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Escola procurou Conselho Tutelar para informar abandono

Criança de sete anos não estava comparecendo à instituição de ensino nem fazendo as tarefas de casa, alertou o colégio ao órgão em duas oportunidades

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Antes do acidente que deixou um bebê de seis meses em estado grave, em Campo Grande, a escola em que estudava a menina de 7 anos, que estava responsável por cuidar dos irmãos mais novos, já havia informado ao Conselho Tutelar sobre o abandono escolar da criança. Na noite de terça-feira, enquanto a mãe estava fora, a menina estava sozinha com os irmãos de 3 anos e seis meses. Enquanto tentava acalmar o bebê, a criança acabou caindo do 3º andar do prédio.

De acordo com documento de registros de denúncias, ao qual o Correio do Estado teve acesso, o primeiro alerta da Escola Municipal Professora Maria Lucia Passareli ao Conselho Tutelar da região sul de Campo Grande aconteceu no dia 11 de novembro de 2022, informando que a aluna de 7 anos estava com reiteradas faltas e em evasão escolar.

A escola realizou uma busca ativa, na tentativa de contato com os pais, mas não obteve êxito.

Neste ano, a escola denunciou novamente o abandono escolar ao Conselho, no dia 17 de maio, deixando claro que a aluna não estava realizando as atividades pedagógicas em razão da falta de frequência na unidade escolar.

Segundo a conselheira tutelar Raquel Lázaro, as denúncias da escola sobre a ausência de alunos nas aulas acontecem com frequência nos conselhos. 

“O que foi feito neste caso foi a notificação dos pais, para que eles comparecessem ao Conselho Tutelar para esclarecimentos, porém, nas duas vezes em que foram notificados eles não foram”, disse Raquel.  

A reportagem do Correio do Estado esteve no condomínio residencial CH8, no Bairro Aero Rancho, onde o acidente que aconteceu. Moradores do local informaram que as crianças não estavam frequentando a escola há um bom tempo e era comum a mãe deixá-las sozinhas em casa.

Foi relatado também que a casa onde a família morava era um local insalubre, com muita sujeira e poucos móveis, basicamente havia colchões para a mãe e as crianças dormirem. 

A mulher morava sozinha com os filhos de 3 anos, 7 anos e seis meses. Poucos vizinhos a conheciam e, em certo momento, ela teria contratado uma babá para cuidar das crianças enquanto estivesse fora de casa.

A situação da família sensibilizou os moradores do condomínio, que estão organizando uma vaquinha para ajudá-la com a doação de móveis e com a compra de uma grade, para que seja colocada na janela do apartamento onde aconteceu o acidente.

Conforme informações de uma pessoa que faz parte da gerência dos condomínios, a mulher trabalhava na Feira Central no período noturno.

Pouso se sabe sobre o pai do bebê. De acordo com uma moradora do local, ele já teria morado no condomínio, porém, se separou da mãe das crianças após o nascimento do bebê.

O caso está sendo investigado pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). De acordo com a delegada Nelly Gomes dos Santos Macedo, a mãe das crianças, que tem 23 anos, está presa preventivamente e deverá passar por audiência de custódia.

“Na audiência de custódia, será deliberado sobre o direito ou não de a mãe responder em liberdade. Os pais das crianças ainda serão intimados para depor”, disse a delegada Nelly.

“Precisamos saber, por meio dos depoimentos, por que essa mãe estava tão sobrecarregada cuidando de três crianças, não que isso isente a responsabilidade dela de deixar as crianças sozinhas, mas outros acidentes como esse poderiam ter acontecido também enquanto ela estava em casa. Então, a gente precisa saber se os pais assumiam a responsabilidade paterna ou se realmente essa mãe estava sobrecarregada”, acrescentou a delegada. 

Segundo o Conselho Tutelar, o pai das crianças de 7 anos e 3 anos compareceu ao local após o acidente e foi aconselhado a procurar a Justiça caso queira realizar o desacolhimento das crianças, iniciando, assim, o pedido de processo para adquirir a guarda dos menores. 

O CASO

O bebê de 6 meses, que estava sendo segurado pela irmã, caiu do terceiro andar – uma altura de aproximadamente 15 metros – de um dos prédios do condomínio residencial CH8, na noite de terça-feira.

A irmã, de 7 anos, teria levado o bebê para perto da janela do apartamento porque ele estava chorando. Ela tentou acalmá-lo mostrando a vista da janela. 

De acordo com testemunhas e moradores do condomínio, as crianças estavam sozinhas no apartamento quando o acidente ocorreu porque a mãe, que é responsável pelas crianças, teria saído de casa para pagar uma dívida com um conhecido e deixou os filhos sozinhos por poucos minutos, voltando ao apartamento logo depois do ocorrido.

O bebê foi socorrido por vizinhos da família, que o levaram para o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS). 

O bebê chegou no HRMS inconsciente, apresentando esforço respiratório (falta de ar), que necessitou de intubação, e hemorragia cerebral. Com o estado grave, o bebê foi levado para Santa Casa, onde está internado na UTI.

Já as crianças de 7 anos e 3 anos estão aos cuidados do Conselho Tutelar, em um abrigo de acolhimento institucional.

