Cidades

LANÇAMENTO DO CARNAVAL

Escolas entram no ritmo do samba para o domingo

Escolas entram no ritmo do samba para o domingo

DANIEL CAMPOS

01/02/2014 - 12h15
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Oficialmente o carnaval de Campo Grande só começa no domingo, com o lançamento da festa nos altos da Avenida Afonso Pena, às 18h, mas as escolas de samba anteciparam suas programações e abrem os barracões hoje, amanhã e domingo para receber o público.

“O objetivo é deixar os campo-grandenses afinados e com a letra dos sambas-enredos decorada”, afirma o presidente do Igrejinha Paulo Thomaz.

Segundo o carnavalesco, a agremiação realiza neste fim de semana programação toda, com início às 18h30min, na nova sede da escola – Avenida Ernesto Geisel, s/n – em frente ao CTG Farroupilha. Com a participação de toda comunidade envolvida no desfile.

Sem ficar para trás, a Unidos da Vila Carvalho organiza o “Pagode da vila”. Na sexta, às 20h, na Avenida Joaquim Manoel de Carvalho, 395, a escola comanda a festa com a bateria “Poderosa” e suas passistas. No sábado, às 16h, a festividade conta com a presença dos grupos Samba Di Prima e Sampri. No domingo, também a partir das 16h, a bateria se une aos pagodeiros do Questão de Gosto.

Já a Deixa Falar apresenta ao público, no Centro Comunitário do Bairro Coophatrabalho, ao lado do Posto Policial, especialmente neste fim de semana, o seu esquema de carnaval no sábado, às 19h, com a presença de toda a escola e seus blocos.

Lançamento

O lançamento oficial do carnaval está marcado para este domingo na Cidade do Natal, às 18h. Para o evento, está confirmada a presença das seis escolas do grupo especial, três do grupo de acesso e a bateria formada por crianças.

O grupo Tambores Vento Bom, sob a batuta de Chico Simão e Nola Pompeo, está confirmado para abrir as apresentações das agremiações.

De acordo com o presidente da Liga das Entidades Carnavalescas de Campo Grande, Eduardo de Souza Neto, “o lançamento será uma boa oportunidade dos campo-grandenses conhecerem os sambas-enredos das escolas da Capital para 2014”.

O evento marca também o início oficial da temporada dos pré-carnavais nas escolas de samba na cidade.

 Os desfiles em Campo Grande estão confirmados para os dias 3 e 4 de março, na Avenida Alfredo Scaff, próximo à praça do Papa.

Blocos

Os blocos de rua invadem às ruas no fim de semana da Capital. O Grito de Carnaval ocupa a cidade com festa e descontração para os foliões campo-grandenses. Além de resgatar a antiga tradição carnavalesca, os responsáveis pela festividade, levam ao público muito samba e marchinhas de carnaval. Hoje, na Casa Vai ou Racha – Rua 14 de julho, 4113 –, a festa está sobre o comando do Teatro Imaginário Maracangalha, a partir das 17h. 

Amanhã, a partir das 15h, na Vila Ferroriária, o Cordão Valu dá seus primeiros passos, na Rua General Melo, 91, no bar Zé Carioca. À noite, a partir das 23h, o Rockers Bar – Avenida Manoel da Costa Lima, 34 –, ao som da banda Dona Nega, dá continuidade à festividade. Além da festa, o concurso de torcidas promete agitar os foliões. Os organizadores esperam muita festa e diversão dos presentes.

 

Jornalistas

A imprensa campo-grandense tem um novo local para disparar seu gole de desfaçatez. Com o compromisso de criar um momento de descontração e dar a oportunidade de os próprios jornalistas da cidade se encontrarem fora das redações, os profissionais lançam amanhã o mais novo cordão “Bloco do bloquinho – A imprensa que eu gosto”, no Palhoça’s Bar – Rua Professor Severino Ramos de Queiroz, 553 –, às 15h.

Além de proporcionar aos profissionais da categoria uma chance de participar do carnaval, tendo em vista que os jornalistas trabalham na cobertura do evento, o bloco tem como objetivo de resgatar velhas tradições, como os blocos de ruas que invadiam a cidade.

