Alvo da operação Cascalhos de Areia, a empresa MS Brasil Comércio e Serviços assinou nesta quarta-feira (13) um novo contrato para locação de máquinas e veículos para a prefeitura de Campo Grande e a previsão é de que fature até R$ 13.389.556,80 por ano.
O extrato do contrato foi publicado na edição desta quinta-feira (14) do diário oficial de Campo Grande e foi assinado pelo secretário Ednei Marcelo Miglioli, da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP), e por um dos proprietários da MS Brasil, Edcarlos Jesus Silva.
Nesta quinta-feira, a Sisep também publicou a assinatura de contrato com outras duas empresas para locação de máquinas, caminhões e outros veículos, mas estas terão faturamento bem menor. A M2H Soluções Ambientais, por exemplo, vai faturar R$ 772.560,00 por ano caso as máquinas realmente sejam utilizadas. A Construtora JLC, por sua vez, poderá faturar até R$ 3.463.210,32 ao final de um ano.
Em junho deste ano, quando o Ministério Público Estadual desencadeou a operação Cascalhos de Areia porque havia suspeita de fraudes em contratos da ordem de R$ 300 milhões, vários endereços ligados a empresas de Edcarlos foram alvo de busca e apreensão de documentos.
Até agora, porém, os negócios tanto da MS Brasil quanto da Engenex com a prefeitura de Campo Grande não tiveram nenhuma alteração. Teve contrato da Enegenex, inclusive, que recebeu reajuste de 25% mesmo depois da devassa do Gaeco nas empresas.
Além de ser proprietário de duas das quatro empresas investigadas na Cascalhos de Areia, Edcarlos é apontado também como responsável pela JR Comércio e Serviços, que no papel pertence a Adir Paulino Fernandes, sogro de Edcarlos.
No dia da operação, em 15 de junho, Adir Paulino chegou a ser detido porque estava com uma arma não regularizada. Naquele dia, se apresentou como vendedor de queijos que fatura em torno de R$ 2,5 mil por mês. Sua Empresa, porém, firmou contratos com a prefeitura e faturou em torno de R$ 220 milhões nos últimos oito anos.
E, mesmo ficando explícito que é “laranja”, o “queijeiro milionário” continua recebendo pagamentos regulares da prefeitura. No dia 22 de novembro o diário oficial do município divulgou a liberação de R$ 69 mil para pagamento de locação de veículos fornecidos pela JR Comércio e Serviços.
Porém, conforme suspeitas do Ministério Público, tanto Edcarlos quanto o sogro (o “queijeiro milionário”) são “laranjas” de um esquema maior, que seria comandado pelo empreiteiro André Luiz dos Santos, conhecido como “André Patrola”.
No pregão eletrônico para locação de máquinas, André Patrola também saiu vencedor em parte dos lotes, mas a assinatura do contrato ainda não foi divulgada.
A operação Cascalhos de Areia veio à tona depois de denúncia anônima de servidores municipais apontando que a empresa de André Patrola, além de outras três, seriam uma espécie de laranjal e que, na realidade, pertenceriam a um grupo de políticos.
E, para piorar, estariam recebendo os pagamentos sem a prestação dos serviços de locação de máquinas e manutenção das ruas sem asfalto na periferia de Campo Grande.
No dia 15 de junho foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e tanto endereços ligados a Patrola quanto a Edcarlos foram alvos da operação, que investiga “possível organização criminosa estabelecida para a prática de crimes de peculato, corrupção, fraude à licitação e lavagem de dinheiro”, conforme nota publicada pelo MPE naquele dia.


