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juros exorbitantes

Empréstimo de R$ 15 mil com agiotas sobe para R$ 78 mil e vira caso de polícia

Casal emprestou dinheiro com juros de R$ 10 mil, mas passou a cobrar mais de R$ 68 mil, além de ameaçar e perseguir a devedora, que denunciou o caso

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Uma mulher de 33 anos denunciou um casal, sendo o homem de 26 anos e a mulher de 32, por suposto crime de extorsão e agiotagem, ao cobrarem mais de R$ 68 mil de juros exorbitantes de um empréstimo, além de ameaçá-la e perseguirem. Boletim de ocorrência foi registrado em junho e segue na Justiça.

A vítima disse que trabalha em um laboratório e ganha R$ 1,7 mil por mês. Segundo o boletim de ocorrência, ela conheceu o casal através do irmão, pois além de agiotas, eles trabalham com compra e venda de ouro e o irmão já havia mandado fazer uma pulseira de ouro para o sobrinho.

Por precisar do dinheiro, ela foi até os agiotas pedir o empréstimo de R$ 15 mil, sendo acordado a devolução no valor de R$ 25 mil em 30 dias, ou seja, R$ 10 mil de juros.

Por se tratar de um valor alto, foi pedida uma garantia. Como sabia que tinha um dinheiro a receber, a vítima deu como garantia a cópia do contrato de compra e venda e uma cópia da escritura da casa onde morava.

No entanto, no dia combinado para o pagamento, em 28 de novembro de 2024, o casal foi até o trabalho da vítima e mudou os termos, exigindo o pagamento de R$ 48,5 mil. Ela não realizou o pagamento por não concordar com os juros altos.

A mulher conta que fez dois pagamentos, de R$ 19,5 mil cada, totalizando R$ 39 mil, mas, ainda assim, a agiota disse que ela estava em dívida.

“Eu peguei esse dinheiro emprestado com eles, pois na época eu estava passando por um processo de divórcio e eu sabia que tinha um dinheiro para receber. Caso não desse certo, minha mãe também tinha um dinheiro para receber de herança, pois minha avó havia falecido há pouco. Acabou que foi a minha mãe que pagou a dívida com a herança”, disse.

Mesmo com o pagamento de quase R$ 40 mil, a mulher continuou a cobrá-la, dizendo que os juros eram de R$ 1 mil por dia.

A vítima diz que a agiota foi até o trabalho dela com um recibo, dizendo que faltava R$ 500 para ela pagar e, por medo de ser constrangida na frente dos colegas de trabalho, acabou assinando o recibo.

Posteriormente, em 18 de janeiro deste ano, ela foi novamente procurada pelo casal, onde foi informada que a dívida foi reajusta para R$ 78 mil.

Além de intimidá-la no trabalho, o casal também teria ido até a residência da vítima, dizendo que “não teria nada a perder”. “Eles vão 'fazer' você. Você vai ver. Fica aí pagando pra ver”, teria dito a suspeita.

Com medo de sofrer algum tipo de agressão e com a saúde mental abalada, ela apresentou atestado médico para se afastar das atividades profissionais e procurou a Delegacia de Polícia Civil para registrar boletim contra o casal.

A vítima ressaltou que todas as ameaças são feitas presencialmente ou por telefone e que a mulher nunca disse nada comprometedor por escrito, para não deixar registro.

Mesmo assim, ela apresentou cópias de mensagens de WhatsApp, onde constam as ameaças, além da cópia de comprovantes bancários, que demonstram os valores que ela recebeu e também os que foram pagos aos suspeitos.

Versão da acusada

A suposta agiota já foi presa anteriormente pelos crimes de tráfico de drogas, em 2010, e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, em 2013.

Na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf), a acusada negou trabalhar como agiota e disse que nunca emprestou dinheiro a juros, afirmando que trabalha com vendas de roupas, acessórios, ouro, joias e semi-joias, por meio de loja online.

Com relação ao marido, ela disse que ele trabalha como ourives, na compra, venda e fabricação de peças em ouro e prata.

Sobre a denúncia da vítima, ela informou que ambas eram amigas, tendo participado inclusive do casamento dela. Durante o processo de separação, a mulher teria pedido ajuda, pois estava precisando de dinheiro, além de ter uma filha com problemas de saúde, e que ela sempre teria ajudado, mas com valores menores e sem cobrar juros.

Até que, em novembro do ano passado, a mulher teria pedido o valor de R$ 40 mil e oferecido a casa como garantia.

"Eu falei primeiro com meu marido e concordamos em ajudá-la. Eu pedi para meu advogado fazer um contrato colocando a casa em garantia da dívida. Ele fez o contrato, eu reconheci firma no cartório, depois eu mandei para ela e ela também reconheceu firma", disse a suposta agiota.