O som fica por conta dos músicos do bar, e seu repertório contará com marchinhas. O bloco é mais uma opção de festa em Campo Grande, que pretende em 15 dias reunir novamente a imprensa. Para o carnaval está programado um desfile.

 

Identidade Sul-mato-grossense

MS faz 49 anos com 116 mil indígenas e diversidade cultural

Censo mostra presença indígena nos 79 municípios; historiador destaca influência de migrantes, países vizinhos e diferentes tradições

10/10/2026 17h32

 Pantanal de MS

Pantanal de MS Foto: Divulgação/DLR

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Mato Grosso do Sul completa 49 anos neste domingo (11), com uma identidade cultural construída por diferentes povos, tradições e influências de regiões brasileiras e países vizinhos. O Estado abriga 116.469 pessoas indígenas, a terceira maior população indígena do Brasil, segundo o Censo Demográfico de 2022, e registra presença indígena em todos os seus 79 municípios. 

A formação cultural sul-mato-grossense vai além das imagens mais conhecidas do Estado, como o Pantanal, a música regional e o tereré. A proximidade com Paraguai e Bolívia, a migração de famílias de diferentes partes do País e a presença de povos originários contribuíram para a formação de hábitos, sotaques, manifestações artísticas e tradições gastronômicas que variam entre as regiões.

Em entrevista publicada pelo Correio do Estado, o historiador Roberto Figueiredo destacou justamente essa pluralidade ao abordar a identidade cultural do Estado.“Reforço uma frase da saudosa professora Glorinha, que disse que nós somos um povo que mistura tudo, gaúchos, mineiros, japoneses, paraguaios, bolivianos, nordestinos e árabes. É essa mistura que faz a nossa identidade cultural”, afirmou.

A formação do Estado reúne referências indígenas, fronteiriças, pantaneiras, rurais e urbanas, além de manifestações culturais trazidas por famílias que migraram para a região ao longo de diferentes períodos históricos.

Indígenas

O Censo de 2022 identificou 116.469 indígenas em Mato Grosso do Sul, contingente equivalente a cerca de 6,9% da população indígena brasileira. O Estado fica atrás apenas do Amazonas e da Bahia nesse indicador.

A presença indígena também está distribuída por todo o território estadual. Os 79 municípios registraram moradores que se declararam indígenas no levantamento do IBGE, embora a proporção varie bastante entre as cidades.

Japorã, no extremo sul do Estado, apresenta uma das situações mais expressivas: 57,81% da população municipal se declarou indígena no Censo. Paranhos e Tacuru também estão entre os municípios com maiores proporções de moradores indígenas.

Em números absolutos, Campo Grande reúne a maior população indígena do Estado, seguida por Dourados e Amambai. Isso evidencia que a presença desses povos não está restrita às aldeias ou às áreas rurais, mas também integra a realidade das cidades.

A distribuição territorial revela outra característica importante: em 2022, aproximadamente 64% da população indígena sul-mato-grossense vivia em áreas rurais, enquanto cerca de 36% residia em áreas urbanas. A diferença mostra a importância dos territórios tradicionais e, ao mesmo tempo, a presença crescente dos povos indígenas nos centros urbanos.

Os povos indígenas fazem parte da realidade social, cultural e urbana do Estado.

A discussão sobre o que define a identidade sul-mato-grossense não é recente. Desde a criação do Estado, artistas, escritores, pesquisadores e instituições culturais debatem quais elementos representam uma unidade federativa formada a partir de diferentes origens.

Essa trajetória mostra que a identidade cultural não se formou apenas a partir da divisão territorial. Ela foi sendo construída por artistas, comunidades, movimentos culturais e gerações que deram novos significados às referências locais.

Da divisão à formação de um Estado

A criação de Mato Grosso do Sul foi oficializada pela Lei Complementar nº 31, assinada pelo então presidente Ernesto Geisel em 11 de outubro de 1977. A implantação efetiva ocorreu em 1º de janeiro de 1979, quando o novo Estado passou a funcionar administrativamente.

A divisão estabeleceu uma nova unidade federativa, mas não criou do zero as populações e as tradições que já existiam no território. A região possuía vínculos históricos com povos indígenas, comunidades fronteiriças, atividades rurais e centros urbanos que continuaram a influenciar a formação social e cultural sul-mato-grossense.

