 

Segundo nota emitida por familiares de Roberto Mazzini na manhã desta quarta-feira (25), o fiscal chamou o chaveiro para abrir o imóvel porque o cartório responsável pelo registro havia informado que a casa estava vazia e por conta disso Roberto teria ido ao local para tomar posse, já que havia comprado a mansão em um leilão realizada pela Caixa Econômica Federal. 

CARREIRA POLÍTICA

Radialista, Alcides Bernal foi vereador em Campo Grande durante dois mandatos e em 2010 elegeu-se para deputado estadual, com 20.910 votos. Em 2012 candidatou-se a prefeito de Campo Grande e acabou derrotando o então deputado federal Edson Giroto, que tinha o apoio dos principais caciques políticos da época, como André Puccinelli e a família Trad.  

Mas, em março de 2014 acabou sendo cassado pela câmara de vereadores, sendo o primeiro prefeito a sofrer a punição na história de Campo Grande. Seu vice, Gilmar Olarte, foi um dos principais articuladores da cassação e acabou herdando o cargo. 

Em maio daquele ano, um juiz de primeira instância suspendeu a cassação e concedeu liminar para a volta de Bernal ao cargo. Horas após a concessão, aliados marcharam rumo à prefeitura e a ocuparam o prédio. No entanto, a decisão foi revertida pelo Tribunal de Justiça horas depois, reempossando Gilmar Olarte no cargo.

Bernal somente conseguiu voltar ao cargo em 25 de agosto de 2015 e permanceceu no cargo até o fim do mandato. Ele chegou a se candidatar à reeleição, mas nem mesmo chegou ao segundo turno. O pleito foi vencido por Marquinos Trad.  

Ele havia comprado a casa em 2016, já perto do fim do seu mandato como prefeito. Porém, por conta por conta de uma dívida da ordem de R$ 900 mil na Caixa, o imóvel acabou sendo levado a leilão. 

 

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