O calor deixou de ser apenas um incômodo para quem passa o dia na Escola Municipal João de Paula Ribeiro, no bairro Monte Castelo, em Campo Grande. Cansados do desconlforto causado pela temperatura, pais, professores e funcionários decidiram se unir para resolver o problema por conta própria. Com dinheiro arrecadado em festas juninas e outras ações da comunidade, a Associação de Pais e Mestres (APM) comprou nove aparelhos de ar-condicionado para a escola.
A decisão veio depois de anos de convivência com temperaturas altas dentro das salas. Em agosto deste ano, Campo Grande chegou a registrar 35,6°C, a maior temperatura de 2026 até então, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Para quem estuda ou trabalha em uma escola, o calor não fica apenas do lado de fora. É dentro da sala que crianças precisam prestar atenção, professores precisam dar aula e funcionários passam boa parte do dia.
Foi pensando nessa rotina que a climatização entrou como uma das prioridades da gestão da escola. A diretora Thaís Luiz da Silva conhece a situação dos dois lados: antes de assumir a direção, também trabalhou como professora na unidade.
“Quando eu era professora, também sofria com o calor e entendia o sofrimento dos alunos. A climatização foi uma das metas do meu plano de gestão”, contou a diretora em entrevista ao Correio do Estado.
Antes de colocar os aparelhos, a escola precisou resolver outro problema: a instalação elétrica. A fiação antiga não tinha capacidade para suportar a carga dos equipamentos.
A direção e a APM fizeram a adequação com recursos próprios enquanto aguardavam a promessa de que os aparelhos seriam disponibilizados pelo poder público. O tempo passou e os equipamentos não chegaram.
Foi então que os pais e responsáveis, junto com a escola, decidiram mexer no dinheiro que estava guardado pela associação.
Os nove aparelhos já foram comprados e estão na escola. A mão de obra para a instalação também foi paga. A previsão é que o trabalho comece neste fim de semana.
Esforço dos pais
A maior parte do dinheiro usado na compra veio das festas juninas realizadas pela escola. Os eventos costumam reunir famílias, alunos e moradores do bairro e têm uma arrecadação significativa.
A APM também vende pastéis e refrigerantes durante as reuniões de pais para levantar recursos.
Não foi uma única ação que bancou os aparelhos, mas a soma de pequenas iniciativas ao longo do tempo. Para a direção, é justamente essa participação que tornou a compra possível. “Foi uma construção de todos. A APM, os servidores, os pais e a comunidade foram ajudando. Cada evento, cada venda e cada contribuição fizeram diferença”, afirmou Thaís.
A diretora diz que a intenção agora é continuar buscando melhorias para a escola, seguindo o lema adotado pela comunidade escolar: “Juntos, construindo a escola dos nossos sonhos”.
A Prefeitura de Campo Grande foi questionada sobre a situação da Escola Municipal João de Paula Ribeiro, se havia previsão de climatização da unidade e se houve promessa de envio dos aparelhos para a escola.
Também foram solicitadas informações sobre a política de climatização das escolas municipais e sobre eventual apoio à instalação dos equipamentos comprados pela APM.
Até a publicação, a Prefeitura não havia respondido aos questionamentos.
Água avança sobre trecho próximo ao Córrego Imbirussu, na Vila Popular, durante chuva intensa em Campo Grande. Foto: Foto enviado à redação