OFENSIVA

MPF investiga usina de MT por supostos impactos sociais à comunidade de MS

Órgão instaurou procedimento administrativo após relatos de escassez de recursos naturais e falta de água de quilombolas de Sonora

07/03/2026 17h15

Usina Hidrelétrica Ponte de Pedra, localizada em Itiquira (MT)

Usina Hidrelétrica Ponte de Pedra, localizada em Itiquira (MT) Foto: Engie/Reprodução

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O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento administrativo para acompanhar o licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica Ponte de Pedra, localizada em Itiquira (MT), que estaria causando impactos sociais à Comunidade Quilombola Porto dos Bispos, presente em Sonora, a menos de 120 quilômetros da cidade mato-grossense.

A abertura do procedimento foi publicada no diário oficial do órgão na última quarta-feira (4). Assinada pelo promotor Luiz Eduardo Camargo Outeiro Hernandes, a portaria cita que a história começa no ano passado, depois da Secretaria de Perícia, Pesquisa e Análise elaborar uma notícia de fato com evidências dos impactos à comunidade em decorrência da usina hidrelétrica no estado vizinho.

Diante disso, o MPF teria solicitado manifestação sobre o caso ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária de Mato Grosso do Sul (Incra/MS), ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis de Mato Grosso (Ibama/MT) e, por fim, à empresa Engie Brasil Energia S.A, que administra a usina.

Em resposta, o Incra disse que solicitou à Superintendência Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar no Mato Grosso do Sul para que acompanhasse a situação de perto, especialmente pelos relatos de escassez de recursos naturais e falta de água da comunidade quilombola devido à instalação da usina na região.

Já o Ibama disse que, embora as licenças necessárias para operação legal da usina foram emitidas corretamente, será "solicitado ao empreendedor a inclusão da comunidade Quilombola Família Bispo como público-alvo do Programa de Educação Ambiental em atendimento à condicionante estabelecida na licença, já que, apesar de não ter havido a necessidade de realocação da comunidade, esta se encontra inserida no entorno do empreendimento".

A empresa Engie se limitou a afirmar que "inexiste alteração relevante do regime hidrológico do Rio Correntes atribuível à operação da UHE Ponte de Pedra", pois "a usina opera em regime a fio d’água, com manutenção das vazões defluentes em patamares equivalentes às vazões afluentes e estrita observância da vazão mínima remanescente fixada em outorga", o que o afastaria de ser responsável por possíveis impactos sociais negativos sentidos pela comunidade de Sonora.

Mesmo diante da explicação da operadora, o promotor resolveu instaurar o procedimento administrativo, que terá duração de um ano, com o objetivo de acompanhar o licenciamento ambiental da usina hidrelétrica.

Além disso, o promotor enviou ofício à Superintendência Federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar no Mato Grosso do Sul para que informe as providências que serão tomadas após a notícia de fato.

Outro ofício também foi enviado à Diretoria de Territórios Quilombolas do INCRA, requisitando que se manifeste sobre o teor dos relatos e que informe se foi realizada a consulta livre, prévia e informada à Comunidade Quilombola e se a entidade participou desse processo, bem como as providências tomadas em relação ao procedimento de licenciamento do empreendimento “para garantir a compensação e mitigação dos impactos sociais à comunidade”.

A USINA

A Usina Hidrelétrica Ponte de Pedra, localizada no rio Correntes, no município de Itiquira, teve seu início de operação em 2005, com a Engie tendo concessão válida até 2035.

Segundo consta no site da empresa, a usina possui três unidades geradoras com turbinas verticais tipo Francis de 58,7 MW cada, abrigadas em uma casa de força subterrânea escavada em rocha. Sua capacidade instalada é de 176,1 MW e a garantia física para comercialização é de 133,6 MW médios.

Há 10 anos, a usina é operada de forma remota pela Engie, a partir do Centro de Operação da Geração (COG), localizado na sede da empresa, em Florianópolis (SC).

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Fatalidade

Idosa morre e criança fica presa às ferragens após motorista tentar desviar de buraco em MS

Motorista do veículo perdeu o controle ao tentar evitar buracos na pista e capotou várias vezes na MS-010

07/03/2026 14h15

Imagem Divulgação

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Identificada como Liva Xavier Siqueira, de 75 anos, a idosa que morreu quando o carro em que seguia tentou desviar de um buraco e acabou capotando, nas proximidades da cachoeira Céuzinho, na MS-010, em Campo Grande.

Segundo informações preliminares, o Fiat Uno branco, em que seguiam três pessoas, entre elas uma criança, perdeu o controle quando a condutora tentou desviar de buracos na pista e precisou retornar ao perceber um carro vindo no sentido contrário da via.

A motorista perdeu o controle do veículo, que capotou pelo menos três vezes. A idosa, que seguia como passageira, sofreu ferimentos graves. Ela chegou a receber atendimento de uma equipe do Corpo de Bombeiros, mas não resistiu e morreu no local.

A criança precisou ser retirada com auxílio da equipe de resgate, pois estava presa às ferragens. Ela e a motorista receberam os primeiros atendimentos e foram encaminhadas para a Santa Casa de Campo Grande.

O tráfego ficou em meia pista, com equipes do Corpo de Bombeiros organizando a passagem dos veículos para evitar novos acidentes no trecho.

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