Quase cinco décadas depois, Mato Grosso do Sul tem 357,1 mil quilômetros quadrados e população de 2,76 milhões de habitantes, conforme o Censo de 2022. A extensão territorial e a distribuição dos moradores ajudam a compreender a diversidade entre regiões como o Pantanal, o sul de forte presença agropecuária, a faixa de fronteira e os centros urbanos.

Aos 49 anos, a história do Estado continua sendo construída pela convivência entre essas diferentes realidades. Mais do que um conjunto de símbolos, a identidade sul-mato-grossense reúne povos, memórias e tradições que se transformam ao longo das gerações.

Acesso a Serviços

Guarani facilita acesso de indígenas à perícia em MS

Marlene Ortiz atua na Polícia Científica desde 2024 e ajuda indígenas a compreender procedimentos

10/10/2026 15h13

Reprodução/Gov MS

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Um em cada quatro moradores de Amambai é indígena, realidade que torna a comunicação em guarani importante para o acesso a serviços públicos no município. Na Polícia Científica, a pedagoga e técnica de enfermagem Marlene Ortiz atua como ponte entre a comunidade e os profissionais durante atendimentos médico-legais, orientações sobre exames de DNA e emissão de documentos de identidade.

Segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Amambai tem 9.988 moradores indígenas, o equivalente a 25,4% da população. Desde 2024, Marlene trabalha na Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI), por meio de parceria com a prefeitura, auxiliando pessoas que enfrentam dificuldades para compreender as orientações em português.

“Quando chegam aqui e encontram uma pessoa indígena, elas confiam mais. Conversam, tiram dúvidas e falam comigo”, relatou Marlene.

A atuação ocorre em situações que exigem compreensão de procedimentos técnicos e, muitas vezes, envolvem medo, insegurança ou sofrimento. Além de ajudar os usuários a entender as informações recebidas, ela auxilia os servidores a compreender o que é relatado em guarani.

missão de documentos

O apoio também é prestado no Núcleo Regional de Identificação, onde indígenas procuram atendimento para solicitar a Carteira de Identidade Nacional (CIN). Nesses casos, Marlene esclarece dúvidas e ajuda a explicar as etapas necessárias para a emissão do documento.

A necessidade de comunicação acessível tem relação com a realidade linguística do município. Amambai reconhece o Guarani Kaiowá como língua cooficial desde 2024, por meio da Lei Municipal nº 2.905.

A barreira do idioma pode dificultar a compreensão de orientações em serviços que exigem informações precisas, como os procedimentos periciais. Nesses atendimentos, Marlene auxilia na comunicação e no acolhimento, enquanto exames e produção de provas técnico-científicas continuam sob responsabilidade dos profissionais habilitados.

A unidade regional também recebe demandas de moradores de Coronel Sapucaia, Paranhos, Sete Quedas e Tacuru, municípios do Cone Sul de Mato Grosso do Sul.

Desenhos

A experiência anterior de Marlene com crianças, mulheres, gestantes e idosos da comunidade indígena também influencia a forma como conduz o acolhimento.

Ela recorda o caso de uma criança que resistia a interagir durante um atendimento. Em vez de insistir nas perguntas, sentou-se ao lado dela e começou a desenhar uma gatinha. A criança respondeu com outro desenho e, depois, conseguiu seguir para o exame.

“Quando a criança chega muito irritada, ela brinca e vai se acalmando. Depois dá para chamar para fazer o exame”, contou.

Em situações de violência e morte, o trabalho também envolve ajudar familiares a compreender os procedimentos e as informações repassadas pela equipe. A atuação é especialmente importante quando parentes chegam à unidade em busca de orientações após a morte de alguém da família.

“Se o meu povo indígena chega, já me procura. Talvez eu não esteja aqui, mas me chamam para conversar”, afirmou.

Para Marlene, o vínculo com a comunidade é parte importante desse trabalho. “Me colocaram aqui para ajudar a minha comunidade, mas também ajudo qualquer pessoa que precise. Eu gosto de ajudar. Se precisar, estou aqui”, finalizou.

 

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