Ainda segundo a acusada, o combinado era que o valor seria pago em 30 dias, sem juros, mas que a mulher não cumpriu o combinado.

"Passou os 30 dias e ela não me pagou e eu comecei a mandar mensagem para ela. Ela disse que ainda não tinha saído o dinheiro do divórcio, eu esperei mais uns dias e nada. Quando foi dia 14 de janeiro, eu fui na casa dela, mas eu fui para conversar com ela. Emprestei o dinheiro na maior boa vontade e ela nada de me pagar, quando cheguei lá ela nem quis me atender", disse a acusada, acrescentando que o marido da mulher teria saído armado.

Ainda na versão dela, ela chegou a se exaltar devido à situação, mas nega ter ameaçado a outra mulher.

Com relação à casa dada como garantia, a mulher afirma que pensou em executar o contrato, mas quando foi visitar o imóvel, no Jardim Los Angeles, havia outra pessoa morando no local e a moradora afirmou que havia comprado o imóvel, tendo inclusive o contrato de compra e venda.

Desta forma, a mulher afirma que ela é quem foi vítima de golpe e entrou com uma ação cível de cobrança conta a denunciante.

Com relação aos comprovantes de pagamento apresentados pela vítima, de quase R$ 40 mil, ela alega serem referentes a outra dívida.

O marido da mulher também apresentou versão semelhante, mas divergiu com relação aos valores e conteúdo das mensagens encaminhadas.

Inquérito

No inquérito instaurado na Polícia Civil, o delegado afirmou haver materialidade e indícios de autoria da prática criminosa.

"Interrogados sobre os fatos e documentos apresentados pela comunicante, [os acusados] negaram exercerem agiotagem, bem como terem concedido empréstimos a juros exorbitantes, bem como negaram ter a ameaçado, contudo, houve contradição em suas versões com relação aos valores cedidos, sua motivação, bem como sobre as mensagens de WhatsApp encaminhadas", disse o delegado, ao encaminhar o inquérito ao Poder Judiciário.

Desta forma, o casal foi indicado pelo crime de extorsão, decorrente do crime de cobrar juros sobre dívidas em dinheiro superiores à taxa permitida por lei.

Na Justiça, a última movimentação ocorreu em outubro, quando os autos foram encaminhados ao Ministério Público Estadual (MPMS), que pediu dilação do prazo.

Há ainda a ação ingressada pelo casal, pedindo a penhora do imóvel dado como garantia ao pagamento. Na última movimentação, do dia 5 de novembro deste ano, consta uma decisão interlocutória, onde o juiz indeferiu a penhora devido a uma decisão prolatada nos embargos de terceiro, que suspendeu atos constritivos relacionados ao referido imóvel.

assassinato

Homem invade convento no PR, mata freira de 82 anos e diz que 'vozes' ordenaram

Crime ocorreu no Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada, no município de Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná

22/02/2026 17h15

Foto: reprdoução

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Uma freira de 82 anos foi morta asfixiada na tarde deste sábado, 21, após um homem invadir o Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada, no município de Ivaí, nos Campos Gerais do Paraná. A vítima foi identificada como Nadia Gavanski. O suspeito, de 33 anos, foi preso em flagrante pelo assassinato.

De acordo com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), uma equipe da Polícia Militar (PM) foi a primeira a chegar ao local e encontrou a religiosa caída no chão, com as roupas parcialmente retiradas e sinais evidentes de agressão física. A freira teria tentado se defender do suspeito durante o ataque.

Uma fotógrafa que registrava um evento no convento relatou à polícia que foi abordada pelo suspeito logo após o crime. Ele apresentava nervosismo, roupas sujas de sangue e arranhões no pescoço. Disse que trabalhava no local e que tinha encontrado a freira já caída. Desconfiada, a testemunha gravou parte da conversa de forma discreta e pediu que outras pessoas acionassem socorro e a PM. Nesse intervalo, o homem deixou o convento.

Com base no vídeo gravado pela fotógrafa, os policiais identificaram o suspeito, que já tinha antecedentes por roubo e furto. Ele foi localizado em casa. Ao perceber a aproximação da PM, tentou fugir e resistiu à abordagem com socos e chutes, mas foi contido pelos militares. Questionado, admitiu ter assassinado a freira. A defesa do suspeito não foi localizada.

Suspeito confessa crime

Na delegacia, o homem confirmou que passou a madrugada consumindo crack e bebida alcoólica. Disse ainda que ouviu vozes ordenando que matasse alguém e, por isso, pulou o muro do convento com a intenção de tirar a vida de uma pessoa. Segundo o relato, ao ser abordado pela freira, afirmou que trabalhava ali. Diante da desconfiança da religiosa, ele a empurrou. Quando ela caiu e começou a gritar, colocou os dedos na boca da vítima para provocar asfixia.

"Ele negou ter golpeado diretamente a cabeça dela, embora tenha admitido que ferimentos cranianos possam ter ocorrido durante a queda. Negou, ainda, qualquer ato de violência sexual contra a vítima ou intenção de subtrair objetos", informou a Polícia Civil ao Estadão.

A polícia afirmou, contudo, que a circunstância de a vítima estar com as roupas parcialmente retiradas será analisada após a conclusão dos laudos periciais, para verificar eventual crime sexual.

Uma das irmãs do convento contou que, depois do almoço, a freira costumava ir até o local onde o crime aconteceu para alimentar galinhas.

O homem foi autuado por homicídio qualificado, com indícios de motivo fútil, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de resistência à prisão. Ele foi encaminhado ao sistema penitenciário. A Polícia Civil segue investigando o caso

Mais de 50 anos dedicados à religião

Em nota, o Convento das Irmãs Servas de Maria Imaculada lamentou a morte de Nadia Gavanski e informou que a irmã dedicou 55 anos à vida religiosa. A entidade disse ainda que ela foi vítima "de um ato de violência injustificável".

"Informamos que a instituição está colaborando plenamente com as autoridades de segurança pública para que as circunstâncias deste trágico homicídio sejam esclarecidas e a justiça seja feita", diz trecho do comunicado.

A cerimônia de despedida será realizada na tarde deste domingo, 22, em Prudentópolis (PR).

campo grande

Áudio com ataque à umbanda gera investigação por intolerância religiosa

Mãe de adolescente que frequentava terreiro gravou áudio dizendo que a religião é "do demônio" e que a decisão sobre a religião do filho deveria caber a ela

22/02/2026 17h00

Inquérito é conduzido pela Deops

Inquérito é conduzido pela Deops Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Uma mulher foi denunciada à Polícia Civil por intolerância religiosa, após enviar áudios a uma mãe de santo com ofensas à religião da umbanda, em Campo Grande. O caso foi registrado no dia 5 de maio de 2025, mas o inquérito policial segue em andamento.

A denúncia foi feita pela vítima, que é zeladora de umbanda. Conforme relato da mulher, o áudio foi encaminhado por um adolescente de 15 anos, que é frequentador do terreiro.

No áudio, a mãe do adolescente teria dito: "Vocês são filhos do demônio, essa religião não é para Deus". A ofensa é proferida em uma conversa com outra pessoa, identificada como a avó do jovem.

A denunciante não soube dizer se a mulher tinha ciência de que a conversa estava sendo gravada.

Durante o diálogo, a mulher declarou ainda não querer que o filho frequentasse o terreiro, alegando que a decisão sobre a religião do adolescente deveria ser dela, demonstrando ainda descontentamento com o horário em que o filho permanecia nas reuniões religiosas.

Na denúncia, a zeladora afirma que os encontros ocorrem das 19h às 21h.

Por fim, a mãe do adolescente volta a dizer que não quer que o menino frequente o local por considerar que "a religião é do diabo".

O áudio foi apresentado pela vítima na Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops) e juntado ao inquérito.

Após ser intimada por oficial de Justiça para prestar esclarecimentos, a investigada passou a se mostrar mais compreensiva em relação à religião do filho e à prática religiosa da mãe de santo, segundo a denunciante.

No entanto, a mulher ainda não prestou depoimento e não há sua versão sobre o caso. A oitiva delas está marcada para o dia 11 de março, na Deops, ainda na fase do inquérito policial. Caso ela não compareça, será considerado crime de desobediência.

Na última sexta-feira (20), a delegada pediu dilação de prazo, devido à necessidade de diligências para a análise e conclusão do inquérito. O caso está sendo investigado como injúria qualificada pela religião.

Intolerância religiosa

A intolerância religiosa é crime no Brasil, tipificado no Artigo 208 do Código Penal (ultraje a culto e impedimento/perturbação de cerimônia) e pela Lei nº 7.716/1989 (Lei Caó), que equipara a discriminação religiosa ao crime de racismo, tornando-o inafiançável e imprescritível.

As penas incluem detenção de um mês a um ano ou multa, podendo aumentar com violência. 

No caso em questão, o caso foi tipificado como injúria qualificada pela religião, prevista no § 3º do artigo 140 do Decreto-lei nº 2.848, que dispõe que é crime injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, "se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à condição de pessoa idosa ou com deficiência".

Em caso de condenação, a pena varia de um a três anos de reclusão e multa.

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